(Continuamos na alucinação. Macron diz, e os idiotas da nossa comunicação social repetem, que os russos só tomaram ainda 1% do território da Ucrânia. Ou não sabem a área de cada um dos territórios ou a matemática é uma batata para esses iluminados. O Major-general Agostinho Costa desmonta-lhes a mistificação e ensina-os a fazer contas, se é que têm cérebro capaz de as aprender. A escumalha está cada vez mais insana. É ver o vídeo.
(Manuel Augusto Araújo, in Facebook, 14/08/2025, Revisão da Estátua)
Imagem gerada por IA
O universo mediático é um alfobre de idiotas úteis vendidos a interesses mais ou menos obscuros. A fronteira da vigarice intelectual, das mentirolas, no melhor ou pior dos casos nas meias-verdades é o pântano por onde essa gente viaja alegremente despejando com ar sério – imagem de marca dos melhores burlões o que nem sempre conseguem ser -, os maiores dislates que o mais raso senso comum deveria destruir.
Só que, contam com plateias prontas a ser recetáculo das asnices e despautérios por se terem tornado incapazes de um mínimo de espírito crítico, da mínima capacidade de análise tanto por ignorância como pelo embotamento conseguido pelos Big Brothers, Casa de Segredos e coisas quejandas.
Agora o tema quase diário dos comentadores, uns beócios, outros filisteus, outros ainda enxertados de modo diverso nas duas categorias, que peroram sobre a guerra em curso na Ucrânia, é a hipótese de um acordo que abre as portas para uma paz possível.
Essa tropa fandanga acena um fantasma com os acordos de Munique de 1938, celebrados por Neville Chamberlain, Primeiro-ministro britânico, Édouard Daladier, Primeiro-ministro francês, Benito Mussolini, primeiro-ministro italiano, e Hitler em que parte substancial da Checoslováquia foi anexada à Alemanha nazi. Teoricamente para acalmar os ímpetos expansionistas do führer e alcançar uma paz para a Europa, os resultados são os conhecidos. Pretendem traçar um paralelo com uma provável paz na Ucrânia, em que os supostos planos expansionistas da Federação Russa não seriam travados.
A falsidade dessas arengas é que nessa época a crise do capitalismo era grave, o nacional-socialismo era a sequência do liberalismo clássico que tinha desembocado na Grande Depressão. A isso adicionava-se a Alemanha ter um grande défice de matérias-primas que só poderia obter invadindo outros territórios. Paralelamente a França e a Inglaterra procuravam que a Alemanha nazi se virasse para leste, onde encontraria na União Soviética a solução para essa escassez, de caminho destruindo o espectro do comunismo que, de algum modo, assombrava a Europa e punha em causa os valores capitalistas.
A inutilidade dos acordos de Munique tem essa raiz. Olhando para a realidade atual qual o interesse da Federação Russa, sem ser alcançar uma sólida segurança, em se expandir para a Europa? Qual o interesse económico e de matérias-primas que a Europa oferece? Nenhum! Zero!
O contrário é que é real. A Federação Russa pela sua extensão territorial, as suas riquezas em matérias-primas, a oferta de investimentos possíveis da agricultura à indústria, à exploração das matérias-primas é que é alvo do interesse ocidental, como a louca Kaja Kallas num momento de lucidez e inesperada sinceridade assumiu expressando o desejo de implodir a Federação Russa para mais facilmente explorar as riquezas do seu território.
O que essa gente, acenando com o papão de Munique, faz é ocultar a realidade e, de caminho, ocultar o que de facto está a acontecer na Ucrânia, num plano traçado em 2009 – leiam os think-tanks norte-americanos -, posto em marcha em 2014, com o golpe de Maidan, em que os EUA investiram cinco mil milhões de dólares – Victoria “que se foda a Europa” Nuland dixit -, que se agravou brutalmente com a invasão russa.
A Ucrânia é um entreposto onde se digladiam vários interesses, mas nenhum configura uma desnecessária expansão da Federação Russa. Poderá ter uma consequência desastrosa para a União Europeia, que seria ou será a adesão da Ucrânia, qualquer que seja a forma como saia deste conflito, o que aliás já teve algumas erupções em vários países da UE, por enquanto só ao nível da agricultura.
(Manuel Rocha, in Facebook, 07/08/2025, Revisão da Estátua)
Os comentadores são hoje visita diária das casas todas. Há quem neles busque orientação, argumento, explicação. Há quem não consiga ter pensamento que não o colhido da comentadoria, há quem procure no comentário a interlocução-à-distância para o seu próprio pensamento. Há quem use as potencialidades da box da TV para ir à cata do comentário de agostinhos, tiagos, brancos e poucos mais; e há quem pulse o botão de zapping, com a energia da repugnância, à vista de ferro-gouveias, irineus, saramagos, milhazes, isidros, solleres, serronhas, portas, e semelhantes anomalias.
A CNN é a estação que mais foi fixando a audiência que quer perceber, entre o nevoeiro das certezas absolutas, as dúvidas que nos servem para orientar escolhas fora do rumo da carneirada. Mas está a perder qualidades – e, no meu caso, audiências. Até há pouco conseguiu compensar o desempenho do seu péssimo elenco jornalístico com o melhor trio de comentadores de política internacional da TV: Carlos Branco, Tiago André Lopes e Agostinho Costa. Porém, um golpe de fanatismo do jornalista Bello Moraes (nome de esmerada ‘ortographia’) provocou uma reação de grande dignidade do Major-General Carlos Branco, saldando-se numa baixa de peso que terá afastado audiência (muitos outros, como eu) do ecrã da CNN.
No meio da desorientação CNNénica aparecem lá pelo estúdio umas aves raras, sempre apresentadas como especialistas de alguma coisa. Há umas que ali esvoaçam mais frequentemente, como um avençado Uriã, ligeiro na forma como debita verdades absolutas, desmentidas pela realidade dos factos logo no dia seguinte. É assim que ganha a vida, o Uriã. Dada a falta de corpo para o mercenarismo de arma na mão resta-lhe o mercenarismo na palavra, seguramente mais compensador e muito menos perigoso.
E de repente o humor. Ontem, quinta-feira 7, tivemos ao serão o comentário do Major-General Agostinho Costa, sempre aferroado pelo pivô para concluir as suas intervenções, acompanhado de duas aves raras – uma de que não recordo nem nome nem verbo, e a outra Cátia Moreira de Carvalho, de sua graça, pelos vistos especialista em direito internacional.
Agora estamos nisto: a CNN, ciente da perigosidade da elevação das inteligências, tenta diluir o comentário de Agostinho Costa e de Tiago André Lopes numa sopa de imbecilidade ou de perfídia (consoante o horário). Sem sucesso, pois o que é sério destaca-se.
Voltando ao assunto: a tal especialista Cátia Moreira de Carvalho, comentando o facto de a União Europeia estar ausente das cimeiras previstas para breve, revelou-se indignada, na qualidade de “portuguesa e europeia”, considerando que (sic) “a União Europeia devia ‘de’ fazer uma autópsia e olhar para dentro”.
Mesmo deixando de lado as questões de sintaxe e de semântica, em que a pobre Cátia revela não ser especialista, merece nota positiva a involuntária clarividência de quem compreendeu que a UE, politicamente, faleceu.
Já a capacidade dos mortos vasculharem as próprias vísceras é desejo só de cátias surpreendidas pelo óbvio, as quais percebem tanto de geopolítica como de medicina-legal.