Mais biliões para a Ucrânia à medida que a América se desmorona

(Dr. Ron Paul, in http://www.lewrockwell.com, 23/08/2022, trad. Estátua de Sal)

(Publico este texto como demonstração de que, nos EUA, também há gente acordada opondo-se à política externa de Biden e dos seus sequazes. Ou seja, aqueles que defendem a melhoria das condições de vida na América, para os americanos. E os pastorinhos não venham dizer que o autor, também é putinista…

Estátua de Sal, 24/08/2022)


Há um videoclipe a circular que mostra o presidente Biden falando numa recente cimeira da NATO sobre os sete biliões de dólares que o governo dos EUA havia – há época – fornecido à Ucrânia. Em contraponto há também outro clipe que mostra o estado horrível de várias grandes cidades dos EUA, mormente na Pensilvânia, Califórnia e Ohio. O vídeo das cidades americanas é chocante: paisagens intermináveis ​​de sujeira, lixo, pessoas sem-abrigo, fogueiras na rua, zombies viciados em drogas. Não há qualquer semelhança com a América de que a maioria de nós se lembra.

Ver Biden gabar-se de enviar biliões de dólares para líderes corruptos no exterior, existindo cidades americanas que parecem o Iraque ou a Líbia bombardeados, é em síntese a política externa dos EUA. As elites de Washington dizem ao resto da América que devem “promover a democracia” numa qualquer terra distante. Qualquer um que se oponha é considerado aliado do inimigo escolhido do dia. Este já foi Saddam, depois Assad e Gaddafi. Agora é Putin. O jogo é o mesmo, apenas se alteram os nomes.

O que raramente é perguntado é quais são as vantagens deste negócio para aqueles americanos que sofrem para pagar a nossa política externa intervencionista. Será que um americano que trabalha no Ohio ou na Pensilvânia fica melhor ou mais seguro porque supostamente estamos a proteger as fronteiras da Ucrânia? Acho, isso sim, que a maioria dos americanos se questionaria por que não se preocupa o governo por proteger as nossas próprias fronteiras.

Cerca de 200.000 ilegais cruzaram a fronteira dos EUA somente em julho. Acredite que eles rapidamente tiveram conhecimento do dinheiro gratuito fornecido pelo governo dos EUA aos ilegais. E provavelmente vão receber também um cartão de eleitor.

Na sexta-feira passada, o Pentágono anunciou que mais US$ 775 milhões seriam enviados para a Ucrânia. Como o Antiwar.com relatou, foi o décimo oitavo pacote de armas para a Ucrânia em seis meses. Já houve na história alguma intervenção mais idiota dos EUA?

Os defensores desta guerra por procuração podem comemorar mais essa ajuda à Ucrânia, mas a realidade é que não é, de forma alguma, uma ajuda à Ucrânia. Não é assim que o sistema funciona. É dinheiro criado do nada pelo FED e apropriado pelo Congresso para ser gasto na sustentação do complexo militar-industrial conluiado com a classe política. É um grande cheque passado pela América às pessoas ricas que dirigem a Raytheon e a Lockheed Martin. Os americanos vêem o seu orçamento ser esticado até ao limite enquanto os gatos gordos do Beltway soltam os cintos para continuarem a desfrutar das suas mordomias.

A Bloomberg informou no início deste verão que a inflação irá custar às famílias americanas da classe média mais de US$ 5.200 este ano. A inflação é um imposto sobre a classe média e os americanos pobres. Os ricos – como aqueles que dirigem a Raytheon e a Lockheed Martin – recebem sempre dinheiro novo primeiro, antes que os preços subam. Os outros, como nós, assistem enquanto o dólar compra cada vez menos.

Enquanto Washington saliva por lutar contra a Rússia na Ucrânia, o resto da América parece que se está a tornar no Zimbábue. Quanto tempo demorará até termos de pagar um trilião de dólares por um pedaço de pão? Haverá então uma corrida em carrinhos de mão?

Há uma saída. Chama-se “não-intervencionismo”. A guerra na Ucrânia foi causada pela mudança de regime, patrocinada pelos EUA em 2014, e pela insistência neoconservadora de que a Ucrânia se juntasse à NATO. O Departamento de Estado e a CIA consideraram uma grande vitória derrubar o governo eleito, mas entretanto todos nós temos agora de pagar a fatura. 

Não à NATO e nem mais um centavo para a Ucrânia!

O Dr. Ron Paul é um antigo membro do Congresso dos EUA e Conselheiro Distinto do Mises Institute.

Fonte aqui


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Tanta verdade junta mereceu publicação – take XIV

(Por José André Campos Ferreira, 23/08/2022)


(Este texto resulta de um comentário a um discurso que publicámos de Vladimir Putin ver aqui. Perante tanta verdade junta, resolvi dar-lhe o destaque que, penso, merece.

Estátua de Sal, 24/08/2022)


Será que uma terceira guerra mundial poderia acontecer sem ninguém a querer? Será que os governantes e conselheiros militares poderiam subestimar as consequências de suas ações, causando a perda de milhões de vidas? Não sei. Mas se acontecesse, isso não seria a primeira vez.

108 anos atrás, líderes europeus levaram suas nações à Grande Guerra, mais tarde chamada de Primeira Guerra Mundial, sem se dar conta da dimensão dos horrores que estavam por vir. “A confusão os levou à guerra”, confessou David Lloyd George, primeiro-ministro britânico de 1916-1922.
“Nenhum dos governantes queria uma guerra dessa proporção”, escreveu o historiador A. J. P. Taylor, mas tudo que “queriam era ameaçar e ganhar”. O czar da Rússia achava que a paz devia ser mantida a qualquer custo. Ele não queria ser o responsável por nenhuma carnificina. Mas dois tiros disparados às 11h15 da manhã do dia 28 de junho de 1914, fizeram com que tudo fugisse ao controle.

Quando chegou 1914, rivalidades antigas entre países europeus criaram uma tensa situaçao, resultando em duas alianças opostas: A Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália) e a Tríplice Entente (França, Grã-Bretanha e Rússia). Estes países também tinham acordos políticos e econômicos com outras nações, incluindo as da região dos Balcãs.

Nessa época, os Balcãs eram uma zona de instabilidade política que sofria sob a soberania de países mais fortes, e havia ali muitas sociedades secretas que tramavam conseguir independência. Um pequeno grupo de jovens planeou assassinar o arquiduque austríaco Francisco Ferdinando em 28 de junho durante a visita a Sarajevo. A falta de proteção adequada facilitou o trabalho deles. Mas os jovens conspiradores não estavam bem preparados. Um deles jogou uma bomba pequena, mas errou o alvo, e os outros não conseguiram agir na hora certa.

Gavrilo Princip foi o conspirador que cumpriu a missão, mas por mero acaso. Como assim?
Quando Princip viu o arquiduque a passar de carro ainda ileso, ele tentou chegar perto, mas não conseguiu. Frustrado, atravessou a rua e entrou num café. Nesse meio-tempo, Ferdinando, irritado com o atentado, decidiu mudar o trajeto. No entanto, o motorista, sem saber dessa mudança, entrou pelo caminho errado e precisou dar meia-volta. Nesse momento, Principe saiu do café e viu-se literalmente de frente com seu alvo — o arquiduque no seu carro aberto a menos de 3 metros de distância. Ele se aproximou do carro e deu dois tiros, matando o arquiduque e sua esposa. O assassino, um ingênuo sérvio nacionalista, provavelmente não tinha idéia da repercussão que isso teria. Mas não cabe a ele toda a culpa pelos horrores que se seguiriam.

O cenário estava montado.
Antes de 1914, a maioria dos europeus tinha um conceito ilusório da guerra. Para eles a guerra era benéfica, nobre e gloriosa — isso apesar de se dizerem cristãos. Alguns governantes chegaram a acreditar que a guerra promoveria a união nacional e fortaleceria o povo. Além disso, alguns generais garantiram aos seus governantes que poderiam vencer a guerra com facilidade, num só golpe. “Derrotaremos a França em duas semanas”, gabou-se um general alemão. Ninguém imaginou que milhões de homens ficariam confinados em trincheiras por anos.
Além do mais, nos anos anteriores à guerra, “uma grande onda de nacionalismo se espalhou pela Europa”, diz o livro Cooperation Under Anarchy (Cooperação sob Anarquia). “Escolas, universidades, políticos e a imprensa uniram-se para incentivar o nacionalismo exagerado e a glória.”
Os líderes religiosos pouco fizeram para controlar esta febre destrutiva. O historiador Paul Johnson disse: “De um lado enfileiravam-se a Alemanha protestante, a Áustria católica, a Bulgária ortodoxa e a Turquia muçulmana. Do outro, a Inglaterra protestante, a Itália e a França católicas e a Rússia ortodoxa.” Ele acrescentou que a maioria dos clérigos “estabeleceu uma equivalência entre cristianismo e patriotismo. Soldados cristãos de todas as denominações foram exortados a matar uns aos outros em nome de seu Salvador”. Até mesmo freiras e padres foram mobilizados, e milhares destes morreram mais tarde em combate.

As alianças européias, que deveriam evitar uma grande guerra, talvez tenham contribuído para que ela ocorresse. De que modo? “A segurança das potências européias era interdependentes”, diz Cooperation Under Anarchy. “Cada potência sabia que a sua própria segurança estava ligada à segurança dos seus aliados, e assim se sentia compelida a agir rapidamente para defendê-los, mesmo que fossem eles os instigadores.”
Outro fator de perigo foi o plano Schlieffen da Alemanha, chamado assim por causa do ex-chefe do estado-maior alemão General Alfred von Schlieffen. O plano, envolvia um ataque inicial rápido, foi preparado na suposição de que a Alemanha teria de lutar contra a França e a Rússia. Assim, o objetivo era uma vitória rápida sobre a França e daí um ataque contra a Rússia, que ainda não teria tido tempo de se mobilizar. “Uma vez que o plano [Schlieffen] entrou em ação, o sistema de alianças militares praticamente forçou a Europa a entrar numa guerra geral”, diz a World Book Encyclopedia.

Antes da guerra, o cenário mundial era dominado por impérios, a maioria deles desenvolvidos por poderosas potências européias. A guerra causou o colapso destes impérios, e hoje a estabilidade do mundo não mais é mantida por alguns poderosos países europeus. Em vez disso, vemos algo que ameaça até mesmo a sobrevivência da humanidade: a incessante luta pela superioridade entre duas superpotências, a Rússia e os Estados Unidos capitalista. Isto também tem suas raízes na Primeira Guerra Mundial.
Antes da guerra, a Rússia era um país enorme e atrasado, dominado pela Igreja Ortodoxa Russa e governado pelo czar. Os Estados Unidos, embora fortes, de modo algum eram encarados como rivais das potências européias. A Primeira Guerra Mundial alterou tudo isso.O poder dos Estados Unidos no fim da guerra, em todos os sentidos, ultrapassava em muito ao de todos os outros. A vasta riqueza dos Estados Unidos, comparada com o esgotamento econômico das potências européias, proporcionou-lhes seu atual domínio mundial.

Na Rússia, antes da guerra já havia prenúncios de rebelião. Durante a guerra, a Rússia tomou posição contra a Alemanha, de modo que a Alemanha soltou do exílio na Suíça o revolucionário russo Lênine e o enviou de volta à sua terra natal, na esperança de aumentar problemas internos ali. A estratégia teve sucesso e a Rússia saiu da guerra. O partido de Lênine, os bolcheviques, assumiram o controle da revolução russa, e o resultado direto desse acontecimento é a Rússia que vemos hoje.

Independente da rivalidade existente entre as superpotências, há hoje agitação e instabilidade sem precedentes entre as nações e dentro delas. Como parte dessa herança ele alistou “a ascensão de Hitler, a Segunda Guerra Mundial, os levantes e as revoluções que grassam num mundo sem disciplina política”. Ainda se lê nos jornais a respeito de derramamento de sangue e sofrimento. E lembrem-se de que a Segunda Guerra Mundial incitou o desenvolvimento das bombas nucleares, que ameaçam a própria existência da vida na terra.

Antes de 1914, a maioria das nações eram governadas por uma aristocracia privilegiada e hereditária. As estruturas de classes eram rígidas. A Primeira Guerra Mundial acelerou o colapso desse sistema. Foi a Primeira Guerra Mundial que rompeu com a estrutura social do século 19; as reivindicações de reconhecimento do Homem Comum não mais podiam ser negadas. Hoje é difícil imaginar o poder que as antigas classes dominantes possuíam.

A SEGUNDA Guerra Mundial rebentou em setembro de 1939. 2 anos depois, os exércitos de Hitler invadiram a Polônia ocidental, a França e vários outros países europeus e grande parte dos Balcãs. Daí, em 1941, os vitoriosos nazistas voltaram a atenção para o leste.

Em junho daquele ano, os exércitos alemães invadiram a União Soviética. Por volta de dezembro, já haviam tomado toda a parte ocidental do país e tinham chegado aos arredores de Moscovo. A sobrevivência daquela nação pendia na balança.
No entanto, o rigoroso inverno e a resistência determinada das tropas e dos guerrilheiros soviéticos estancaram a onda alemã no fim do ano. Mas, era óbvio que, na primavera setentrional seguinte, mais ataques seriam efetuados. O governo soviético sabia que seu povo tinha de ser estimulado para o que estava à frente. Era necessário um esforço máximo.

Algo que tornou mais fácil esta tarefa foi a perversidade dos invasores alemães. A devastação que causaram, a matança de milhões de pessoas, suas pretensões de superioridade racial e sua clara intenção de exterminar muitos dos eslavos, enfureceu os soviéticos.

Muitos países foram tão massacrados pela Segunda Guerra Mundial que a sua principal prioridade tinha de ser a recuperação económica. A falta de alimentos perdurou na Europa por vários anos depois da guerra. A Espanha, embora oficialmente neutra na Segunda Guerra Mundial, havia sido profundamente afetada pela sua própria guerra civil (1936-39) e por embargos comerciais — cupons de racionamento de alimentos ainda eram usados em junho de 1952.
No Extremo Oriente, a lembrança das atrocidades dos japoneses ainda estava viva na memória de vítimas na Birmânia, China, Filipinas e outros países orientais. Os Estados Unidos, embora se saíssem como nação vitoriosa, sofreram a perda de uns 300.000 militares, cerca da metade destes nas zonas de guerra do Pacífico. No Japão, a pobreza, a tuberculose e longas filas de distribuição de alimento racionado foi o que restou para a população civil.

Embora a Alemanha e a União Soviética tivessem assinado um Tratado de Amizade, de Cooperação , Hitler invadiu território soviético em 22 de junho de 1941. Essa ação levou a União Soviética para o lado da Grã-Bretanha. O exército soviético ofereceu forte resistência, apesar dos espetaculares avanços iniciais das forças alemãs. A 6 de dezembro de 1941, o exército alemão foi realmente derrotado em Moscovo. No dia seguinte, o aliado da Alemanha, o Japão, bombardeou Pearl Harbor, no Havaí. Sabendo disso, Hitler disse aos seus ajudantes: “Agora é impossível que percamos a guerra.” A 11 de dezembro, ele declarou guerra aos Estados Unidos. Mas subestimou a força da União Soviética .

Por fim, em 1945, os exércitos alemães recuaram. As tropas soviéticas invadiram a Alemanha.

A Rússia, chamada oficialmente “Federação Russa”, não é um país de uma só nação ou de um só povo. Como o nome indica, é uma federação de nações, um mosaico de tribos, línguas e povos, cada um com sua própria cultura.

Após a Primeira Guerra Mundial, a Ucrânia foi dividida entre quatro países vizinhos. Os territórios do centro e do leste da Ucrânia foram tomados pela Rússia comunista e incorporados à União Soviética. A Ucrânia ocidental foi dividida entre três outros países. As regiões da Galícia e da Volínia foram anexadas à Polônia; a Bucovina, à Romênia e a Transcarpática, à Checoslováquia.

No fim de 1917, a Revolução Russa acabou com os 370 anos de domínio dos czares. Os novos governantes da Rússia, os bolcheviques, tinham planos ambiciosos: estabelecer um novo tipo de governo humano, diferente de todos os anteriores. Assim, em poucos anos foi formada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ou URSS. Com o tempo, ela abrangeria um sexto da superfície terrestre.


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Desacelerar para chegar ao destino

(Viriato Soromenho Marques, in Diário de Notícias, 20/08/2022)

Cada vez mais o espaço mediático comum (formal e informal) se transformou num lugar de vertiginosa cacofonia. Depois da aparente quebra do ritmo de vida à escala planetária, durante os primeiros dois anos de pandemia, a velocidade anterior foi retomada com avidez e intensidade redobradas. Nem a guerra que se arrasta perigosamente na Europa, refreou o impulso para retomar a “normalidade” da paixão consumista, enchendo os aeroportos e as superfícies comerciais. Lentamente, vamos todos compreendendo que neste mundo cada vez mais pequeno e interdependente não existe nem rumo, nem caminho comum por deliberação. Vivemos em plenitude na distopia do mercado mundial. Em regime de piloto automático. Os neoliberais só podem estar contentes, pois o mercado triunfante apenas pede aos Estados que não se metam.

A ideia peregrina de que seria possível isolar com sanções países que desempenham funções essenciais na divisão internacional do trabalho, como a Rússia ou a China, sem efeito de ricochete, só poderia acudir às cabeças de governantes tornados ociosos por uma globalização em que a velocidade substitui a ponderação e o fatalismo dos automatismos dispensa decisões e responsabilidades.

Na maioria das pessoas, a capacidade de adaptação tende a ser superior ao poder de resistência. A primeira, pode ser amarga, mas garante a sobrevivência. O segundo, pode ser heroico, mas quando se ergue em ataque frontal contra obstáculos invencíveis, pode levar-nos à morte ou à loucura. O difícil, contudo, é continuar a caminhar, sem nos transformarmos em zombies (sintomática criatura do bestiário imagético contemporâneo). Nunca subestimemos a terapêutica possibilidade de sermos surpreendidos pelo inesperado deslumbramento de uma obra de arte.

Foi isso que experimentei ao visitar no MAAT uma extraordinária instalação vídeo da autoria de Alexandre Farto, um jovem artista português (n. 1987) já de renome internacional, mais conhecido pela assinatura artística “Vhils”. Chegou ao grande público através das suas intensas esculturas em baixo-relevo, em paredes urbanas pelo mundo fora. Este trabalho em vídeo, intitulado Prisma (e acessível até 5 de setembro), abre outras possibilidades de expressão para o seu génio. Resultou de recolhas de imagem realizadas entre 2016 e 2020 nas seguintes grandes urbes: Cidade do México, Cincinnati, Hong Kong, Lisboa, Los Angeles, Macau, Paris, Pequim e Xangai. O produto final traduz-se numa ampla, impressionante e labiríntica instalação, onde a luz provém inteiramente das telas.

O conjunto, permite ao observador uma comovente experiência de imersão nos diferentes segmentos de imagem, que nos interpelam a partir de diferentes ângulos e níveis de altura. São imagens que olhamos e nos olham. Os filmes correm num ritmo de câmara lentíssima, como se existisse uma dimensão intermédia entre o movimento e a absoluta imobilidade. Não é possível fazer uma só passagem. Apetece regressar sucessivamente. Suspender também o nosso tempo. Verificar se aquelas jovens chinesas conseguiram, finalmente, atravessar a passadeira, ou se o trabalhador hispânico, ainda ergue a bandeira de controlo da passagem de peões junto a uma obra. Imagens, quase como prova visível da unidade psicológica da humanidade. Talvez tenhamos mesmo de desacelerar na vida real, a começar pela economia, para evitarmos o precipício para onde a nossa acelerada vertigem nos parece conduzir.


Professor universitário


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