Mortos e feridos em segredo de estado

(Por Alipio Torres, in Facebook, 21/06/2025, Revisão Estátua)

Imagem gerada por IA

O regime israelita montou uma máquina de censura sem precedentes, travando uma batalha paralela nas sombras: uma guerra contra a verdade. Nos necrotérios subterrâneos dos hospitais militares israelitas, as enfermarias, supostamente lotadas de feridos, estão a ser escondidas da vista do público.

A Fars News, citando fontes de segurança iranianas, informa que dezenas de soldados israelitas feridos em ataques com mísseis do Irão estão amontoados em corredores subterrâneos, com as suas identidades e ferimentos classificados como “segredo de estado”.

A BBC reconheceu publicamente que foi impedida de cobrir a devastação no Instituto de Pesquisa Weizmann, um local ligado a operações militares e de inteligência, agora em ruínas.

O analista egípcio Bashir Abdelfatah, informa que “os ataques com foguetes iranianos criaram, em Israel, cenários semelhantes aos de Gaza. Segundo ele, “estamos na presença de sigilo e censura em relação ao número de vítimas, que ultrapassa os 1.000.

No dia 19 de junho, a polícia de Haifa atacou equipas noticiosas estrangeiras, que documentavam ataques na refinaria de petróleo e na rede elétrica da cidade, confiscando câmaras de filmar, cartões de memória e outros equipamentos. A polícia foi instruída a agir “contra as agências de notícias utilizadas pela Al Jazeera”, uma rede já proibida em Israel desde 2024.

Qualquer reportagem sobre locais de impacto perto de instalações militares,  (incluindo imagens de drones de zonas de ataque ou endereços precisos de ataques perto de instalações de segurança), é considerada criminosa.

Por sua vez, a diretiva “Leão em Ascensão” do Brigadeiro-General israelita Kobi Mandelblit, emitida em 17 de junho, proíbe qualquer menção a lançamentos de intercetadores ou filmagens de impactos de mísseis, estendendo o seu alcance até mesmo a publicações nas redes sociais, a menos que seja concedida aprovação prévia pelo Estado.

Não obstante este grau de censura, ainda hoje o jornal israelita Jerusalém Post reconhecia que “as cidades israelitas sofreram um nível de destruição nunca visto desde a guerra de 1948, atingidas por mísseis iranianos que atravessaram o Iron Dome, um sistema estendido além dos seus limites pela escala e precisão do ataque”.

Qual a razão da censura israelita?

Ela vem no seguimento da operação Promessa Verdadeira III lançada em legítima defesa pelo Irão, após Israel ter morto mais de 330 iranianos, incluindo altos funcionários e cientistas, e ferido mais de 1.800.

Por detrás do apagão forçado de informações, a operação de autodefesa do Irão desmantelou sistematicamente a imagem de invulnerabilidade alimentada, há muito, por Israel.

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) conduziu 17 ondas da operação Promessa Verdadeira III até 20 de junho.

As ondas subsequentes apresentaram menos mísseis, mas demonstraram maior precisão e eficácia, resultando numa taxa de sucesso maior. A fase mais intensa incluiu mísseis avançados que penetraram as defesas aéreas multicamadas de Israel (Arrow, David’s Sling e Iron Dome).

Por exemplo, na Onda 16, um único míssil iraniano destruiu um alvo em Be’er Sheva, demonstrando capacidades de evasão que tornaram os intercetadores israelitas ineficazes.

Outro ataque atingiu uma refinaria de petróleo em Haifa e danificou a rede elétrica central de Israel, agravando a crise económica. A operação de intercetadores israelitas teria custado US$ 200 milhões por dia.

De que lado estou?

Como analista e jornalista, procuro compreender as complexidades deste conflito, ouvindo as narrativas de ambas as partes. Não ignoro as críticas ao Irão, nem as dinâmicas regionais controversas.

No entanto, após anos a acompanhar a escalada militar israelita — e o seu papel como braço armado do imperialismo no Médio Oriente —, eu assumo publicamente o meu lado: estou com os povos sob ataque (a começar pelo povo mártir palestiniano), com as resistências que desafiam a ordem genocida, e, neste contexto, com o Irão enquanto alvo de uma máquina de censura e violência sem precedentes.

Defender a soberania não é uma defesa incondicional de um qualquer governo, mas um reconhecimento de que, face a um inimigo comum (o apartheid israelita e os seus aliados ocidentais), a luta patriótica e anti-imperialista não pode ser fragmentada.

A mesma potência que esmaga Gaza, olha hoje para Damasco ou Teerão e pode, amanhã,  com o apoio do imperialismo, cair sobre nós. Esta realidade nua e crua não permite neutralidade, ou estamos de um lado ou do outro.

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7 pensamentos sobre “Mortos e feridos em segredo de estado

  1. E como exemplo disso mesmo temos a vaca da Merkel que veio falar do direito de Israel a defender se apoiando o ataque vil de sexta feira 13 ao mesmo tempo que disse que a ação russa na Ucrânia essa sim foi contra o direito internacional.
    E onde é que está escrito que um país tem o direito de atacar outro matando dirigentes e cientistas do país, alguns deles com toda a família, a pretexto de se defender?
    Defender se do que? De supostas armas nucleares quando o arsenal convencional do Irão já foi suficiente para partir aquela merda toda?
    O que se calhar ninguém estava a espera e que o Irão tivesse um arsenal convencional daqueles.
    Porque o assassino Netanyahu disse com as letras todas que tudo no Irão era um alvo e a operação a que chamou “leao em ascenção” iria de certeza durar semanas.
    No primeiro dia até centros de apoio social foram destruidos o que levou a tentar por parte da febre com vergonha no focinho que o padrão de Gaza se repetir por todo o território do Irão.
    E se tal tivesse acontecido todos estes hipócritas diziam que estava dentro do direito de defesa de Israel.
    Agora só o louco Trump poderá fazer isso e se fizer terá o apoio desta canalha toda.
    Alguém poderia ao menos explicar que Hitler não era persa para não nos virem com a merda que e pelo sentimento de culpa que apoiam o estado genocida de Israel e o ajudam a exterminar os vizinhos?
    Onde é que está no direito internacional que um país tem o direito a visar e destruir centrais nucleares?
    Ao que parece a sorte dos iranianos e que aquilo estava mesmo bem enterrado ou o país teria sido alvo de uma catástrofe de proporções bíblicas.
    Mas a hipocrisia desta gente da nojo.
    Vão ver se o mar da megalodonte.

  2. Trampas, Jão Bindinho, ambos nepotistas. Ambos apoiadores e protectores de genocidas… ambos criminosos de guerra e protectores do criminoso de guerra Netanyahu… ambos escudados pela propaganda e desinformação na comunicação so ial ocidental, nas plataformas digitais controladas, que encobrem, aldrabam e mistificam os crimes de guerra, a corrupção e o nepotismo desta gentalha. Pior merda que existe, estes hoPOpoTamUS e os sabujos e rasteiros que os bajulam e lhe lambem as botas. Depois vêm falar de “estados agressores”, “interferência externa”, “valores” e auto-proclamar-se ‘”moderados”.
    Estão amaldiçoados e nem o percebem, tal é o fascínio destes sociopatas cobardes, tal é a ĥúbris destes psicopatas sanguinários e a sya hipocrisia demoníaca.

  3. Pelo menos dizem que não há radioactividade a derramar se. Sendo que quem o diz e a vassala Agência Internacional de Energia Atómica, vale o que vale.
    Ninguém quer admitir que foi feita uma barbaridade de todo o tamanho.
    Entretanto todas as vozes que chegam da Europa vassala são de apoio e congratulação como seria de esperar destes bandos de psicopatas.
    Que Tel Aviv, capital mundial da barbárie tivesse amanhecido com cartazes de agradecimento pedindo ao monstro que termine um trabalho que eles já viram que não sao capazes de terminar não e de espantar.
    Mas não poderia haver uma restea de bom sendo e decência no meio disto tudo?
    O que se pretende para o Irão nem sequer e um estado laico decente.
    E um restaurar da sangrenta dinastia que aterrorizou o país ate 1979.
    Tendo a frente um traste vendido a Israel que aplaude os bombardeamentos contra o seu povo e promete vinganças de todo o gênero contra os actuais dirigentes do Irão.
    Por isso o assassino Netanyahu dizia que o fim de Ali Khamenei seria o de Saddam Hussein.
    Não vítima de bombardeamento como os assassinados de sexta feira 13 mas vítima de execução com requintes de crueldade e provavelmente também televisionada para que todos saibamos o que acontece a quem diz não aos assassinos.
    E assim um monstro como Trump que se dedica a aterrorizar migrantes no seu país e cujos titeres ameaçam quem protesta com a morte passa de besta a bestial por atacar cruelmente um país para defender um país genocida.
    Vão todos para a raiz da puta que os pariu.

  4. Vao ver. Nunca me passaria pela mente mandar o autor do artigo ir ver um bicho desses.
    Mas há muita gente na Europa vassala que sem dúvida merecia um tal encontro.

  5. Já agora, tal como o assassinato de Cassem Soleimani, este crime de guerra cruel e cujas consequências ainda não sabemos, foi uma decisão unilateral de Trump.
    Boa parte da classe política americana não queria entrar em guerra com o Irão mas o ditador de facto dos Estados Unidos quis e foi feito.
    Sem que nenhum daqueles militares selvagens parasse pelo menos para pensar.
    Sem que nenhum político com um fundo de decência pudesse fazer alguma coisa ou sequer tivesse tempo.
    Para quem ainda acredita na treta dos freios e contra pesos da grande “democracia” do farol da humanidade.
    Hoje foi provavelmente feito um ataque nuclear contra o Irao.
    E ninguém abre a boca nesta Europa vassala.
    Vai ver se o mar da tubarão branco faminto.

  6. Entretanto os Estados Unidos cometeram um crime de guerra cruel atacando instalações nucleares subterrâneas com bombas destruidoras de bunkers.
    Quem andou a ladrar com as possíveis consequências das operações militares russas perto da estação nuclear de Zaporitsya, o perigo para toda a humanidade em geral e a europeia em particular, isto e mais aquilo terá alguns coisa a dizer agora sobre a radioactividade que de certeza se está a derramar agora?
    As vidas do Médio Oriente não interessam?
    Claro que se não forem israelitas não interessam.
    Cambada.

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