A União Europeia atravessou o Rubicão

(José Catarino Soares, 28/12/2025) 


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O Conselho Europeu de 18 de Dezembro de 2025 decidiu imobilizar por tempo ilimitado (ou seja, na prática, confiscar) os ativos soberanos do Banco Central da Rússia.

A realidade imita a ficção literária

Por outras palavras, o Conselho Europeu decidiu dinamitar os alicerces (a confiança na neutralidade política) do sistema bancário da União Europeia — um gesto heroico que faria inveja ao “Banqueiro Anarquista” de Fernando Pessoa!

Mas o Conselho Europeu não se ficou por aí. Decidiu também conceder um empréstimo (sem juros) de 90 mil milhões de euros à Ucrânia para que esta possa prosseguir no seu esforço de guerra em 2026 e 2027.

Um empréstimo para ser pago só com sangue, calafrios e lágrimas

A ideia inicial da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, António Costa, e da vice-presidente da Comissão Europa e Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, era a de garantir o reembolso do empréstimo com os ativos confiscados ao Banco Central da Rússia.

Mas a oposição aberta da Bélgica, Hungria, Eslováquia e Chéquia, juntamente com a oposição em surdina da Itália, Malta e Bulgária a essa modalidade de “empréstimo”, obrigaram a abandonar o plano inicial. Quem pagará o empréstimo serão os Estados-membros da UE que o aprovaram — ou seja, em última análise, os contribuintes desses Estados.

Na verdade, não se trata, para a Ucrânia, de um empréstimo, mas de uma doação disfarçada de empréstimo, visto que a Ucrânia só é obrigada a reembolsá-lo se e quando a Rússia lhe entregar uma soma equivalente ou maior a título de “reparações”. Mas isso nunca ocorrerá. No fim de uma guerra, quem, por vezes, é obrigado a pagar reparações é sempre a parte derrotada, nunca a parte vencedora. 

Quem pagará o empréstimo serão, de facto, os contribuintes dos 24 Estados-membros (Portugal incluído) da União Europeia que se comprometeram a ser os seus avalistas. À Ucrânia a União Europeia pede apenas que lhe pague em sangue, calafrios e lágrimas russas, mas que, como tudo o indica, serão bem mais abundantes do lado ucraniano.

Uma mudança qualitativa na natureza da UE

Pela primeira vez na história da União Europeia (UE), 24 Estados-membros (todos os Estados-membros menos a Hungria, a Eslováquia e a Chéquia) concederam conjuntamente um empréstimo de guerra a um Estado que não pertence à União Europeia e que está em guerra com outro Estado (a Rússia), que também não pertence à União Europeia. Com esta decisão a União Europeia (UE) atravessou o Rubicão [1].

«Não se trata de um pormenor técnico, mas sim de uma mudança qualitativa [na natureza da UE, n.e.].

A lógica de um empréstimo é clara: quem empresta dinheiro quer recebê-lo de volta. Neste caso, o reembolso não está ligado ao crescimento económico ou à estabilização, mas sim à vitória militar.

Para que esse dinheiro seja recuperado, a Rússia teria de ser derrotada. Essa não é a lógica da paz, mas a lógica da guerra. Um empréstimo de guerra inevitavelmente faz com que os seus financiadores se interessem pela continuação e escalada do conflito, porque a derrota também significaria uma perda financeira. A partir deste momento, já não estamos a falar apenas de decisões políticas ou morais, mas de restrições financeiras rígidas que empurram a Europa numa direcção: a guerra.

A lógica de guerra de Bruxelas está, portanto, a intensificar-se. Não está a abrandar, não está a diminuir, mas a institucionalizar-se. O risco hoje é maior do que nunca, porque a continuação da guerra está agora associada a um interesse financeiro». [n.e. = nota editorial]

A política tem horror ao vazio

Este comentário, tão arguto e certeiro, não foi feito por um candidato ou por uma candidata à presidência de República portuguesa. Não existem, em Portugal (e não apenas em Portugal), candidatos, quer se digam de “esquerda” ou de “direita” ‒ ou de “centro” (??) ‒, capazes de dizerem verdades tão óbvias como estas, e delas tirarem as necessárias ilações. E como a “esquerda” não as diz, sobra espaço à “direita” ‒ numa “direita” que se quer nacionalista e iliberal, mas também pacifista (uma combinação que não tem expressão parlamentar em Portugal, mas que existe noutros países da Europa) ‒ para as dizer ocasionalmente, aparecendo então aos olhos do público como a encarnação da sanidade mental e da razão.

O comentário supracitado é de Viktor Orban (!), Primeiro-Ministro da Hungria, no X, em 20 de Dezembro de 2025. E termina assim:

«A Hungria está deliberadamente a não seguir este caminho perigoso. Não participamos em iniciativas que levam os participantes a prolongar a guerra. Não procuramos um caminho rápido para a guerra, mas sim uma saída para a paz. Isto não é isolacionismo, mas sim sobriedade estratégica. É do interesse da Hungria e, a longo prazo, também da Europa.»

Um legado muito esquecido, mas atual

É o universo dos partidos e movimentos políticos que nos aparece assim como se estivesse virado de pernas para o ar — salvo se tomarmos como parâmetros de referência da esquerda, no que diz respeito às verbas para a guerra, à propaganda da guerra e às minorias nacionais oprimidas, (i) o legado antimilitarista e antiguerra de Jean Jaurès (França); Karl Liebknecht e Otto Rühle (Alemanha); James Connolly, James Larkin, Sean O’Casey, William O’Brien e Cathal O’Shannon (Irlanda); Eugene Debbs, Kate Richards O’Hare e Charles Schenck (EUA) e (ii) o legado antijingoísta, antinacionalista e étnico-igualitário da unidade e autodeterminação nacional de Vladimir Medem (Rússia) e Roman Rosdolsky (Ucrânia) [2], ambos os quais,  (i) e (ii), a esquerda putativa fez desaparecer num “buraco da memória” Orwelliano.

Esse legado resume-se em poucos parágrafos.

1) Oposição total às guerras e às políticas imperialistas — como, por exemplo, as da OTAN e de Estados-membros da OTAN na Bósnia e Herzegovina (1992-1995), na República Federal da Jugoslávia (1999), no Afeganistão (2001-2021), na Líbia (2011) e na Rússia, por interposta Ucrânia (2015-2022; 2022-2025); ou as de Israel e dos EUA na Palestina, Líbano, Síria e Irão.

2) Oposição total à corrida aos armamentos, ao militarismo, à propaganda da guerra e aos preparativos para a guerra — como, por exemplo, os que têm vindo a ocorrer em crescendo na UE e nos Estados-membros da UE, desde o início de 2025, a pretexto de uma fantasiosa ameaça de ataque, invasão e conquista por parte da Rússia;

3) Numa guerra civil, defesa incondicional da parte oprimida e mais fraca que tenha pegado em armas para se defender do ataque genocida da parte opressora e mais forte. É o caso, por exemplo, da defesa da população maioritariamente russa, russófona e russófila da Donbass na guerra fratricida, pérfida e cobarde que travaram contra ela, de 2014 a 2022, os governos ucranianos saídos do golpe de Estado sangrento (22 de Fevereiro de 2014) que derrubou, sem qualquer suporte constitucional, o presidente livremente eleito da Ucrânia, Viktor Ianukovych.

4) Num país historicamente plurinacional, defesa do reconhecimento e respeito escrupuloso pelo direito de autodeterminação das suas componentes nacionais (especialmente as minoritárias), nas suas diversas modalidadesautonomia étnica transterritorial [3], autonomia étnica regional, federalismo étnico [4], secessão, integração voluntária num outro país. É o caso, por exemplo, das populações da Crimeia, do Leste (Donbass) e do Sul da Ucrânia que se sentem mais russas do que ucranianas e que expressaram (ou expressarem) livremente a sua vontade de autodeterminação através de referendos convocados para esse efeito.

5) Sempre que, num determinado país historicamente plurinacional, o respeito pela integridade territorial do Estado entre em conflito aberto com o direito à autodeterminação das populações etnicamente diferenciadas que vivem no seu seio, o conflito deve ser resolvido, na medida do possível, por meios pacíficos e diplomáticos. Em todos os casos, porém, a solução justa do conflito só é possível se for aceite o princípio de que o direito à autodeterminação dos povos deve prevalecer sobre a integridade territorial do Estado em causa [5].

O desrespeito por este princípio só pode levar à guerra. Foi o que sucedeu na Ucrânia, com o desrespeito dos Acordos de Minsk (2014, 2015), que previam uma alteração da Constituição da Ucrânia de modo a acolher e garantir a autonomia étnica regional das populações dos oblasti de Lugansk e Donetsk, na Donbass, que se tinham sublevado vitoriosamente contra a opressão nacional de que eram alvo por parte dos governos ucranianos saídos do golpe de Estado de 22 de Fevereiro de 2014.

Se a Ucrânia, a França e a Alemanha tivessem cumprido esses Acordos que foram celebrados entre a Ucrânia e as Repúblicas Populares de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL) e que tinham sido mediados e avalizados pela França e pela Alemanha (por parte da Ucrânia) e pela Rússia (por parte da RPD e da RPL), em vez de os sabotarem ciente e sistematicamente, não teria havido uma guerra fratricida na Donbass que fez mais de 14 mil mortos (a grande maioria dos quais civis) durante 8 anos (2014-2022).

E também não teria ocorrido a “Operação Militar Especial” (OME) que a Rússia desencadeou para responder ao grito de socorro que a RPL e a RPD lhe lançaram. Uma OME que haveria de se transformar, por intervenção maciça dos EUA, do Reino Unido, da UE e da OTAN, numa guerra devastadora para a Ucrânia e muito debilitadora para toda a Europa — uma guerra que já dura há quase quatro anos e que só agora se aproxima do fim por exaustão de uma das partes beligerantes. 

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NOTAS

[1] A expressão tem origem histórica. Em 49 a.C., Júlio César cruzou o rio Rubicão com as suas legiões. Ao fazê-lo, violou uma lei do Senado romano que proibia os generais de entrarem em Itália com exércitos, cruzando o Rubicão que servia de fronteira natural entre a província da Gália Cisalpina e o território directo de Roma (Itália). Destarte, ao cruzar o Rubicão, Júlio César cometeu um acto de insubordinação da maior gravidade que deu início à Guerra Civil Romana.

[2] Outros nomes poderiam ser acrescentados tanto em (i) como em (ii), mas esforcei-me por manter a lista curta, representativa e memorável.

[3] Por autonomia étnica “transterritorial” deve entender-se uma autonomia étnica aplicável em toda a extensão territorial de um determinado Estado. É o caso, por exemplo, da Suíça, onde três idiomas (Francês, Alemão e Italiano) têm estatuto oficial paritário (isto é, transterritorial) em toda a Federação Helvética (vulgo, Suíça). A autonomia étnica “transterritorial” tem como seu dual a autonomia étnica “intraterritorial” ou “regional”, isto é, aplicável nos limites de uma ou várias regiões de um Estado. É o caso, por exemplo, do Alemão e do Ladino que têm ambos estatuto oficial paritário (juntamente com o Italiano) no Tirol do Sul (Província de Bolzano) no Norte de Itália. Nesta região de Itália, o Alemão é simultaneamente o idioma maioritário e um dos três idiomas oficiais. Na prática, os dois conceitos de autonomia étnica (transterritorial e intraterritorial/regional) sobrepõem-se parcialmente em muitos casos. Por exemplo, embora o Francês, o Alemão e o Italiano tenham todos um estatuto paritário de transterritorialidade na Suíça, cada um destes idiomas é falado maioritariamente em certas regiões (cantões) e não noutras, por razões sociodemográficas com um grande lastro histórico.

[4] A Rússia é um exemplo de “federalismo étnico”. Por étnico deve entender-se, apenas e tão somente, linguístico-cultural. O conceito antropológico de etnia nada tem a ver com as noções obscuras de “raças humanas” e de “pessoas racializadas” (de cariz zootécnico), tão caras a todas as doutrinas de “supremacismo racial”: nazismo, sionismo, Ku Klux Klanismo, banderismo, apartheid, etc. Mais ainda, o conceito de etnia ou grupo étnico foi criado expressamente não para complementar o de “raça”, mas para banir definitivamente este termo do vocabulário técnico da antropologia, confinando-o à gíria dos criadores de cães, cavalos, gado bovino (incluindo touros bravos) e outras espécies de animais domésticos. Expressões como “quotas étnico-raciais”, tão caras ao “Bloco de Esquerda” e ao “Livre” (dois partidos políticos portugueses com assento parlamentar), são oximoros monstruosos.

[5] É fácil de compreender porquê. A integridade de um território só vale se for necessária para garantir a integridade de todos os seus habitantes. Seja qual for o país, só pode haver nele paz e desenvolvimento equilibrado e com benefício mútuo para os seus habitantes se as relações sociais entre eles num certo território forem baseadas no consentimento esclarecido e na entreajuda e não na coerção e na opressão de uma classe social sobre as outras ou de um grupo étnico sobre os demais.

9 pensamentos sobre “A União Europeia atravessou o Rubicão

  1. E ainda temos Herr Zelensky em rosa livre. Depois da sinistra mensagem de Natal tratou de fechar o ano tentando mesmo eliminar Putin ou pelo menos alguém da sua família directa.
    Foram 91 drones lançados contra uma residência oficial.
    Claro que depois disto a situação da Ucrânia tem tudo para melhorar.
    E até quando vamos ter de pagar a um demente destes?
    Tenham vergonha no focinho.

    • O Zé do Sky anda atolado na “neve”, esta é a época do ano que ele tem mais “ascendente”… cuidado com as baixas temperatura…

    • Não te preocupes com a demência de Zelensky, a clarividência de Putin consegue sobrepôr-se a isso tudo!
      O império soviético será reconstruído, custe o que custar e qtos mais milhares ou milhões tombarem pela causa, mais consolidado será o império!
      À magnificente visão de Adolfo e Stalin no séc XX, corresponderá, no séc XXI, a do grande Putin!

  2. O autor optou por lembrar o acto de Júlio César, o que está correcto, poderia também lembrar que Deus (calma, calma, … pensem que este Deus é Vermelho. Lindos! ), que Deus enlouquece primeiro aqueles que quer destruir.

    O problema aqui é o €.

    Este artigo do Pepe Escobar é claro (podem usar a bandeirinha do ronaldo para lerem em PT)
    https://www.unz.com/pescobar/europes-elites-pay-for-the-privilege-of-losing-conflict/

    Se se concretizar, vai ser necessária muita massa consistente para … Mas o que é pode correr mal? Com Bosta, nada!

    • o acto de Júlio César foi de confronto confiante na vitória, que acabou por conseguir, até ser traído pelos seus. Já o acto dos “grandes líderes” europeus é mais no desespero, e vitórias só como aquela de anteontem do Special One em Braga – ou nem isso.

  3. Não sei se a comparação é a melhor, pois há muitas diferenças entre o Império romano e a UE, que está submetida aos EUA e passou a funcionar como subsidiária da NATO, a qual passou a financiar em maior volume e velocidade nos últimos tempos. Nem existe grande linearidade entre o Rubicão e o seu atravessamento por Júlio César e o seu exército, uma vez que a UE nem sequer dispõe de um exército comum, apenas vários pequenos exércitos nacionais que colaboram entre si e com os aliados norte-americanos no âmbito da NATO, e em algumas iniciativas restritas e peculiares entre alguns países.
    Para se ter ideia, qualquer exército europeu dispõe de menos efectivos e tem dimensões mais reduzidas que o exército turco, país que é membro da NATO mas indesejado na UE, pois a sua população é mais numerosa que praticamente a de qualquer outro Estado Membro, o que desequilibraria a representação pretendida da Europa idealizada, e a distribuição de votos, do peso político da Alemanha e da França (o Reino Unido foi-se no Brexit), que deixariam de ser os países mais populosos. Tirando a arma atómica, poucos exércitos da UE poderiam enfrentar o exército turco em igualdade numérica, portanto nem sequer uma potência militar a UE pode arrogar-se de ser, ao contrário da Roma nessa época e nos séculos seguintes. Seria como se dependesse dos Púnicos, dos Egípcios e dos Trácios, além dos Germanis e dos Gauleses, para garantir a dua protecção e a política imperial de extensão, colonização e ocupação, e lhes pagasse tributos exorbitantes, garantidos com futuras conquistas da Pérsia, da Escandinávia ou da África subsariana.
    Mas o ponto que importa reter é mesmo sobre as alternativas políticas que a esquerda tem a “obrigação” de trazer para a agenda e colocar em prática e se inibe de o fazer, seja por deturpações ideológicas, prioridades de agenda questionáveis, ou mesmo contaminação por interesses alheios, subjugação e subserviência aos poderes de facto que dominam os círculos e os circuitos de controlo e dominação actuais, e a incapacidade crítica, criativa e científica de construir alternativas razoáveis e outros rumos para resgatar a sociedade ocidental dos delírios do darwinismo social, do segregacionismo, do divisionismo classista, da exploração e escravidão dos povos ocidentais e das populações imigrantes que buscam melhores condições de vida, da redução de direitos sociais, assistência social, médica, de cidadania, etc, no eterno retorno do obscurantismo direitista apresentando como “futurismo” reformador e transformador, no marketing da propaganda do fascismo ou do neo-liberalismo/capitalismo selvagem como soluções incontornáveis para os problemas da desigualdade, da corrupção, da pobreza, do subdesenvolvimento.
    Esses são os Rubicões que ainda não foram cruzados, mas deviam ser, nâo para instaurar ditaduras, como outrora, mas para impedir que voltem a ser os totalitarismos a fazer a Europa regredir para uma nova idade das Trevas, com pequenos-grandes ditadores que não prestam contas a ninguém, sobretudo quando já é tarde demais e já destruiram países inteiros.

  4. A verdade e que nesta Europa todas as nossas vidas são desprezadas.
    As nossas vidas não valem nada para esta gente.
    Isso viu se na forma perfeitamente desumana com que se reagiu aquilo a que se chamou crise das dívidas soberanas.
    Os povos do Sul, em especial os de menor população e logo menos capacidade reivindicativa, menos capacidade de afivelar protestos que fizessem mossa, como Portugal e a Grécia, foram alvos de políticas de regressão do nível de vida que custaram vidas.
    Os povos do Sul foram insultados como perdulários, como gente que gastava em álcool e mulheres, como gente que vivia acima das suas possibilidades e que tinha de empobrecer.
    Isto em países onde boa parte da população, em especial a mais idosa, já era pobre.
    Mas parecia que achavam que como tínhamos Sol podíamos viver a alpiste.
    Com a COVID comemos todos pena medida grande quando se tratou de nos transformar em cobaias de um veneno.
    Nunca esquecerei, na Alemanha, as filas quilométricas a mercê do vento e da neve de gente que tinha mesmo de dar mais um reforço daquilo ou no outro dia não ia trabalhar.
    Para gente a quem a primeira crise da coisa já tinha corrido para lá de mal a escolha era dramática. Arriscar a vida ou ficar sem trabalho.
    Houve gente que esteve mais de dois anos sem trabalhar. Vilipendiado por colegas que lamentavam ter de fazer o trabalho desses “negacionistas” e achando que mereciam morrer de fome.
    Muitos desses que falavam mal mais tarde também se viram quentes.
    Mas a realidade e que a vida de todos nós foi sacrificada a uma experiência científica sinistra. Sem do nem piedade.
    Ainda se falava em tornar a coisa obrigatória a partir de uma certa idade.
    Talvez devessemos mesmo dar o Nobel da Medicina ao Putin pois que foi por altura do acelerar da guerra começada pelos nazis em 2014 que se deixou se falar em tal barbaridade.
    Ate lá tive uns quantos pesadelos sobre andar a varrer ruas em terra fria.
    Por isso não espanta que agora estejam dispostos a sacrificar nos a todos pelo sonho de cumprir o sonho de Napoleão e Hitler.
    E da nojo que os mesmos que exigiram se nos e dos gregos que nos tornassemos miseráveis em troca de uns trocados não exijam agora nada ao nazismo ucraniano a não ser que façam mal a Rússia.
    Tudo isto é sórdido mas não surpreendente dado os antecedentes.
    Respeito pela plebe que somos nós esta gente não tem nenhum. Nunca teve, não iam começar agora.
    Vão ver se o mar da tubarão branco faminto. Raios partam a Ucrânia.

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