Ataque de Trump-Netanyahu ao Irão repete golpe traiçoeiro de Hitler contra URSS

(Por Atilio A. Boron in Diálogos do Sul, 04/03/2026)

– Donald Trump (cartoon): chrisinphilly5448 / Flickr
– Benjamin Netanyahu (cartoon): stillunusual / Flickr

Trump e Netanyahu são dois larápios que dispõem de um enorme arsenal de armas de todo tipo e que só não vão para a cadeia porque, há anos, travam guerras sem cessar.


Os dois “Estados canalhas” mais perigosos do mundo, Estados Unidos e Israel, lançaram um ataque surpresa contra alvos indiscriminados no Irão, tanto civis quanto militares. Em um ato de infame traição e desprezo pelas regras mais elementares da diplomacia, do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas, a agressão ocorreu enquanto Washington afirmava que seu governo estava negociando com Teerão.

Essa transição para a violência armada, enquanto ainda vigorava um acordo prévio entre os dois países, tem muitos antecedentes na história do sistema internacional. O mais conhecido talvez seja a traiçoeira punhalada pelas costas desferida por Adolf Hitler contra a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), com a fulminante ruptura do Pacto Molotov-Von Ribbentrop e a súbita invasão da URSS na chamada Operação Barbarossa.

Trump e Netanyahu são dois larápios que dispõem de um enorme arsenal de armas de todo tipo e que só não vão para a cadeia porque, há anos, travam guerras sem cessar.

São poucos os dados que permitem avaliar o alcance da agressão sofrida pelo Irão. Tampouco se sabe muito sobre os danos infligidos pela resposta iraniana a diferentes cidades de Israel e às numerosas bases militares que os Estados Unidos mantêm espalhadas pelo Golfo Pérsico. O aiatolá Ali Hoseiní Khamenei, líder supremo do Irão desde 1989, morreu nos ataques. No sábado (28), um mortífero bombardeio a uma escola primária de meninas na cidade de Minab, situada no sul do país, matou 175 pessoas, entre crianças e funcionários. Esse ataque só pode ter sido realizado a partir de uma convicção profunda por parte da liderança israelense: a de que os iranianos são uma “raça inferior”, assim como os palestinos, e que podem — e devem — ser mortos sem qualquer escrúpulo. E que as crianças, desde muito cedo, seriam, sem exceção, terroristas e assassinas em potencial, com as quais não se deve ter nenhum tipo de consideração.

A justificativa para o ataque combinado de Estados Unidos e Israel seria impedir que o Irão tenha acesso à fabricação de um arsenal de bombas atômicas. Para Washington e Tel Aviv, a segurança regional só pode ser garantida pelo monopólio atômico que o Ocidente proporcionou a Israel. Trata-se de uma premissa absurda, que cria as condições ideais para a interminável explosão de guerras e conflitos de toda natureza, além de atentados terroristas e da generalização da violência.

Até os ataques sofridos em junho de 2025, o Irão permitia inspeções periódicas de suas instalações nucleares por especialistas da Organização Internacional de Energia Atômica. Após os ataques lançados por Israel e Estados Unidos contra o país, essas permissões foram suspensas. Sobre isso, a imprensa falou — e muito —, em geral controlada pelo império e pela direita mundial, hoje identificada com o sionismo. O que essa mesma imprensa não destacou, porém, é que Israel jamais permitiu que esse organismo, ou qualquer missão ad hoc das Nações Unidas ou de outro organismo internacional, realizasse inspeções em suas instalações nucleares.

Em relatório recente, a Federação de Cientistas Estadunidenses estimou que Israel dispõe atualmente de 90 ogivas nucleares, contra zero do Irão e de qualquer outro país da Ásia Ocidental. É evidente que uma situação como essa não apenas é injusta, como também promove um nível permanente e crescente de assimetria militar na região. Israel, protegido pelos Estados Unidos, tem direito à defesa e à segurança; os demais países, não. O resultado: uma guerra interminável.

O objetivo da administração Trump e do regime racista israelense é a mudança de regime no Irão. Querem que o país retroceda e restaure a monarquia do xá Mohammad Reza Pahlavi, um sinistro tirano imposto pelos Estados Unidos depois que a CIA derrubou o governo do líder nacionalista e reformista Mohammad Mosaddeq, orquestrando o golpe de Estado de 19 de agosto de 1953 — o primeiro que “a agência” realizaria em sua história; o segundo seria o perpetrado contra Jacobo Arbenz, na Guatemala, em 27 de junho de 1954.

O herdeiro da coroa persa, Reza Ciro Pahlavi, vive em Maryland, perto de Langley (Virgínia), cidade onde se localizam os escritórios da CIA, de modo que tudo está à mão. Do exílio, o príncipe herdeiro inspirou-se no “patriotismo” de María Corina Machado, a inverossímil Prêmio Nobel da Paz que buscou por todos os meios que os Estados Unidos invadissem a Venezuela. Para sua surpresa, quando isso ocorreu em 3 de janeiro do corrente ano, não foi para chamá-la a assumir a presidência do país, mas para relegá-la a um discreto terceiro plano. Roma não paga traidores, diz o ditado — e muito menos alguém tão avarento quanto Trump.

Voltando ao caso iraniano, o príncipe herdeiro aplaudiu o ataque sofrido por seu país e conclamou as massas a se livrarem do “regime dos aiatolás”. Seu apelo parece ter caído em ouvidos moucos, pois os mais velhos lembram muito bem que a monarquia liderada por seu pai deixou para trás um rastro interminável de encarceramentos, exílios, torturas e execuções sumárias, além de colocar as riquezas do país, sobretudo o petróleo, em mãos estadunidenses. A revolução que pôs fim ao regime, em 1979, contou com um impressionante nível de apoio popular justamente em razão das tropelias e da brutalidade de seu pai. Parece pouco provável que o filho possa retornar nos ombros de uma enorme mobilização popular.

A guerra contra o Irão seguirá seu curso. Para os Estados Unidos, acabar com “o regime iraniano” é fundamental porque isso poderia complicar o abastecimento de petróleo à China, objetivo prioritário da política externa estadunidense. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou na rede social X a agressão dos Estados Unidos e de Israel, mas também, e sem qualquer qualificação, a represália lançada pelo Irão. Tanto aqueles quanto este seriam igualmente culpados, segundo Guterres. O agredido mereceria a mesma sanção que o agressor. O direito à legítima defesa desaparece na declaração de tão alto funcionário.

Quando muitos se perguntam sobre as causas da crise das Nações Unidas, a covardia e a submissão aos ditames do império por parte de seu secretário-geral oferecem uma boa pista para compreender a gênese do problema. Por isso, Trump, aspirante a ditador mundial, propôs-se, com seu clube de amigos — o Conselho da Paz —, a estabelecer em Gaza, a Gaza dos palestinos, um gigantesco Mar-a-Lago, onde se reunirá essa pandilha de megamilionários, estafadores e pedófilos com a pretensão de administrar a terra roubada dos palestinos como se fosse própria, substituindo o Conselho de Segurança da ONU na gestão cotidiana dessa operação imobiliária. Trump e seus sequazes terão um rude despertar, porque os palestinos não cessarão em sua tentativa de recuperar sua terra.

(*) Texto em português do Brasil, de acordo com a fonte aqui

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4 pensamentos sobre “Ataque de Trump-Netanyahu ao Irão repete golpe traiçoeiro de Hitler contra URSS

  1. às 2ª o homem é execrável

    às 3ª é um ‘compagnon de route’ a eleger o inZeguro

    depois bolçam por aqui ataques em cima de ataques, palavrosos, só palavrosos, cada um tentando o apodo mais elaborado, mas nada de actos, que isso é outra loiça, aos dois citados no título desta entrada

    foi aquele “revolucionário” de origem nobre, que falou em idiotas-úteis?

    https://rtbrasil.info/noticias/30527-portugal-defende-eua-beses-portugueses-ira/

    Henrique de Navarra / Henrique IV de França disse que Paris valia uma missa (a sua conversão de huguenote em católico, só não se muda de Clube, o resto …).

    A esquerda-gramofone acha que a derrota de André Ventura, vale bem um passeio ao lado daqueles a quem eles chamam de criminosos com mãos ensanguentadas, com aquela cor que os faz saltar de alegria.

    • Oh patego pantomineiro, quem tem as mãos manchadas de sangue, e cada vez mais, é o hiPOpoTamUS cor-de-laranja e o seu domador Netanyahu, ou ainda não percebeste, limitado cognitivamente como és?
      Acresce que os direitolas cá do burgo nem sequer condenam o ataque cobarde, ilegal e imoral de Israel e dos EUA ao Irão, vão para além da cobardia e da sabujice, são tão ou mais pantomineiros que tu, como bons e batidos direitolas que são (sois).
      É preciso fazer um desenho para que percebes o quão ridículo e falacioso és, ou será desta que chegas lá? Vergonha não terás de certeza, és um reles farsante, mas um assomo de lucidez será que te fará ser um pouco mais dissimulado na mentira?
      Não viste o que se passou na cimeira ibérica, o sabujo e cobarde português da Spinumviva a mentir como tu fazes por aqui, enquanto o espanhol não se vergou e alertou para os perigos desta guerra insana?
      E os preços dos combustíveis, que tu tanto amas, a disparar, o petróleo que te faz delirar, também vai ser culpa do Gu-Gu-Té-Té da ONU?
      Não passas de um mentiroso lambe-CU, tal como o CU (candidato único) é outro mentiroso que vai ao beija-cu ao Trampas, ainda mais cobarde, sabujo, seguidista e vende-pátrias que o Montepardo e seus sequazes.

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