(Ana Sá Lopes, in Público, 12/04/2026)

Os americanos e os russos, a nova grande aliança, foram derrotados este domingo na Hungria. Mas Sánchez percebeu que não é a política de apaziguamento que devolve a autoridade à Europa.
Numa daquelas conferências de imprensa circenses na Casa Branca, Trump, a criticar o primeiro-ministro britânico que se recusou a ser apoiante efusivo da guerra dos Estados Unidos contra o Irão, disse que Starmer “não era nenhum Churchill”.
Churchill é muitas vezes invocado ao pontapé e foi o caso. Em 1940, Churchill estava quase sozinho (com Anthony Eden, que se tinha demitido do governo quando percebeu que estava a vingar a opção apaziguadora com Hitler) no combate ao genocídio que o regime nazi levava a cabo contra os judeus e contra as ambições imperialistas de Hitler. Há um livrinho do historiador John Lukacs, Cinco Dias em Londres, que explica passo a passo todos os momentos dessa solidão e o milagre que foi travar a vitória do apaziguamento dentro do Governo britânico. O Reino Unido era bastante anti-semita, na época.
Na Europa, a única voz corajosa a opor-se ao genocídio que Israel está a travar em Gaza e à guerra de Trump e Netanyahu contra o Irão é Pedro Sánchez. Está sozinho: os líderes europeus podem não ter apoiado a guerra do Irão, mas cambalearam, hesitaram, não condenaram expressamente os Estados Unidos e esforçaram-se antes para pôr as culpas no Irão, por ter atacado, na sequência dos bombardeios americanos, outros países do Golfo.
Estamos a viver um grande momento de miséria moral na Europa (e Trump não agradeceu, antes pelo contrário). Ao contrário de Paulo Rangel, o ministro dos Exteriores de Sánchez não recebeu nenhum telefonema de Marco Rubio.

Quase todas as “altas patentes” europeias parecem os dirigentes do PCP a falar sobre a invasão da Ucrânia — e na altura muita gente, incluindo eu, atacou o PCP. Hoje, peço desculpa pelas minhas críticas à posição do PCP. Estão muito bem uns para os outros, no que toca a invasões ou “operações especiais” ou ataques a populações civis e infra-estruturas e, ao contrário do PCP, as críticas à cumplicidade europeia raramente se ouvem.
Na terça-feira, quando Trump ameaçou “destruir toda uma civilização”, o silêncio nas “chancelarias europeias” foi de morte.
Depois da primeira ameaça louca de Trump no domingo passado, em que ameaçou fazer “os iranianos voltarem à idade da Pedra, que é o seu lugar”, António Costa ainda teve uma reacção decente e a mais forte desde que começou a guerra: “Qualquer ataque a infra-estruturas civis, nomeadamente energéticas, é ilegal e inaceitável” e o que se aplica “à guerra da Rússia na Ucrânia aplica-se a todo o lado”. Mas depois da ameaça da “destruição da civilização” iraniana, Costa e os outros ficaram calados.
Pedro Sánchez emerge agora como a única consciência moral da Europa, o único líder verdadeiramente corajoso, aquele que percebeu muito antes dos outros que os “princípios europeus” já foram suficientemente manchados e se a Europa quer enfrentar o inimigo interno (os americanos e os russos, a nova grande aliança, conseguiram ser derrotados este domingo na Hungria com a derrota de Órban) não é com a política do apaziguamento que vai lá.
Na sexta-feira, Sánchez fez um discurso no European Pulse Forum que é a “basezinha” dos dilemas europeus neste momento: “O desafio da Europa não é só rearmar-se para enfrentar os seus problemas de segurança e de defesa, mas também rearmar-se moralmente, para que possa contribuir para o desenvolvimento estável e pacífico do mundo”.
Sánchez defende que a União Europeia acabe com o acordo de associação com Israel — coisa que a Europa não fará. Obviamente, o Governo de Israel responde a Espanha com a palavra que usa contra todos os que se manifestam contra o genocídio em curso: “Anti-semita”. Na realidade, a Europa tem de escolher se mantém a cumplicidade com crimes de guerra e com o genocídio, mantendo a “chamberlanização” da sua política externa, ou se faz como Churchill e deixa de apaziguar. A única referência moral é hoje Pedro Sánchez… e o Papa Leão XIV.
A melhor ainda e a da grande aliança entre a Rússia e os Estados Unidos, novamente a treta de que Trump e Putin são amigos.
Começando do princípio. A Administração Biden tomou posse em 20 de Janeiro de 2021, a intervenção russa na Ucrânia começou a 24 de Fevereiro do ano seguinte.
A criatura quer mesmo convencer nos que foi no espaço de pouco mais de um ano que a Ucrânia se organizou, se armou até aos dentes e foi provida de exércitos de mercenários de todo o mundo.
A verdade e que Trump passou os quatro anos da sua administração a armar a Ucrânia dado que o nazismo ucraniano até está maus de acordo com a sua forma de pensar.
Trump sonha com os Estados Unidos a dominar todo o mundo e isso obviamente inclui a Rússia.
Os Estados Unidos não querem que nenhum poder lhes faça sombra e Trump leva essa crença ao limite.
Quanto a Orban sem dúvida tinha afinidade com Trump mas com a Rússia o que se passava e que não compartilhava com a ideia suicida de desistir da energia barata da Rússia.
Fascista mas não estúpido e se calhar com mais respeito pelas vidas húngaras que os outros teem pelas vidas dos seus.
Nas tintas estão eles para se passando o frio ou o calor todo junto ou não conseguimos abastecer os carros que nos levam para o trabalho.
O resto e conversa.
Mas podem mesmo parar de nos tentar convencer que a Rússia tem interesses comuns com o nazismo Trumpiano.
O melhor que Trump prometeu a Rússia foi congelar o conflito dando a Ucrânia tempo para reagrupar.
E a treta veiculada por muitos de que a Rússia está a lucrar com isto.
Está a Rússia e estão todos os países que tenham petróleo e o consigam exportar incluindo os Estados Unidos, o esquartejador monarca saudita e outras petroditaduras do Golfo.
Agora nem a Rússia nem ninguém teem interesse nenhum em ter uma criatura errática como Trump como homólogo.
Errática, sem escrúpulos, de crueldade extrema e que tal como Hitler sonha com o domínio do mundo.
E pela rica saudinha. Não comparem Sanchez com um genocida que só por acaso se encontrou em lados opostos com Hitler, um fascista como Churchill. O seu verdadeiro sonho era unir se a Alemanha contra a União Soviética. Foi a excessiva avidez de Hitler que os colocou em campos opostos.
Cá me parece que o homem não deve gostar muito da comparação embora não se atreva a dize lo tal e o endeusamento que se faz do porco gordo.
Churchill não é uma referência moral nem na Europa nem em lado nenhum a não ser talvez o estado genocida de Israel.
E a Europa não está a apoiar Trump por apaziguamento de um sujeito que age como um Hitler XXL.
Esta simplesmente a fazer o que sempre fez em todas as intervenções estadunidenses. Apoiar na esperança de recolher alguns restos da pilhagem.
Em resumo, pode a senhora ir ver se o mar da choco.
esse texto é um escarro. se a escriba conseguisse mostrar e demonstrar que o pcp apoiou a invasão da ucrânia, tê-lo-ia feito. Assim , fica-se pelos seus delírios sendo que o meu preferido é o seguinte:
“Quase todas as “altas patentes” europeias parecem os dirigentes do PCP a falar sobre a invasão da Ucrânia […] Estão muito bem uns para os outros […]”
Ou seja, a senhora “agora” também não se revê nos principios políticos do PS, do PSD, do CDS, do Chega, da IL, do BE, ou do Livre para me ficar pelos partidos políticos portugueses. Espectacular! Ficarei à espera de outros momentos em que infalivelmente vai renegar o que diz agora.
O meu menos preferido é a repetição ad nauseum de que esta intervenção militar “ocidental” é algo que nunca tinha acontecido antes, quando a invasão e ocupação da palestina é apoiada há 70 anos e as invasões do iraque, afeganistão, libia, siria, sérvia, etc, mais os bloqueios assassinos ao irão e a cuba que duram há décadas, mais o à venezuela que só acabou porque esta se submeteu ao regime terrorista americano, contaram sempre com o apoio das “altas patentes” dos regimes que ela sempre apoiou. Não acredito por isso na sinceridade da proclamação, e afirmo sem tibiezas que ela não traz qualquer reflexão política, é apenas uma forma de tentar lidar com o horror que vemos todos os dias à nossa frente e com a ruína dos pilares que sustentavam a sua mundividência. Mal tenha oportunidade, volta aonregaço das altas patentes.
Quer dizer, a referência Churchil, um comprovado genocida na India, como referência moral da europa só pode ser feita como piada, sendo que a piada é sobre nós.
Realmente, a “sofistria” das Ena Só Lapas deste “jornalismo a toda a prova” é de bradar aos céus… lá tinha de vir o PCP para justificar décadas e décadas de saques, bloqueios, sanções, invasões, chacinas, bombardeios, “operações militares especiais”, interferências externas, golpadas e “regime change” por parte das “forças democráticas”, dos “guardiões das liberdades e garantias”, dos “faróis do mundo livre”…
… eles estarem a defenderem os nossos valores e a demo-cracia…
Confesso a minha ignorância: Não percebi patavina destas comparações de Pedro Sanchez com Winston Churchill!!
E muito menos dos apaziguamentos e da referência a Chamberlain!!
Será que a autora pode escrever um pouco mais para a plebe e trocar a coisa em miúdos?