Da ordem internacional à (des)ordem internacional com o Major-General Agostinho Costa

(Agostinho Costa, in canal do YouTube ABC do Mundo, 18/05/2026)


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Uma vaga de novas lideranças políticas nos principais eixos de poder mundiais está a mudar a Ordem Internacional como a conhecemos. As alianças e o equilíbrio de poderes que tomávamos como garantidos mudou e muitas mais alterações estão a caminho. Para tentar descodificar este novo mundo e esta “desordem” internacional, convidámos o comentador e especialista em temas internacionais Major-general Agostinho Costa, uma das vozes mais conhecidas de Portugal nos temas de relações internacionais. O ‘O’ de Ordem Internacional é o mote para a conversa com Bruno Mourão e Alberto Cunha, membros permanentes do nosso painel. Passamos pelos Estados Unidos, China, Rússia, União Europeia e vários outros pontos do Mundo para ir a fundo neste ‘novo normal’. Sem o nosso comentador Bernardo Valente, interrompemos esta semana o nosso habitual TML – Tema Mais Leve, mas para compensar temos um segmento pensado especialmente para conhecer melhor o nosso convidado, uma espécie de questionário de Proust à moda do ABC do Mundo. Não podem perder!

É ver o vídeo abaixo.


Joan Baez e Bob Dylan – do amor à traição

(Por História Perdida, in Facebook, 14/05/2026)


(A Estátua hoje sai do seu registo habitual e traz uma história – da qual tinha apenas há muitos anos ouvido leves zumbidos. É sobre dois dos meus ídolos de juventude. Mas os ídolos – como humanos que são -, também eles são capazes do melhor e do pior, oscilando entre o bem e o mal. Sim, essa é a bipolaridade pendular do ser humano.

Ler esta história enterneceu-me num destapar de memórias antigas. Sim, os ídolos têm pés de barro. Pelo que, se me perguntarem se alguém que admiro é impoluto, não terá resposta. Porque a resposta, essa, não está connosco: “The answer my friend is blowin’ in the wind, the answer is blowin’ in the wind”.Ver vídeo abaixo.

Estátua de Sal, 17/05/2026)


Ela o lançou ao mundo. E ele a deixou — não só por outra mulher, mas por uma vida inteira que ele construiu em segredo. Joan Baez só descobriu batendo na porta do quarto de hotel dele. Esta é a história deles. Sem enrolação. Só dor, verdade e sentimento.

Em 1961, Joan Baez já era um fenômeno. Aos 20 anos, lotava teatros, liderava o movimento folk americano e tinha uma voz que parecia carregar séculos de história. Era admirada, respeitada, desejada. Uma estrela completa.

Bob Dylan, por outro lado, era apenas um garoto magro de Minnesota, com um violão gasto, uma gaita desafinada e sonhos maiores do que o próprio corpo. Ele dormia em sofás, cantava em bares minúsculos e ainda tentava encontrar seu lugar.

Joan o viu pela primeira vez no palco da Gerde’s Folk City. Ela notou: não era bonito, nem carismático. Mas quando ele começou a cantar… havia fogo. As palavras dele eram afiadas, ousadas, diferentes. E Joan reconheceu o que ninguém mais via: gênio cru.

Ela abriu todas as portas para ele. Levou-o aos palcos, apresentou-o ao país, dividiu microfones e luzes. No Festival de Newport, em 1964, colocou-o diante de milhares de pessoas. Aquilo mudou tudo. Para o mundo — e para eles dois. Porque no meio do sucesso, eles se apaixonaram.

No início, pareciam feitos um para o outro: dois jovens idealistas, brilhantes, lutando por justiça, igualdade e música com propósito. No palco, harmonizavam como se tivessem sido escritos na mesma linha de partitura. Fora dele, viviam intensamente — mas por pouco tempo.

A fama transformou Dylan. Rápido demais. Violento demais. De repente, ele não era mais “o cantor promissor”.Era a nova voz da América.

E Joan, aquela que o ajudara a chegar lá, começou a ser deixada de lado. Ela mesma admitiria anos depois que se sentia apagada, como se todos ao redor de Dylan vivessem para alimentá-lo — enquanto ela desaparecia na sombra dele.

O desgaste culminou na turnê de 1965 pelo Reino Unido, eternizada no documentário Don’t Look Back (pode ser visto aqui). Joan viajou para cantar ao lado dele. Mas Dylan raramente a chamou ao palco. A tratava com frieza. Distante. Quase indiferente. A câmara registrou cada pedacinho do fim.

No mesmo ano, Dylan eletrificou o palco em Newport e rompeu de vez com o movimento folk tradicional — o mesmo movimento que unira os dois. Para Joan, foi como vê-lo abandonar tudo o que eles haviam construído juntos. Pouco depois, o relacionamento acabou.

Mas nada poderia prepará-la para o verdadeiro golpe. Em novembro de 1965, Bob Dylan se casou secretamente com Sara Dylan. Em silêncio. Sem anúncio. Sem explicação.

E Joan? Descobriu como qualquer desconhecido. Ela bateu na porta de um quarto de hotel esperando encontrar Dylan. Quem abriu foi Sara. Sara. A esposa dele. Grávida. Foi ali, naquele instante cruel e simples, que Joan percebeu: a vida dele já tinha seguido sem ela. Sem aviso. Sem despedida. Sem respeito.

A dor ficou guardada por anos. Ela poderia ter se destruído. Poderia ter se tornado amarga. Mas não. Joan Baez tomou outro caminho: transformou o que sentia em arte, justiça, força. Continuou cantando, marchando, protestando, mudando o mundo de verdade — sozinha. Sem se esconder atrás de ninguém.

Décadas depois, ela perdoou Dylan. Não porque apagasse o passado, mas porque escolheu não carregar o peso dele.

Bob Dylan virou lenda. Mas Joan Baez se tornou algo ainda mais raro: Uma mulher inteira. Que amou, perdeu, sangrou — e mesmo assim manteve a própria voz. Ela ajudou a criar um ícone. E quando ele se foi, foi ela quem permaneceu de pé.

* Texto em português do Brasil de acordo com a fonte aqui


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Viva o 1º de Maio, sempre

(Por Estátua de Sal, 01/05/2026, republicação de 01/05/2017 aumentada)

1ºMAIO1

Já banalizámos a Liberdade. Como banal já é também o sol, a guerra, a miséria e a morte. Como se pela Liberdade não tivesse sido necessário lutar, sofrer, trepar muros a pique, e também morrer. Como se aquilo que aos trabalhadores é dado fosse uma dádiva divina e não o resultado de um combate de séculos, sangrento muitas vezes, e que irá durar até ao fim dos tempos.

Numa época prenhe dos sobressaltos da dívida, do déficit, do PIB e dos cofres vazios de um Portugal carente, esquecemos muitas vezes que há coisas que nenhum dinheiro compra. A História e a memória dos homens. “Aqueles que se vão da lei da morte libertando“, como dizia Camões. Temos, pois, a riqueza do nosso passado.

Um passado nem sempre trágico, nem sempre marítimo, e por vezes heróico.

Como em Abril de 1974. Como em Maio de 1974. Para que a memória dos mais velhos não se apague, para que a memória dos mais novos nos acolha, em testemunho e norte para a luta dos vindouros.

Não festejamos a chegada da Primavera. Essa já chegou. Festejamos o trabalho e os trabalhadores. Porque a festa também pode ser luta, rumo para a fraternidade que gera a união. União na festa, união na luta contra a exploração. Sim, contra a iniquidade desse pacote laboral de miséria acrescida e anunciada que nos querem impor, porque para o capital os lucros nunca são suficientes e a exploração de quem trabalha não deve conhecer limites e deve, por isso mesmo, aumentar ainda mais.

Contra a precariedade, pois. Luta pela alvorada de uma vida digna a que muitos não tem direito. E são cada vez mais. Sem esperança e sem futuro mas com medo. Medo do amanhã porque nada mais têm de seu que não o suor, as lágrimas e a vontade de estar vivos.

E dizem os oráculos que tem que ser assim. Menos direitos, menos salários, mais e mais horas de trabalho. É a competitividade, dizem também os fariseus, os adoradores do bezerro de ouro.

Mas nada é imutável, mas também nada nos é dado sem peleja. Em 1974 lutou-se e celebrou-se a Liberdade de lutar. Hoje podemos e devemos lembrar esse momento. (Ver textos, fotos e vídeos, aqui). Para que nos sirva de guia. A luta, aparentemente, é diferente. Ou talvez não. Porque a luta é sempre contra o conformismo, contra o nosso silêncio perante a arbitrariedade, a injustiça e a desigualdade.

E, essa luta será sempre uma labareda perene no coração de todos aqueles que se empenham em lutar por um mundo melhor. Que sejamos muitos. Que sejamos cada vez mais.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.