Alguém tem de o dizer

(José Sócrates, in Jornal Económico, 25/02/2026)


(Independentemente da culpabilidade de Sócrates – que não sabemos ainda se existe – pois ainda não foi julgado e, por isso, só devemos ater-nos a presunções -, há duas asserções indiscutíveis: 1) Sócrates mantém intactos todos os seus direitos políticos, de cidadania e de opinião, e por isso o publico. 2) A justiça em Portugal tem vindo a ser usada como arma capciosa no confronto político a favor dos partidos mais à direita pelo que, a “democracia”, tem vivido e avançado montada em golpes de “lawfare” cada vez mais óbvios e despudorados, como aconteceu com o último governo de Costa.

Estátua de Sal, 10/03/2025, repetido com maior propriedade ainda, em 27/02/2026)


O ato de renúncia de um advogado é da sua exclusiva responsabilidade e responde a um dilema interior, difícil e dilacerante, que só os imbecis podem considerar manipulado por outros.


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1. Diz o senhor bastonário da ordem dos advogados que deve haver “um advogado oficioso específico para a operação marquês”. A rude simplicidade da declaração é desarmante – o que o bastonário quer dizer, fazendo-o sem qualquer preocupação de cuidado ou de elegância, é que o processo marquês deve ser transformado num processo de exceção. Um processo que faz a sua própria lei.

2. A notícia diz que o bastonário declarou que os “arguidos têm direito a escolher o advogado que quiserem”, mas considera que “esse direito não é irrestrito”. A surpreendente cultura penal do senhor Bastonário ainda concede ao cidadão a liberdade de escolher o advogado – mas com regras. Que regras são essas? Só podemos especular – talvez a de saber, previamente, se o advogado é do agrado do Ministério Público; talvez a de se assegurar que o seu advogado tem a aprovação do tribunal; talvez a de saber se o seu advogado tem o agrado da corporação.

3. Afirmou também que a depender dele,“a Ordem nomeará um novo defensor em 48 horas”. Não sei com que base, fora dos critérios legais, a Ordem vai nomear defensor oficioso – mas sei que a ordem do tribunal fala expressamente num prazo de preparação de dez dias. Desta forma, se o fizer, a Ordem dos advogados ficará para sempre ligada a uma direta violação do artigo sexto (direito a um processo equitativo) da Convenção Europeia dos Direitos do Homem. Só para que fique claro, este artigo diz assim, no seu ponto três: O acusado tem, como mínimo, os seguintes direitos: (…) b) dispor do tempo (…) necessário para a preparação da sua defesa.

4. Bem sei que o senhor bastonário já afirmou que dez dias não é suficiente. Mas o bravo dirigente não se deixa condicionar pelos limites da conformidade lógica. Dois dias – deem-me dois dias e eu resolvo de vez o assunto.

5. Diz também o senhor bastonário que sentiu necessidade de defender a senhora advogada oficiosa. Quero recordar que a senhora advogada oficiosa não levantou o processo da secretaria e esteve em tribunal sem nada conhecer do processo. Mais ainda: a senhora advogada disse publicamente que me tinha tentado contactar, o que não é verdade. Não. Não, senhor. A senhora advogada oficiosa não esteve ali a defender-me nem o senhor bastonário foi ali defender a dignificação da advocacia – foi ali defender o Ministério Público contra os seus colegas que haviam renunciado.

6. O senhor bastonário não se sentiu obrigado a defender o respeito pelo advogado e o conhecimento dos autos para fazer uma defesa condigna. Antes optou pelo discurso subserviente que omite a defesa dos colegas destratados em audiência de julgamento e feridos na sua dignidade profissional – “acabou a brincadeira”, disse, desrespeitosamente e sem razão que o justificasse, a Senhora Juíza Presidente ao advogado Dr. Pedro Delille. O senhor bastonário também não se sentiu obrigado a defender o seu colega, o Dr. José Preto, que foi imediatamente substituído pelo tribunal quando esteve internado com uma pneumonia. Mas o senhor bastonário decidiu ir ao tribunal para, com a atenta cobertura noticiosa do jornal observador, defender a advogada oficiosa que havia sido nomeada quando o meu mandatário estava hospitalizado. Em conclusão: o senhor bastonário só defende advogados convenientes.

7. O propósito, sejamos claros, é óbvio – o de alimentar a conversa das “manobras dilatórias”. O senhor bastonário nunca disse uma palavra quando o Ministério Público prendeu para investigar e apresentou a acusação três anos depois – violando o prazo máximo de inquérito e os acórdãos judiciais que estabeleceram o prazo máximo para finalizar o inquérito em 19 de outubro de 2015 (a acusação só foi entregue a outubro de 2017). Aí não houve manobras dilatórias.

O senhor bastonário não disse uma palavra quando a instrução do processo, prevista na lei durar trinta dias, durou, afinal, quase quatro anos. Aí também não houve manobras dilatórias.

O senhor bastonário não disse uma palavra sobre o “lapso de escrita” que alterou a acusação, mudou o crime, agravou a moldura penal e manipulou os prazos de prescrição – essa, que foi a “mãe de todas as manobras dilatórias” de um processo que estava morto na instrução. Não, não senhor. A preocupação do senhor bastonário não é a defesa da celeridade da justiça, mas juntar-se à conversa básica do Ministério Público de que só aos atos dos advogados, ou seja, as ações de defesa da inocência, é que são expedientes dilatórios.

8. Mas vejo mais. Vejo que o senhor bastonário não se incomoda quando um juiz é investigado quando toma uma decisão livre e independente, mas que não agrada ao Ministério Público. Vejo que o senhor bastonário não se incomoda quando são abertas investigações com vista a controlar e condicionar a própria defesa.

9. Para acabar. O ato de renúncia de um advogado é da sua exclusiva responsabilidade e responde a um dilema interior, difícil e dilacerante, que só os imbecis podem considerar manipulado por outros. O que se passou fez-me lembrar que ainda há advogados corajosos em Portugal; as intervenções do senhor bastonário explicam a conivência e a subserviência que para aí vejo.

30 pensamentos sobre “Alguém tem de o dizer

  1. Já agora, julgo, sem certezas, que as máquinas de litografia para os chips mais avançados nem são americanas, mas sim de uma empresa holandesa. A maior parte dos chips avançados é, porém, fabricada em Taiwan, Coreia do Sul e Singapura. Parece também que os chineses já criaram máquinas para o fabrico de chips usando uma tecnologia diferente e muito mais barata, que já consegue fabricar chips quase com a mesma capacidade que os da litografia tradicional, prevendo-se que rapidamente atinjam o mesmo nível. No caso dos chips, trata-se de miniaturização, aliada ao aumento da capacidade de processamento.

  2. Escravo, agradeço o artigo, bem interessante (e que venham mais destes), mas devo informar-te que há muito acompanho esta “problemática”. As aspas devem-se ao facto de os problemas referidos no artigo que linkaste não serem obviamente meus, mas da quadrilha conjunturalmente chefiada pelo megabully da Casa Preta. O artigo abaixo linkado foi investigado e escrito por mim, em 2004, e não por aquela indefinida “Redacção DN” que aparece à cabeça. Acontece com todos os artigos assinados dessa época (e não sei quantos anos antes e depois), numa manifesta violação dos direitos de autor. Ando a ver se arranjo tempo e paciência para pedir explicações e tentar rectificar o problema.

    https://www.dn.pt/arquivo/diario-de-noticias/eleito-de-portas-criticado-nos-eua.html

    • O Ministério da Defesa dessa época, que não respondeu às perguntas do jornal a tempo, era tutelado pelo inefável Paulo Portas. O seu assessor de imprensa, que não julgou importante esclarecer o jornal sobre o que o ministério pensava sobre o assunto, era o não menos inefável comentador desportivo Pedro Guerra.

    • O Gabinete do Inspector-Geral do Departamento de Defesa dos EUA, é a melhor fonte de informação, sobre o estado-da-arte nas forças armadas americanas.

  3. Cetaciozinho querido (ou será querida?), eu NÃO ME CHAMEI Rosário, eu SEMPRE ME CHAMEI E AINDA CHAMO Rosário, meu último apelido, que se junta a mais dois (além de Joaquim e Camacho) que transporto no BI desde que nasci e, por uma questão de economia urinária, não uso aqui. Rima e tudo, quiducho/a! Sou “Joaquim Camacho Rosário” e ainda tenho mais dois prà troca. Latifundiário de apelidos, topas?

    Uma vez sem exemplo, vou tentar ser bué de explicadinho, como tu. Acontece que, não sei porquê, as pessoas têm tendência, desde que me conheço, a tratar-me por Camacho e não Rosário, pelo que acaba por ser assim que me trato a mim próprio. E, embora o endereço de email não inclua Rosário, quando, há alguns séculos, o registei foi o que, naturalmente, pus no espaço para o nome, que pede primeiro e último. Nestas andanças estralinéticas, porém, usei desde sempre “Joaquim Camacho”, porque é assim que quem me conhece me conhece, na vida real como no éter. Como já aprendeste por experiência própria, dá-me por vezes para a “franqueza” um poucaquinho crua e não me sentiria bem escondido atrás de nicks, pelo que adquiri o salutar hábito de assumir o que digo ou escrevo com o meu próprio nome.

    Quando coloco o email no respectivo espaço, para poder despejar o comentário, o aparelhómetro já aprendeu a preencher, automaticamente, o espaço do nome com “Joaquim Camacho”, em vez do “Joaquim Rosário” pré-preenchido que aparecia dantes, e que tinha de substituir manualmente. Sem certezas (sou um lamentável infoexcluído), julgo que as poucas vezes em que apareceu “Joaquim Rosário” na assinatura do comentário (como lembras mais abaixo) foi quando comprei um tablet novo. Possivelmente, o estúpido do aparelhómetro ainda não conhecia os cantos à casa, preencheu o espaço do nome com “Joaquim Rosário”, porque era o que aquele email lhe dava, e eu não dei por isso. Não mudei foi (por enquanto) de sexo e não passei a chamar-me Felismina da Esquina ou Hermenegilda Bafo-de-Onça, como parece ser o teu caso, querida Helga Simão.

    Daí a pergunta: a HELGA SIMÃO sabe que andas a usar o email dela para postares aqui comentários como gajo? Ou és tu próprio a HELGA SIMÃO e estreaste um telemóvel novo, tendo o espaço do nome sido preenchido automaticamente pela tua verdadeira graça, quando puseste o email, e não deste por isso? E se és gaja, por que carga de água enganas o pessoal fingindo que és gajo? Achas que um pirilau vale mais do que um pipi? Merece mais respeito? Porque se achas, achas mal. Alguns dos mais lúcidos, bem informados, inteligentes e ponderados comentadores desta botica são mulheres, como a Adília Maia Gaspar ou a Maria, por exemplo. E nenhuma delas precisou de mudar para “Adílio” ou “Mário” para merecer respeito.

    No link abaixo há um comentário (às 11:22 pm) assinado por uma “HELGA SIMÃO”. Três minutos depois (11:25 pm), há outro, praticamente igual, assinado por “WHALE PROJECT”. Como o teu é posterior ao da Helga, não me vais dizer que ela te plagiou, pois não?

    https://estatuadesal.com/2026/02/26/francesca-albanese-uma-voz-pela-justica-que-o-lobby-israelita-tenta-silenciar/

    Portantes, a lógica aponta para a sequência de acontecimentos que refiro atrás: telemóvel novo, email autêntico (ou usurpado) preenchimento automático do nome, distracção infeliz et voilá! O da Helga não entrou imediatamente, pensaste que tinha ficado encalhado e escreveste tudo de novo, de memória, desta vez assinando o nick habitual. A (minha) única dúvida é se há usurpação de identidade de uma incauta Helga Simão ou se a Helga Simão és tu. E, nesse caso, por que carga de água achas que gaja merece mais respeito do que gajo.

  4. Alguém tem de o dizer, realmente.

    Por isso ‘mutatis mutandis’, aprendi esta expressão latina com um socialista da velha guarda, anti-comunista como todos eles, não um chuchalista destes que, nunca trabalharam e que de jotinha em jotinha, os anos foram passando e uns foram enterrar a ONU, outros a UE e os menos capazes, porque nem para emigrar serviram, acabaram em Belém.

    Assim penso que, todo o ataque ao sistema judicial, que a república bananeira tem (espero não estar a ser ” racista” por causa das bananas, bananas fonte de potássio e magnésio que eu, como macaco albino como), seja extensível às maldades, sacanices, verdadeiras tropelias e desrespeito por todas as normas, quando se trata de Ricardo Salgado, do BES e da factura que os portugueses pagam e hão-de pagar.

    Qual é a diferença entre o ““Somoza pode ser um filho da puta, mas ele é nosso filho da puta” atribuído a Roosevelt e as dores aqui com o Sócrates?

    Claro que Ricardo Salgado não é para vós, os comunistas, o vosso filho da puta, para outros comunistas pode ser, mas esses não aparecem por aqui a dar vivas e olés. Os dinheiros da URSS tinham que chegar onde eram necessários, mas essas são contas de um rosário que não é da vossa conta, logo, vós arraia-miúda não tem que saber, nem sabe.

    Os “socialistas” do P”s” saíram hoje da toca para comentarem. Interessante!

  5. Bem lembrado, ORLANDO CARVALHO. A propósito do elegante Paulinho e sua honrada agremiação (entretanto defunta e agora gloriosamente ressuscitada), ainda me lembro da lista de quotas em que figurava aquele célebre “militante” centrista chamado “Jacinto Leite Capelo Rego”. Devia ser alemão, como o nome sugere!

  6. Pois. O Paulinho submarino agora até é comentadeiro televisivo e ninguém se indigna.
    Tambem não acredito em políticos impolutos mas este tem sido mesmo o bode expiatório de muita coisa e e verdade sim que a justiça parece ir atrás com mais sanha se o político não for de direita.
    E os políticos de direita são mais facilmente absolvidos ou o processo e rapidamente arquivado.
    O Paulinho submarino e um caso típico disso mesmo já para não falar do Senhor Spinunviva.
    Os magistrados continuam a ter demasiadas férias mas no tempo do Sócrates perderam algumas e se calhar e também isso que malha como a Susana Seca não perdoa.
    E sim, e de louvar a coragem de publicar o texto de alguém que já foi condenado na praça pública há muito tempo.

  7. A VINGANÇA DO PODER JUDICIAL ESTÁ A SER TERRÍVEL!!!

    Até 2006, os juízes tinham um período de férias judiciais
    longo (normalmente de 15 de julho a 14 de setembro). O Governo de José Sócrates propôs e aprovou a redução desse período para apenas um mês (o mês de agosto), uma mudança que foi vista como uma tentativa de aumentar a produtividade dos tribunais e reduzir um “privilégio” que o executivo considerava excessivo.

    Essa reforma entrou em vigor durante o seu mandato e gerou forte reação dos magistrados, reação que, a meu ver, se transformou em vingança.

    Não considero José Sócrates uma pessoa impoluta (como, por princípio, não considero qualquer político da nossa praça que exerça ou tenho exercido cargos com poder).
    Acho no entanto estranho que num processo com milhões de páginas não tenha até hoje sido apresentada prova cabal da culpabilidade de Sócrates.

    Comparemos este processo como o célebre processo dos submarinos:

    Em 2004, o Estado português assinou um contrato com o German Submarine Consortium (que incluía a empresa alemã MAN Ferrostaal) para a compra de dois submarinos-classe Tridente para a Marinha Portuguesa, num negócio de cerca de 880 milhões de euros.

    Esse contrato ocorreu quando Paulo Portas era Ministro da Defesa Nacional no governo chefiado por José Manuel Durão Barroso como Primeiro-Ministro.

    Tendo havido suspeitas de corrupção, em investigações conduzidas na Alemanha e em Portugal surgiram acusações de pagamento de subornos (“luvas”) ligados à contratação dos submarinos. Investigadores alemães afirmaram que vários intermediários portugueses, entre os quais Paulo Portas, receberam milhões de euros para facilitar o negócio, incluindo alegações de cerca de €6,4 milhões distribuídos entre “figuras da elite portuguesa” e consultores, incluindo um cônsul honorário.

    As investigações apontaram suspeitas de contratos de consultoria fraudulentos e tráfico de influências relacionados com o concurso público.

    Na Alemanha, um tribunal considerou que a Ferrostaal tinha sido implicada em práticas de suborno em negócios incluindo a venda de submarinos, levando a condenação e a multas significativas ao grupo e aos seus quadros.

    Em Portugal, o caso foi alvo de processos judiciais. Porém, em 2014 um tribunal criminal de Lisboa acabou por absolver os acusados (tanto portugueses como alemães) por falta de prova suficiente no que respeita à falsificação de documentos e burla relacionados com o contrato de contrapartidas.
    Posteriormente, o Ministério Público arquivou o processo principal por alegada insuficiência de provas, sem que figuras políticas como Paulo Portas tenham sido constituídas arguidas.

    A justiça tem claramente escolhido o seu lado desde o tempo salazarento e fascista.
    Agora revestiu-se da capa democrática.

  8. Se mais alguém acha que um fascista que aqui entra para passar um atestado de insanidade a quem critica os criminosos apoiantes de um estado criminoso querendo a força matar o mensageiro acha que o homem é um psicopata e acha que o homem devia ir ver se o mar da bichos maus não tenho nada contra.
    Também tu já te chamaste Joaquim Rosário por aqui.
    E já cá repito o mesmo quanto a maus bichos do mar há tempo suficiente.
    Ate porque tem uma lógica do caraças enfiar dois comentários com dois nomes diferentes.
    Realmente tu tens uns obsessão do caraças por mim e em vez de andares atrás de fascistas directos como o tal verme que se diz Kruzes Kanhoto vens moer me.
    Digo que alguma ele fez porque não e com três tostões que se vive em Paris como o homem vivia. Entre outros sinais exteriores de andar a viver bem.
    Mas ter essa convicção nunca me fez defender que o homem devia ser condenado em praça pública, já o defendi aqui e tive um tal Neto a mandar me ir ver se o mar da choco por isso.
    Nem acredito, como os tais 90 por cento de pategos, que seja o homem o responsável por “por o pais na bancarrota” e outros dislates semelhantes.
    Sei que houve gente que fez muito pior e nunca foi sequer incomodado.
    Sócrates esteve um ano na cadeia e ainda hoje ninguém explicou a razão pela qual se tomou contra ele uma medida que não se tomou contra outros acusados do mesmo tipo de crimes.
    Acredito sim que, como diz o Albarda mos o homem tem sido o bode expiatório dos crimes cometidos por muitos banqueiros que nunca foram presos. Durante uma carrada de anos numa verdadeira novela mexicana.
    Justamente por as tais manobras dilatorias que hoje atribuem ao Sócrates. Mas a nenhum advogado de um desses senhores se deu 10 dias para preparar um processo.
    O único que foi preso e morreu em circunstâncias obscuras na prisão foi o João Rendeiro pois que roubou os ricos e não emigrantes que iam a correr durante as férias enfiar o dinheiro no BES e isso não se perdoa.
    Porque em suicídios na prisão não acredito desde o dia de calor cruel em que saiu a notícia de que um velho de 92 anos com artrite se tinha estrangulado com fios eléctricos. Ainda não tinha anos como dedos das mãos e se calhar foi por isso que a coisa me arrepiou mais ainda.
    Tratava se do Rudolf Hess e aí terás de concordar comigo que alguma ele fez mas a verdade e que ninguém com aquela idade merece ser morto com tal crueldade.
    Acredito que quem mata um velho doente e um celerado sem atenuantes até porque se o homem não foi condenado a morte como outros chefes nazistas não valia a pena faze lo em 1986.
    E voltando ao processo do Sócrates o arrastar do processo tem sido ouro sobre azul para a extrema direita caceteira que até teve alguns dos seus elementos a lançar uma petição pública a pedir a ilegalizacao do PS a boleia de não sei quantos crimes a grande maioria apontados a Sócrates. Que já tinha sido assinada por milhares de pategos.
    E antes que me chamas bexiga rota isto não é só para ti.
    Há muita gente a precisar de pensar um pouco a quem interessa o arrastar de um processo destes e o circo mediático que tem havido há volta disso.
    E uma coisa é certa, inocente ou culpado o homem vai ser condenado por tudo do que vai acusado.
    Desta vez arranjaram o juiz certo. A hostilidade da Susana Seca contra o arguido e evidente.
    E isso ninguém merece, já vi arguidos passarem por isso por terem a etnia errada ou a proveniência geográfica errada.
    Ninguém merece mas e nessa camisa de onze varas que o Sócrates está metido.
    Sem contar que também vao arranjar o advogado certo disposto a fazer de conta que defende o arguido.
    Mas a sentença e capaz de sair mais perto das próximas eleições. Com o competente circo mediático.
    Agora adivinhem quem vai ganhar com isso.
    Sim, e mesmo o quarto Pastorinho.
    E tenho de admirar a coragem de Sócrates pois que qualquer outro já estaria dentro dos sapatos.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  9. O Sócrates também funciona bem como “decoy” (chamariz)… assim os banqueiros e seus associados nunca são vistos como responsáveis quer pela bancarrota dos seus bancos, quer pelo esbulho dos cofres do Estado e empobrecimento dos contribuintes, cada vez mais tributados e ao mesmo tempo perdendo direitos e serviços públicos sociais, ainda lucrando com a bolha da especulação imobiliária, a inflação galopante que impacta o aumento das taxas de juro, a economia de casino com os fundos de investimento, os monopólios e a cartelização, a fuga de capitais para offshores, etc…

    …enquanto se fazem capas e mais capas do bandido que pôs “Portugal na bancarrota”, e viaja mas sempre volta ao contrário do malogrado João Rendeiro, que andou fugido e quando foi apanhado na África do Sul de lá não queria voltar, acabando por morrer na prisão em circunstâncias obscuras, ignorando o contexto da crise da dívida americana com repercussão internacional, que na Europa afectou sobretudo os países denominados PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha)… não me digam que também foi o Sócrates que colocou a Grécia na bancarrota? Dos banqueiros que burlaram os “lesados do BES”, do BANIF, do BPN, não se diz nem metade, e ainda tivémos que os “resgatar” com milhares de milhões de euros do erário público. Não é para todos…, também por isso continua a ser conveniente arrastar o caso da Operação Marquês e em particular usar Sócrates como bode expiatório de todos os males – até os da Justiça! Esquecem-se é que o Sòcrates é um menino ao pé de um Ricardo Salgado, entre outros. Literal e figurativamente….o que um sabe, já o outro esqueceu… ou não! Também havia um vendedor de pneus e de banha da jibóia a quem chamavam “primeiro-ministro” e colecciona processos que nunca mais acabam (alguns nem começaram ainda) que dizia “nunca sube”, “o que passou se?” e quando a conversa não lhe interessava, dizia que estava com amnésias. Chegou a brilhar numa Comissão Parlamentar de Inquérito com uma das manas Mortágua… se calhar foi por isso que nunca lhe perdoaram, e o BE pagou a factura… têm que ser mais sabujos e “estadistas”, como o CU AVentura!

  10. A quem tiver vontade de rir um bocado, sugiro a parte final (± das 03:25 às 03:40) de um programa que não conhecia e em que encalhei há pouco, na RTP-3. Chama-se “Estado da Arte” e foi uma delícia ouvir os génios residentes, como é próprio dos génios, espraiarem-se genialmente sobre a Ucrânia. São eles Joana Marques Brás, Susana Peralta, Rodrigo Moita de Deus e Alexandre Borges. A “moderadora” é Alberta Marques Fernandes.

    • Esse programa que inventaram na RTP para o Sarça Ardente, quando deram um chuto na Raquel Varela, substituindo-a pela contabilista Peralta e mais dois “jovens” coquetes? Caramba, não vi nenhum e não é agora que vou abrir excepção!

      • Cheguei a este por acaso e não tenciono ver mais nenhum, mas a bacoquice estúpida e arrogante daqueles pobres iluminados divertiu-me. Acontece sempre que um vigarista incompetente sua as estopinhas para me vender a Torre dos Clérigos ou o Mosteiro dos Jerónimos.

  11. Pois é, querido musculado, o diabo está mesmo nos detalhes. E um detalhe (não) de somenos é que o bastonário a que o Sócrates se refere certamente não desdenharia assinar esta tua pérola:

    “Simpatia pelo Sócrates não tenho nenhuma e até ACREDITO QUE ALGUMA ELE FEZ.”

    Acreditas tu e acreditam 90% dos pategos, isso é certo. Não é o meu caso. Portantes, in dubio, enforque-se o réu, porque ALGUMA ELE FEZ, ACREDITO EU, Excrementíssimo Juiz Torto… perdão, Excelentíssimo Juiz de Direito. Provas para quê? Detalhes!

    Esclarece-me uma dúvida: a HELGA SIMÃO deu autorização para que te logasses em nome dela? Ou trata-se de usurpação de identidade, pura e simples? Vais processá-la? Afinal és gajo ou gaja? Cetáceo ou cetácea? Não que me faça diferença, mas há “patranhas” das quais, francamente, não havia nexexidade.

    HELGA SIMÃO aqui:
    https://estatuadesal.com/2026/02/26/francesca-albanese-uma-voz-pela-justica-que-o-lobby-israelita-tenta-silenciar/

  12. Realmente o diabo está mesmo nos detalhes.
    Detalhes como o destaque que também se dá a extrema direita na comunicação social.
    Isto é que vai uma crise…de vergonha no focinho.

  13. O caso Spinunviva foi rapidamente arquivado.
    Isso e só um exemplo. Mas sim, parece que o Ministério Público já decidiu que na direita não há corruptos.
    Os corruptos estão todos a esquerda. Nem mais nem menos.
    Simpatia pelo Sócrates não tenho nenhuma e até acredito que alguma ele fez.
    Agora sempre soube que alguma coisa de errado havia quando o homem veio de Paris e tinha a sua espera nao só toda a comunicação social que la quis ir com elementos do PNR, então o partido de extrema direita mais conhecido por cá.
    Como é que aquela gente toda sabia?
    A ideia era certamente garantir que o homem levava logo um bom enxovalho.
    Não há nada como um bom enxovalho a saida de um Aeroporto para por um sujeito capaz de confessar que descobriu o caminho marítimo para a Índia.
    E dar a um advogado 10 dias para preparar uma defesa e gozar com quem trabalha.
    E a verdade e que um verdadeiro lawfare a brasileira, a juntar a muita falta de memória por parte do bom povo que vota nos trouxe aqui.
    Ao governo mais a direita depois do 25 de Abril.
    Sim, porque nem o Governo do Passos Coelho avançou com um pacote laboral que pouco melhor e do que aquele que o Milei apresentou para a Argentina.
    Aquilo e um assassinato aos direitos dos trabalhadores e ainda temos uma ministra a dizer que a lei que temos e demasiado benéfica para os trabalhadores.
    Isto e ainda pior que gozar com quem trabalha.
    Agora depois deste trabalho todo não há dúvida que o homem vai ser condenado.
    E nos se não acordarmos vamos acabar condenados a ter um Governo ainda pior do que este.
    Que diz que não há dinheiro para pagar lay off a 100 por cento a quem o Kristin deixou sem emprego mas deu uma borla colossal as empresas com a descida do único imposto que as empresas pagam, o IRC.
    E alguém me explica qual a razão pelo qual o imposto sobre o trabalho e progressivo e chega a ser quase metade do rendimento do triste e o IRC sempre foi plano?
    E ainda teem a lata de dizer que a tributação defende os rendimentos do trabalho.
    Isto e que vai aqui uma açorda.

    • Sim, a Spinumviva e a casa de Espinho (Montenegro), a Tecnoforma (Passos Coelho)… mencionei esses casos mais flagrantes e mediáticos (além de outros episódios “insignificantes”) numa adenda ao comentário que não foi publicada ainda (como alguém costuma dizer, bateu na barra, o Akismet não deixou passar).
      Mas são casos que prontamente foram refutados e desvalorizados, por vezes com números de ilusionismo como brandir um dossier alegadamente cheio de documentos, que depois tardou a ser entregue à polícia, retardando toda uma suposta “investigação preventiva”, que foi iniciada após um aviso público prévio do Procurador Geral da República, obviamente do conhecimento do visado/investigado. E toda a comunicação social praticamente alinhou com a narrativa, como acontece sempre que não interessa levantar ondas… nada é questionado.

      Se for um funcionário judicial a avisar alguém que está a ser ou vai ser investigado. provavelmente incorre num crime. Se for o Procurador Mor, ou um dos seus subordinados, parece que não há qualquer celeuma nem causa espécie, mesmo sendo feito de forma pública. Só aqui se percebe as diferenças de tratamento, e já agora o comportamento ético dos primeiros-ministros em causa. Há uns que desconhecem todos os valores que outrora invocaram para condenar os antecessores em praça no circo político-mediático.

      Agora que finalmente o tal dossier foi entregue, aberto e escrutinado, ao que consta, foi reaberta a investigação por dúvidas sobre a facturação, e outras situações mais duvidosas… vamos ver se é mais uma investigação emperrada pelo investigado… uma coisa é certa, podem acusar o Sócrates de “manobras de dilação” judiciais, o que como o próprio explica, é apenas uma pequena parte do problema do processo se arrastar por uma década, mas não o podem acusar de “manobras dilatórias” das investigações, como fez o Montenegro no “espinhoso” caso da reabilitação da “casinha”…

      Entretanto temos um Duarte Lima que anda à solta e não provoca metade da indignação, o único acusado que foi condenado até hoje no caso BPN… os outros ou passaram todos entre os pingos da chuva, ou estão ainda para ser julgados… mas como não são rosas e sim cor-de-laranja, é para relevar…

      E depois dizem aos pategos que a justiça é cega… pois, para alguns é, e o jornalismo de investigação também.

  14. Realmente é modus operandi selectivo do sistema judicial não deixa grande espaço para a aleatoriedade, e expõe-se pelas suas maquinações e excepções legais, por vezes até com efeitos retroactivos, o que é deveras intrigante. Os primeiros-ministros socialistas estão sempre sob escrutínio, parte-se do princípio por que é por estarem sob suspeita mas se os primeiros-ministros sociais democratas passam sempre no crivo, e não são investigados por nunca estarem sob suspeita, então haverá perseguição a uns e protecção ou “tratamento de excepção” aos outros?
    Estas carolas direitolas não páram… sempre a defenderem a demo-cracia e o Estado de Direito… se calhar é mesmo isso, confundem Estado de Direito com Estado de Direita… o diabo está nos detalhes, e anda sempre à espreita…

    • Mesmo nas ocasiões em que os primeiros-ministros sociais-democratas estão sob suspeita, e foram algumas, as mais flagrantes Tecnoforma, Spinumviva, Casa de Espinho, entre outros enredos menos mediáticos, as investigações são sempre redundantes e nunca vão muito longe, nem duram tanto tempo, recorrendo a escutas por anos a fio, sem filtro e à vontade do investigador.
      E já nem falando do papel de Procuradores-Gerais da República, alguns escolhidos a dedo que depois acabam por morder a mão de quem os nomeou, outros de tal maneira fiéis que não querem ver nada exposto ao público, mas fazem comunicados de imprensa e deixam escapar ou anunciam informações processuais quando lhes é mais conveniente, ou do sorteio condicionado de juízes favoráveis aos argumentos do MP, e a perseguição aos que são mais desfavoráveis aos intuitos da acusação.
      Tudo muito manipulado, sórdido e duvidoso à boa maneira da justiça de encomenda luso-patega, onde uns são intocáveis e vale tudo para lixar os outros…

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