Por favor portugueses, acordem!

(Tita Alvarez, in Facebook, 20/12/2025)


O nosso suicídio chama-se solidariedade seletiva.


Noventa mil milhões de euros. A quantia é tão astronómica que perde o sentido. É um número de conto de fadas, tirado de um cofre que, afinal, nunca esteve vazio. É o preço da nossa própria extinção, pago com um sorriso e uma bandeira amarela e azul.

Enquanto isso, aqui, a realidade é outra. A realidade tem o som de uma porta de fábrica a fechar-se para sempre. Tem o gosto amargo do desemprego que não acaba e do salário que não chega. Tem o cheiro a humidade nas escolas onde chove dentro de salas de aula, e o desespero mudo nos corredores do SNS onde se espera por meses, por um milagre, por um médico que já foi embora.

Dizem-nos que não há dinheiro. É o mantra sagrado da austeridade doméstica. Não há para os nossos velhos, não há para os nossos doentes, não há para garantir o teto das nossas escolas ou o salário digno dos nossos filhos. A nossa pobreza é uma inevitabilidade técnica, uma conta que não fecha.

Mas, subitamente, há. Há noventa mil milhões. Há para a guerra. Há para o fogo longínquo. Há para encher os bolsos de um teatro bélico onde os nossos “aliados” são, muitas vezes, os mesmos que nos esmagam a economia e nos vendem a destruição como negócio. Salvar a Ucrânia? De quê? Da Rússia, dizem. E a nós, quem nos salva? De quê? Da União Europeia que nos esmaga? Dos governos nacionais que nos vendem? Da fome que já não é metáfora, mas conta no supermercado?

Enquanto o batalhão Azov é armado e glorificado (com o seu passado nazi convenientemente arquivado nos dossiers da realpolitik), o nosso povo desarma. Desarma-se de esperança, de futuro, de soberania. A nossa identidade europeia está a ser reduzida a uma caricatura: a do idiota útil que paga, que sofre, que se cala e que aplaude o seu próprio empobrecimento em nome de uma “causa maior”.

Portugal está a ser desfeito tijolo a tijolo. A Europa, essa ideia moribunda de solidariedade e progresso, está a morrer à nossa frente, e pedem-nos para morrermos com ela. Pior: pedem-nos que nos sacrifiquemos alegremente, que vejamos heroísmo na nossa própria ruína.

Não. Basta.

A nossa luta não é na frente de Donetsk. A nossa luta é aqui, no nosso solo empobrecido. É pela nossa escola, pelo nosso hospital, pela nossa fábrica, pelo nosso salário. A nossa dignidade não pode ser a moeda de troca para uma guerra sem fim que só serve aos senhores da indústria da morte e aos políticos de gabinete.

Não nos suicidemos pela Ucrânia. Acordemos por Portugal. Exijamos que os noventa mil milhões, se existem, sirvam primeiro para estancar a hemorragia em nossa casa. A nossa sobrevivência não é um pormenor. É a única bandeira que vale a pena levantar.

6 pensamentos sobre “Por favor portugueses, acordem!

  1. E o ardina da Folha Nacional, beija-CUs (candidato único), nunca mais veio aqui pregar as “novidades”? Na volta teve de ir fazer horas extra como escravo que se diz alforriado, a remover os cartazes racistas considerados inconstitucionais pelo Tribunal Constitucional, que pelas pessoas de bom senso já tinham sido, para a seita do CU lambido não ter que arcar com pesada multa.
    Estas carolas ultra-direitolas não páram… é com cada patego, que até parecem quatro ou cinco.

  2. A última sondagem arreda a segunda volta tanto o CU como o almirante vacineiro que acha que impediu uma invasão russa, como o liberal até dizer Chega que tem o seu modelo em Milei.
    As sondagens valem o que valem. Mas pode ser que o frio intenso dos últimos dias esteja a fazer mesmo alguma malta acordar.
    Não de todo pois que não há maneira de fazer esta gente votar em gente mesmo de esquerda.
    Por mim não conto votar no homem das abstenções indignadas mas tenho de concordar que seria a opção menos má entre toda aquela cambada que concorre, excepção feita ao Antônio Filipe, esse irremediavelmente classificado de putinista.
    Mas talvez possamos dizer “Nao passaram” ao contrário do que puderam dizer os povos da Argentina e do Chile.
    Não seria bom se como fomos um dos poucos paises europeus onde os detractores do estado genocida de Israel não foram perseguidos sem do nem piedade, o único onde um árabe podia dizer “Free Palestine” sem ser preso fossemos os primeiros a mostrar que a maré negra da extrema direita pode ser travada?
    Ate ao lavar dos cestos e vindima e muita água correra sob as pontes até ao dia 18 de Janeiro.
    Que até lá continue o frio intenso que parece que está a fazer bem as neninges do pessoal.

  3. Acordar e preciso mas cada vez há mais gente a dormir.
    E por isso temos mesmo de estar preparados para isto ainda poder piorar.
    Há uma possibilidade real de o próximo presidente da República ser um elemento dessa extrema direita que parece subir como uma maré.
    E se falar dela e choramingar paciência.
    Noutros países europeus já há quem começa a sair a rua dizendo “não morreremos pela Ucrânia”.
    Aqui provavelmente não conseguiríamos juntar 100 pessoas que viessem para a rua dizer isso. E se as houvesse seriam certamente agredidas por grunhos.
    Eu perdi gente nos anos da troika. Por os hospitais estarem podres.
    Porque para nos emprestaram dinheiro mandaram nos cortar, cortar e cortar.
    Era a austeridade, era um castigo merecido por termos vivido acima das nossas possibilidades.
    Por isso agora sinto asco e raiva por a Ucrânia ninguém exigir nada. A não ser que continue a matar russos.
    De qualquer modo não e pela Ucrânia que já estamos a morrer. E pelo sonho de submeter a Rússia e pilhar os seus recursos.
    Porque para a Ucrânia está se esta gente nas tintas. E para as vidas ucranianas também. Tal como se estiveram nas tintas para as nossas nos anos da troika e se estão nas tintas agora em nome do apoio a Ucrânia.
    Mas se os ucranianos, cegos pelo nazismo e o ódio aos russos não acordam nao há muito a fazer.
    Mas sim, também eu queria que esta gente acordasse. Que as sondagens que põem o bandalho do CU a frente das intenções de voto estivessem erradas e que não acordassemos no dia 19 perante uma segunda volta entre ele e o matraquilho yes man do Governo ou o almirante que quer mesmo mandar nos morrer no combate contra a Rússia.
    Raios partam os grunhos. Raios partam a Ucrânia.

  4. MANDARAM-NOS VIR, AGORA ATUREM-NOS.
    Também há quem diga, ELEGERAM-NOS, TEMOS PENA.

    Eu não tenho pena nenhuma, apesar de também comer por tabela com a porcaria que os outros fazem.

  5. A prova de que cada vez há mais gente acordada e de que os acordados estão fartos de calar e comer! Bem melhor do que choramingar uma alegada vitória inevitável dos porcos, sacanas e cabrões! No pasarán!

Leave a Reply to Joaquim CamachoCancel reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.