(J Nascimento Rodrigues, in Facebook, 19/01/2026, Revisão da Estátua)

Entrei quase calado (só o Javier Cotrim e o Ganda Nóia me tiraram do silêncio dos inocentes), mas vou menos mudo ao sair.
Abstract: O Tó-Zé saiu das Caldas sem Chaimite mas com uma ganda vontade de fazer o gesto ceramizado por Rafael Bordalo. Resumo a correr, para não dizerem que estou na Lua sonhando vê-la toda nua:
1- O submarino meteu logo ao fundo o ‘facilitador’ no primeiro round, que acabou no quinto dos votos;
2- O submarino descobriu que o povão não está aí nada virado para nenhuma geopolítica e que a sua entourage não era propriamente recomendável (na Madeira, então, nem o inefável Alberto João o tirou dos 8% e em Oeiras ficou em terceiro sem chegar aos 15%). Espera-se, agora, que entre no clube dos comentadores da geopolitica dando brilho à Armada num mundo mediático minado por majores-generais.
3- Pinto Livre ficou atrás do Manuel João-o Catita, consumando a segunda grande asneirada do maître d’école seu chefe Talavera (há terceira borrada será a morte do artista?);
4- Katerine e o P-C-P tiveram o bom senso de copiar Barreirinhas Cunhal, mas sem recomendarem – sequer na segunda volta – tapar os olhos e engolir o sapo – o que gastronómicamente foi um salto revolucionário;
5- Javier Cotrim acabou num inconseguimento e já mostrou que não sabe a diferença entre democracia e iliberalismo, o que se estende, como doença infantil, àquela malta “liberal” que, na tradição de alguns pais fundadores, tipo brigada do reumático de Mont San Pèlérin, se baralha sempre no tema. Nisso não são muito diferentes da doença infantil de Mélanchon em França.
6- Por fim, BlackMountain, que não foi a jogo físico, mas por via de terceiros, acabou por descobrir um terramoto. A base eleitoral do governo está esfrangalhada, já nem é de pés de barro, e, tal como os ‘liberais’, não sabe mesmo onde fica a linha vermelha entre regime e regime change (do qual será o primeiro a sofrer as consequências, caso os iliberais cheguem – literalmente falando – cheguem ao trono de Belém; não lhe dou duas semanas para cair da cadeira em São Bento, nesse cenário). Acha que se pode retirar da contenda, emigrando para São Bento como se lá fosse fazer uma sabática com um visto de asilo.
7- O Tó-Zé começou como derrotado, indesejado, desamorado, desajeitado, espetado no meio daqueles óculos gigantes, quase nada dizendo aos costumes, mas passou pelos pingos da chuva. Tenho de lhe tirar o chapéu que não tenho. Lá, da quase província berço do Zé Povinho, saiu como Dom Sebastião. É obra. Nem Soares imaginaria, e muito menos o Rafael Bordalo.
8- Veremos se o Tó Zé tem a endurance para superar a dupla batalha ganha por Soares ao derrotar a intentona soviético-cunhalista de regime change e depois a batalha contra a onda conservadora que representava Freitas na ocasião. [Refira-se que o próprio Freitas acabaria como compagnon de route de Soares e do PS e escreveria esse magnífico Afonso III, o bolonhês].
Agora a coisa é mais complicada: Tó Zé enfrenta uma intentona de regime change iliberal num contexto mundial de avançada de três impérios iliberais, um deles saindo das entranhas da mesma Aliança em que temos os Azores e Synes.
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