A República dos juízes

(Pedro Marques Lopes, in Revista Visão, 04/12/2025)


O Governo vai criar uma Unidade de Combate à Fraude no Serviço Nacional de Saúde. Segundo o Ministério da Saúde, destina-se a detetar, prevenir e combater fraudes, abusos e irregularidades no SNS. Vai ser liderada por um juiz.


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Ficámos a saber que ou o SNS funciona em autogestão ou os seus gestores são uns completos incompetentes. Até aqui, achava que era impossível imaginar uma organização, pequena que fosse, que não tivesse gente dedicada a prevenir e a combater fraudes ou irregularidades. A outra hipótese é o nível de competência das várias administrações dos vários hospitais e demais equipamentos ser tão indigente que nem controla faturas, nem tem métodos de gestão, nem organização, nem nada.

Claro está que os responsáveis máximos por esse possível estado de coisas são os ministros e primeiros-ministros. É o costume: ninguém como um político para desqualificar todos os políticos. Ninguém como um político para chamar estúpidos aos cidadãos que o escolhem para desempenhar uma tarefa, dando-a a quem não foi escolhido para isso. Em frente.

Numa grande ou pequena organização há sempre a possibilidade de existir fraude e até corrupção. Se forem crimes, há, é do conhecimento geral, umas entidades responsáveis pela investigação desses possíveis acontecimentos: são as polícias e o Ministério Público.

Segundo o Governo, gestores, polícias, Ministério Público, tudo incompetente. Vai daí, escolhe um juiz para ajudar a gerir – desculpe lembrar o óbvio, mas uma das tarefas de quem gere é exatamente “prevenir, detetar e combater fraudes, abusos e irregularidades” – e investigar.

Há duas coisas que um juiz não faz: gerir e investigar.

No caso concreto do juiz Carlos Alexandre, temos alguém que nunca geriu nem investigou coisa nenhuma, nem tem formação para nenhuma das duas atividades (o juiz que assinava de cruz as investigações do Ministério Público está, em parte, a substituí-lo; é tão engraçado).

Um juiz de instrução, como Carlos Alexandre, tem como tarefa garantir o respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos durante a fase de inquérito. Investigar é com o Ministério Público.

Por outro lado, também não é conhecida a sua capacidade para organização e métodos de gestão. Nomeadamente do SNS. Saberá distinguir um erro de gestão de uma fraude? Sabe como se fazem horários? O que são os tarefeiros?

Nunca é tarde para começar, mas colocar alguém que vai iniciar uma carreira de investigação e de gestão aos 64 anos é capaz de não ser grande ideia, sobretudo quando estamos perante uma organização que não é, digamos, pequena.

Seria insultar a inteligência de quem manda no Governo sequer pensar que não sabem tudo isto. Então porque diabo se escolhe o juiz Carlos Alexandre? É simples, porque se ouve o seu nome e pensa-se logo em combate à corrupção. Não é que a fama rime com o proveito – basta ver no que estão a dar os processos de que ele foi juiz de instrução e, repito pela enésima vez, não era ele a investigar. Mas como reza a cartilha populista, tem de se arranjar um bode expiatório e nada melhor do que gritar que “no SNS anda tudo a gamar” para excitar as pessoas.

Não é a organização, não são os métodos, não é a possível falta de controlo de custos, não é a gestão que, com todas as circunstâncias externas – envelhecimento da população, mais gente no sistema, medicamentos mais caros, etc., etc. –, fez passar os custos no SNS de 9 000 milhões para 17 000 milhões de euros, é a fraude e a palavra mágica: corrupção.

Palavra e solução mágicas, diga-se. Podia ser a imigração ou os ciganos ou mesmo os bengalis, mas para estes só com o Ventura podia fazer-se a associação direta. Foi a corrupção e, claro, temos Carlos Alexandre, o justiceiro da nação.

Estejam descansados, quando morrer outra pessoa por não ter sido atendida a tempo nas urgências ou um bebé nascer numa ambulância, ouviremos que está tudo a ser resolvido porque o Carlos Alexandre está a tratar de ver quem foi corrompido ou que fraude aconteceu.

Claro que vão surgir indícios de fraudes e de corrupção. Há poucas semanas em que não apareçam. Alguns parecem mais erros de organização ou de gestão, mas vão aparecendo. Prova-se assim, aliás, que há gente a investigar e a controlar. Alguns correspondem mesmo a atos criminosos.

Vão aparecer mais indícios. Carlos Alexandre não quererá que a sua imagem empalideça – sabe Deus se não estaria com saudades das luzes da ribalta.

Tenham ou não substância, conduzam ou não a condenações, é outro assunto. Estava, porém, capaz de jurar que existe uma possibilidade de começarem a aparecer notícias sobre possíveis fraudes e corrupções na primeira página dum jornal. Talvez no mesmo onde costumavam aparecer as investigações de casos onde Carlos Alexandre devia controlar se os direitos dos investigados estavam a ser respeitados.

Se a coisa se resumir a pouco mais do que capas do jornal e gritaria, ficará provado que o sistema conseguiu ocultar as terríveis manigâncias e que o bom do juiz bem tentou, mas foi torpedeado. Mais descrédito para a democracia, mais gasolina para a fogueira do populismo. “Dessem poder ao juiz e iam ver, mas não querem que se mostre os podres. Malandros.”

Se forem descobertas imensas fraudes e corrupção em barda e, claro, houver condenações, fica provado que os políticos são incompetentes e só um juiz pode pôr isto na ordem.

Bem-vindos à futura República dos juízes. Os patrocinadores são os políticos que escolhemos.

23 pensamentos sobre “A República dos juízes

    • Deve ser o Menino dos recados do Marcelo… um atlantista convicto, cuja ideologia vem toda de poente! É com cada ave rara que mais parece uma cagarra…

  1. Mais um comentário que se ficou pelo éter.
    Ó meu caro Estátua, será que v.ex fazia o obséquio de verificar se algum bateu na trave e está por aí encalhado?

  2. Segundo a Euronewx, o presidente do Conselho Europeu, António Costa (o mesmo que todo sorridente e feliz presenteou Trump com uma camisola do Ronaldo), rejeitou qualquer tentativa de “interferência política” em resposta a um controverso documento do governo norte-americano, publicado na semana passada, que apela à Europa para mudar de rumo ou enfrentar o “apagamento civilizacional”. Mais adiantando que “os aliados não ameaçam interferir na vida política ou nas escolhas democráticas internas de outros aliados”. Só se forem não aliados, como uma Geórgia, etc., adianto eu.🥸

  3. Lá tinha que vir a palhaçada do Sócras! É o que a burgessada gosta, não é?
    Para mim, as únicas coisas que estão provadas é que o gajo bateu com os costados na choldra por 9 meses, o parolo de Mação recebeu 10000 paus de um procurador corrupto e o juiz Ivo Rosa foi escutado durante três anos. Podem vir a ter muita razão mas, para já, o resto é merda.
    Quanto ao PMLopes, o spin doctor sonso, só me dou ao trabalho de o ler sobre o tema da justiça. São redundâncias, mas nunca é demais que uma voz que agrada à tal burgessada exponha as incongruências do patêgo justiceiro.
    Inimigo do meu inimigo…

  4. E viva a nossa democracia e o grande democrata Sócrates, filosófico em Paris.
    Andaram uns tipos funcionários públicos a ser pisoteados e lesados nos seus direitos pelo governo.
    Apesar do recurso perpétuo (ex. Sócrates) para o Tribunal Constitucional e o Supremo não ser supremo (é uma fraude) lá conseguiram o chamado “trânsito em julgado” ao fim 18 anos, quinta essência para político pulha proclamar presunção de inocente. Então não é que já passaram mais de outros 18 anos – alguns já morreram e outros para lá caminham e o estado não cumpriu.
    Parece que há justiça muito adiantada.
    CMTV e ninguém deu por nada.

    • E o assassinato do General Humberto Delgado e sua secretária pelo Rosa Casaco, a mando do Silva Pais, foi julgado quando? Quem foi condenado. É com cada patego grunho armado em justiceiro, que no tempo da outra senhora apoiava o regime e colaborava com a PIDE…

  5. Provavelmente vai ser uma coisa mais longa e deprimente até porque esta gente não acorda.
    Com os gastos militares e com o dinheiro que já gastamos no apoio a Ucrânia nazi ninguém parece preocupar se.
    E esta canalha só pensa em cortar na saúde e outros direitos sociais para ter mais meios para apoiar aquela cambada de nazis.
    Confesso que desconhecia o articulista e o que defende na vida mas se defende o nazismo ucraniano merece mesmo cadeia para o resto da vida no fundo da Sibéria como merecem todos os que apoiam essa corja assassina.
    Raios partam a Ucrânia e todos os que a apoiam que encontrem um tubarão branco faminto a próxima vez que forem a banhos.

    • Pois, a questão é mesmo essa. Por que há uns gastos em sectores ministeriais que são passíveis de supervisão “judicial” “especial”, e não outros gastos em outros sectores, com vasto historial de casos “bicudos”, e de gastos megalómanos, por vezes até associados a casos de corrupção (como aconteceu com os submarinos de Paulo Portas na Alemanha, também com um governo AD, ou seja, PSD + CDS/PP), ou agora com os gastos em doações para a Ucrânia, regime que se encontra envolvido num vastíssimo e faraónico escândalo de corrupção a nível das cúpulas ministeriais e presidenciais, sejam directas com tranches de avultadas quantias de euros, sejam indirectas através de envio de armamento e outro equipamento militar, e que vão obrigar a um investimento babilónico em armas adquiridas do outro lado do oceano Atlântico, ou noutros países do continente europeu.
      Aí é que a vontade de “supervisionar” desaparece, quando o investimento previsto é abusardamente desproporcional, tendo em conta que a Saúde serve para proteger e salvar vidas humanas em Portugal, competência do actual e de todos os governos da República Portuguesa, e a Guerra para destruir, deproteger, ameaçar e aniquilar vidas humanas, no estrangeiro, sobretudo no outro lado da Europa, mas também consta que a Israel têm chegado carregamentos de armas em navios com bandeira portuguesa, por exemplo.

  6. Pedro Marques Lopes é um acérrimo defensor e/ou colaborador e/ou propagandista de corruptos, fascistas, imperialistas, racistas, colonialistas, terroristas, nazis, e genocidas. É daqueles NeoLiberais que em nome de um bom tacho ou boa avença e exposição mediática q.b., viola a nossa Constituição e trai o seu próprio país num piscar de olhos.

    Por questões de higiene, não leio nada que um monstro desses escreva, nem sequer quando se dá o caso do relógio avariado ter as horas certas duas vezes ao dia.

    A Estátua de Sal ensinou-me que há que ouvir as fontes mais diversas, mesmo quando opostas aos nossos ideiais, e eu aprendi e aprecio a ideia.
    Mas hoje coloco a questão: não há limites para esse princípio?

    O que faz neste blog o texto de um ALIADO DE NAZIS GENOCIDAS, e praticamente a cheerleader #1 do ditador corrupto da Ucrânia?

    Qual é o passo seguinte? Se o líder dos Nazis do Terceiro Regimento, aka o Batalhão Azov com ainda mais dimensão, escrever um texto a falar dos “excessos” da Procuradoria e dos Juízes ucranianos/USAmericanos contra as “coitadinhas das vítimas” que são o Yermak e o Zelenski e o Hunter Biden e companhia, a Estátua também vai publicar aqui essa m*rda?

    Fica lançada a discussão.

    A minha resposta à minha própria pergunta é simples: os textos do inválido-político Socrates, eu ainda percebo, agora os de um activo-propagandista do nazi-fascismo terrorista e genocida ocidental?
    Não!
    Há que ter linha vermelhas, intransponíveis, caso contrário ficamos todos a boiar lado a lado nas mesmas águas residuais.

    Pedro Marques Lopes não merece republicação, diga o que disser. Afinal de contas até Hitler dizia uma ou outra coisa acertada de vez em quando, por exemplo sobre a soberania industrial ou sobre o equilíbrio das contas públicas. Ou imaginemos Goebbels a dizer algo acertado sobre o sistema de justiça.
    Mereceria isso ser publicado na Estátua de Sal? Parece que sim…

    O que o Pedro Marques Lopes merece, tal como todas as PRESStitutas da MainStreamMedia/FakeNews, é um julgamento do estilo “Nuremberga” mas desta vez feito em Donetsk, e no final ou levar com a prisão perpétua nos cornos, ou com a guilhotina no pescoço ao fim de duas décadas preso na Sibéria!

    Ou temos princípios, ou não temos nada!
    O meu principal princípio neste momento da vida é a lição de Karl Popper de há 80 anos, adaptada a este momento histórico: ZERO tolerância para com aqueles que com as suas palavras ameaçam as nossas liberdade e soberania, e arriscam a segurança e paz e futuro da humanidade inteira.
    Já que não os podemos julgar, ao menos mantenhamos o cordão sanitário: se é cheerleader de nazis e genocidas e da máquina de guerra imperial/NATO, então nada do que diga merece ser lido, e muito menos republicado e difundido.

    Se a Estátua tem ideias sobre o tema em questão, então que procure genre decente que escreva sobre ele, ou então a Estátuaque escreva o seu próprio texto, que nós lemos com prazer.
    Simples.

    Sabem porque é que nada muda e cada vez está pior neste ocidente colectivo? É porque ainda não há gente suficiente a fazer como eu.
    Se apoiam ou sequer toleram aqueles que odeiam e exterminam centenas de milhares ou até milhões de seres humanos, então eu não os tolero a eles.
    Mas se vocês os toleram, lêem, ouvem, vêem, e até difundem, então nada muda.
    Repito, a Estátua a publicar este adepto de imperadores genocidas como Biden e companhia, propagandistas de ditadores e nazis como Zelensky, amigo dos sionistas genocidas em geral, traidor do seu país e avençado de Facho-neoliberais, então vocês estão a eliminar qualquer cordão sanitário. Estão a tolerar, a normalizar, aquilo que devia ser eliminado da face da terra!

    Depois dizem que fazem conferências pela paz e que choram pelos povos do Donbass e da Palestina.
    Mas esta acção da Estátua é CONTRÁRIA a isso.
    Seria como dizer-se do lado dos Aliados em 1945, mas depois em nome do “pluralismo” e “liberdade de expressão” e do “Estado de Direito” e da “democracia”, publicar aqui um artigo do Goebbels, onde esse relógio avariado acertasse nas horas em relação a um outro tema qualquer.

    Fiz-me entender, ou não?
    Há uma linha entre o pluralismo (algo positivo) e a total ausência de valores (algo negativo). Há uma linha entre publicar opiniões opostas sobre como garantir a paz duradoura no Donbass, ou dar palco a um propagandista do lado corrupto e glorificador de nazis.
    Não estou a escrever isto para provocar a Estátua de Sal, e não tenho vontade nehuma de ler uma resposta com uma qualquer tentativa de justificação.
    Só quero que a Estátua de Sal pense sobre o assunto, e perceba o erro que cometeu, tal como eu pensei sobre o que a Estátua me disse (sobre a publicação dos textos do Sócrates), e eu percebi o meu erro.

    • “Fiz-me entender, ou não?”

      À resposta é não 🤷‍♂️
      Porque é difícil perceber malucos conspiracionistas, seguidores de blocos políticos vindos de nascente. 😘

  7. Certíssimo. Parece que só no sistema contra a criação do qual a direita votou e que há corrupção e fraudes.
    Porque e justamente esse sistema que se quer destruir.
    Já agora podem ter a certeza que muito do aumento da despesa nos últimos tempos resultou de haver muito mais gente doente, doente como um cão a custa de uma coisa que nos venderam como milagrosa e grande inovação.
    Falo das vacinas da COVID, sim.
    E chamem lhe obsessão que e para o lado que eu durmo melhor.
    O caso que tenho em casa e exemplo disso mesmo.
    Uma pessoa que nunca tomou um comprimido, porque tinha uma saúde de ferro e nada lhe chegava, toma agora sete comprimidos por dia.
    Um deles, anticoagulante, custa 21 euros a parte do utente e tem uma comparticipação estatal de 44 euros.
    Outros teem diversos graus de comparticipação.
    E o que não falta aí e gente agarrada a diversos tipos de medicação comparticipada desde que caiu na asneira de meter aquela m*rda no corpo.
    Mas a fraude de nos continuarem a vender aquilo como eficaz e seguro, de pressionarem gente, nomeadamente idosos, a ir dar aquilo não há médico, nem juiz, nem o diabo que os carregue a todos que tenha tomates para denunciar.
    Vão todos ver se o mar da Kraken.

  8. O serraceno juíz apenas vai continuar a desempenhar o cargo de incompetente e cínico Comissário Político do PSD. Ele bem foi negando, mas mal saíu do cargo de juíz, foi vê-lo em grande confraternização com os líderes do PSD. Digamos que nunca passou de um rabo escondido com o gato todo de fora. E na direcção da campanha do grande Marques Mendes, lá está o seu conterrâneo e admirador Duarte Marques, mais uma criação do inefável Miguel Relvas das equivalências. O Polvo tem muitos tentáculos…

  9. Bom, e por que não colocar um juiz a supervisionar a actuação do Banco de Portugal? Ou o Estado-Maior das Forças Armadas?
    Será porque nesses sectores do Estado a despesa é para aumentar exponencialmente, ao contrário do SNS onde a intenção é cortar despesas a eito? Porque nesses sectores há que diminuir o controlo e a “acountabillity” (uso o inglesismo petulante para assim demonstrar que também possuo alguma “literacia financeira”, alguma “chic-expertise”) dos investimentos públicos e dos fluxos de capital? Ao contrário do SNS, que é para “passar a pente fino”, esmiuçar até ao último cêntimo o seu destino?
    E por que não o Banco de Portugal, que já permitiu tantos bancos falidos, tantos calotes aos cofres do estado, ao mesmo tempo que forneceu “informação oficial” comprovadamente errónea e errática, fraudulenta mesmo?
    Prioridades – o PRR não é para desperdiçar no bem comum, e sim para o lucro de alguns, em esquemas obscuros de sacos azuis, contratos faraónicos e objectivos quimérico…
    A manipulação feita pelo Governo só revela o que destapa, para poder tapar noutros sectores e continuar o desvario.

    • Também querem insuflar o super-juiz (no abstracto) para parecer um grande papão, mas ao pé de certos interesses instalados iria parecer um gafanhoto. Imagino como seria a supervisionar Generais e Ministério da Defesa, ou o Governador do Banco de Portugal e as teias de interesses em redor, os banqueiros, financeiros, subsidiários, credores e rentistas…
      No fundo, é apenas mais uma tentativa de criar uma justiça que penaliza a maioria, para favorecer certas “castas” e corporações. Mas para o patego comum, até parece uma coisa séria e acertada.

    • Comentário certeiro!

      Mas a culpa não é do governo.
      A culpa é do povo que vê as urgências fechadas e os problemas no SNS, e em simultâneo vê o despesismo com armas PARA NAZIS em obediência a um imperador fascista-terrorista em Washington DC, e depois continua a ir às eleições votar, em vez de fazer uma revolução.

      A classe política governante de um país vale tanto quanto vale o povo que a tolera e nela vota. Neste caso, pouco ou nada.

      Salvam-se os eleitores do PCP, os EX-eleitores do BE (onde me incluo), e uma parte quer dos votos em branco ou nulos, quer dos abstencionistas que, desde que abriram os olhos, nunca mais na vida irão votar nem PS nem PSD nem seus minions. Uma percentagem que é impossível de quantificar por razões óbvias.

      Tal como noutros países deste ocidente podre, os habituais do refime6cada vez convencem menos gente, uma parte do povo que nada vale está a votar cada vez mais nos vassalos nacionalistas dos EUA (Chega, Vox, Afd, Reform UK, Meloni, etc), e a maioria silenciosa de descontentes e abstencionista está a crescer.
      Vai continuar a ser assim, com oscilações, até se dar um de dois cenários: o fascismo de facto de botas cardadas (à la Kiev), ou a revolução.
      Se for como há +90 anos, primeiro será preciso a ditadura, e só depois de ainda mais sofrimento (e quiçá guerra) é que este povo tolo abre os olhos.
      Mas como a violência é monopólio do Estado, teremos de esperar pela nova geração de militares que nos calhar na rifa. Se for alinhada com Wsshington DC, teremos ditaduras militares. Se for alinhada com a Rússia e China e companhia, teremos libertação.
      E dependendo da quantidade e tamanho dos países europeus onde estes cenários acontecerem, ou teremos mais umas décadas de podridão imperial, ou teremos finalmente o fim do império Anglo-USAmericano.

      É esta a história deste século, após o “fim da história” de Fukuyama.
      Que a Europa vai ser só um canto do Mundo, já é dado adquirido. Falta só saber o grau de sofrimento e destruição.
      Vai ser com mais estrondo à maneira do Império Romano Ocidental, ou uma coisa mais prolongada e deprimente como o Império Romano Oriental aka Império Bizantino?

    • Para que serve então a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, (IGAS),
      “um serviço central do Ministério da Saúde, integrado na administração direta do Estado, cuja missão pública é:

      “auditar, inspecionar, fiscalizar e desenvolver a ação disciplinar no sector da saúde, com vista a assegurar o cumprimento da lei e elevados níveis técnicos de atuação em todos os domínios da atividade e da prestação dos cuidados de saúde desenvolvidos quer pelos serviços, estabelecimentos e organismos do Ministério da Saúde, ou por este tutelados, quer ainda pelas entidades privadas, pessoas singulares ou coletivas, com ou sem fins lucrativos” (n.º 1 do artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 33/2012, de 13 de fevereiro), fiscalizar e desenvolver a ação disciplinar no sector da saúde, com vista a assegurar o cumprimento da lei e elevados níveis técnicos de atuação em todos os domínios da atividade e da prestação dos cuidados de saúde desenvolvidos quer pelos serviços, estabelecimentos e organismos do Ministério da Saúde, ou por este tutelados, quer ainda pelas entidades privadas, pessoas singulares ou coletivas, com ou sem fins lucrativos”?

      • Não sei se a pergunta é para mim, mas é quem rege o IGAS que compete responder, que como descreve é um “organismo central do Ministério da Saúde, integrado na administração directa do Estado”, que está definido e regulamentado nos “termos da lei”.
        Penso que quem rege o MS é a Ministra da Saúde. E quem rege o governo é o Primeiro Ministro. Se uma não é competente ou capacitada para o fazer, nem o outro capaz de escolher quem o seja, e a medida tomada é colocar um “super-juiz” a fazer esse papel, ou impondo-se ao IGAS, ou passando a controlá-lo, ou quiçá substituindo-o, então a pergunta terá que ser feita a um dos três…
        … e já agora, o Presidente da República, antes tão pressionante sobre ministros dos mais variados ministérios, agora muito mais contemplativo e passivo, até confortador, também poderia dizer uma palavrinha e dar algumas pistas, quanto mais não seja para que a sua “magistratura de influência” possa aclarar ou ajudar a perceber quais as funções dos orgãos ministeriais, para que servem, nomeadamente o IGAS. Ainda por cima ele que recentemente teve uma resposta tão positiva e eficiente do Serviço Nacional de Saúde ao seu problema de saúde, e uma experiência tão “recomendável”, digamos assim.

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