No meio da hecatombe, uma história inspiradora

(Por José Rafael Trindade Reis, in Facebook, 21/05/2025, Revisão da Estátua)

Phyllis Latour.

(O mundo está a tornar-se um lugar cada vez mais inóspito e sombrio para os militantes da justiça e da igualdade, arautos de uma ética que abarque toda a diversidade humana por inteiro e por igual. Ele são guerras, ele são genocídios, ele são os fascismos germinantes, ele são os valores da civilidade espezinhados sem vestígios de arrependimento.

Assim, porque a realidade é o que é, só tenho nos tempos mais recentes publicado e trazido à colação histórias tristes. Não é o caso desta. Ainda não chegámos à situação degradante e degradada da Europa em 1944, mas admire-se a coragem de muitos que lutaram contra a besta nazifascista, nesses anos de chumbo.

Inspiremo-nos neles e enterremos a chama da desesperança. Recordando Manuel Alegre:

Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não.

Estátua de Sal, 24/05/2025)


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Imagine isto: uma jovem de 23 anos, sozinha, saltando de um bombardeiro em pleno céu da França ocupada pelos nazis. O ano era 1944. O nome dela: Phyllis Latour.

Enquanto caía de paraquedas sobre a Normandia, ela carregava mais do que uma missão. Carregava a memória do padrinho assassinado pelos nazis. Ela queria vingança. Mas também queria libertar a Europa.

Treinada pela SOE britânica, Phyllis dominava:

 • Códigos Morse.

 • Rádios clandestinos.

 • Técnicas de espionagem dignas de ladrões profissionais.

 • E a arte de desaparecer sem deixar rasto.

Os homens enviados antes dela foram todos capturados e mortos. Mas Phyllis tinha uma arma que eles não tinham: ninguém desconfiaria de uma jovem franzina vendendo sabonetes de bicicleta. Durante 4 meses, fingindo ser uma simples camponesa, ela pedalou pelas estradas francesas, sorrindo para soldados alemães, enquanto secretamente enviava informações vitais para os Aliados.

Ela dormia nas florestas. Caçava a própria comida. Mudava-se constantemente para não ser capturada. Mas, o mais genial? Phyllis escondia os códigos secretos enrolados em pedaços de seda, guardados numa simples gravata de cabelo. Uma vez, quando foi detida e revistada, ela apenas soltou o cabelo… E os nazis não encontraram nada. Graças a ela, foram enviadas 135 mensagens codificadas guiando com precisão os bombardeios que abririam caminho para o Dia D.

Depois da guerra, Phyllis calou-se. Casou-se. Criou quatro filhos na Nova Zelândia. Eles só descobriram a verdade em 2000, por acaso, pela internet.

Em 2014, no 70º aniversário do Dia D, a França finalmente reconheceu a sua coragem: Phyllis recebeu o título de Chevalier da Legião de Honra.

Essa heroína extraordinária faleceu em 7 de outubro de 2023. Mas seu legado vive.

Phyllis Latour não foi só uma espia. Ela foi prova de que a bravura não tem rosto, nem gênero. É silenciosa, persistente e imortal.Que ela descanse em paz. E que o mundo jamais esqueça as mulheres que lutaram nas sombras para que hoje possamos viver na luz.

5 pensamentos sobre “No meio da hecatombe, uma história inspiradora

  1. Infelizmente a luz que temos hoje e bastante mortiça.
    Ela começou a enfraquecer desde que os herdeiros de Hitler e de democratas mas pouco como Churchill ou as autoridades norte americanas que recusavam o direito de voto a boa parte da população e ajudaram nazis a fugir da justiça deixaram de ter um inimigo de que ter medo.
    A partir daí foi sempre a descer.
    Quem vivia do seu trabalho perdeu direitos.
    E, um pouco por todo o lado, em vez de lutar para os recuperar cada trabalhador, salvo exceções, tratou de odiar o migrante, o negro, o cigano, o homossexual, a mulher emancipada, o diferente.
    E assim cresce a extrema direita.
    Uma extrema direita que hoje não e anti judaica porque não quer ter a perna os carrascos do kidom mas faz a vida negra aos muçulmanos.
    O Ocidente voltou a sua vocação de colonialismo e pilhagem, desta vez com a desculpa de expandir a democracia e o respeito pelos direitos humanos.
    Na linha dos cruzados de outros tempos que supostamente iam espalhar a fé cristã mas na realidade pilhavam tudo o que podiam.
    Países teem sido destruidos uns atrás dos outros. Jugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia, Siria, a lista já vai sendo longa.
    Neste momento o Ocidente assuste impavido e sereno e apoia o genocídio israelita em Gaza.
    Quem critica o genocídio e acusado de antissemitismo e desde ser espancado pela polícia a perder o emprego ou ser expulso de um país se for estrangeiro pode acontecer lhe de tudo.
    Há mais de três anos, com o objectivo de pilhar os recursos do país, está numa guerra não declarada contra a Rússia, utilizando o território da Ucrânia, que ninguém sabe quando e como acabara.
    Quem critica tal coisa e apelidado de Putinista, pro russo e passa as passas do Algarve.
    Por isso de luz temos pouco.
    E ou a malta acorda, passa a dar mais importância a sua vida até a destruição da vida dos outros, sejam russos ou ciganos, ou isto pode correr muito mal.

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