Carta aberta de uma cidadã portuguesa a Pedro Abrunhosa

(Por Camila Rodrigues, in Facebook, 23/07/2022)

Caro Pedro, antes de ser artista é um cidadão português e espanta-me que na qualidade de ambos, cidadão e artista venha agora apelar ou falar da censura a que supostamente foi sujeito. Está a falar de quê? Andará o Pedro distraído e completamente alheio à realidade?

Por acaso tem conhecimento da censura anormal a que milhares de portugueses são sujeitos desde fevereiro por terem uma opinião diferente daquela que alguns líderes políticos irresponsáveis e artistas como o Pedro querem impor a pessoas lúcidas, pessoas que independentemente de condenarem guerras se recusam a apoiar Governos que se dizem democráticos mas que há 8 anos perseguem civis no próprio país por falarem uma língua diferente?

Ah, a censura só funciona para um lado? A censura só serve de exemplo porque é o Pedro Abrunhosa o visado e contrariado? Porque o Pedro é um artista mas os milhares de portugueses que têm sido silenciados entre eles, outros artistas, advogados, políticos, historiadores, economistas, escritores e cidadãos comuns são menos que o Pedro? Tem por acaso ideia da quantidade de bloqueios que existem nas redes sociais de há 4 meses a esta parte?

Vem falar de censura Pedro, mas sabe o que é a censura e a liberdade de expressão e de informação? Nunca ouvi o Pedro a reclamar a limitação e proibição dos canais televisivos e da informação russa; dirá o Pedro que é tudo falso e propaganda certo? E se for? Não têm os cidadãos de um país democrático o direito a poderem decidir livremente e em consciência o que querem ver e ouvir? Ou simplesmente têm que seguir a opinião e as vontades que o Pedro e outros nos querem impor e que agora, com uma grande “Lata”, nos vem falar em censura…

Conseguirá o Pedro, quando fala num país democrático, entender que milhões de portugueses, uns que se manifestam e outros que não – para não ficarem mal vistos perante uma sociedade que, tal como o Pedro resolveu adotar o histerismo e a falta de tolerância -, que para no mínimo tentarem perceber que as coisas não podem nem devem ser vistas a preto e branco e que, ao condenarem aquilo que é condenável, conflitos armados sejam eles de que tipo for, passaram a apoiar e a defender coisas ainda mais condenáveis e que não só arrastam o povo ucraniano mas todo o povo europeu para o suicídio coletivo?

Terá o Pedro noção que há milhões de europeus que se recusam a apoiar governos que transformam guerras e o sofrimento de um povo num completo reality show e palhaçada “Hollywoodesca”?

Terá o Pedro noção de que acusam a Rússia de propaganda mas que a única propaganda que nos entra pelos olhos dentro são as montagens (fotografias de outras guerras adaptadas ao caso ucraniano), os vídeos falsos (como a adaptação de um videojogo para promover um suposto aviador ucraniano, um herói inexistente a quem denominaram de Fantasma de Kiev) e os relatos falsos de cidadãos que são pagos ou obrigados a relatar mentiras (como os milhares de denúncias de violações em Bucha que pelos vistos foram inventados)? Ah claro, e a complementar, os ataques de histerismo, como aquele que o Pedro teve em pleno concerto e que, obviamente servem para formatar e influenciar a opinião pública em relação à sua opinião.

Acha-se portanto o Pedro como artista, a pessoa indicada para, segundo diz, condenar uma guerra, até concordo, só que não acredito numa palavra da sua justificação, sobretudo quando fala de censura e democracia. Se o Pedro condena a censura já devia há meses ter-se rebelado contra a mesma porque tem sido real e acredite que mais drástica do que aquela que diz existir para o seu lado; se é contra a guerra devia ter-se vestido de branco (ou a sua imagem artística e o seu ego são intocáveis e afinal mais importantes que a causa que diz apoiar? É mais um hipócrita Pedro?).

Terá o Pedro noção que a sua atitude enquanto artista e goste de Putin ou não, está a influenciar toda uma plateia à russofobia? Saberá o Pedro que histerismos como o seu, que é um artista e se acha no direito de apelar à democracia do seu país e falar em censura, têm provocado várias situações de descriminação com a população russa a viver em Portugal? Sabe que há crianças russas nas escolas portuguesas a serem vítimas do histerismo e cegueira? Sabe que há funcionários públicos a serem vítimas e que já escondem a nacionalidade? Sabe que há russos em Portugal que já evitam cafés e convívios com medo de serem maltratados?

Tenha vergonha Pedro, a única coisa que lhe resta não é justificar o injustificável falando de censura, o Pedro como cidadão pode não gostar de Putin e até o revelar no seu grupo íntimo e de amigos, é a sua opinião pessoal, o que não pode é como artista e em palco incentivar centenas ou milhares de pessoas ao ódio mesmo que seja contra um regime.

Foi um regime eleito por um povo, ou se acontecesse o mesmo contra o Governo ou o líder português num qualquer outro país o Pedro não se sentiria atingido? Bom senso precisa-se e talvez uma grande dose de humildade, não? Que tal apresentar as suas desculpas ao povo russo e à Embaixada Russa? Ficava-lhe melhor e era mais digno do que ter-se justificado com uma série de disparates.

Ah… Vou ficar a aguardar com muita ansiedade que o Pedro suba a um palco com a mesma atitude a defender o povo palestiniano ou iemenita, não sei se sabe o Iémen vive desde 2014 a maior crise humanitária do Mundo segundo a ONU, pois… Não têm olhos azuis… A hipocrisia é lixada…

E… Não fale pelos portugueses e sim por si, eu sou portuguesa e ainda não lhe passei uma procuração para me representar.

Tenho pena…Até gostava de grande parte das músicas…


Ver artigo sobre o concerto em que Pedro Abrunhosa se manifestou aqui.


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A ‘liberdade para insultar’, nas páginas do Expresso, não inclui a ‘liberdade para publicar’ a resposta aos insultos

(Alfredo Barroso, in Facebook, 22/07/2022)

Conclusão de Alfredo Barroso, insultado e ‘censurado’ no, e pelo, Expresso.


Fui insultado estupida e injustificadamente, no Expresso de 1 de Julho de 2022, por um ‘poltrão à moda do Minho’, chamado Luís Aguiar-Conraria, (Ver o dito texto na parte final deste artigo), que saiu em defesa da sobriedade e dignidade das “mamas” (termo que eu nunca usei, mas ele sim, atribuindo-o a mim!) de uma “head of comunication” e comentadora da CNN/TVI, chamada Helena Ferro de Gouveia, por eu ter comparado esta senhora, fotográfica e literariamente, à advogada Suzana Garcia, também ela comentadora da TVI – e candidata a presidente da Câmara Municipal da Amadora, como cabeça de lista do PPD/PSD, nas últimas eleições autárquicas.

Por estar em férias, só por mero acaso tomei conhecimento no dia 8 de Julho de 2022 do texto bastante insultuoso, despropositado e estúpido do ‘poltrão à moda do Minho’ acima referido. E fiquei de tal modo indignado, com o despropósito do que ele escrevinhou e com os insultos que me dirigiu, que nesse mesmo dia redigi o texto da minha resposta. Mas só a enviei, na manhã de 2ª feira, dia 11 de Julho de 2022, a um subdiretor do Expresso, Martim Silva, e a mais dois jornalistas do semanário que conheço pessoalmente, Ângela Silva e Vítor Matos, solicitando que acusassem a recepção do meu email. Coisa que nenhum deles se dignou fazer (admito que por ‘instruções’ da direcção do semanário).

Pedia eu, nesse email, a publicação integral da minha resposta, dada a gravidade dos insultos que o sacripanta Aguiar-Conraria me dirigiu e invocando ingenuamente (apesar de já ter 77 anos) o facto de ter sido colaborador semanal do Expresso durante quase nove anos (1996-2004), e dando por subentendido eles saberem que fui jornalista profissional desde muito antes do 25 de Abril.

Nada feito. O Expresso não se dignou sequer responder-me e não publicou a minha resposta, nem na edição de 15 de Julho de 2022 nem na edição de 22 de Julho de 2022. A «Liberdade para pensar» que o Expresso reclama para si, é uma perfeita hipocrisia! Imagino, aliás, o sentimento de vergonha que eles terão sentido ao lerem a minha resposta ao ‘pobre’ do Aguiar-Conraria – e até me espanta que este ‘poltrão’ não tenha ficado à beira do ‘suicídio’, como ele se atreveu a acusar-me de o ter feito à sua ‘bela’ Helena Ferro de Gouveia (de Gouveia, e não de Troia).

A indignidade e cobardia de Luís Aguiar-Conraria – além do mais um cretino e ‘pavão’ reaccionário e miguelista – não me espanta tanto quanto a indignidade, falta de ética e cobardia da Direcção do Expresso, não só por não ter publicado a minha resposta, mas também por nem sequer se ter dignado responder-me.

Terei, assim, que optar pela via legal, para tentar (notem que digo “tentar”) obter a publicação da minha resposta, Não me esquecerei de enviar, em anexo à minha resposta, cópia do Cartão de Cidadão e cópia do meu “curriculum” pessoal, profissional e político, para tentar convencer a Direcção do semanário Expresso de que sempre fui, e continuo a ser, um cidadão íntegro – e independente de qualquer partido (apesar de ter sido um dos fundadores do PS) – que sempre praticou e pratica, defendeu e continua a defender, a “Liberdade para pensar” – e, já agora, a “Liberdade para escrever e publicar”.

Ah – já me esquecia – acho que também vou juntar cópia do meu único rendimento desde a reforma: a pensão de aposentação como assessor principal do quadro da Secretaria Geral da PCM. De facto, não benefício de qualquer ‘subsídio político’, e disso me orgulho.

Campo d’Ourique, 22 de Julho de 2022


Comer e não calar

(Por Luís Aguiar-Conraria, in Expresso, 01/07/2022)


Há poucas semanas, li uns tweets de Rita Marrafa de Carvalho, jornalista da RTP que estava na Ucrânia a fazer a cobertura da guerra, a dizer que não era magra, mas que estava contente com o seu corpo, que já lhe tinha dado muito, e que nem todos podiam ser bafejados pela sorte genética. Na mesma altura, leio Helena Ferro de Gouveia, administradora e responsável pela comunicação de um grande grupo empresarial, a falar das suas mamas: “Sou uma mulher e tenho mamas. São grandes, mas são as minhas mamas naturais, fazem parte do meu corpo.” Na mesma semana, na sua conta de Instagram, vejo uma foto do rabo da fadista Cuca Roseta, com uns calções curtíssimos, que tinha a seguinte legenda: “Olá eu sou a Cuca Roseta e estas são as minhas nádegas, traseiro, glúteo, rabo ou o que lhe quiserem chamar. Também tenho olhos, boca, braços, mãos, cabelos, etc. Escrevo este post porque (…)”

Qual o propósito destes tweets e posts despropositados? O que pode levar uma jornalista com a tarimba de Marrafa de Carvalho e em cenário de guerra a vir para as redes sociais falar do seu corpo? Ou Helena Ferro de Gouveia, com décadas de jornalismo, auditora de defesa nacional pelo Instituto de Defesa Nacional e com mestrado em liderança pela Academia Militar, comentar as suas mamas? Ou de Cuca Roseta, fadista consagrada, vir a público confessar que tem um rabo?

Basicamente todas foram vítimas de assédio e misoginia. Não sei se lhe chame cyberbullying, como é comum, porque é uma realidade com que as mulheres convivem desde sempre: ter desconhecidos a comentar o seu corpo, dizendo que são boas como o milho ou que são gordas ou feias. Dizem-me mulheres da minha idade que faz parte de ser gaja passar a vida a ser avaliada esteticamente e tratada como se só isso contasse. O que se passava nas ruas passa-se agora, também, no mundo virtual do online.

No caso de Rita Marrafa de Carvalho, tanto quanto pude perceber, foi vítima de ataques anónimos. Nos outros casos, os agressores eram homens com créditos e responsabilidades. Alfredo Barroso foi secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, quando o presidente de tal Conselho era o seu tio, Mário Soares. Também foi chefe da Casa Civil do Presidente da República Mário Soares. Esta pessoa, com estas responsabilidades, para atacar Helena Ferro de Gouveia pelo que diz sobre a guerra na Ucrânia, não encontra outra forma que não a de falar dos seus grandes dotes. E, se dúvidas houvesse sobre o que queria dizer com “excecionalmente dotada”, elas dissipar-se-iam quando, num segundo post no mesmo dia, junta a foto de Ferro de Gouveia à de Suzana Garcia, que há anos é gozada nas redes sociais pelos mesmos motivos e afirma que ambas são “excecionalmente dotadas” e “rivalizam nos atributos”. No caso de Cuca Roseta, um seu colega de profissão, Nuno da Câmara Pereira, partilha uma foto da cantora em que esta aparece com o rabo destacado numas calças semitransparentes, em que se vislumbram as cuecas por baixo. Nessa partilha, confessa-se derrotado e que desiste de mostrar “o que não é fado”.

Pensava que se tinha evoluído e que pessoas como Alfredo Barroso e Câmara Pereira evitassem brejeirices tão grosseiras

Nada disto é novo. Mas pensava que se tinha evoluído um pouco e que pessoas que se consideram importantes, como é claramente o caso de Alfredo Barroso e de Câmara Pereira, evitassem brejeirices tão grosseiras. Qual é a necessidade? Se Alfredo Barroso quer dizer que Ferro de Gouveia nada percebe de assuntos militares, esteja à vontade. Será um pouco ridículo face às suas qualificações, mas todos comentamos assuntos de que nada percebemos. O mesmo para Câmara Pereira: critique a forma de cantar de Cuca Roseta. Se não considera fado o que ela faz, que o diga e explique. Agora fixarem-se no peso ou nas mamas ou no rabo?

O fenómeno é tão comum nas ruas que já foi alvo de legislação em muitos países. Mas a investigação científica também tem estudado o assédio online. E não há nada de inocente nas consequências do cyberbullying de que as mulheres são alvo. O impacto é devastador, levando por vezes ao suicídio. Um relatório do Parlamento Europeu mostra que entre as principais vítimas estão as mulheres na política — que o diga Marisa Matias que teve um candidato à presidência a dizer que os seus “lábios muito vermelhos” pareciam “uma coisa de brincar” —, jornalistas e, também, académicas. Os impactos vão desde problemas de saúde física à mental, como ansiedade, ataques de pânico, perda de autoestima, etc. Há também um relatório da Amnistia Internacional que salienta que um dos efeitos principais é o do silenciamento das mulheres: desistem. É tremendamente injusto para as visadas, que sofrem diretamente com isto, mas todos perdemos.

Era bom que nós, que tantas vezes nos indignamos por nada nas redes sociais, fizéssemos o contrário e contribuíssemos para o silenciamento destes badalhocos. Fazer-lhes ver que lugar deles não é no século XXI. Por mais humilhante que seja — e é, por muito valentes que se façam —, estas mulheres serem vocais na defesa do seu direito a estar de corpo inteiro no espaço público, não sendo avaliadas pelos seus atributos físicos, é serviço público.

Professor de Economia da Univ. do Minho


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Milhazes e a comunidade LGBTK, etc, etc

(Tiago Franco, in Facebook, 21/07/2022)

Um dia vamos discutir como o jornalismo monotemático e de massacre 24/7, promove a rock star algumas figuras absolutamente desinteressantes e também labregos em barda. Até esse dia chegar, temos que ir levando suavemente com personagens como este Milhazes, o Carona da Ucrânia.

O Avante tem um mel muito especial porque atrai todo o tipo de pessoas. Quem gosta, quem não gosta, quem um dia gostou e quem nunca gostará. Todos falam, como diria a Lena D’Água, bem ou mal, mas todos falam.

Curiosamente nunca vi uma referência, deste Milhazes ou de outro boneco qualquer, sobre festivais, universidades de verão ou outro evento realizado por partidos políticos. Isto de sermos todos muito democráticos mas marrarmos diariamente no vermelho com pedidos de cancelamento, é uma definição muito própria da coisa inventada pelos gregos.

O PCP não tem culpa do Avante ser de facto a melhor festa organizada por um partido político em Portugal. Embora o ChegaFest tivesse aparecido com toda uma nova roupagem para a música de elevador e a universidade de verão do PSD também ter uma playlist de Vangelis boa. Ou era a do PS? É difícil distingui-los. Mas o ponto aqui é, o discurso de “não sei como o artista X vai ao Avante, uma festa organizada por um partido que apoia o regime Y”, que já me começa a irritar e a trazer um cheirinho a mofo de Santa Comba.

A primeira vem com essa do apoio aos regimes e tal. Vamos lá a ver se nos entendemos, uma coisa são os regimes que a turba diz que o PCP apoia (a Rússia, por exemplo) outra é a realidade. Não é por se repetir muitas vezes uma mentira que ela passa a verdade. E mesmo que o PCP apoiasse a Rússia…que diferença isso faz para a política nacional ou a vida dos portugueses em geral?

Preocupar-me-ia mais se o PCP apoiasse o fim do SNS, da escola pública ou se estivesse metido nos favores à banca. É que isso é que influencia a vida dos portugueses que pagam impostos, não são os regimes estrangeiros num mundo onde Portugal tem o peso de um grão de areia na política externa.

Anda o PCP a levar há 20 anos com a narrativa da Venezuela e bastou os mercados do petróleo ficarem engatados, para os EUA (na voz do Biden) declararem a Venezuela como uma democracia amiga a quem se deve comprar uns barris. Isto depois de ouvir o Macron a dizer que é preciso substituir os russos pelos sauditas. Farto de hipocrisia sobre democracias ando eu!

Andava o Chega a defender o fim do SNS e da escola pública, o PSD a mandar o pessoal emigrar e a aumentar os impostos, o PS a alimentar as PPPs e os bancos, o CDS a rebentar com o parque habitacional e a comprar submarinos e nunca vi ninguém a insurgir-se contra nada que estes estarolas organizassem.

Eu quero lá saber se o partido comunista da Galiza está no Avante ou se os colombianos têm lá uma barraca. Essa merda muda alguma coisa naquilo que é o baixo salário do português, a carga fiscal gigante e os roubos da banca? Não, pois não? Mas as políticas do centrão já nos colocam aí, certo? Então preocupem-se com os regimes estrangeiros quando o nosso for de primeiro mundo.

E agora aparece esta anedota deste Milhazes, a indignar-se em horário nobre porque a Carminho ou o Paulo Bragança vão à festa. É preciso ter uma paciência para este gajo… Já não há nada para dizer sobre vilas ardidas ou hospitais arrasados? O PCP tem que levar com estes gajos durante o Covid, guerras e primeiros de Maio? Que respeito pela democracia é esse quando, abertamente, se prestam ao frete de tentar boicotar a Festa e os seus participantes?

Já agora, duas notas, ó Milhazes. Essa do “não conheço os outros participantes” deve ser porque o Vitorino já é um caso perdido ou porque, lá em casa, só passa Pussy Riot. Mais Riot. Pelo discurso noite após noite, algo me diz que pussy nem tanto.

Elucidou-nos ainda o ex-camarada Milhazes que, a Bia Ferreira, e cito, “é uma destacada representante da comunidade LGBTK, etc, etc e vem à festa de um partido que apoia regimes que perseguem membros dessa comunidade”.

Desde logo Milhazes, tu que estás tão preocupado com a comunidade, explica-me lá, o “K” antes do etc, etc, é de quê? Kings? Kiwis? Kunanis?

Sobre regimes já falámos, é chover no molhado, mas conta-me, por favor, onde é que alguma vez, em Portugal, o PCP teve um discurso discriminatório contra qualquer comunidade. Fosse pela sua orientação sexual, etnia, origem, etc?

É que há de facto um partido (às vezes dois) em Portugal com esse tipo de discurso mas, que me lembre, não ouvi o Milhazes muito indignado por saber que o Rui Bandeira, com um cabelo tão sedoso como o da Carminho, lá ia cantar.

Desejo que a guerra acabe quanto antes para que os ucranianos deixem de ser utilizados num tabuleiro que não é o deles. Mas mentiria se não dissesse que, depois de fechadas as cortinas, não via com bons olhos o regresso do Milhazes ao buraco onde passou os últimos 40 anos. Quase que tenho saudades do Carona e das lágrimas em direto.


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