O Volta não é consciência ecológica – é trabalho não remunerado disfarçado de virtude cívica

(João Franco, in Facebook, 28/08/2026)


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Vendem-no como progresso, como sustentabilidade, como o velho chavão do “todos temos de fazer a nossa parte“. Na prática, o esquema é simples: delegaram no cidadão a recolha e a pré-triagem de resíduos — o trabalho que antes estava exclusivamente entregue a pessoas empregadas — a custo zero, e convenceram-no de que está a receber uma recompensa por isso.

Sejamos frontais sobre o que está em jogo: garrafas de plástico e latas são os resíduos mais valiosos de toda a cadeia de reciclagem. Em vez de a indústria aperfeiçoar a sua própria logística de recolha, transferiu a primeira linha desse trabalho para ti. É o cidadão quem agora armazena as garrafas em casa, as transporta, e opera a máquina de triagem — para entregar à indústria matéria-prima separada e pronta a faturar. Tudo isto para reaver dez cêntimos, os quais já eram seus, desde o início.

Porque é isso que ninguém diz em voz alta: não é uma recompensa, é uma caução adiantada. O consumidor paga primeiro, empresta esse dinheiro ao sistema sem juros, e depois tem de trabalhar — fazer fila, deslocar-se, operar a máquina — para reaver aquilo que já lhe pertencia.

E quem não tem tempo para essa fila, quem não tem uma máquina Volta perto de casa, ou não tem mobilidade para lá chegar, simplesmente perde esse dinheiro. Não é uma opção neutra: é uma penalização financeira silenciosa para quem já tem menos tempo e menos meios.

E há ainda um sintoma mais revelador deste esquema: a febre que ele gerou. Já se veem pessoas a vasculhar caixotes de lixo à procura de garrafas, convencidas de que encontraram uma fonte de rendimento. É a prova mais clara de que o sistema foi vendido com sucesso — não como um dever cívico discreto, mas como uma oportunidade de negócio ao alcance de qualquer um. Só que fazer as contas a sério mostra o óbvio: recolher garrafas do lixo, a dez cêntimos cada, para “ganhar dinheiro”, é o tipo de matemática que só faz sentido a quem não parou para calcular quanto vale, de facto, o seu tempo. Não é empreendedorismo. É a prova de como uma ideia bem embrulhada em linguagem verde consegue fazer parecer lucrativo aquilo que, isolado do discurso, seria reconhecido de imediato como trabalho precário e mal pago.

Enquanto isto, o custo de vida não para de subir. A água sobe de preço, os produtos sobem de preço, de forma consistente — e ninguém para para perguntar: se o processo se tornou assim tão eficiente e circular, porque é que essa poupança nunca chega ao bolso de quem faz o trabalho manual? A resposta é simples e desconfortável: isto nunca foi um assunto sobre o ambiente. Sempre foi uma foma de cortar custos operacionais e apresentar esse corte como participação cívica.

O mecanismo segue a mesma cartilha dos caixas automáticos de supermercado: transfere-se a função para o cliente sob o pretexto da “modernidade” e protege-se a margem de lucro sem qualquer desconto real para quem consome. Antigamente havia gente empregada a tratar plástico. Esse trabalho não desapareceu mas agora também é teu.

O sistema apropria-se do vocabulário verde — economia circular, pegada ecológica, responsabilidade — para erguer um biombo ético inatacável, onde ninguém se atreve a questionar o que está por detrás da cortina. E por detrás dela, o saldo é claro: mais tarefas não-pagas exigidas ao cidadão comum, penalização para quem não tem tempo, um exército de pessoas a vasculharem no lixo por cêntimos e sabe-se lá o que acontecerá mais lá para a frente.

Não é altruísmo. É greenwashing para totós.

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18 pensamentos sobre “O Volta não é consciência ecológica – é trabalho não remunerado disfarçado de virtude cívica

  1. Não sei em que praia é que esse nadador salvador está. Já percorri praias de Norte a Sul e até Espanha e não vi essas montanhas de lixo. A 10 cêntimos por garrafa para fazer mil euros até ao fim do Verão o homem tinha de recolher qualquer coisa como 10 mil garrafas.
    Isso sim parece me uma boa história para encantar pategos.
    Aqueles que acreditam que somos tão porcos que só vamos fazer alguma coisa de bom se levar nos como chicote de mais uma punição monetária.
    A mim também já me aconteceu a máquina ficar cheia a meio. Claro que o resto foi para o ecoponto mais próximo pois tenho mais que fazer que andar com plástico para baixo e para cima.
    Foi a primeira e a última vez.
    Em resumo, antes desta treta eu já reciclava as poucas garrafas que produzo entre tudo quanto e embalagem de plástico que tenho.
    Isto por respeito aos meus primos marinhos, os cachalotes.
    De resto as garrafas sao poucas porque bebo água da torneira e em viagens, ginásio e idas a lavar as banhas ao mar o ano todo levo a mesma garrafa reutilizável, aliás, já e outra, que usava para beber na rua o que me dava na gana no tempo das restrições covideiras.
    Por isso por mim o Volta pode ir dar uma Volta e nas poucas vezes que adquiri garrafas plásticas que os 10 cêntimos vao servindo para remédio a quem ganha com isso.
    Já dou para demasiados peditórios por isso recuso me a dar para este.
    Mas quem quiser andar a juntar lixo em casa para ir ao Volta está no seu direito. Liberdade também e isso.
    Quem reciclava já reciclava antes do Volta, quem não reciclava não e com o Volta que o vai fazer.
    E se há muitas garrafas a ir lá parar e porque cafés e restaurantes tratam de abichar os 10 cêntimos. E fazem muito bem, já que são obrigados a vender mais caro.
    E presumo que quem numa manhã fria ou que já adivinha um dia escaldante passa por um café a pedir uma bica e uma água sabendo que tem um dia de trabalho a espera está mesmo a pensar em enfiar o raio da garrafa dentro da pasta, mala ou saco da marmita para ir juntando num saco em casa para ir ter mais dois ou três euros para o supermercado no fim da semana.
    Eu e que não estou para andar nas Voltas que o Volta da.
    Já basta pagar a Herr Zelensky.
    E a Islândia fez um valente manguito a União Europeia. Ainda há povos com memória e a maior parte das pessoas ainda não se esqueceu quando esta mesma União Europeia os pressionou a contrair uma dívida que seria 10 vezes o PIB do país para salvar um grande banco que por lá faliu e onde alguns pategos europeus, nomeadamente holandeses, tinham enterrado dinheiro.
    Isto num país gelado e que a consanguinidade tornou um dos mais flagelados pelo cancro do mundo.
    Mas o Governo disse logo que nao fechariam uma escola nem um hospital para salvar os desmandos dos bancos.
    Houve quem não esquecesse.
    Se calhar também não queriam dar para o peditório da Ucrânia.

    • Tudo certo, mas como podes dizer que o nadador-salvador estava a mentir se nem sequer viste a reportagem e o rapaz a falar? Bom, como vi, considero que a minha opinião é mais válida que a tua, e não considero o rapaz mentiroso, sei bem o que é uma praia em Albufeira ou em Altura quando é época alta, por isso não tenho ilusões, e se há quem deixe tudo na praia (beatas, vasilhame, embalagem dos gelados, etc), não têm outro nome do que javardolas. Por muito que custe a alguns ouvir, as praias mais frequentadas já têm sacos do lixo para colocar e separar. Mas nem todos se dão ao “trabalho”. Mas há quem se dê ao “trabalho” de levar o seu lixo, o lixo do seu consumo, as sobras, colocar num saquinho e levar consigo até encontrar um contentor do lixo, mesmo nas praias onde há menos sacos e pontos de recolha instalados.
      Quanto a levar a latinha na mala ou não levar, quando se vai ao café de manhã ou seja quando for, cada um faz como quer, mas para quem é desenrascado e não tem “pruridos” de etiqueta, não é muito difícil arranjar uma solução qualquer, basta ser criativo. Se calhar mais facilmente se percebia o ridículo que é o sistema, levar as latas e garrafas para o trabalho ou para o ginásio, como se fosse “bagagem”. Podia ser que mais depressa se começasse a reverter o esbulho e o abuso dos “depósitos” por cada vasilha. Não critico quem não se quer mexer para recuperar o dinheiro que o Volta lhe sacou, tudo bem, mais sobra para outros sacarem algum para comer e beber. Já agora, ainda há aqueles que esmagam as latas para ninguém as reaproveitar. Mas os 10 cêntimos que pagaram ao distribuidor já não os recuperam, nem eles nem ninguém. “Arderam”!

  2. A questão é que se começam a colocar o mesmo sistema em tudo, como Papel, Vidro e em outros sítios… então deixa de existir o lixo e passa ser “Volta”. Dá para verificar que é um sistema totalitário, pois qual é a opção sem o Volta? Onde foi a democracia? Alguém votou neste sistema? Estava em algum programa eleitoral? Quem é responsável pela introdução de um sistema que afeta as pessoas sem sequer ter votos da maioria?

  3. Não e por haver vigarices piores que o Volta deixa de ser uma vigarice pegada e também não é por haver muito mais vigarices que não temos o direito a indignar nos com mais esta.

  4. O que me espanta é a não reação das pessoas contra este “Volta”. É uma vigarice pegada. Há cafés, bares, esplanadas a cobrarem os dez cêntimos pelas embalagens, que no fim ficam no estabelecimento. Quem recupera aquela importância?
    A propaganda informa os milhões de embalagens que o sistema recuperou. Porque não informam também os milhões de embalagens que deixaram de ir para os ecopontos? E porque não nos dizem quantos milhões de embalagens não foram recuperadas pelo sistema “Volta”? Este número seria interessante conhecer para se ter a dimensão da espoliação dos consumidores e do ganho dos protagonistas do negócio “Volta”.
    Acresce que, quem já fazia a separação dessas embalagens, e as depositava nos ecopontos, vê-se agora compelido a ter de pagar dez cêntimos por embalagem. Ora, o que a minha experiência mostra é que da única vez que levei algumas embalagens, o equipamento estava lotado, donde trouxe as embalagens de volta, depositei-as no primeiro ecoponto que encontrei.
    Então decidi, não contem comigo para manobras políticas obscuras e negócios no mínimo estranhos. Digo não ao “Volta”. Continuo a depositar nos ecopontos, como sempre fiz, assumindo o custo dos dez cêntimos por embalagem, que devem cair no bolso de alguém, alguém muito preocupado com o ambiente, como é óbvio.
    J. Carvalho

    • Ou alguém com mais fome e mais necessitado, que grão a grão (garrafa a garrafa) vai enchendo o papo (o saco)…
      Se as máquinas não estão funcionais, e pode acontecer, custa assim tanto levá-las de volta e trazê-las da próxima vez?
      Quanto ao saque dos 10 cêntimos, já disse que não deviam ser cobrados, que as latas e garrafas e demais embalagens já eram pagas, mas é a forma que arranjaram para induzir os consumidores a usar as máquinas para reaver os “depósitos”…
      Se não fôssemos preguiçosos e desleixados (desmazelados) com o lixo, provavelmente cobravam na mesma, mas a nível ambiental teríamos menos lixo e poluição, nas cidades, nas praias e no campo.
      Outros aspectos que ninguém fala são os que já referi, a recolha organizada dos vasilhames que os “porcos” (sem querer ofender suínos) deixam no areal, na ria, na berma da estrada, etc, com algum retorno para quem recolhe e deposita as embalagens Volta. Isto não interessa relatar, mas é benéfico para todos, até para a natureza e higiene urbana. Menos garrafas e latas a entupir valados, sarjetas e condutas de águas pluviais, e sei bem o que é isso, pois há certos pontos de confluência de águas que têm de levar grelhas metálicas, e ser limpos quando chove muito, para poderem funcionar e escoar bem a água das chuvas sem entupimentos. Viram a quantidade de detritos que foram arrastados nas inundações do Nepal? Não chegando a esse ponto, já vimos semelhante acontecer na Madeira, e este ano no “comboio de tempestades” em Portugal continental. Pensam que o lixo espalhado a entupir caleiras e sumidouros não ajudou à desgraça?
      É pena não nos revoltarmos com os impostos de selo bancários, a taxa audiovisual obrigatória na factura da electricidade ou os impostos petrolíferos que recaem sempre sobre o mexilhão, mas sermos tão picuinhas no vasilhame do plástico e do alumínio agora introduzido, pois no vidro isso já acontecia.

      • Por acaso custa, não fisicamente, mas mentalmente. Desde que existe ecopontos que faço a triagem de vidro, papel, plástico e latas. Portanto, no que me diz respeito, não foi o sistema Volta que me pôs a fazer reciclagem. Por acaso sabe quantos milhões de embalagens deixaram de ir para os ecopontos amarelos? Por acaso sabe quanto é que isso representa em termos de perda de receita para as autarquias ou entidades gestoras dos ecopontos? Por acaso sabe? Tem alguma ideia sobre o que irá acontecer aos actuais ecopontos amarelos?
        Se sabe informe-nos porque eu gostava de saber

        • Os ecopontos amarelos estão longe de estar vazios, bem pelo contrário. Há inúmeras embalagens de plástico que não estão no sistema Volta, e até películas de plástico em caixas de cartão com legumes, vegetais, fruta, etc… os sacos de plástico onde vem o peixe, as embalagens de plástico onde vem a carne, a charcutaria, o queijo, etc…

          Como já referi antes, as entidades gestoras dos ecopontos são frequentemente empresas público-privadas, que têm um negócio bastante lucrativo, não se preocupe, ou não existiriam essas parcerias.

          Ainda bem que não foi o sistema Volta que o colocou a fazer reciclagem, mas é preferível que o sistema Volta induza a reciclar quem não o fazia, que não reciclem seja o que for. Quantas praias e zonas naturais ficaram com muito menos plástico desde que o sistema foi implementado? Isso é que me interessa, agora os lucros das sociedades gestoras dos ecopontos ou do Volta é coisa para quem faz análise de mercados, assim como os lucros das

          Agora, os 10 cêntimos de depósito por cada elemento de vasilhame marcado ou com rótulo Volta são um esbulho, e nunca disse o contrário, é um sistema desenhado para induzir as pessoas a fazer o trabalho que fazem os operadores de máquinas que retiram o conteúdo dos contentores e os separam industrialmente, para depois vender de volta a matéria prima à indústria que produz embalagens ou reutiliza os materiais noutros fins, os consumidores já pagavam a embalagem juntamente com o conteúdo, e continuam a pagar, acrescida da “tara” e ainda da inflacção exponencialmente aumentada. O que estamos a pagar não é a embalagem, mas sim a energia para ter as máquinas a trabalhar e os custos de operação, ou seja, quem paga o sistema Volta são exactamente os consumidores de latas e garrafas Volta, quando lá deixam os 10 cêntimos por cada uma. Mas é um sinal dos tempos, nós cidadãos comuns pagamos tudo, temos de fazer “o trabalho”, mas quem tem o benefício são as corporações e os donos do sistema (monopólios), cada vez mais dominada pela grande finança internacional.

          Cada um toma a sua decisão. Agora não podemos é depois apontar dedos e reclamar pela falta de higiene urbana, o lixo espalhado por todo o lado, a poluição e contaminação dos ecossistemas e das paisagens naturais, das cadeias alimentares (das quais também fazemos parte e dependemos), se não nos dermos “ao trabalho”, e fizermos a nossa pequena parte. O resto é conversa.

          • *assim como os lucros das distribuidoras alimentares.

            Não faz muito tempo que criaram uma lei que obrigava à retirada de copos de plástico nos estabelecimentos de venda ao público de bebidas, incluindo barracas, rulotes, feiras, festivais, etc… vá lá a um e peça uma bebida, e veja como lha servem… acha que os copos de plástico vão à Volta?

            Os sacos de plástico a mesma história, foram restringidos por lei, obrigou-se a pagar por eles (curiosamente, cerca de 10 cêntimos) mas entre em qualquer cadeia de distribuição alimentar e veja quantos saquinhos de plástico lá têm de borla para que possa colocar a fruta, os legumes, o pão, ou o que seja. E depois ande na rua ou vá a um sítio frequentado por pessoas (praia, zona ribeirinha) e observe quantos vê, seja presos na vegetação, nas bermas, a voar, a flutuar…

            As pessoas não têm noção da quantidade de lixo que é produzida diariamente, e a diversidade de detritos que é necessário processar e tratar, de preferência reutilizando-os ou aplicando-os de forma útil, ecológica.

            Só em “sucata tecnológica/informática”, recentemente foi publicado um estudo que fala em 160 mil toneladas por ano, só em Portugal! É fazer as contas… não se preocupe que o fornecimento de plástico para a sociedade não acaba, faz parte do negócio, ou não vivêssemos num sistema “plastificado”, ou com muito de “plástico”…

        • No que diz respeito ao plástico, há muito mais plástico fora do sistema Volta, actualmente, que dentro (apenas garrafas de plástico). Depois, ainda há as latas de bebidas dentro desse sistema.
          De resto, tem embalagens de iogurte, de leite, de sumo que são de plástico, quer garrafas quer também as “Tetrapak”, e não valem nada no Volta, mas nem por isso não devem ser recicladas nos ecopontos. Mais, os maços de tabaco também têm películas de plástico que normalmente ficam espalhadas por todo o lado, são muito leves. Essas películas secam e começam a desfazer-se em pedacinhos cada vez mais pequenos, até se tornarem microscópicos, em pouco tempo, o plástico mais denso demora mais tempo, é mais resistente e a sua ruptura plástica ou desintegração é mais demorada.
          É tentar escolher as embalagens quando se vai comprar, se quisermos evitar gastar em “taras” do Volta.
          Não se preocupe que a maioria do plástico não é aceite pelas máquinas da Volta, se é isso que o preocupa, a utilidade e eficiência dos ecopontos amarelos.

          • Garrafas de óleo e azeite não estão no Volta… nem os garrafões de água que costuma ter 5 a 7 l (os mais vulgares)… não se preocupe que os ecopontos ficam a abarrotar na mesma…

    • Se o vasilhame cobrado em restaurantes, bares e cafés fica em cima da mesa ou do balcão, é porque quem pagou por ele não o quis levar. Ou fica mal na etiqueta, levar a lata do sumo ou do chá gelado ou a garrafa de água, depois de beber e pagar a despesa? Chamem a Paula Bobone!
      É com cada uma… se ficou em cima da mesa, alguém há-de tratar dela, seja o estabelecimento, o funcionário, o cliente que passou, viu e levou ou depois quem trata de recolher os resíduos urbanos nos ecopontos.
      Mais uma vez, a “tara” não devia ser cobrada, já está incluído no preço total o custo da embalagem, e a inflacção já é o que é, não precisamos de mais taxas ecológicas que apenas penalizam o consumidor final, o cidadão, enquanto a indústria das embalagens factura, enriquece e faz do plástico e do alumínio autênticas “pragas”, disseminados e espalhados em abundância.

  5. “O Volta é trabalho não remunerado disfarçado de virtude cívica”… ok. É fácil perceber quem lucra realmente com o sistema Volta, e já vou aqui voltar e elaborar.
    Mas com o sistema financeiro, cambial, SWIFT, quem lucra? Com o sistema bancário de crédito, de juro fixo ou variável, com as taxas de juro “reguladas”, quem lucra? É aquele que leva o dinheiro emprestado, cada vez com maior custo e escrutínio, ou “aquele” que empresta dinheiro, sem qualquer trabalho e muito bem remunerado?
    Pergunto isto pois é preciso colocar as coisas em perspectiva… fossem todas as hipocrisias sistémicas, todas as “rendas” automáticas e inevitáveis concentrados na máquina do Volta. Apesar de tudo, tem mais utilidade prática, e até efeitos ambientais positivos – menos lixo, menos plástico e metal a contaminar e destruir ecossistemas e cadeias alimentares, menos desperdício, menor gasto energético a produzir novas embalagens, enfim, nem devia ser preciso tirar dinheiro às pessoas para processarem os excessos do seu consumismo, não espalharem detritos nem vazarem dejectos de qualquer maneira e em qualquer lugar. Felizmente, mal ou bem equipados e preparados, ainda temos serviços de limpeza e higiene urbana, mas nós que não trabalhamos neles nem temos a profissão dos varredores de rua, devemos ter respeito por eles, muito até, e facilitar-lhes a vida, o facto é que a maioria não tem a mínima consideração pelo ambiente, pelas pessoas, os concidadãos, muito menos por quem trabalha para que ainda não voltemos a uma espécie de idade média em plena era pós-industrial, onde se despejavam excrementos e urina pela janela ou na linha de água mais próxima. Apesar de haver muita indústria, grande e pequena, que ainda hoje vaza esgotos e despeja detritos em qualquer lado.

    Voltando ao Volta, as empresas que lucram, quer as que vendem o vasilhame de plástico ou metálico, e cobram mais 10 cêntimos que depois terão de ser gastos nas suas cadeias de distribuição, ou terão de ser doados a uma instituição, e depois as que têm o retorno do vasilhame para o reutilizar de mão beijada, e que são, dito por quem trabalha a processar os contentores, retirando e separando as pilhas de materiais que contêm, empresas públicas com participações privadas (PPP), são directamente beneficiadas, evidentemente. E através da acção de quem faz o primeiro processamento das embalagens vazias, como já era feito nos ecopontos. O que muda é que os pontos de recolha estão nas cadeias de distribuição, o que condiciona, além do próprio sistema de retribuição condicionado, o acesso e dificulta o retorno de quem tem menos meios ou vive mais distante.
    Quanto a pessoas a ir aos contentores revirar o lixo para sacar as garrafas e latas de quem não quer ou não se dá ao “trabalho” de reaver o dinheiro de cada umas, isso é uma questão lateral, tem a ver com a pobreza da sociedade portuguesa, no nosso caso específico, e com a falta de cultura cívica, onde fazer lixo é a norma. Mais, antes do sistema Volta já havia pessoas a ir aos contentores de lixo, revirar, abrir sacos, deixar tudo espalhado e imundo, às vezes à procura de comida, outras de objectos de valor, ou roupa, ou coisas que as pessoas já não usam e nem sempre dão ou põem de parte. Portanto, esse argumento é uma questão mais ligada às falhas da sociedade e do sistema de redistribuição de riqueza, e também da falta de civismo e educação, do que do sistema Volta. Não trouxe nada de novo, a não ser que as embalagens marcadas passaram também a ter valor, e para quem passava e passa fome ou tem dificuldades, isso não é desprezável, por muito que para outros possa ser. Eu próprio já apanhei garrafas que não fui eu que comprei, mas foram descartadas por quem as comprou, para ter um maior desconto quando vou comprar alimentos, bebidas, etc. São leves, apesar de volumosas, não se pode compactar, não preciso de revirar nada, só retiro as que estão visíveis, mas há pessoas com maiores necessidades do que eu, e apesar de me incomodar o caos que por vezes deixam, isso já vinha de trás, e com a inflacção dos últimos anos descontrolada, ainda por cima, a tendência é para piorar. Por outro lado, já me disse uma pessoa, que se levantou de manhã pela fresca para ir recolher garrafas e latas acumuladas após uma noite de Feira, e conseguiu, ajudando a deixar as ruas mais limpas, fazer alguns euros a mais. E vi na televisão um nadador-salvador no Algarve, que fazia 4 centenas de euros e tinha como meta os mil euros até ao fim do Verão, a recolher ao fim do dia o lixo que os turistas portugueses e estrangeiros deixavam no areal. Por que não incluir estes exemplos opostos? Isto sim é a novidade, nem a pessoa que se levanta de manhã cedo para recolher vasilhame nem o nadador-salvador o faziam antes, certamente. Mas eu já limpei muito caminho, estrada secundária e rua a andar a pé, km atrás de km, quando ia passear o cão, e nem havia qualquer recompensa nem sistema Volta – a recompensa era a minha consciência limpa e o sentido de comunidade, de respeito pelo próximo e a natureza, portanto estou à vontade para falar disto. Agora limito-me a fazer o mesmo, separando o que tem valor monetário do que não tem, e estou muito longe de andar a carregar sacos de 50 ou 60 l com vasilhame, tipo ladrão ou Pai Natal, como já vi muita gente, no máximo 15 a 20 de cada vez num ou dois sacos de plástico vulgares.
    Por último, mas não por fim, pois mais haveria a dizer mas penso que o essencial já ficou claro e não quero alongar muito nem escrever uma tese, é óbvio que o sistema devia ser repensado e reformulado. Mas não é só, nem principalmente, o Volta. Para não ser sempre o ser humano, o semelhante, a pessoa, a pagar os lucros das corporações e dos monopólios, enquanto nos vão ao bolso (e não só) de toda a maneira e feitio. Mas isso é conversa para outros tópicos, nem todo o patego vai lá chegar neste…

    • Resta acrescentar que nem todas as pessoas que vão ao lixo à procura de comida, ou seja o que for, deixam tudo revirado e o lixo espalhado, pelo contrário, a maioria tem algum cuidado, e tenta ser discreta. Eu, em Lisboa, morando numa rua sem o movimento das ruas centrais, vejo todas as semanas, praticamente todos os dias, pessoas a ir ao lixo à procura de qualquer coisa, algumas de comida, não todas. E isto ainda nem o Volta tinha ido, quanto mais voltado. Além do mais até os serviços de higiene urbana das grandes cidades começaram a recolher mais depressa os ecopontos, desde que começou essa “febre” do vasilhame, que até teve reportagem de telejornal. Quanto ao problemas principal, o da pobreza crónica, tudo na mesma como a lesma… e assim se ilude mais uns pategos. Já não há Volta para ninguém, mas alguém vai sacar aquelas latas e garrafas e pô-las nas máquinas, pois ninguém desdenha mais umas dezenas de euros por mês, ainda não somos todos o “Luís” que só pede que o deixem trabalhar e tem uma empresa milionária familiar.
      Pensem se não vale a pena considerar os pontos que enumerei, incluindo o de não forçar o consumidor a pagar para alimentar um sistema que o penaliza duas vezes, até porque não foi ele que fabricou as embalagens (cada vez mais vulgares e disseminadas), e ele já as pagava antes de passarem a cobrar 10 cêntimos a mais de “caução”. Pois não era só o conteúdo líquido que o preço pago incluía, e ainda inclui.
      Mas se puderem mudar primeiro o sistema capitalista de usura desenfreada, prefiro. É mais urgente, e não é de agora.
      Já agora, não faço reciclagem a pensar em quem vai lucrar com o meu esforço e tempo, nem o dinheiro das embalagens Volta o compensa totalmente. O que me chateia mesmo é viver num mundo de plástico e de lata enferrujada, cortante e sufocante como o sistema corrupto instituído em que sobrevivemos.

    • Também já havia vasilhame das garrafas de vidro, retornáveis, e nunca vi ninguém indignado como se fosse a última e mais grave afronta do comércio de distribuição alimentar ou das empresas que reciclam vidro (de preferência, sem estar partido). Mas enfim, há comprar e há gastar, há reciclar e voltar…

  6. O verdadeiro roubo. Se amolgas uma lata não te devolvem os 10 cents…
    A ecologia só serve para as latas bonitinhas? Para serem amolgadas depois por eles?

  7. E quem vive naquelas terras do interior onde não há máquina de Volta fica sem os 10 cêntimos e acabou.
    E essa de ter de os ir gastar ao supermercado não lembra a ninguém.
    Essa treta já existe na Alemanha e outros países europeus há muito tempo e claro que os tugas adoram copiar a m*rda.
    Por isso aqui andamos as voltas com as voltas que o Volta da.
    Valha lhes um burro aos coices.

  8. PURO ROUBO. EU PAGO 10 CENTS EM DINHEIRO E RECEBO UM PAPEL A FINGIR QUE É DINHEIRO E QUE TENHO QUE GASTAR NUM SUPER MERCADO ( QUAL?) .
    SE ME FALTAREM 10 CENTS PARA O BILHETE DE AUTOCARRO, PARA A BICA OU SEJA LÁ PARA O QUE FOR, O PAPERL NÃO SERVE. LOGO É COMO SE FOSSE DINHEIRO FALSO EMITIDO “LEGALMENTE”.

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