ADIVINHAÇÕES E PALPITES PARA 2018

(In Blog O Jumento, 31/12/2017)
2018_1
(A todos os que me seguem e me visitam desejo um excelente ano de 2018, melhor mesmo do que aquele que passou. E como tristezas não pagam dívidas deixo-vos abaixo o último texto do ano, sarcástico e apropriado. Divirtam-se e sejam felizes, se para tal tiverem engenho e arte.
Estátua de Sal, 31/12/2017)

Mário Centeno vai inscrever-se na Universidade Lusíada onde terá a oportunidade de frequentar as aulas de Maria Luís Albuquerque a fim de assegurar que elabora orçamentos sem erros de aritmética. Com alguma sorte ainda poderá ter aulas de Passos Coelho.
Marcelo Rebelo de Sousa entrará no Guiness como recordista mundial em várias categorias: o presidente que deu mais abraços, que deu mais beijinhos, que tirou mais selfies, que deu mais beijos nos rubis dos anéis de bispos, que foi a mais missas, funerais e procissões.
O cachorro de Eduardo Cabrita vai receber treino na GNR, guarda tutelada pelo dono, a fim de aceitar a presença dos polícias à porta, para que estes deixem de estar condenados a estar à chuva.
Marcelo Rebelo de Sousa via anunciar em janeiro que o OE para 2019 será analisado cuidadosamente, a fim de não ter nada que suscite quaisquer simpatias com o governo, incluindo medidas que constem no programa aprovado no parlamento. Exceptuam-se as medidas resultantes das definições semanais de prioridades nacionais a longo prazo, definidas pelo Presidente da República, porque nada do que Marcelo faz é eleitoralismo.
Enquanto não tem nada que fazer Passos Coelho vai dedicar-se a colecionar pins com bandeiras nacionais.
Inspiradas nas palavras de Bruno de Carvalho, que incitou os sportinguistas a serem mais militantes na sua vida fora do clube, várias claques legais vão abrir delegações na Polícia Judiciária e no Ministério Público.
Seguindo o princípio adotado na empresa dos pernis, o Ministério Público vai instaurar processos de investigação a todos os portugueses que dupliquem os seus rendimentos. Seguindo a lógica do enriquecimento ilícito tudo o que estiver acima da média estatística é suspeito de crime, sejam os despachos mais céleres dos diretores-gerais ou os lucros das empresas. Os diretores-gerais exemplares devem atrasar os despachos e as empresas modelo devem apresentar prejuízo.
Depois de decidir a deslocalização do INFARMED para o Porto o governo vai decidir mais deslocalizações, o Instituto do Mar vai para Manteigas, o Instituto de Higiene e Medicina Tropical vai para a Comporta, e o Instituto Nacional de Administração vai para Celorico.
Paulo Portas não se vai candidatar ainda à liderança do CDS, ainda não há sondagens que apontem para o regresso do CDS ao poder e, por enquanto, ainda há muitos regimes onde é fácil influenciar negócios.

PERSONALIDADES DE 2017

(In Blog O Jumento, 30/12/2017)

Político do ano

 

Se há três anos atrás se perguntasse a alguém se Marcelo ia ser Presidente da República todos acertariam; acertariam até no seu estilo populista ou no almoço com Santana Lopes; de Marcelo Rebelo de Sousa só não se sabia da hérnia umbilical, porque de outras relações umbilicais todos sabiam. Mas se alguém nos questionasse se em janeiro de 2018 o país viveria sem a ameaça do segundo resgate, reembolsaria rendimentos e acabava com a sobretaxa sem excessos do fisco e que um ministro das Finanças português seria presidente do Eurogrupo a nossa reação seria dar uma gargalhada, isso se não ligássemos de imediato para o 112 a pedir para  que o levassem para o Júlio de Matos.

Menções honrosas:
Menção Honrosa para o político populista do ano: Marcelo Rebelo de Sousa
Considerar Marcelo o político do ano seria a mesma coisa que ignorar o campeão europeu e considerar como treinador do ano o campeão do regional. Marcelo afirmou-se como a personalidade com mais credibilidade para consumo interno à base de beijinhos e abraços, encostando-se ao governo nos bons momentos e fazendo de líder da oposição quando dava jeito. Pelo caminho ajudou a derrubar Passos Coelho ao mesmo tempo que almoçava com Santana Lopes por ocasião do lançamento da candidatura deste à liderança do PSD.
Menção Honrosa para a sumidade em aritmética: Maria Luís Albuquerque
 Dava seminários a funcionários do ministério das Finanças alemão, falava como se fosse uma sumidade na economia, até havia quem a apontasse como sucessora de Passos Coelho. Na oposição celebrizou-se com os seus comentários sobre as metas orçamentais, do cimo da sua sapiência até concluiu que eram aritmeticamente impossíveis.
Menção Honrosa para a especialista em previsões: Teodora Cardoso
 Teodora Cardoso nunca aceitou que o governo pudesse ter sucesso invertendo a política económica no sentido contrário ao que ela tinha apoiado de forma tão militante e  a sua teimosia foi tanta que acabou por perder a credibilidade. Começou por tentar descredibilizar o governo com previsões que se se vieram a revelar erradas, agora alinha as suas previsões com as do governo mas continua a prever o pior para o país a não ser que este siga a sua cartilha.
Menção Honrosa para a alcoviteira do reino: Marques Mendes
 Durante o governo de Passos Coelho foi chamado a fazer o papel sujo na comunicação governamental, antecipava as noticias com o ar de contar grandes segredos, desta forma esgotava-se o debate em torno das más notícias para que, quando estas fossem tornadas públicas, já não fossem tema de discussão pública. Agora limita-se a fazer algumas alcoviteirices, enquanto se arma em pilar moral da sociedade política portuguesa. Depois de uma carreira política com 30 anos, o rei dos jogos de influências Marques Mendes é uma espécie de Dona Doroteia, a personagem da telenovela Gabriela que era o “Pilar moral da sociedade, mas que nos seus tempos de juventude já tinha sido  quenga!
Menção Honrosa para o homem de negócios do ano: Paulo Portas
 Habituado a luxos Paulo Portas tentou sair do governo enquanto se sentiu em alta, mas obrigado a aguentar-se até ao fim da legislatura acabou por ter sorte, saindo incólume e a tempo de se tornar num importante gestor de influências em negócios de países com democracias muito avançadas e sem corrupção, como a Venezuela, Angola ou Moçambique. Esteve duas vezes no governo e saiu-se sempre bem, desta vez até se esqueceu do seu programa na TVI24, onde até já havia um estúdio montado só para ele.

Menção Honrosa para o político desaparecido: Cavaco Silva 

Em poucos meses deixou de se sentir fazer a falta dele, Marcelo não só correu com Passos Coelho como num momento de ilusionismo fez desaparecer Cavaco Silva.

Menção honrosa para o político mais assanhado: Assunção Cristas

No governo poupou energia dispensando os seus funcionários de usar gravata enquanto colhia as azeitonas das oliveiras plantadas no tempo de Jaime Silva. Na oposição conseguiu rasteirar Passos Coelho em Lisboa, tendo-lhe cabido organizar o funeral do ainda líder do PSD. Animada pelo sucesso em Lisboa Cristas parece ter ficado assanhada e desde então limita-se a uma verdadeira guerra de guerrilha que começa a enjoar.

MODERNISMOS…

(In Blog O Jumento, 28/12/2017)
PÚBLICO-28-Dezº
A primeira página do Público de hoje merece ser vista e revista, lida e relida, pensada e repensada; os jornalistas do Público dizem num único título o estado a que a democracia portuguesa chegou, dizem-no de forma espontânea, como se alguém tivesse adotado um artigo 1.ºA da Constituição no rescaldo das imensas sessões de beijinhos, desde os beijinhos a crianças ao beijinho no anel do arcebispo à saída da missa. Um artigo a dizer que no país nada pode ser feito e decidido sem o conhecimento prévio de Marcelo.
 
“Partidos aprovaram bónus de milhões sem dizer nada a Marcelo”, ao que isto chegou! Quem poderia imaginar que um dia os partidos deste país tivessem a coragem de alguma vez fazerem a este Marcelo o que nem a ANP, nem mesmo os deputados da ala liberal, alguma vez ousaram fazer ao outro Marcelo, por coincidência o padrinho deste. Ao que isso chegou, os partidos andarem a decidir coisas no parlamento sem dizerem, isto é, sem pedirem autorização a Marcelo!
Ao que isto chegou! Será que estes borra-botas dos nossos deputados já pensam que são arcebispos e estão convencidos de que o Presidente vai começar a reproduzir as suas homilias à saída do parlamento como se fossem os seus guias espirituais? Já não há respeitinho, os deputados já se dão ao luxo de decidirem coisas no parlamento sem que Marcelo seja avisado com a devida antecedência.
Os partidos ainda parece não terem percebido que antes de decidirem qualquer coisa no parlamento devem pedir uma audiência em Belém e meterem-se na bicha como fazem todos os bons portugueses, as senhoras das Raríssimas – antes de caírem em desgraça -, o sindicato que nos tempos em que Marcelo ia ao Ténis com o Ricardo era patrocinado pelo BES, os provedores das santas casas, os mais variados representantes do clero, a seleção de futebol e todas as outras forças vivas da sociedade.
Um dia destes compramos o Público e vemos lá escarrapachado que a Junta Freguesia da Messejana decidiu mudar a torneira do fontanário sem primeiro fazer o devido aviso a Marcelo, para que o Presidente não fosse apanhado de surpresa por uma torneira nova. Ao que a pouca vergonha do nosso parlamento chegou, decidir coisas sem avisar primeiro Marcelo! Enfim, é como o compadre que apanhou a mulher com o amigo e exclamou com grande indignação “com estes modernismos ainda vais fumar para a cama!”.
Haja respeitinho, Marcelo quer saber de tudo e nada se deve fazer sem que Marcelo seja devidamente informado; a Marcelo cabe decidir semanalmente quais as prioridades do governo para os próximos anos, acompanhar as obras de Pedrógão, certificar-se de que os anéis dos bispos estão bem lavados, enfim, tudo o que de importante suceder no país tem de ter o seu visto prévio.