O princípio do fim da União Europeia?

(Fórum da Escolha, in Facebook, 31/01/2026, Revisão da Estátua)


Merz lança uma bomba sobre a regulação de Bruxelas – o discurso que começa a preparar a saída da Alemanha – a Europa como instrumento, sim. A Europa como travão, não.


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Quando Friedrich Merz explica ao Bundestag que a Europa “bloqueou a sua própria força económica”, ficamos entre o riso e o espanto. O diagnóstico está correto, mas o médico está longe de ser inocente.

Há mais de uma década que a União Europeia fica para trás em relação aos Estados Unidos e à China. Neste ponto, Merz está apenas a parafrasear a própria Comissão, que reconheceu em 2023 que “a produtividade europeia está a crescer significativamente mais lentamente do que a dos seus principais concorrentes” (relatório anual sobre a competitividade).

Mas o momento torna-se verdadeiramente delicioso quando Berlim finge descobrir a existência de um monstro regulador que tem alimentado com uma seringa há trinta anos.

Falemos a sério por um momento. Os padrões industriais, as regras da concorrência, a ortodoxia orçamental, a santificação das exportações, a compressão dos salários e o fetichismo da estabilidade monetária não surgiram do nada em Bruxelas. Foram concebidos, impulsionados e consolidados pela Alemanha com um zelo quase missionário. A famosa “disciplina europeia” não representou qualquer obstáculo quando transformou o sul da Europa numa zona de ajustamento estrutural permanente.

O Banco Central Europeu afirmou categoricamente em 2012: “As reformas estruturais são essenciais para restaurar a competitividade”. Tradução: adapte-se ao modelo alemão ou desapareça.

Hoje, a piada azedou. Esta mesma camisa-de-forças regulatória impede Berlim de fornecer subsídios maciços, de proteger as suas indústrias ou de responder à Lei de Redução da Inflação dos EUA ou ao capitalismo de Estado chinês. E, de repente, a regra torna-se “um obstáculo”. Um milagre dialético.

Merz promete, portanto, “livrar-se dela”. Mas como? Renovar um edifício tecnocrático que exige a unanimidade de 27 estados, anos de negociação e compromissos mornos? Até a Comissão admite que “a simplificação da regulamentação europeia é um processo longo e politicamente complexo”.

É aqui que o que não é dito se torna ensurdecedor. Se o poder global depende da força económica, como Merz afirma corretamente, então a actual UE é estruturalmente incapaz de responder à velocidade necessária. Demasiado lenta, demasiado fragmentada, demasiado presa a amarras legais.

Como resultado, uma hipótese há muito tabu está a tornar-se racional: a Alemanha não vai esperar que o dinossauro tecnocrático aprenda a correr. O Conselho Alemão de Peritos Económicos já reconheceu que “a flexibilidade fiscal e industrial tornou-se uma condição para a sobrevivência económica”. E quando as regras comuns impedem a sobrevivência nacional, a história europeia mostra que as regras são quebradas.

Merz ainda não fala em sair. Ele fala em “libertação”. Mas todos compreendem o que ele quer dizer: quando a União Europeia deixa de ser um multiplicador de poder para a Alemanha, passa a ser um custo estratégico.

A ironia suprema: depois de moldar a Europa à sua própria imagem, Berlim pode ser a primeira a concluir que o fato se tornou demasiado apertado. A Europa como instrumento, sim. A Europa como travão, não.

Bem-vindos ao ponto de rutura. Onde a retórica pró-europeia colide brutalmente com a realidade económica. E onde os sermões sobre a solidariedade terminam exatamente onde começa o interesse nacional.

(@BPartisans)

4 pensamentos sobre “O princípio do fim da União Europeia?

  1. Os Estados Unidos vivem o segundo fecho em três meses justamente porque há quem se recuse a dar ainda mais dinheiro para a Gestapo de Trump.
    Se nada entra na tua cabeça podes poupar nos a devaneios quilómetricos e já agora também cá faltava o negacionismo das alterações climáticas, outra das bandeiras da extrema direita.
    Eu não morro de amores por uma União que tratou o Sul como escravos, brindando nos com discursos racistas e impondo verdadeiras sanções que espalharam miséria e morte.
    Sim, morte pois que os hospitais se tornaram antros de infecções mortais porque nem lixívia havia, gente perdeu o emprego e cometeu suicídio e idosos morreram literalmente a fome.
    Já que gostas de histórias conheci uma enfermeira que emigrou para Inglaterra depois de num serviço do INEM ter ido buscar um idoso que morreu literalmente de fome. O homem estava um esqueleto e não havia nada em casa.
    Reformas congeladas, familiares embrutecidos pela própria miséria, instituições de apoio social que não tinham maos a medir, deu nisso.
    Dois que conseguiram manter os empregos exploravam nas horas vagas um pequeno campo e foram a maior “cantina” do concelho onde viviam dar alguma da produção.
    Quando entraram foram recebidos por uma voluntaria que perguntou em voz onde se lia tristeza e cansaço “vocês também?”.
    Tanta era a gente com vida e emprego que tinha visto ali cair.
    Mas não preciso que seja pior ainda por vivermos debaixo de um jagunço de Trump e no isolamento do tempo da Outra Senhora.
    Não preciso de ter um passaporte para ir ao pais ao lado comprar alguns coisinha que lá seja mais barata nem enfrentar filas quilómetricos com guardas fiscais de um lado e de outro a virar me do avesso.
    Não quero a vida, ou melhor, a sobrevida que a extrema direita nos quer dar.
    Ninguém por aqui quer a nao ser o Manuel Rosa por isso vai pregar outra freguesia.
    Vai ver se o mar da choco.

    • Só uma, que tenho mais que fazer que dar-te troco (Orka-vermelha).
      Nem que gastasse OE todo contigo, era dinheiro deitado à rua. És acólito e isso basta-te.
      Alterações climáticas?
      Então não era aquecimento global?
      Não era o CO2 o mau-mau?
      A fotossíntese por determinação da tua UE, passa a usar o metano, esse que tu expeles em quantidade, sempre que por aqui te descuidas.
      Em Kiev dava jeito agora um pouco de aquecimento global.
      Para ti e para os teus na UE, Ciência é uma batata.

      Neste link:
      https://www.ispsn.org/sites/default/files/documentos-virtuais/pdf/couto_mia_-_e_se_obama_fosse_africano.pdf

      na página 44, o escrito moçambicano Mia Couto, dá uma conferência no Ciclo de Conferências ‘Biologia na noite’, na Universidade de Aveiro, 2006.

      A páginas 53 diz isto, sob o título: “Rios, cobras e camisas de dormir”:

      “…Na realidade, não existe ambiente como uma entidade única, fixa e exterior à sociedade humana. O ambiente é múltiplo e com significados contextuais diversos — os incêndios florestais em Portugal têm implicações bem diversas dos fogos da savana. O ambiente (que deve ser dito no plural) tem dinâmicas de mudança cuja complexidade nós nem sempre entendemos. Este céu límpido e azul de que hoje desfrutamos já foi naturalmente espesso e castanho. Este azul celestial que associamos à pureza foi resultado de uma das maiores catástrofes ecológicas que atingiu a Terra. O oxigénio que hoje nos sugere um ar puro e respirável surgiu como um dos mais mortíferos poluentes da história do nosso Planeta. Se houvesse, na altura, um Ministério do Ambiente e normas ambientais da União Europeia correríamos o risco de viver sob um céu de metano, terroso e triste. O chamado Meio Ambiente é uma co-produção de cuja equipa produtora fazemos parte.
      Não é tanto de “defesa” que o ambiente necessita. Precisa, primeiro, de um melhor entendimento. Depois, precisa de uma produção menos centrada nos interesses de lucro de uma pequena elite que fala em nome do mundo.
      …”

  2. O guarda-chuva americano ao que parece, tem os dias contados.
    Não gastaram em defesa, fecharam arsenais, perderam competências, reduziram forças armadas que hoje não enchem as catedrais do futebol em Lisboa ou Londres, aumentaram desmesuradamente as forças de repressão policial e mesmo assim, para nada servem em termos de defesa nacional e de segurança dos cidadãos, apesar de quererem ter barcos e aviões. Agora vão ter que gastar.
    Quando ministros da defesa são nomeados para preencher quotas de género, estamos conversados.

    A energia barata teve os seus carrascos, que imbuídos daqueles devaneios que caracterizam a esquerda: não ao nuclear, não ao carvão, não ao gás, não ao trabalho, vamos viver de papo para o ar, que o Sol nos alimentará. O imperador Xi agradeceu.

    A moeda, um dos pilares da Soberania, foi entregue a tecnocratas todos eles formados na mesma ideologia, a de darem o _ _ ao capital americano. Um chuchalista andou todo ufano a vender ouro, que não fazia falta, agora o que era preciso era termos papel-higiénico verde.
    Sem moeda, sem possibilidade de a desvalorizar, quem é que iria pagar a factura?
    Claro!
    E é com a lengalenga daquela central sindical que os trabalhadores serão defendidos?
    Não.

    Os militares que mandaram o seu juramento de defender Portugal mesmo com o risco da própria vida, às urtigas. Não foram únicos, ainda há dias os venezuelanos fizeram o mesmo.

    O fim da UE vai ser rápido. O problema não é a UE acabar. O problema é, ao que penso, saber não sei, não tenho acesso ao bunker ultra-secreto-top-cosmic-ultra-galáxia onde os ‘espertos’ do primeiro-ministro estão a preparar o ‘day after’. Vocês acreditam que sim? O problema é estarem quase todos a dormir. Os que não estão a dormir, nada podem fazer. Vai ser duro.

    Culpados!
    Quem foram? Se ninguém possidente é julgado em Portugal, não vai haver culpados.
    Mas o maior de todos tem nome e vai ser castigado. O POVO. É ele que vota seguro, que não gosta de revoluções, que ouve e vê debates e acha que aquele ali tem boa pinta, que o outro nem pensar, …
    O Povo vai voltar aos tempos do apertar o cinto, do controlo das importações, vai deixar de poder mandar vir via Amazon, (a que está com despedimentos em massa, se calhar sabe alguma coisa 😎) e para descontentamento do comentador que amanhã cedo aqui estará a rebater e a insultar, vai ter mesmo que usar passaporte e talvez até visto, porque as fronteiras sempre existiram e continuarão a existir.
    Essa das portas-abertas e a chave debaixo do tapete foi no tempo do Senhor Doutor António de Oliveira Salazar (acho que está bem escrito, se não estiver corrijam-me) e mesmo assim, só nalgumas pequenas aldeias de difícil acesso aos amigos do alheio. Que isto de Ladrões, é como os Políticos, as Prostitutas e a Guerra, há-os desde que o Mundo é Mundo.

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