(Por José Goulão, in SCF, 23/05/2026, revisão da Estátua)

O Ocidente colectivo fragmentou-se, mas em todos os nichos a única estratégia de sobrevivência que conhece é a guerra.
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O chamado Ocidente colectivo entrou numa deriva existencial que pode arrastar o mundo para o caos e uma tragédia de proporções imagináveis, porque o único antídoto que conhece é o da guerra – método da mentalidade colonial perene e da sua expressão extrema, o imperialismo.
O Ocidente, dizem os estrategos ocidentalistas, é a “nossa civilização”. Um conceito que assume o autoconvencimento de uma superioridade rácica, do direito a definir princípios civilizacionais e humanos únicos – os “nossos valores – da posse das riquezas do mundo por uma espécie de usucapião divino. E que, se necessário, assenta em supremacia religiosa – o espírito de cruzada. De que a guerra contra o Irão e as atrocidades na Palestina são exemplos.
Porém, o Ocidente colectivo está a fragmentar-se.
Em termos simplistas, começou por quebrar-se em dois, devido ao terramoto Trump, um imperador que tem qualquer coisa de Nero e coloca o seu narcisismo psicopata acima de tudo, principalmente da vida humana.
Trump, contudo, não é um fenómeno que surgiu do nada, como uma espécie de erro histórico. É fruto do estado de decadência e de disfuncionalidade a que que chegou o motor do dinheiro, que faz mover o Ocidente colectivo e garante a fonte de todas as suas supostas superioridades. O capitalismo entrou na fase decisiva da sua crise existencial.
Isto é, depois de atingir o estado de anarquia neoliberal, e uma vez que esta não consegue, mesmo assim, sustentar todas as farsas como representante da democracia, da liberdade, do humanismo e dos direitos humanos, derrapa agora para um desespero ainda mais extremista: o fascismo.
É aí que estamos, embora o fascismo esteja a chegar-nos com facetas diferenciadas, por exemplo entre a franqueza descuidada de Trump e as elaborações próprias, com resquícios aparentes de democracia, de um Merz (num país que arreganha os dentes), de um Starmer, de um Montenegro venturista, de um Zelensky, de um Modi, de um Macron, de uma Meloni, etc.
O Ocidente colectivo fragmentou-se pelo Atlântico, entre os Estados Unidos e a Europa, mas não se fica por aí. Na Europa, a União Europeia desmorona-se numa angústia de orfandade, porque Trump parece levar a sério a intenção de lhe retirar a tutela militar.
Os Estados Unidos e Israel, numa simbiose que materializa o imperial-sionismo em termos operacionais militares, ocupam-se do Médio Oriente, de maneira a tentar garantir as riquezas naturais e estratégicas reforçando a presença policial do estado sionista.
Trump deixou à União Europeia, num quadro em que a NATO não sabe às quantas anda, a tarefa de se haver com a Rússia e, para já, defender o fascismo zelensquista até ao derradeiro suspiro. Vale à União Europeia que a Rússia não é uma ameaça militar real. Mas se continuar a insistir…
O Ocidente colectivo fragmentou-se, mas em todos os nichos a única estratégia de sobrevivência que conhece é a guerra. É isso que nos leva ao caos e, quiçá, à tragédia.
São os estertores do capitalismo, que assim dispara em todas as direcções manejando o fascismo. Mas que haja luta até que os povos de todo o mundo acordem e tentem evitar que o desespero da anarquia capitalista conduza o planeta ao extermínio da vida tal como a conhecemos.
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