(Por Eduardo Maltez Silva, in Facebook, 04/05/2025)

(Vá lá, divirtam-se com o texto abaixo e não duvidem da honestidade do Luís Montenegro. A Estátua até acredita em bruxas e é por isso que lhe dedica um conhecido poema de Almeida Garrett, declamado no vídeo que segue.. 🙂
Estátua de Sal, 05/05/2025)
Eu tinha uma pequena empresa. Era só para gerir uma herança, muito simples, quase familiar — uma coisinha pequenina.
Tudo transparente.
Na verdade, era uma imobiliária, mas não era bem, porque não vendia imóveis. Era só de nome. Porque era muito séria e transparente… mas depois, afinal, fazia consultadoria. Já nem sei bem a quem. Coisas pequenas e éticas, pois claro.
A minha mulher, educadora de infância, é que tratava de tudo nos intervalos da lida da casa. Também vendia frangos assados, mas era só ao domingo.
No início, não havia clientes com ligações ao Estado. Juro de pés juntos!
Depois, afinal, até havia, mas era antes de eu ser Primeiro-ministro. Ou durante. Mas sem eu saber. Ou eu sabia, mas não mandava. Ou mandava, mas era sem querer. Foram lapsos transparentes.
Não me façam mais perguntas. Não tenho nada a esconder. Vamos a eleições porque não quero responder a perguntas. Está tudo resolvido, pronto.
Fazia consultadoria, claro. Mas ninguém viu os trabalhos. Eram secretos, todos em tinta invisível, por causa da espionagem chinesa… ou dos russos.
Fazia consultadoria para uma empresa de casinos enquanto, por coincidência, legislava sobre casinos. É multitasking. Deixem o Luís trabalhar.
E o pai da pessoa que — por puro acaso — escolhi para candidato à câmara de Braga pagou à minha empresa. Pagou bem. Acima do mercado… mas foi tudo transparente, menos o dinheiro, que esse via-se bem. Tão bem, que até daria para a nora do cliente, que trabalhava na Spinumviva, fazer o trabalho. Mas não fez.
Porque quem é que usa algo grátis quando pode pagar a um político? Já antes fazia consultadorias, mas por coincidência era só a câmaras do PSD. E todas por adjudicação directa. São daquelas coisas que acontecem uma vez em cada mil anos — e calhou-me logo a mim.
Não havia nada a esconder, mas foi tudo escondido da Entidade da Transparência. Várias vezes… Por modéstia, só pode… ou lapso… Ou uma interpretação da lei que me levou, sem querer, a fazer meia dúzia de contas bancárias para movimentar dinheiro. Tudo legal e transparente.
E aquela casa? Era uma reabilitação, claro. Só que foi construída toda de raiz. Uma casinha a cair que virou uma moradia de luxo — porque houve muito amor e betão. Tudo transparente. Até fui à televisão e disse que entreguei todos os documentos. Mas depois esqueci-me de os entregar.
Mais um lapso… tal como aquele de baixar 1.500 milhões no IRS das pessoas, mas esquecer-me de dizer que já incluía a descida de 1.300 milhões feita pelo anterior governo. Quem nunca teve lapsos? São coisas que acontecem… de forma transparente.
Uma das empresas pagava à Spinumviva por um serviço que já estava a pagar à empresa anterior… também minha. É tipo leve dois, pague um… mas ao contrário: leve zero e pague a dobrar.
E os trabalhos? Quem os fez? Bom… não fui eu, porque eu não podia. Deve ter sido à noite, ao deitar, depois de um dia a abanar bandeiras do PSD. Pelas contas da empresa, foi alguém que recebia o salário mínimo, vindo directamente do escritório de advogados do Hugo Soares… é outsourcing transparente intra-partidário. Até agora, ninguém viu um único trabalho feito. Nada. Nem um PDF, nem um PowerPoint, nem um post-it… sinal de que os trabalhos são igualmente transparentes.
Mas sabem que a empresa passou para os meus filhos. Os mesmos filhos que são novos, mas muito bons com computadores. E agora? Agora dizem que os clientes que estavam na última lista já não são actuais. O que quer dizer que há clientes novos… ou isso, ou é como o Observador, que funciona sem ter lucro há vários anos.
Mas não se preocupem. Está tudo sólido e ético. O Cavaco Silva já nos tranquilizou. Está tão sólido e ético como estava o BES. Está tudo resolvido e transparente — tão transparente como os trabalhos feitos que ainda ninguém viu.
Se perguntarem mais, é porque me estão a perseguir. A culpa é dos imigrantes e do socialismo. Vão mas é para a Venezuela. Viva Portugal. Viva o PSD.
Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Claro que eu acredito na honestidade do homem.
Como acredito na suprema necessidade de deixarmos de ter reformas para comprar mos armamento a quem prometeu amputar território de países europeus não descartando uma ação militar, como o Tiranossauro prometeu em relação a Gronelândia, porque se não vêem aí os russos.
Acredito que as vacinas COVID são eficazes e seguras e se não forem assim tão seguras que problema tem isso?
Podemos ter uma morte relativamente rápida e indolor antes da velhice nos roubar qualidade de vida.
E ajudar justamente a que haja o tal dinheiro para comprar armas graças a muita gente idosa e menos idosa morrer um pouco mais cedo.
Não precisamos andar muitos anos neste vale de lágrimas, a sobrecarregar a Segurança Social com reformas, pois também acredito que iremos para o céu quando a nossa hora chegar. Que importa se chegar uns anos mais cedo?
Acredito que os judeus são mesmo o povo eleito de Deus por isso teem o direito a matar ou expulsar todos os que estão nas terras que eles garantem que Deus lhes deu. Quanto as suas vítimas se não obedecem as ordens divinas de não se porem a andar só teem de se culpar a si mesmos se forem vítimas da fúria do povo eleito.
Outras coisas em que acredito? Não há nem nunca houve nazis na Ucrânia.
Acredito sim que os russos são o povo mais cruel do mundo como disse em tempos o douto MST.
Devem ser destruídos e devemos dar aos heróicos ucranianos que nunca foram nazis tudo o que precisam para fazer isso.
Acredito que ninguém quer pilhar os recursos da Rússia muito menos vingar Napoleão e Hitler.
Em que mais e que acredito?
Em unicórnios da cor do arco íris, potes de outro no fim de arco íris e extraterrestres com antenas e verdes.
Se acredito nisto tudo, claro que acredito na honestidade do homem que disse que a nossa vida não estava melhor mas o país estava melhor.
Agora falando a sério. Só acreditaria nisso tudo se tivesse batido com muita força com os cornos numa azinheira.
O homem e um escroque e só vai ganhar as próximas eleições porque temos um povo que culpa os imigrantes de todos os males do mundo e acha a corrupção normal.
Porque ” se eu estivesse lá fazia a mesma coisa”.
O resto e conversa para boi dormir.