Alemanha – agente de destruição

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 28/05/2025, Revisão da Estátua)


A Alemanha tem sido, desde 1871, um perigoso agente de destruição. Vence todas as batalhas, perde todas as guerras e com as suas derrotas empurra o continente para a irrelevância.

 Com a derrota em 1918, ditou a sentença de morte do euro-mundo e anunciou o fim dos impérios europeus. Com a derrota de 1945, trouxe para dentro da Europa os EUA e doravante, pela primeira vez na história da nossa civilização, uma potência extraeuropeia passou a determinar o destino do continente.

Agora, com as veleidades centrípetas de Merz (ver aqui), advogado de uma guerra com a Rússia para, assim, manter vivo o projeto [alemão] da União Europeia – a UE é, mutatis mutandis o Zollverein – faz sentido aquela sentença muito conhecida de Goethe que afirmava algo como «os alemães sabem corrigir, mas não sabem dirigir», se bem que hoje já não saibam nem corrigir, nem dirigir.

 A Alemanha é, em termos globais, uma pequena potência política, uma média potência económica é uma pequeníssima potência militar (longe estão os tempos do exército de Frederico o Grande, o exército do Kaiser e a Wehrmacht do início dos anos 40), mas hoje está a desperdiçar a única via para conseguir manter-se à tona na era que já começou.

A sabedoria aconselhá-la-ia a preservar a paz e poder ser, finalmente desde Yalta e Potsdam, um importante agente de mediação e equilíbrio entre os mundos russo, chinês e norte-americano.

 Desastradamente, tornou-se impertinentemente agressiva com a China, furiosamente inimiga da Rússia e irritante com os EUA. Quer a guerra, mas ao longo de décadas autoinfligiu a si mesma a destruição do espírito alemão, confundiu patriotismo com o interregno nazi, intoxicou os alemães de culpas e desistiu de ser a Alemanha, outrora uma potência científica e cultural.

Medvedev fala por terceiros, pelo que da linha vermelha agora gravemente anunciada a Rússia não vai recuar. A acontecer uma guerra, deveremos mais uma vez a miséria, a destruição e a morte à Alemanha.

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4 pensamentos sobre “Alemanha – agente de destruição

  1. Espero que só volte em Setembro, como prometeu. Talvez tenha mesmo decidido ir ver se o mar da choco.
    Mas já agora que vá chamar hiena ao Diabo que o carregue.
    E sim, todos os Estados são destrutivos e e ver como todo o Ocidente já se juntou para destruir países como o Iraque, a Líbia e a Siria enquanto vai tentando reduzir outros pela fome via sanções.
    As sanções com que se destruiu a Siria foram agora levantadas quando o pais agoniza nas unhas do terrorismo armado pelo Ocidente.
    Agora já os direitos humanos não interessam a ninguém e minorias como os cristãos ou os alauitas são massacrados sem que isso interesse a ninguém.
    Mas não deixa de ser terrível ver o discurso delirante dos dirigentes alemães contra a Rússia a fazer lembrar outros tempos. Os cruéis tempos do nazismo.
    E parecem querer arrastar nos a todos com todos os nossos dirigente a achar boa ideia como acharam boa ideia a destruição da Grécia.
    Lembro me de um inglês, nas vésperas do referendo sobre o Brexit dizer sobranceiro “nunca nos submeteremos aos alemaes”.
    Mas agora já toda a gente parece achar boa ideia seguir a Alemanha.
    Querem os recursos da Rússia e por isso já vale tudo, até se não a submissao, pelo menos o estar incondicionalmente do lado da Alemanha.
    Que já destruir o nosso lar europeu duas vezes em guerras tão devastadoras que foram chamadas de mundiais.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  2. Todas os estados são destrutivas, uns mais que outras. Estados federais, pela sua capacidade agregadora e a sua escala superlativa (população, economia, matérias primas, redes de transporte, infra-estruturas e capacidade industrial, recursos humanos especializados,, elite financeira, corporações, etc) têm especial propensão para se tornarem expansionistas, intervencionistas, e influenciarem a soberania e os sistemas políticos dos países vizinhos ou que são vistos como potenciais fontes de recursos, mão-de-obra, redes comerciais…

    Na Europa continental a Alemanha vê-se como potência maior, e é frequentemente reconhecida pelos seus “parceiros europeus” como “motor da Europa”. Depois existe o Reino Unido, ou Grã-Bertanha, sob o jugo da coroa inglesa, onde também existe a influência histórica dos saxões, e ambos formam de modo lato o velho mundo anglo-saxónico, a sua raiz cultural europeia, cuja História é determinante para compreender, de tão determinada que tem sido por ela. A França constitui o 3.º pólo, mas se apenas mencionarmos a UE e Europa Continental, é o parceiro europeu mais aproximado da capacidade alemã e da sua dimensão, da sua escala.

    EUA e Federação Russa são também grandes potências federais, a uma escala superior à de qualquer país europeu, mesmo que não em todas as vertentes de análise estatística, sócio-económica, lideram militarmente, “espacialmente”, industrialmente (com idiossincrasias próprias).

    Os velhos anglo-saxões, e também os francos, fartos de se combaterem historicamente, e também de estarem federados entre si, ou integrados em impérios, em diferentes fases da História, não os do novo mundo nem os que ficaram pelas antigas colónias ou estados vassalos, muitos deles insulares, como os que pertencem à Commonwealth, já não tendo as colónias para alimentar as suas economias e a suas rotas comerciais, estando reduzidos na sua esfera de acção à dimensão continental europeia, já sem os imensos territórios coloniais, viram-se contra a Rússia pensando que o “espaço vital” que a expansão do sistema globalista, neoliberal e ultra-capitalista requer tem de ser esse, e que abrirá depois portas ao Ártico (na sua maior extensão), e isto toca na intenção de Trump anexar a Gronelândia e o Canadá, para poder ter mais do que o Alasca como acesso ao círculo polar; e também o continente asiático, o “Heartland”.

    Obviamente a China também já é uma potência asiática, e quando se fala de Taiwan torna-se tabu falar em anexações de ilhas estratégicas, mesmo sabendo que a ilha Formosa é reconhecida como território chinês. Há também o conflito entre a Índia, potência em ascensão que quer rivalizar com a China, mas não tem ainda a mesma organização produtiva e domínio das rotas comerciais, e o Paquistão, na zona de Caxemira, como sintomas de militarismo e belicismo um pouco por todo o mundo.

    Em vez de se virar o planeamento do progresso e da prosperidade para soluções sustentadas, ecológicas, saudáveis e progressistas, aposta-se na guerra, no armamento, no militarismo, em regimes cada vez menos defensores das liberdades civis, do potencial da educação e do desenvolvimento civilizacional.

    Nesse aspecto, a história alemã é europeia é cheia de exemplos das consequências dessas escolhas. Se os nossos “grandes líderes” actuais fossem mesmo sensatos, competentes, cultos, saberiam perceber que ou não sabem mesmo o que andam a fazer, ou então sabem muito bem e querem tomar os que também sabem por idiotas e pategos.

    Ainda hoje foi descoberto um esquema de corrupção ligado às empresas privadas de meios aéreos de combate aos fogos, envolvidas em contratos púlbicos manipulados e envolvendo a Força Aérea. Enquanto estes encheram os bolsos (40 milhões € num só dia, segundo vem numa capa de jornal), o país foi ardendo. E ainda deu para enviar uns Kamov enferrujados para o esforço de guerra ucraniano. Imaginem o que vai ser de contratos púlbicos desta malta dos “valores e dos princípios” para refinanciar a máquina de guerra e do armamento alemã e europeia, ao “abrigo” do programa Rearm Europe! Como não há Wall Street para brincar em Portugal, brinca-se aos soldadinhos para aquartelar na Roménia, aos submarinos para patrulhar as Selvagens e as Berlengas,, aos F-16 para mandar patrulhar os céus do Báltico, aos tanques e aos carros de combate para sucata na Ucrânia, e às bazucas da Ursula (que andou a receber uns prémios XPTO made in Deutschland, de seu nome Carlos Magno!)

    Quanto ao capelão, que aproveite as férias para ir a Roma, pedir a benção ao Papa Leão, na comitiva do 4.º pastorinho, já que a coelha não pode ir. É sempre de bom tom levar um cortejo de animais ao papa. E se for ao mar… veja se dá choco.

  3. A reunificação da Alemanha foi uma ma ideia.
    O nazismo, uma pulsão de morte, supremacista, que pregava a morte ou escravização de todos os outros povos não podia ter desaparecido como por um passe de mágica, como se nunca tivesse existido.
    Durante décadas, a Alemanha cultivou uma imagem de um povo trabalhador, diligente e até solidário.
    Que interessava que o “milagre alemão” se devesse em muito ao facto de a Alemanha Ocidental ter ficado exonerada de pagar as devidas indemnizações aos povos cujas terras devastou, como os gregos e a importação massiva de imigrantes muitas vezes discriminados e mantidos em condições deploráveis que só aceitavam por irem de terras de miseria extrema e ditadura, caso de portugueses, espanhóis, turcos e gregos.
    A Alemanha foi cultivando essa imagem que nunca existiu até que toda a gente achou boa ideia a sua reunificação.
    Depois disso a imagem foi sendo um pouco manchada com a importação de migrantes sem direitos nenhuns e nas mãos de mafias que sonegavam ordenados e os mantinham em contentores, em condições deploráveis enquanto as autoridades alemães assobiavam para o lado porque desde que as obras aparecessem feitas estava tudo certo.
    Naquilo a que se chamou crise das dívidas soberanas a Grécia, o país Ocidental que mais atrocidades sofreu com a ocupação nazi foi alvo de um processo selvagem de miserabilizacao do povo de que ainda não se recuperou.
    Foi simplesmente horrendo o que dirigentes alemães disseram daquela gente, foi simplesmente horrendo ver gente a recuperar “receitas” do tempo da ocupação nazi, crianças a desmaiar de fome na escola e aquele cadeirante que já deve estar a arder no Inferno, Schauble de seu nome, a dizer atrocidades que revelavam total desrespeito pelas vidas daquela gente.
    Na gestão das vacinas COVID eu estive lá.
    Nunca esquecerei as filas quilométricas de gente ao frio e a neve para darem uma vacina ou um reforço porque sem isso no outro dia já não iriam trabalhar e viriam para casa sem direito a nada.
    Por isso aguentavam horas a fio ao frio, chuva e neve. Pedindo a todos os santinhos que quando chegasse a sua vez as vacinas já não tivessem acabado, como por vezes acontecia
    Um cenário distópico, horrendo.
    Agradeci por só estar lá de visita a alguém que depois de quatro doses daquilo viu a morte com enxada e tudo.
    Se lá estivesse a trabalhar, hipótese que cheguei a estacionar, ou conseguia subornar um enfermeiro, como alguns fizeram ou já cá não estava.
    O que foi feito a quem não se vacinou foi simplesmente terrível.
    Proibidos de entrar em praticamente todo o lado, como os judeus sob o nazismo. O Lidl foi o único supermercado que não avariou a ordem e pagou grossa multa por isso.
    Se mais provas eram precisas que a Alemanha nunca foi desnazificada aí estavam elas. Para aqueles a quem o martírio da Grécia não chegou.
    Agora a Alemanha precisa do gás russo mas Merz já disse que nunca o comprara.
    Resta pois a guerra para garantir a pilhagem. A Alemanha confia na suposta superioridade da Europa em homens e meios de destruição e quer arrastar nos para uma guerra onde finalmente o sonho de Hitler será cumprido.
    Acredita que a Rússia vai preferir a servidao a deitar nos umas batatas quentes em cima.
    Não apostaria as minhas fichas nesse jogo. Porque os dirigentes russos sabem que a servidão aos poderes ocidentais significa também a destruição embora mais lentamente. Teem a experiência cruel dos anos Ieltsin.
    Por isso isto tem tudo para correr mal e quem os deixou reunificar se tem muitas culpas por tudo o que ainda podemos ter de sofrer por culpa de uma gente que nunca deixou de ser nazi e sonhar com a destruição da Rússia.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  4. Boa noite! Umas férias em grande para todos. O calor está aí e não é o calor do Verão Quente. Até Setembro para o ajuste de contas. Até lá, chega de palpites. Factos, contra os quais não há argumentos. Um, dois, três, … as hienas aí estão.

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