Festividades ucranianas: o que não é mostrado

(Rui Pereira, in Facebook, 25/08/2026, Revisão da Estátua)


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Encandeados pelos holofotes cerimoniais para consumo externo, os media ocidentais não devem ter assistido a uma ocasião menos publicável das festas do 35º aniversário da Independência da Ucrânia.

Trata-se do momento da condecoração, como “Herói Nacional”, do ex-oficial do Batalhão de Azov, o entretanto promovido a Brigadeiro-General do exército de Kiev, Andriy Biletsky. Uma busca rápida no Google não regista qualquer alusão ao facto por parte da comunicação social “ocidental”. Encontramo-lo, porém, em numerosos sítios noticiosos ucranianos, como este aqui.

 A imprensa ocidental, livre e democrática, na sua cruzada pela defesa na Ucrânia da liberdade, da democracia e dos valores do Ocidente, não aprecia especialmente notícias sobre Andriy Biletsky.

Arranja-se por exemplo esta, do The Independent britânico, a propósito da sua promoção a general, em maio passado (ver aqui), mas, que eu tenha encontrado, pouco mais.

Não se trata de distração. É que Biletsky, a quem o The Independent dedicava a sua peça “O general ucraniano que subiu de agitador de extrema-direita a herói de guerra” tem atributos menos elegantes. É, nomeadamente, um dos expoentes da constelação neonazi que se acoberta por detrás das declarações de Zelensky para as televisões ocidentais. Mencionam-se milícias e organizações como o Batalhão Azov, o  C-14, o Patriota Ucraniano, o Pravy Sektor (Ala Direita) o Corpo Nacional ou o Partido Svoboda (Liberdade).

Ao agora condecorado atribuem-se declarações datadas de 2010, que o próprio tentaria explicar mais tarde, atenuando alguns conteúdos, referentes ao “Eixo Báltico-Mar Negro”, no cerne de uma futura “Grande Nação Ariana” na Europa. A sua formação tornava, para ele, inevitável uma guerra com a Rússia. A doutrina é a mesma da dos seus antecessores: o extermínio racial dos sub-homens, isto é., todos aqueles que não fazem parte da raça eleita.

A 5 de setembro de 2008, o portal do Grupo de Direitos Humanos de Kharkiv mencionava Biletsky nestes termos:

De acordo com o programa do “Patriotas da Ucrânia”, publicado no site oficial da organização, esta «defende uma sociedade mono racial e mono nacional». O seu líder, Andriy\ Biletsky afirma diretamente que «o social-nacionalismo racial ucraniano é a ideologia do b’Patriotas da Ucrânia'” (este é o título do seu artigo publicado numa coletânea de obras ideológicas e documentos programáticos: “Social-Nacionalismo Ucraniano”).

Enquanto isso, o ideólogo da organização, O. Odnorozhenko, escreve abertamente que:

 Restrições e controlo serão impostos a todos os grupos etno-raciais alienígenas, com a sua subsequente deportação para a sua casa histórica. Nós, social-nacionalistas ucranianos, vemos as chamadas ‘raças humanas’ como espécies biológicas separadas e consideramos apenas o “Ser Humano Branco Europeu” como inteligente na compreensão biológica.(ver aqui).

Ao longos dos anos, Biletsky tentou matizar tudo isto: (ver aqui e aqui) Mas, o seu perfil da Wikipédia não ajuda, ver aqui. Pelos vistos uma medalha também não. Tanto que, por cá, não foi notícia.

Quem, no entanto, tiver curiosidade pode ver aqui a reportagem fotográfica completa de Efrem Lukatsky, ao serviço da agência Associated Press, datada de julho de 2017 (da qual se exibem mais as imagens acima e abaixo) quando se fotografavam os campos de treino neonazis para crianças (Azovets), num tempo em que o regime ucraniano ainda não era oficialmente um “good guy”.

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