A origem da riqueza dos Estados Unidos

(Vitórias da Revolução Cubana, in Facebook, 01/02/2026, Revisão da Estátua)


Assim, o mito cai por terra. Não se trata de uma nação que enriqueceu pela genialidade dos seus empreendedores, mas de um império que acumulou capital pela violência histórica, pela exploração sistemática e pela imposição da sua vontade sobre povos inteiros.


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Chamam democracia áquilo que nasceu acorrentado. Os Estados Unidos erguem a sua narrativa como quem constrói um templo de mármore sobre um cemitério invisível. O rito eleitoral, celebrado como prova suprema de liberdade, convive desde a origem com a exclusão sistemática, com o poder concentrado nas mãos do dinheiro e com um sistema político em que duas elites se alternam sem jamais permitirem que o povo decida os rumos fundamentais da nação.

Não por acaso, o próprio país foi construído com o voto censitário, a escravidão legalizada e a negação de direitos civis à maioria da população durante mais de um século. Lá a democracia nunca foi um ponto de partida, sempre foi um discurso de exportação.

A riqueza que ostentam também não nasceu da virtude empreendedora, como gostam de repetir. Ela brota do saque. Brota do tráfico de milhões de africanos escravizados, cujo trabalho forçado financiou a industrialização inicial, alimentou bancos, seguradoras e grandes fortunas que ainda hoje moldam a economia norte-americana. Brota da expropriação violenta das terras indígenas, apagadas do mapa para que o capital pudesse avançar sem entraves morais.

Na América Latina, o método foi outro, mas o resultado foi o mesmo. Quando não puderam dominar diretamente, passaram a governar pelas sombras. Apoiaram golpes militares, derrubaram governos eleitos, financiaram ditaduras sangrentas e destruíram projetos nacionais que ousaram controlar os seus próprios recursos. Guatemala em 1954, Chile em 1973, Brasil em 1964: datas diferentes, mas a mesma assinatura. Cada experiência de soberania popular foi tratada como ameaça, cada tentativa de justiça social foi esmagada em nome da “liberdade de mercado”.

Na África, a exploração assumiu a forma de neocolonialismo. Minerais estratégicos, petróleo, urânio, diamantes, tudo fluiu para o Norte global enquanto povos inteiros permaneceram na miséria. Empresas multinacionais, protegidas por governos e exércitos, extraíram riquezas incalculáveis pagando salários de fome e deixando para trás guerras, corrupção e estados fragilizados. A prosperidade exibida em Wall Street tem o mesmo cheiro das minas africanas: suor, sangue e silêncio imposto.

Dentro dos próprios Estados Unidos, a contradição permanece viva. Milhões não têm acesso digno à saúde, à educação ou à moradia, enquanto o sistema político responde mais aos lobbies corporativos do que às urnas. Estudos mostram que as decisões do Congresso refletem maioritariamente os interesses dos mais ricos, mesmo quando contrariam a vontade da maioria da população. Isso não é desvio: é o funcionamento normal de uma oligarquia vestida com o figurino democrático.

Assim, o mito cai por terra. Não se trata de uma nação que enriqueceu pela genialidade dos seus empreendedores, mas de um império que acumulou capital pela violência histórica, pela exploração sistemática e pela imposição da sua vontade sobre povos inteiros. A democracia que proclamam não ilumina: ela encobre. E a riqueza que exibem não é fruto do mérito, é herança de um roubo que atravessa séculos.

Enquanto esse passado não for reconhecido, toda a lição moral vinda de Washington será vazia. Pois não há democracia onde o dinheiro governa, nem prosperidade legítima quando ela nasce do sofrimento alheio.

3 pensamentos sobre “A origem da riqueza dos Estados Unidos

  1. Um país que estabeleceu vários acordos e tratados com os povos nativos ameríndios, e não cumpriu um só, havendo várias tribos forçadas a relocalizar-se sucessivas vezes, com sucessivas quebras de palavra dos colonizadores. Isto quando não resolveram tudo à força, com massacres indiscriminados, política de terra queimada e perseguições.
    Saqueou terras, exterminou espécies quase até à extinção, poluiu habitats e reformulou ecossistemas, através de mineração intensiva, extracção industrial de combustíveis fósseis, abate de árvores pela indústrias madeireiras, e alterações na passagem com a construção de grandes rodovias, substituindo os caminhos-de-ferro. A tudo isto somam-se testes nucleares de grandes dimensões, testes militares secretos em vastas áreas restritas, algumas mais remotas que outras, assim como depósitos de armamento, cemitérios de aeronaves, sucata, lixo em quantidades colossais…
    E ainda temos vários flagelos sociais, as dependências de drogas pesadas, (meta-anfetaminas, fentanil, crack e cocaína, opiáceos, mdma/ecstasy, ketamina, drunfos, drank, álcool), os frequentes homicídios com armas de fogo em todo o lado, os gangs, o sistema prisional com suas parcerias público-privadas e penas perpétuas sucessivas ou de morte, tudo isto somado ao problema dos sem-abrigo e dos “misfits”, à segregação e ao ódio raciais e confessionais, a que se junta o terrorismo de estado do ICE, num caldo de cultura em que o anticomunismo primário é a principal linha política do estado, e que vive obcecado com o perigo da esquerda woke, onde o McCarthysmo volta a ser emulado e nenhum estrangeiro ou imigrante pode estar descansado…
    …fora toda a porcaria que já fizeram noutros países próximos e longínquos, e os problemas que criaram.
    Um país com uma história curta, mas cheia de episódios negros, guerras expansionistas e imperialistas, apoio e fomento a genocídios, golpadas internacionais, embargos e cercos, assédios e chantagens, ameaças e sanções, espionagem e sabotagens…
    Materialmente ricos, espiritualmente de uma pobreza confrangedora, daí tanta miséria e mortandade que causam dentro e fora de portas, aos seus próprios cidadãos (o ICE vai somando vítimas mortais), e aos outros que eles ainda respeitam menos. Sobretudo os que não colaboram nem se submetem com as “autoridades federais”. Andar aos tiros é com eles, adoram arranjar confusões e conflitos com armas de fogo.

  2. Claro como o meio-dia. Mas para certos escravos que se dizem alforriados ai de quem não diga que o farol da democracia está ali e que o que está a acontecer agora e apenas fruto dos devaneios de um louco.
    Trump e apenas mais pornográfico e os seus esbirros não perdoam nem sequer cidadãos americanos brancos que se interponham entre eles e as suas vítimas.
    Obama, filho de emigrante queniano, deportou três milhões de pessoas e foi no seu mandato que se inaugurou a prática de enfiar crianças e adolescentes em jaulas onde eram tratados com crueldade extrema sendo que raparigas are dedos enfiados pela vagina acima tiveram entre ameaças de violação.
    Biden deportou centenas de milhares sem processo nenhum sob o pretexto de proteger o país da pandemia de COVID 19.
    O que e arrepiante no meio disto tudo e a miséria em muitos países da América Latina, fruto também do intervencionismo e das multinacionais norte americanas, e o poder dessa propaganda dos Estados Unidos como terra de leite e mel ser tão grande que continua a haver quem tente a sorte.
    Só para ser tratado com crueldade extrema e muitas vezes acabar morto.
    Obama destruiua Libia e Biden acabou de destruir a Síria num processo que começou com Obama e continuou com Trump.
    Aos Estados Unidos e aos seus presidentes, nos dias de hoje, podemos muito bem aplicar o ditado “todo o pássaro como milho, só quem paga e o pardal”.
    Trump e só mais pornográfico e mais sincero.
    Não e sobre democracia, e sobre petróleo e terras raras. E sobre voltar a ter um casino e uma casa de putas a poucas milhas da Florida.
    Esta última frase o javardo ainda não disse mas e isso que efectivamente se quer no apertar do bloqueio a Cuba.
    Atlantistas de todo o mundo, ide ver se o mar da tubarão branco cheio de larica.

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