O governo e a ministra da Saúde – Se a memória não me falha …

(Carlos Esperança, in Facebook, 10/07/2025)


Se a memória não me falha, Luís Montenegro, antes de pedir que o deixassem trabalhar, já tinha achado na gestora do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte que pedira a demissão porque o cargo exigia mais do que era capaz, as qualidades para a complexa máquina da Saúde.

Se a memória não me falha, esta senhora Bastonária de Farmácia tinha a experiência de gestão de um saco azul com o Bastonário da Saúde, agora deputado do PSD e um outro gestor, saco azul de que nunca mais se ouviu falar.

Se a memória não me falha, o Luís, herdou o Governo depois de sucessivas dissoluções da AR em que Marcelo insistiu até o entregar aos seus, aos que votaram contra a criação do SNS. Marcelo, então incendiário, é agora o bombeiro servil do Luís.

Se a memória não me falha, o Luís foi defensor na AR, como líder parlamentar, da fúria das privatizações de Passos Coelho. Era previsível que o seu programa de governo fosse de acordo com o desejo de ser o executor testamentário das suas vontades.

Se a memória não me falha, o Luís descobriu nesta ministra a reencarnação da pessoa ideal para o cargo, com o mesmo faro com que os Lamas descobrem a reencarnação do Dalai Lama, no Tibete.

Se a memória não me falha, disse-o desde o primeiro momento, a esta ministra não lhe falta competência para o que quer o Luís. O problema é para o País.

Se a memória não me falha assisti ontem à mais pungente e assustadora prova da sua capacidade de destruição do SNS. À ferocidade com que substituiu toda a gente que não era do PSD, porque um governante tinha o direito a escolher pessoas da sua confiança, não sabe agora justificar a demissão do diretor clínico de Santa Maria. Foi o presidente do Conselho de Administração que lha propôs, os motivos terão de perguntar-lhe, a ele. 

Se a memória não me falha, devo a Eça a propensão para o sarcasmo e o que ele disse de um governo vou agora usá-lo para esta mulher: esta ministra não cai porque não é um edifício, há de sair com benzina porque é uma nódoa.

Encomendem benzina para o Luís.

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6 pensamentos sobre “O governo e a ministra da Saúde – Se a memória não me falha …

  1. Um Governo que encobre e apregoa acções policiais manchadas de ilegalidades e anti-constitucionais, que aprova leis do solos que desvirtuam o ordenamento territorial, anulam os PDM e convertem áreas de zona agrícola ou ecológica em áreas urbanas conforme os interesses dos agentes e construtores imobiliários, desregradamente (como se a situação de boa parte do património edificado não fosse já problemática, e com tantas casas ao abandono ou vazias), é espectável que tenha uma actuação positiva e construtiva, progressista na Saúde Pública? Sem ordenamento territorial regrado, é dizer adeus à protecção ambiental e dos sistemas de integração urbana e paisagística, como os “corredores verdes” de Lisboa de Gonçalo Ribeiro Telles, ou árvores como os jacarandás, sacrificadas para a instalação de mais betão, de proliferação da especulação. Se antes da Lei dos Solos ser decretada já víamos edifícios de 10 pisos ou mais crescer sobrepostos em linhas de água, arroios, leitos de cheias, encostas e outros pontos cada vez mais procurados, sobretudo nos limites das cidades, agora será permitido tudo a qualquer um.

    Até os Planos Ecológicos de redução das emissões e da poluição já foram relegados para o fundo da gaveta, ou será a indústria mineira, siderúrgica, química e armamentista uma indústria “verde”, limpa? Saúde Pública? Segurança Pública dos cidadãos? Não brinquem com este Executivo que ele tem mais com que se entreter… há um plano de rearmamento para cumprir e muito dinheiro para bancar e sacar…

  2. Na rubrica de hoje, “(Chega de) Heróis de AVentura”, mais dois valentes exemplares de fibra lusa que cumprem não só os requisitos básicos – usar farda e/ou distintivo, e andarem armados (alguns em parvos) – como ainda superam em muito o nível médio do banditismo “paisano”, a nível de violência física e crueldade do modus operandi, igualando os métodos dos cartéis e das máfias – para os combater, claro, com as mesmas armas.

    Tudo no seguimento de uma rusga a 12 esquadras da polícia, esses locais puros e imaculados, onde trabalham os Heróis de André Ventura. Mais uma vitória para André Ventura!

    Estes cromos de caderneta Fascini vão directamente para o top 10 do ranking, pelos sua dedicação aos “nossos valores civilizacionais” e apologia dos “brandos costumes” lusitanos.
    Tudo no seguimento de uma rusga a 12 esquadras da polícia, esses locais puros e imaculados, onde trabalham os Heróis de André Ventura. Mais uma vitória para André Ventura!

    https://www.rtp.pt/noticias/noticiario-antena1/12h-esquadras-da-psp-alvo-de-buscas-e-2-agentes-detidos_a1_1668211

    https://www.lusa.pt/article/45303826/dois-agentes-da-psp-detidos-nas-buscas-a-esquadras-por-suspeitas-de-tortura

    https://www.dnoticias.pt/2025/7/10/455657-dois-agentes-da-psp-detidos-nas-buscas-a-esquadras-por-suspeitas-de-tortura/

    “País
    Dois agentes da PSP detidos nas buscas a esquadras por suspeitas de tortura
    Agência Lusa
    10 jul 2025 18:14

    Dois agentes da PSP foram hoje detidos na sequência de buscas feitas pelo Ministério Público por suspeitas do crime de tortura, adiantou à Lusa fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR).

    De acordo com a mesma fonte, as buscas que começaram esta manhã e que contaram com a presença do Ministério Público e da PSP já terminaram e foram cumpridos os dois mandados de detenção emitidos no âmbito deste processo.

    Em causa estão suspeitas de crimes de tortura, ofensas à integridade física qualificadas, peculato e falsificações, indicou a Procuradoria-Geral da República (PGR), numa nota publicada esta manhã no seu ‘site’.

    “Até ao momento, encontram-se denunciados cerca de uma dezena de ilícitos”, acrescentou a PGR, referindo ainda que foi a PSP que denunciou os factos em investigação.

    As buscas decorreram em algumas esquadras da primeira Divisão Policial de Lisboa e fonte policial adiantou à Lusa que aconteceram, pelo menos, nas esquadras do Bairro Alto e do Rato.

    Além das buscas feitas nas esquadras, o Ministério Público fez também buscas domiciliárias.

    Contacto pela Lusa, o Ministério da Administração Interna indicou que não vai fazer qualquer comentário sobre as buscas.”

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