Por que falam assim? Reflexões sobre o discurso político europeu contemporâneo

(François Vadrot  in Resistir, 02/12)2025)


Os líderes mentem deliberadamente ou acreditam no que afirmam?


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 nunca realmente responder:   os líderes mentem deliberadamente ou acreditam no que afirmam? Colocada dessa forma, ela leva a um impasse moral. A palavra política não é um gesto isolado nem um cálculo permanente:   é o produto de um conjunto de mecanismos que precedem o indivíduo, o moldam, o constrangem e, na maioria das vezes, falam através dele.

Para compreender o que dizem as elites europeias, é preciso primeiro livrar-se da ideia de que elas dispõem livremente da sua linguagem. O que elas expressam é determinado pela sua formação, trajetória, ambiente social, papel institucional que ocupam, natureza das informações que lhes chegam, estrutura mediática em que se expressam e, de forma mais ampla, pelo universo transnacional em que foram fabricadas.

A primeira camada é a da cooptação. Os dirigentes chegam ao poder não porque desafiaram o sistema, mas porque se ajustaram perfeitamente a ele. Os aparelhos, partidos, gabinetes, administrações e instituições europeias não promovem mentes independentes, mas sim aqueles que sabem tornar os mecanismos fluidos. Progride-se adotando os códigos, não desafiando-os. Antes mesmo de exercer um mandato, aprendeu-se a não questionar as premissas do meio. Isso não significa acreditar cegamente; significa compreender que uma palavra inadequada pode ser suficiente para interromper uma carreira.

Essa cooptação cria um círculo de pertença transnacional, que não tem mais muito a ver com o espaço nacional que esses líderes deveriam representar. Eles evoluem num mundo homogéneo, círculos de pensamento (think tanks), instituições europeias, organizações internacionais, redes diplomáticas e mediáticas, onde circulam as mesmas referências, os mesmos diagnósticos, os mesmos medos, as mesmas palavras. A ameaça russa é uma evidência, a NATO e o seu alargamento um horizonte, Bruxelas um centro, a soberania nacional um arcaísmo. O discurso não analisa, sinaliza a pertença a este círculo.

A este mundo fechado acrescenta-se uma dependência estrutural da grelha americana. Há décadas que a Europa já não produz uma visão autónoma do seu ambiente estratégico. Os serviços, as diplomacias, os aparelhos militares e financeiros evoluem todos num quadro atlântico onde o pensamento americano serve de matriz.

O discurso europeu não é uma mentira, mas uma tradução. Dizer outra coisa é arriscar o isolamento. Fala-se como Washington falava, até ao dia em que Washington deixa de falar assim. E esse dia chegou. Desde a entrada em funções de Donald Trump, o discurso americano mudou.

Os líderes europeus, formados na escola atlantista, muitas vezes passados pelos programas americanos “young leaders”, encontram-se sem bússola. Tinham aprendido uma linguagem, reflexos, certezas, mas a linha diretora mudou. O seu discurso perpetua-se… por inércia. Ainda se fala como antes, mas o mundo que dava sentido a essas palavras desapareceu.

A essa dependência geopolítica acrescenta-se uma dependência económica:   a dos lobbies de alta tecnologia, financeiros e industriais, principalmente americanos, que orientam os diagnósticos, ditam as prioridades, fornecem notas e influenciam a regulamentação. Grande parte do discurso político europeu não expressa uma análise soberana, mas a visão daqueles que agora estruturam a economia:   plataformas digitais, fundos de investimento, multinacionais tecnológicas, escritórios de advocacia e consultorias internacionais. A sua linguagem torna-se a dos governantes.

Face a estas restrições coletivas, intervêm fatores individuais. Muitos responsáveis não têm o domínio técnico dos assuntos de que falam. Não porque sejam intelectualmente fracos (embora para alguns isso seja seriamente questionável), mas porque os campos de especialização, energia, armamento, finanças, indústria, digital, tornaram-se demasiado vastos para uma agenda política saturada. A informação que sobe é filtrada, simplificada, atenuada. O discurso político contém, assim, zonas cinzentas que não são mentiras, mas sim ignorância estrutural:   eles não sabem que não sabem.

Outros ajustam-se por interesse pessoal:   hoje em dia, a carreira depende de equilíbrios instáveis. Dizer o que desagrada pode fechar o acesso a um cargo europeu, a uma reconversão, a redes internacionais. A palavra torna-se uma forma de autoproteção.

E no outro extremo do espectro, há a função. Certas verdades não podem ser ditas sem causar choque:   o esgotamento industrial, a dependência militar, a fragilidade energética, o fracasso de uma estratégia. A palavra pública serve então como amortecedor. A mentira não é mais individual:   é institucional.

Aos poucos, todas essas dinâmicas se transformam em crença. Por frequentarem os mesmos círculos, lerem as mesmas notas, ouvirem apenas vozes convergentes, os líderes acabam por aderir sinceramente às narrativas que enunciam. A repetição produz convicção. A linguagem torna-se realidade.

A estrutura mediática amplifica esse fenómeno. Os meios de comunicação tradicionais já não se contentam em retransmitir a palavra política:   produzem a sua própria narrativa, que muitas vezes se torna a matriz do discurso oficial. O seu funcionamento é agora uma forma de ortopraxia[1], noção emprestada do vocabulário religioso:   não é a fé que conta, mas a prática correta. Não importa o que se acredita:   é preciso realizar os gestos, dizer as palavras, seguir o ritual. A política e os meios de comunicação instituíram uma liturgia secular em que o importante já não é a verdade, mas a conformidade ritual:   usar os termos certos, expressar as indignações certas, evitar as zonas proibidas. A ironia é que este termo ortopraxia ressoa com a ortodoxia russa, precisamente o inimigo simbólico do discurso ocidental. Para combater o “eixo do Mal”, os meios de comunicação europeus construíram a sua própria liturgia.

A questão de saber se os nossos líderes mentem ou não torna-se então secundária. O que importa não é a sua sinceridade, mas a arquitetura do mundo que fala através deles. Eles falam a língua do meio que os produziu. Não procuram descrever a realidade, mas sim conformar-se à ordem à qual devem pertencer para existir:   um sistema que os seleciona, forma, orienta, protege, constrange e, no fundo, os mantém. A sua linguagem não é uma escolha individual:   é um quadro, uma liturgia, uma ortopraxia. Compreender este sistema é renunciar à busca da sinceridade num espaço onde ela já não tem lugar.[1] A ortodoxia designa a crença correta:   aquilo que é considerado verdadeiro e deve ser afirmado como tal. A ortopraxia, pelo contrário, designa a prática correta:   a realização de gestos e fórmulas esperados, independentemente da convicção íntima. Numa estrutura ortodoxa, a principal desviante é a heresia. Numa estrutura ortopráxica, a falta grave é o gesto errado ou a palavra em falta. O discurso político europeu pertence agora a essa ortopraxia:   um ritual linguístico em que a conformidade é mais importante do que a crença.


Ver também:
A política da linguagem e a linguagem da regressão política, James PetrasA linguagem da verdade na luta de massas, Miguel Urbano RodriguesA linguagem do saqueio, Michael HudsonLer a linguagem do inimigo, Ricardo AlarcónA espécie commentatores vulgaris no terreno de política internacional, Daniel Vaz de Carvalho.

Fonte aqui

17 pensamentos sobre “Por que falam assim? Reflexões sobre o discurso político europeu contemporâneo

  1. A Úrsula Van der Pfizer acreditava no que dizia quando disse que os russos estavam a desarmar máquinas de lavar para fazer os motores para os mísseis?
    A senhora tem todos os defeitos e mais alguns. Nazista, com uma agenda pessoal de vingança contra a Russia, corrupta e sem respeito nenhum pela vida humana.
    Mas burra que nem um cepo não e. Se o fosse não teria chegado onde chegou.
    Por isso garantidamente que não acreditava na barbaridade que estava a dizer.
    Estão há quase quatro anos a vender nos a ideia de que o nazismo ucraniano pode vencer contra uma potência nuclear, há quase quatro anos que nos vendem até a ideia de que não há nazis na Ucrânia.
    Vendem nos a ideia de que um presidente que não convoca eleições a pretexto da guerra e o legítimo presidente de um país e que não há nada errado nisso a luz da democracia.
    Vendem nos a ideia de que não há corrupção na Ucrânia ou pelo menos não há tanta como dizem.
    Alguém acredita que gente formada, letrada, viajada, com conhecimento do mundo acredita nas baboseiras que nos impingem há quase quatro anos?
    Eles não acreditam no que dizem mas esperam que todos acreditemos.
    Tão simples como isso.
    E o problema e que muitos acreditam, ou pensam que eles acreditam e e por isso que ninguém sai a rua a dizer “nem mais um tostão, nem mais uma arma, nem mais um mercenario para a Ucrânia”.

  2. Os líderes, sobretudo os mais idosos, acreditam no que dizem. Ninguém consegue ser hipócrita ou vigarista toda a vida. Os hábitos são tirânicos para com os valores, princípios, etc.. Ninguém tem disciplina de espírito, não se define nada. Utilizam-se palavras sem saber o significado. Por exemplo o autor do texto sabe o significado de ordem e o que existe na sua ausência?
    Uma peguntam?
    Que algarismos utilizam para designar uma dúzia de ovos?
    A resposta invariável é 12.
    A resposta correcta é 10.
    Coloquei uma escada para descer a caverna escura com patamares de doze em doze.
    No décimo degrau mergulharam.
    Se a minha ordem for dez quando lá chego defino e volto sempre ao nada. Com unidades faço dezenas, com dezenas faço centenas, etc. Sempre volta ao nada. Se fizer dezenas não posso fazer dúzias, grosas, etc
    Do candidato presidencial
    Todos tem o mesmo canto
    Não sabem passar do quanto
    Difícil é escolher o qual.

    Tudo que é bom aumenta
    Diminui tudo que é imposto
    Sempre acontece o oposto
    E o povo só se lamenta.

    Para a conta sempre certa
    Sempre certo o orçamento
    Surgiu o género terceiro
    Não sobra nem falta dinheiro
    Cativando centena e cento
    Com Centeno da mente esperta.

  3. Depois ainda há o cúmulo do propagandista, a vedeta da companhia que julgando-se mais “avisada” e sagaz, e baseada na sua “chic-expertice”, é capaz de lucubrar as mais rebuscadas teorias para encantar e fascinar os pategos mais idiotas. É o caso do jactante encantador de pategos Rogeiro-a-Jacto, e a sua hipótese provácel de sabotagem e atentado terrorista no desastre do Elevador da Glória, tendo como únicos indícios a existência de vários passaportes israelitas entre as vítimas do acidente.
    Estas carolas direitolas não páram, e fariam Goebbels corar de vergonha!

    • * hipótese provável

      Este tipo de propagandistas de vanguarda, primadonas de estúdio, cheios de contactos nos bastidores e fontes nos salões, autênticos “criativos” e geradores da intelligentsia, capazes de ponderar os mil e um cenários possíveis e imaginários, são depois os mesmos que apontam o dedo aos “teóricos da conspiração”**, e desprezam e desdenham as suas teses e teorias, por vezes com substanciais evidências e indícios, para além das aparências e da “nomenclatura”.

      Ainda ouviremos um destes vates explicar que a corrupção no seio da União Europeia, tal como na Ucrânia, resulta de infiltrações russas que apanharam os “grandes líderes” Zelensky e Ursula desprevenidos, na sua inocente, angelical e ocupadíssima vivência, e assim sabotaram as super-estruturas do poder europeu…

      ** termo cunhado pela CIA para desacreditar qualquer um que questionasse as narrativas oficiais, muitas vezes com falhas e incongruências gritantes, para não dizer patranhas, e formulasse outras hipóteses ou explicações mais ou menos plausíveis.

  4. Um dos problemas com a propaganda, sobretudo quando esta é incessante e prolongada no tempo, é que os produtores da mesma acabam inevitavelmente por acreditar nela.
    Todas estas pessoas das oligarquias político-mediáticas Europeias acreditam no monstro que criaram, porque ninguém as contradiz e como são bombardeadas com aquilo que elas próprias geraram, acabam a acreditar piamente naquilo que originalmente até poderiam saber que eram falsidades, meias verdades ou mentiras totais.
    Ainda aqui há dias, um conhecido “analista” da nossa praça, pessoa que até tem um cv atrás de si, articulado, relativamente culto, escrevia que Putin estava “desesperado” e que Trump era a sua “bóia de salvação”. O que pode levar uma pessoa com experiência, relativamente inteligente e culta, vir nesta altura do campeonato com uma imbecilidade destas?
    A resposta reside no facto de todos esses indivíduos funcionarem em circuito fechado, sendo alvo de propaganda que incorporam como verdade e difusores da mesma propaganda/verdade.
    Outros há, claro, que serão ligeiramente mais inteligentes, como o nosso Costa. O que o leva a defender o indefensável, na medida em que esse indefensávell está totalmente divorciado da realidade? Não pode ser só também ele engolir a propaganda que lhe apresentam. No caso de Costa, como de muitos outros, penso ser oportunismo pessoal puro, o que diz bem da medida do caráter da personagem(s).
    Hoje mesmo, a Presidente da Comisão Europeia, a propósito de uma resolução qualquer sobre gás falou em “The dawn of nem Age”, como quem diz: agora é que os Russos estão de rastos. Acreditará ela nas atoardas que profere? Terá acreditado quando há dois anos disse e ninguém a contradisse que a economia Rússia estava em “tatters”? Parece-me que sim.
    Estes indivíduos vivem numa bolha e nessa bolha há uma constante validação de propaganda, os factos não contam, conta um discurso alieanado, o monstro que criaram e que agora os domina e impõe a sua versão do real. Vivem numa realidade Orwelliana, incapazes de perceberem que o fim se aproxima; porventura até mais dispostos a levarem-nos a todos para o não-real absoluto do que a admitirem que vivem e viveram no mundo da fantasia, da alienação, da irrealidade.

  5. E por cá os nossos heroicos guardas prisionais não vão fazer greve no dia 11 pois que as suas reivindicações foram atendidas.
    Os outros que se f*dam. Mesmo a tuga.

    • Não sabia desse pormenor, já não presto atenção às politiquice e espuma dos dias portuguesas. Para quê?
      Mas não me admira nada que os guardas tenham feito isso. É comum em Portugal. Os olhos só servem para olhar o próprio umbigo.

      Nos países mais a norte, é comum os sindicatos (que lá representam fatias maioritárias da população, em ve dos ridículos 10%, quase todos funcionários públicos, em Portugal).
      Quando um sector prejudicado faz greve, é comum outros sectores juntarem-se em solidariedade, pois sabem que a luta é COLECTIVA, e se ganhar um, ganham todos.
      É o oposto do umbiguismo português.

      É também por aí que se explicam as diferenças salariais. Eles lá fazem da união a força. Os portugueses preferem a abordagem selvagem, como abutres a lutar individualmente pelo seu naco da carcaça.
      Enfim.
      Foi por estas e por outras que decidi emigrar. Os portugueses não têm emenda, e Portugal não nem futuro.

      Mas eu queria mesmo era vir comentar o texto publicado no Resistir. É um excelente texto, tem a sua lógica, mas abusa da condescendência. Não, os líderes europeus não são vítimas da conjuntura, os serviços secretos, bancos centrais, especialistas variados, de cada país dão-lhes a informação verdadeira. Os políticos traidores e corruptos é que decidem depois ignorar isso e participar numa mentira colectiva, em nome da sua carreira e do que é melhor para si, e exclusivamente para si, e para mais ninguém. E fazem-no a troco das largas somas de dinheiro corrupto que a “democracia” ocidental decidiu legalizar e chamar de “lobby”. Tudo pago em euros, libras esterlinas, dólares, e shekels…

      E depois há uma parte do texto que é simplesmente errada:

      “Os meios de comunicação tradicionais já não se contentam em retransmitir a palavra política: produzem a sua própria narrativa, que muitas vezes se torna a matriz do discurso oficial.”

      Não há qualquer produção de narrativa próprio. Tudo o que é publicado nos bordéis das PRESStitutas foi previamente decidido em Bruxelas e/ou Washington.

      Exemplo: a Rússia já libertou a totalidade da cidade de Pokrovsk (Kraanoarmeisk) há semanas, e já fechou o cerco à cidade vizinha de Mirnograd (Dimitrov) e transformou aquilo numa operação de tiro ao alvo aos desgraçados que o regime ucraniano atira para lá, e aos meios ocidentais em que se fazem transportar.

      Eata informação é pública, e confirmada por vários OSINT (open source Intelligence), com confirmação visual e geo-localização, seja por meios Russos e pró-Russos, seja por meios neutrais e internacionais, seja até por alguns OSINT Ucranianos e pró-Ucranianos.
      Os mapas estão aí para quem quiser ver, e recomendo o canal Telegram do Geroman, onde ele faz um agregado de TODAS as fontes credíveis.

      Ora, ontem calhou alguém estar a ver a RTP 1 durante o Telejornal, e os Prescritos de serviço (1 no estúdio em Portugal, e outro no terreno na Ucrânia), mentiram propositadamente da seguinte maneira:

      “hoje fui ao terreno, até as imediações da cidade de Pokrovsk”

      – NÃO, não foste. A cidade está 100% sob controlo Russo há semanas, e as imediações são a linha da frente do combate.

      E os vigaristas continuaram assim, sintonizados:

      Estúdio: “os Russos dizem que já controlam a cidade, é possível confirmar isto?”

      Kiev: “não é possível confirmar isso”

      Ora, isto é 100% mentira. Esta mentira dura há semanas, e esta mentira vem directamente da ditadura nazi de Kiev, que por sua vez se limita a mentir da forma que Washington/NATO lhe manda mentir.

      E porquê e para quê? Por várias razões:

      – para continuar a enviar homens raptados para aquela linha da frente para morrerem em vão, sem que isso cause uma revolta em Kiev;

      – para justificar o porquê de ter abandonado todos os que ficaram cercadoa na cidade vizinha de Mirnograd, mesmo após a oferta de Putin de aceitar a sua rendição sem mais combates;

      – para manter a narrativa “a Rússia está a perder” e “as nossas defesas estão não só a aguentar, como até a contra-atacar”, de forma a prolongar a guerra e a recusar a paz;

      – e para manter uma ilusão no público ocidental que, assim, aceita melhor ser roubado para que o seu dinheiro vá parar a armas USAmericanas, que depois vão parar àquela linha da frente, só para serem destruídas no espaço de alguns dias ou semanas.

      Isto não é uma narrativa produzida nos meios de comunicação Europeus. Isto é a propaganda 100% controlada por Washington.
      E p objectivo de Washington não é “mudar o discurso”, nem muito menos o “plano de paz”. Isso é só a parte mediática, o teatro.
      O objectivo real de Washington é 100% continuidade da sua agressão imperial para manter a hegenonia mundial, custe o que custar.
      Seja Biden ou Trump, a m*rda é a mesma. Apenas aparentam dizer e fazer coisas diferentes, mas isso é só aparência. E sw vocês caírem na aparência, não conseguem ver a big-picture.

      E qual é então o quadro geral? Como o Brian Berletic bem explica, os EUA são controlados por uma oligarquia imperialista, que recorrer à guerra e terrorismo e mentira e genocídio e fascismo e nazismo, para chegar aos objectivos.
      Poderá haver uma facção “democrata” que gosta de bandeiras arco-íris, e uma facção Republicana que prefere Antigos Testamentos, mas essa diferença é apenas superficial e ajuda até a tornar a manipulação dos eleitorrs mais efectiva.
      Na realidade, o Biden e o Trump (ou outro palhaço qualquer) limitam-se a fazer o que os think-tanks lhes dizem para fazer, e o DeepState 100% capataz dessa oligarquia, garante que os diferentes Presidentes se mantêm na linha.

      Ora, o Obama fez o golpe Maidan usando nazis na Ucrânia em 2014, e fez as sanções iniciais por causa da “anexação” da Crimeia.
      O Trump v1 acelerou o envio de armas e os exercícios da NATO junto à fronteira Russa, tudo usado para ameaçar a Rússia e violar a paz de Minsk.
      O Biden recusou a paz proposta por Moscovo, conpletou a saída do Afeganistão (iniciada por Trump) para poder ter meios suficientes para a guerra proxy que o vassalo Zelenski e os seus nazis iriam iniciar em 16-Fevereiro-2022.
      E o Trump v2 põe a NATO a gastar 5% do PIB com esta guerra proxy, ao mesmo tempo que completa o plano da RAND Corporarion (think tank do Pentágono, que desenhou esse plano durante as administrações Biden e anteriores) que diz o seguinte:

      – para os EUA tentarem manter a hegemonia imperial no globo, é precisam derrotar a China. Mas antes dessa guerra, é preciso derrotar os aliados estratégicos da China: Rússia acima de tudo, mas também os restantes BRICS e os parceiros da SCO.
      Porquê? Porque a China já cresceu tanto, e a Rússia já recuperou tanto (desde a destruição ocidental executada em 1991 pelos traidores em Moscovo), que os EUA já não conseguem derrotar a China sozinhos, nem nestas condições. Precisam de sobre-expandir a Rússia, colocar os vassalos Europeus a pagar sozinhos o prolongamento dessa guerra proxy, precisam que “israel” se continue a expandir no Médio Oriente e a manter o Irão na mira, precisam de acelerar as operações terroristas em África para substituir França (!) e China pelos EUA, precisam de apertar ainda mais o garrote nas Américas (ex: Argentina fora dos BRICS, Venezuela prestes a ser invadida, uma fascista belicista a recener o Nobel “da paz”, etc), e precidam de concentrar os deus meios na militarização do Japão, Coreia do Sul, Filipinas, Taiwan, e Austrália, de forma a preparar a guerra proxy contra a China.

      E estas coisas estão publicadas, por outras palavras, nos documentos dos think tanks ligados ao Pentágono, à CIA, à NSA, ao Congresso, e à Casa Branca, e acabam mais cedo ou mais tarde por fazer parte do léxico oficial, que depois acaba por ir (via cartilha) parar ao léxico também dos “líderes” dos países vassalos dos EUA, e das PRESStitutas da MainStreamMedia alinhada com Washington/NATO.

      Repito, o texto publicado no Resistir é muito bom, mas comete um erro enorme ao ser condescendente para com os “líderes” Europeus. Eles não estão enganados, eles são agentes e
      dos EUA com a missão de nos enaganar!
      E o texto comete um erro ainda maior ao falar da imprensa Europeia. Ela não produz qualquer tipo de narrativa. Ela limita-se a fazer a sua parte de acordo com os planos de Washington. No momento anterior era para falar de unidade na NATO. No momento actual é para falar de “Europa sozinha” e “necessidade de militarização”.
      Mas quer num momento, quer no outro, as PRESStitutas estão só a dizer o que Washington lhes manda em cada momento.

      E depois falta ainda falar da forma como a Mossad e os sionistas genocidas têm também a sua parte significativa na criação da narrativa ocidental, mas por hoje fico-me por aqui.
      Aliás, há até quem diga que a Mossad é apenas uma divisão da CIA, outros dizem que é a CIA que é controlada pela Mossad, e outros dizem que são independentes mas com um tal grau de cooperação que se pode quase falar em fusão, mas isso é outra conversa: é o cão que abana a cauda, ou a cauda que abana o cão, ou abanam-se ambos um ao outro?

      PS: só percebendo o que eu e o Brian Berletic já percebemos, é que depois se torna tudo óbvio e fácil de explicar. Coisas como o Mondlane, preto amigo de Ventura, a meio de uma tentativa de golpe em Moçambique, começar a falar sobre a “prioridade” de levar a “democracia” para a… Venezuela.
      Ou coisas como a alemã Baerbock, alegadamente mulher e cristã e verde e “democrata”, ir à Síria abraçar terroristas da al-Qaeda e transminitir a esse novo poder em Damasco o interesse da Europa nessa petróleo, e as “prioridades” de tirar a Rússia dessas bases militares e de assinar acordos de cooperação com a entidade colonial sionista genocida: “israel”.
      Ou coisas como um Procurador português, com estreitos contactos com a ambaixada dos EUA em Lisboa, se ter “enganado” numa acusação de forma a fazer cair um governo do António Costa após este se ter comprometido (sem forma de desfazer o compromisso legalmente) com a empresa Chinesa que ganhou o concurso para o porto de Sines, afinal de contas tão estratégico para a NATO e para o LNG dos EUA…
      Podia passar aqui o dia todo a dar exemplos destes.

      Tudo isto está ligado, e o ponto de ligação é este: ordens dadas pelo império ditatorial dos EUA aos seus vassalos corruptos e traidores dos respectivos países (agora meras províncias desse império).
      Deixem de se distrair pelas narrativas e pelas “mudanças” na Casa Branca e deixem de perder tempo com as PRESStitutas ocidentais.
      Olhem para o cerne da questão e percebam a big picture!

  6. Os líderes europeus parece que estão a aprender alguma coisa com os ucranianos.
    O somos todos ucranianos não era só um slogan.
    Quando se trata de levar a mão ao pote os nossos líderes talvez já sejam capazes de dar lições aos ucranianos.
    Vide o caso Úrsula von der Pfizer.
    Não, não estou a imaginar o Papa com todo o descanso a dar uma missa para 150 mil cristãos na pátria dos que se dizem os herdeiros morais dos que terão pendurado o fundador da dita religião numa cruz.
    Muitos rabis já disseram curto e grosso que os cristãos deviam ser todos mortos e outros mimos.
    Na Cisjordânia há ataques a cristãos e humilhações a religiosos quase todos os dias, iam lá agora permitir que esses gentios hereges se juntassem nos seus negros rituais?
    Mas em Israel está ainda pior quem declarar não ter religião nenhuma e sem uma declaração de um líder religioso a comprovar que e fiel de uma igreja o desgraçado não tem direito a ser enterrado num cemitério.
    Que há para judeus, muçulmanos e cristãos, pois que e lá isso de apodrecerem todos ao lado uns dos outros?
    Numa democracia tal não devia acontecer ou a do povo eleito tem estatuto especial?
    Quando vejo esses trastes a falar em cultura judaico crista até me arrepio.
    E uma pérola do Correio da Manhã, “ainda há um corpo de um refem em cativeiro em Gaza”.
    Mortos em cativeiro? Pensava que isso só acontecia na outra vida a quem fosse parar ao Inferno.
    Valha lhes um burro aos coices.

  7. Quanto ao texto acima, foi seguramente escrito com um bisturi. Porque, caríssimos companheiros de heresia, confesso que enquanto o lia só via tripas, as malcheirosas tripas dos ditos “líderes” europeus dissecadas e expostas ao sol com a eficácia de um cirurgião dos infernos, sem dó nem piedade! Abençoado seja o cirurgião François Vadrot!

  8. A (des)propósito: o papa acabou a sua visita ao Líbano com uma missa para 150 mil cristãos libaneses, na marginal de Beirute. Pergunta bué da estúpida: alguém consegue imaginar uma missa para 150 mil cristãos na marginal de Telavive, na “única democracia do Médio Oriente”?

  9. E a propósito, mais uma sacerdotisa da seita MLK, desta feita a “poderosa” Federica Mogherini (Ex-Vice-Presidente da Comissão Europeia), apanhada a ir ao pote…
    Mogherini foi investigada e detida por esquemas de corrupção, desvio de dinheiros e tráfico de influências… tudo bons rapazes, tudo puras donzelas… mais um tabu para o Consiglieri Tóni deu à Costa abafar…

    https://pt.euronews.com/my-europe/2025/12/02/quem-e-federica-mogherini-a-antiga-chefe-da-politica-externa-da-ue-detida-numa-investigaca

    • Pelo historial político, temos aqui uma espécie de Zita Seabra italiana, em esteróides.

      “O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente.”

  10. Os “grandes líderes” europeus e seus papagaios e serventes procuram acima de tudo um discurso único, do género TINA (there is no alternative), que se traduz numa exploração dos europeus por uma “vanguarda” tecnocrata, de essência burguesa e aristocrata, ela sim dona e senhora dos códigos de conduta e dos objectivos, como se artificialmente representasse “a mente colectiva” dos europeus, quando essa é intransponível para a realidade política da UE, pois esta é composta de vários povos, países, regiões, línguas, culturas, tradições, etc… é uma aberração total pensar que algo de bom pode resultar destes processos de reengenharia social e da prática da arquitectura sócio-económica totalitária, quando ainda por cima esta serve e trabalha para uma “super-minoria”, composta de oligarquias, cúpulas corporativas, e “grandes líderes”, e em que a divergência é vista como uma falha de carácter, ou uma inaptidão para pertencer a essa restrita “vanguarda”, a essa suprema “intelligentsia”.
    A credibilidade e autenticidade do “projecto europeu” perdeu-se nos últimos anos e dificilmente será reabilitado, pois foi cooptado para se tornar um projecto euro-americano, ou “atlantista”, se assim preferirem. E talvez sempre tenha sido essa a intenção, pois hoje é visível que a União Europeia não passa de uma sucursal da NATO, como uma composição ligeiramente diferente (por exemplo, a Turquia que serve como exército mas não como economia no espaço Shengen de livre comércio e circulação), e com limites difusos.
    Assim, a não ser que as lideranças europeias se alterem, as políticas nunca vão fugir muito aos objectivos já notórios da Agenda Vinte-Trinta, tecida nos gabinetes dos think tanks, centrais de inteligência, e em clubes restritos, como o Bilderberg, ou nos templos maçónicos por todo o ocidente, como na Loja Mozart, por exemplo.

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