E se saíssemos da NATO?

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 11/04/2025)

Nem Portugal nem a Europa têm vantagem em manter-se numa NATO ao serviço dos humores e interesses dos Estados Unidos.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

NATO foi a resposta ocidental ao desastre da Conferência de Ialta (na Crimeia russa…), estavam os Aliados encaminhados para derrotar o III Reich. Perante um Roosevelt em estado de saúde terminal e um Churchill mal preparado, Estaline viu reconhecido o direito de abocanhar todos os territórios que, na sua contra-ofensiva até Berlim, a URSS conquistasse à Alemanha nazi. Assim nasceu aquilo a que depois um despeitado Churchill chamaria a “Cortina de Ferro” — consumada com o bloqueio de Berlim pelos russos em 1948 e a tomada de poder comunista na Checoslováquia no ano seguinte. Para responder a essa ameaça soviética na Europa, a NATO nasceria, assim, em 4 de Abril de 1949, através do Tratado de Washington, uma aliança militar mútua de autodefesa tendo como princípio fundamental o do artigo 5º do Tratado, segundo o qual o ataque a um dos seus membros era um ataque a todos, obrigando à mobilização de todos. O seu raio de abrangência ficou definido a norte do Trópico de Câncer — Europa e América do Norte. Nas palavras do seu primeiro secretário-geral, lord Ismay, o grande objectivo da NATO era “manter a Rússia fora, os Estados Unidos dentro e a Alemanha sob controle”, mas quando a URSS viu recusada a sua entrada e viu a Alemanha Federal ser admitida, respondeu criando o Pacto de Varsóvia, em 1955, reunindo militarmente todos os países sob o seu domínio.

Os dois blocos viveriam desde então 36 anos sem se confrontarem directamente, cumprindo o objectivo estratégico da NATO: dissuasão e distensão (détente). Até que, em 1991, Gorbatchov, vencido e convencido, poria fim à URSS e ao Pacto de Varsóvia. Com o fim de ambas as amea­ças ao Ocidente, discutiu-se na altura se faria sentido a manutenção da NATO ou, em alternativa, se não se deveria convidar a Rússia para a integrar. Ambas as hipóteses foram rejeitadas, mas, em contrapartida, o secretário de Estado americano James Baker prometeu aos russos que a NATO não cresceria “nem uma polegada para oriente”, visto que em Moscovo já não havia um inimigo, mas um parceiro estratégico. Sabe-se o que se seguiu: a NATO nunca mais parou de crescer para oriente, em direcção às fronteiras russas, arrolando no seu seio 14 ex-países membros do Pacto de Varsóvia, mais os historicamente neutrais Suécia e Finlândia, e louvando-se, neste caso, por ter acrescentado mais 1200 km de fronteira com a Rússia. Mas faltava-lhe a Ucrânia, no Sul da Rússia, e a Geórgia, nas suas costas.

Saiba mais aqui

 

Conhecem a minha tese: Putin não quer restaurar o controle sobre o espaço da antiga URSS ou do Pacto de Varsóvia, ao contrário do que nos dizem e do que o PCP imagina e aspira, mas sim o da antiga Rússia Imperial, no que ele considera ser a “mãe Rússia” — a Rússia dos czares e não a dos sovietes. E a NATO quer cercar a Rússia por todos os lados, isolando-a e desgastando-a militar e economicamente. A guerra da Ucrânia resultou do confronto entre estas duas aventuras, quando o Ocidente incentivou a Geórgia e a Ucrânia a aderirem à NATO. A invasão da Ucrânia pela Rússia foi um acto ilegal e intolerável na sua violência, que trouxe a destruição e morte a um país soberano. Mas, podendo evitá-la, o Ocidente preferiu antes provocá-la, tirando vantagens estratégicas da invasão russa com objectivos bem definidos e também à custa dos ucrania­nos. Mas isto são histórias passadas e opiniões pessoais. O que agora me interessa é o papel de Portugal na NATO à luz dos últimos desenvolvimentos. Portugal foi um dos 12 países fundadores da NATO, que actualmente conta já com 32. E, voltando a lord Ismay, a Rússia (já não a URSS) continua de fora, os Estados Unidos dentro ou fora, conforme o seu interesse, e a Alemanha vai rearmar-se a sério com o apoio de todos os parceiros. É outra NATO e é a esta luz que eu levanto as minhas dúvidas sobre o interesse de Portugal em continuar a fazer parte dela. Pelas seguintes razões:

— Não é do interesse da Europa. Marco Rubio veio dizer aos parceiros europeus que há uma “histeria” sobre as intenções de Trump acerca da NATO: afinal ele não quererá abandonar a Europa. Mas um documento do Pentágono conhecido na semana passada diz que os EUA devem concentrar-se no plano único de acorrer a Taiwan em caso de invasão chinesa e, para tal, a defesa da Europa face à Rússia deve ser tarefa essencial dos europeus, para deixarem que os EUA se foquem na região do Indo-Pacífico. Se assim é, a Europa deve avançar para uma estrutura de defesa própria, que poderá ou não contar com os americanos, mas que deverá deixar de ter o comando militar americano e de estar politicamente sob a alçada da NATO. Os EUA só querem o rearmamento da Europa e a manutenção da NATO para que, integrada nesta, a Europa esteja pronta para os seguir na Ásia-Pacífico.

— A Europa não tem dinheiro. A presidente da Comissão Europeia, Von der Leyen, do nada propôs um plano de “rear­mamento” europeu no valor de €800 mil milhões para fazer face à invocada ameaça russa de invasão da Europa. Mas, com excepção do número de ogivas nuclea­res, a Europa, no seu conjunto e com o Reino Unido, já dispõe de superioridade sobre a Rússia em tudo: homens, aviões, tanques, artilharia. Por outro lado, a súbita febre bélica europeia fez esquecer à srª Von der Leyen que tem pendente o Plano Draghi, por si encomendado, e que prevê os mesmos €800 mil milhões para restabelecer a competitividade europeia naquilo que é essencial: reindustria­lização, descarbonização e digitalização da economia, desenvolvimento da investigação e ciência, combate ao empobrecimento demográfico e envelhecimento populacional e defesa do sistema social europeu. A duas despesas juntas não são sustentáveis, assim como os 5% do PIB em despesas com a defesa que os Estados Unidos exigem que os outros membros da NATO passem a gastar para os dispensarem da sua tarefa histórica de defenderem a Europa contra a Rússia. Investir na NATO nas condições determinadas pelos americanos é investir nos seus interesses, em prejuízo da construção de uma defesa europeia não dependente dos Estados Unidos.

— Será que a ameaça existe? Alguém lançou a ideia, outro e outros foram atrás, e tornou-se doutrina não contestável e, essa sim, uma histeria imparável nos areópagos europeus: a Rússia vai invadir-nos. Mas, por mais que nos assustem, até com o “kit de sobrevivência”, ainda não vi ninguém fornecer uma explicação com sentido sobre a vontade, as vantagens e a capacidade militar e económica da Rússia para invadir a Europa — ela que, segundo a inteligentsia ocidental, ao fim de três anos de guerra estará arruinada economicamente e terá já perdido 900 mil soldados em combate, sem conseguir tomar mais do que um quinto da Ucrânia. Os únicos que eu vi propor o upgrade da guerra da Ucrânia para uma guerra europeia foram Emmanuel Macron, ao defender o envio de soldados europeus para enfrentarem a Rússia na Ucrânia, depois secundado pelo cata-vento Keir Starmer.

— Portugal não tem interesse. Uma coisa era fazer parte da NATO quando existia uma ameaça real da URSS na fronteira alemã e em todos os mares, outra é integrá-la face a uma ameaça imaginada por parte da Rússia. Não nos cabe defender especificamente os vizinhos da Rússia, mas a Europa, como um todo, e na proporção da eventual ameaça que enfrentamos: se a Rússia viesse por aí adentro, quando cá chegasse ou a guerra já teria terminado ou já não existiria Europa. Não é, pois, exigível que todos os países europeus gastem a mesma percentagem do PIB em defesa, independentemente da suposta ou real ameaça a que estão expostos: se a ameaça viesse de Marrocos, nós estaríamos na linha da frente; vinda da Rússia, a linha da frente é a Finlândia, os países bálticos, a Polónia — se se sentem directamente ameaçados, cabe-lhes gastar mais. Além de que a posição portuguesa dentro de uma organização colectiva de defesa — europeia ou atlântica — tem de ser conciliável com o específico interesse nacio­nal. E este é pôr à disposição colectiva, como fizemos sempre, o porta-aviões natural dos Açores e defender a nossa parte do Atlântico e as nossas águas territoriais. Para isso precisamos de corvetas, lanchas rápidas, porta-drones, navios-patrulha ou aviões de reconhecimento, e não de mais submarinos, tanques ou os já cobiçados F35 — além do mais, armadilhados pela Lockeed Martin a mando do Pentágono.

— Portugal não tem dinheiro. E depois não temos, nem de longe, o dinheiro que nos exigem, seja para a NATO, seja para o rearmamento europeu, seja para ambos os destinos. Para chegarmos aos 3% do PIB em defesa, vamos precisar de gastar mais €8600 milhões todos os anos; para atingir os 3,5% que exigem já, seriam mais €10 mil milhões, e para chegar aos 5% exigidos por Washington, seriam mais €14,2 mil milhões — um PRR e quase o orçamento anual do SNS. Mas, mesmo que entrássemos nesta loucura despesista, haveria que a seguir resolver um problema: ou se transformava a carreira militar numa carreira de ricos ou não teríamos voluntários para tantas armas. E creio que, neste caso, não seria possível importá-los dos PALOP ou do Bangladexe.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

19 pensamentos sobre “E se saíssemos da NATO?

  1. Vao os nazistas sionistas e quem os apoiar chamar antissemita ao Diabo que os carregue.
    Antissemitas são eles até porque boa parte deles não são semitas de raça mas gente que se foi convertendo ao judaísmo porque lhes dava jeito.
    E ver a brancura perfeitamente ariana que alguns israelitas teem.
    Como alguns idos da Rússia quando aquilo estava uma miséria negra nos anos Ieltsin.
    E outros ao longo dos tempos tão descendentes dos primitivos israelitas como eu.
    O que sem dúvida herdaram dessa primitivos israelitas foi a sua crueldade e o seu desprezo pelos outros povos. Agora raça não.
    Vão ver se o mar da Kraken.

    • Deve ser primo afastado da Ferra Aveia. Quanto a antissemitismo, é ver que as auto-proclamados IDF são actualmente quem mais mata e estropia semitas indiscriminadamente, diariamente. Chama-se terrorismo de Estado, e é na prática uma limpeza étnica e um genocídio, e aliás a acusação do TPI a Netanyahu por crimes de guerra é uma das consequências, com a denúncia da África do Sul.

  2. Claro, reconstruir a União Soviética nos mesmos moldes significaria continuar em guerra com o Ocidente, alvo de sanções, bloqueia vários e ameaça de guerra.
    Para o bandalho ter cérebro era aceitar a conversão ao capitalismo e tudo ficaria bem.
    O alarve matou aulas de história e achou que o seu país seria aceite como igual e não como mais um território a pilhar.
    Como se alguma vez tivéssemos visto os russos como iguais.
    Por duas vezes propôs a adesão do seu país a NATO estando se nas tintas para as destruições que a nefasta aliança já tinha provocado.
    Achava que de qualquer forma o seu país continuava a ser demasiado grande para ser atacado.
    Foi sim falta de cérebro e e por causa também da sua falta de cérebro que estamos metidos no alhada em que estamos.
    Isto tem tudo para não acabar nada bem.

  3. Uma “citação” que a criadagem gosta muito de nos esfregar na tromba é a de o fim da União Soviética ter sido “a maior tragédia geostratégica do século XX”, nas palavras de Vladimir Putin. Daí a conclusão mafiosa e mentirosa de que o mafarrico do Creme Lin pretenderia reverter o processo e recriar a URSS nas antigas fronteiras. E que não se ficaria por aí! Bora cavar trincheiras no Poço do Bispo e Cabo da Roca, para travar o demónio! O que a criadagem vigarista esconde dos borregos que “semos” nós (pensam eles de que) é o que sobre a mesma questão Putin também disse:

    “Os que não lamentam o fim da União Soviética não têm coração. Os que sonham em reconstruí-la não têm cérebro!”

  4. E que tal aquele questionário fascistoide enviado pela administração norte americana a universidades portuguesas?
    Tudo porque mantinham nalgumas delas um espaço de propaganda da cultura americana a troco de uns poucos cobres.
    Já agora, que raio de cultura pode ter para oferecer um país que nem 300 anos tem?
    A comida de plástico, as calças de ganga, a falta de direitos sociais e laborais, a falta de acesso a saúde da maior parte da população, a esperança de vida mais baixa do mundo desenvolvido, a pena de morte?
    Só se for isso. Por mim dispenso a cultura americana pelo que os universitários portugueses não teem nada a perder com o encerramento de espaços de propaganda.
    Valha lhes um burro aos coices.

  5. O menino bem nascido, defensor pateta da bondade dos caçadores, pode, evidentemente, meter uns números e umas datas nos seus artigos e comentários, mas não pode evitar os seus preconceitos e ignorâncias do que se passou na Europa pós 2º Guerra Mundial. Aquela pose de quem sabe é aquela pose do petulante. Os petulantes não sabem, debitam palavras. No meio das observações como a que faz sobre Roosevelt, de facto muito doente mas bem lúcido, e acerca do célebre Churchill, “mal preparado”, orador extraordinário mas político ultraconservador (que teve de ser enfrentado em momentos decisivos, como o que antecedeu o desembarque aliado no norte da França), tem de vir à tona, sempre, o seu estúpido anti-comunismo.
    Evidentemente que se pode ser cidadão decente e contributivo, não comunista e, até, anti-comunista convicto, mas isso exige uma cultura que o jornalista Sousa Tavares não tem.
    Quanto à OTAN (então o Senhor Dr. Sousa Tavares, que escreve de acordo com o antigo Acordo, escreve NATO ?) e a Europa e os EUA continue com as suas homílias. Os Expressos, e as TVII precisam sempre de jornalistas (como as SICS e os CMS) a cuidar da Cultura do Povo.

  6. Segundo a nossa inteligência a Rússia esta
    arruinada economicamente desde que a guerra começou.
    A Rússia não tem interesse em conquistar a Ucrânia a não ser as zonas onde vive gente que seria massacrada se não fosse a invasão russa.
    E por isso e tão difícil avançar porque parente um inimigo que esse sim usa civis como escudos humanos a solução para avançar depressa seria terraplanar os civis e para isso teriam deixado os nazis fazer o trabalho.
    A inteligência ocidental e a mesma que nos garantiu que os russos estavam a desarmar frigoríficos e a combater com pás.
    Credibilidade 0.
    O que não quer dizer que a Rússia tenha algum interesse em invadir uma zona essa sim a beira da ruína económica e por isso entrou em pânico com as ameaças de tarifas de Trump, justamente por ter levado mais de três anos a desviar se de sectores produtivos, a pagar energia mais cara e a despejar dinheiro no atoleiro da Ucrânia.
    E que agora quer mandar tropas para a Ucrânia justamente por ver que e mais fácil o Inferno congelar que os ucranianos que armamos conseguirem a destruição da Rússia que lhes foi encomendada.
    Por isso querem aproveitar a tal superioridade numérica para cumprir o sonho de Napoleão e Hitler.
    A Rússia nunca foi uma ameaça para a Europa Ocidental.
    Se apos ter perdido 27 milhões de cidadãos, a esmagadora maioria das quais civis, para um inimigo que pretendia, tal como muitos europeus pretendem hoje, o seu extermínio quis fazer da Europa Oriental uma zona tampao contra futuras agressões, claro que quis e claro que o fez.
    Muitos governos desses países tinham feito causa comum com os nazis, casos da Romênia e da Hungria e dos Estados Bálticos.
    Nunca houve ameaça soviética, que não precisava desta gente para nada mas sabia do que eram capazes.
    Estaline sabia muito bem quem era Churchill que tentou convencer os americanos a embarcar na ideia de atacar a União Soviética com armas nucleares ou pelo menos estender a guerra desta vez contra a União Soviética.
    O Miguel está, tal como lhe convém, a ver o filme ao contrário, mas valha lhe uma albarda, pelo menos hoje não falou na especial crueldade russa.
    Mas tratou de chamar a colação o PCP, o único partido que não quer embarcar em cortar nas pensões para pagar armas, acusando o de sonhar com a União Soviética. Valha lhe um burro aos coices.
    O que essa malta sonha e com vida decente e sem que voltemos a ser ameacados com a participação numa guerra.
    Porque os 13 anos de guerra colonial sacrificaram toda uma geração e já nos chegaram.
    Quanto a Ucrânia ser um país soberano essa deve ser para rir. A Ucrânia era um país tomado por hordas nazis com ministros nomeados pelos Estados Unidos, a maior parte dos partidos ilegalizados e opositores mortos ou presos. Um paraíso na terra.
    Já agora, a economia ucraniana deve estar florescente sustentada pelo nosso dinheiro.
    Que se preparava para, certamente muito legalmente, fazer no Leste do país o que Israel está a fazer em Gaza.
    Em resumo, va ver se o mar da tubarão branco faminto.

  7. Exemplo, não propriamente de mudanças para melhor, dos tais “salvadores da pátria” que mudam de ideias como quem muda de cuecas: a Ursula da “bazuca europeia”, com a UE vinda de uma recessão e da Austeridade para os “preguiçosos esbanjadores do sul”, é a mesma que depois vem apregoar vacinação e confinamentos compulsórios como salvação dos povos europeus da pandemia, e repressão sobre quem não respeitasse esses ditames, ao mesmo tempo que dizia “vai ficar tudo bem”, que depois se tornou a Ursula da histeria russófona e da guerra até ao último eslavo, custe o que custar e dure o tempo que durar, que depois se tornou a Ursula do Plano Draghi para o desenvolvimento da Europa, que agora é a Ursula do Rearm Europe… despem a pele e vestem outra à medida das campanhas de propaganda e desinformação vigentes. Tudo isto com o rótulo de “moderados”.

    • *histeria russófoba
      De notar que as restrições orçamentais da Austeridade vão à vida para Rearmar a Europa – e só para isso, começando na própria Alemanha, o “berço” do “rigor orçamental”. O que diria o Schäuble aos seus “bons alunos”…

  8. Então, vai buscar a ideia que o PCP defende desde sempre (a saída de Portugal da NATO, pois os interesses portugueses não coincidem com os americanos – nem nunca coincidiram, mas pronto, faz de conta para os atlantistas do avental), e aproveita para mandar boca ao PCP… já não se fazem plagiadores armados em pioneiros como antigamente, mas idiotas como este existem muitos… não só isso, como utiliza argumentos defendidos do PCP para contraria os planos armamentistas e belicistas da UE e dos governos dos estados-membro, como se não estivesse a replicá-los, até do ponto de vista orçamental e do perigo que representam para o estado social, sendo que praticamente todos os outros partidos aprovam ou são receptivos ao Rearm Europe e às exigências de Trump para financiamento da NATO.

    Mais a mais, não são os comunistas que anseiam pelo restabelecimento da Rússia nas antigas fronteiras do Pacto de Varsóvia, visto que ideologicamente sabem que Putin está quase nos antípodas do socialismo e do comunismo, como recentemente afirmou Paulo Raimundo no debate com Rui Tavares para as legislativas de Maio. Pelo contrário, são os europeístas das democracias liberais, quer dos partidos do arco da governaçao, centristas, quer nos de direita, e também alguns de esquerda, ou seja, a maioria dos partidos políticos europeus, que anseiam pela expansão sem fim da NATO não só até às fronteiras da Rússia, como para lá destas. As excepções são, paradoxalmente, alguns partidos de extrema-direita e de direita conservadora, e também o Partido Comunista Português, que ao contrariar esse desígnio quase totalitário, é colocado na mira dos propagandistas da Guerra “custe o que custar, dure o tempo que durar”, tão apregoada pelos auto-intitulados “moderadas” ou “democratas moderados”. Este é o paradoxo que Miguel Sousa Tavares, na sua habitual incapacidade ou parcialidade analítica, não consegue discernir.

    Diz também que a Europa com o Reino Unido, à excepção das ogivas nucleares, tem superioridade em tudo o resto em relação à Rússia, homens, aviões, tanques, artilharia, etc. Ora, parece que desconhece as tecnologias de armas hipersónicas, como por exemplo o Oreshnik, a mais recente inovação já utilizada, e que tornam obsoletas várias das armas e dos mísseis que alega colocarem a Europa em vantagem. Sabemos também o que tem acontecido aos tanques e à artilharia que tem sido remetida para a Ucrânia, acabando habitualmente em pilhas de sucata e com Zelensky a requisitar, a pedir (e a implorar) por mais.

    Sobre a cooptação de antigos oficiais e agentes nazis para cargos de topo e de chefia na NATO, e noutras agências federais americanas e internacionais, a Operação Gladio que incidiu particularmente no leste europeu, nem uma palavra… não deve ter lido essa parte da História, ou se a leu, resolveu omiti-la, como tão habitualmente fazem os congéneres paineleiros/opinadores de serviço.

    Enfim, o que mais abunda por aí são “grandes visionários” como a Clarinha Ferreira Alves e o Miguel Sousa Tavares, incapazes de ter visões coerentes e sustentadas de longo prazo, sempre a navegar na espuma dos dias, sempre dispostos a copiar ideias válidas, e ainda a rebaixar ao mesmo tempo quem primeiro, e muito antes deles, as apresentou e defendeu, para substituir as decrépitas e obsoletas teses das agências de desinformação e propaganda que ajudaram a propagar. Assim vão despindo uma pele e vestindo outra, mais consentânea com a realidade que lhes foge amiúde, por viverem no mundo da fantasia.
    É um dos problemas da comunicação social e da política em geral, são sempre os mesmos a apresentarem-se como “grandes intelectuais” ou até “salvadores da pátria”, dizendo num dia o contrário do que defenderam no anterior, quando percebem que vão perder estatuto se continuarem a dizer as banalidades e boçalidades que tão prontamente defendem quando estão na crista da onda mediática.

  9. É pena que não tenha resistido à boca foleira – e falsa – dirigida ao PCP, o bombo da festa sempre à mão de semear.

  10. Este homem, que todos conhecemos pela grosseria, a que ele chama de frontalidade, até quando acerta,…o faz pelas razões erradas.
    O PCP é sempre visado e denegrido, mesmo quando não tem nada a ver com o tema, o anticomunismo primário emerge por todos os poros, omite as partes da história que lhe estragam a retorica e o pensamento (se é que este não fica bloqueado com o vermelho), mesmo que seja o do benfica, e mesmo assim, acerta!
    Espantoso como se pode ser tão, tão, que me faz lembrar uma brincadeira de crianças, que diziamos que do cruzamento de um burro com um pirilampo nasceria um asno com ideias luminosas.

    • “do cruzamento de um burro com um pirilampo nasceria um asno com ideias luminosas”

      Genial, pá! Não conhecia, mas é genial! E absolutamente adequado à prosa e à criatura! Bendita Estátua, que todos os dias me surpreende com uma insuspeita criatura pensante nova!

    • Realmente, não fala de política nacional, mas logo no início lá está o coice dado ao PCP, ainda por cima com uma mentira.

      E de mentiras está esta verborreia cheia, por exemplo:

      “A invasão da Ucrânia pela Rússia foi um acto ilegal e intolerável na sua violência, que trouxe a destruição e morte a um país soberano”

      TANTA MENTIRA JUNTA!!

      Nem a Ucrânia é soberana, pois desde o golpe dos EUA em 2014 que a Ucrânia é um regime ILEGÍTIMO e 100% VASSALO.

      Nem a destruição e morte foram trazidas pela Rússia, mas sim pelos Nazis e golpistas apoiados pelo ocidente que COMEÇARAM a guerra em 2014 contra CIVIS.

      Nem a violência é intolerável, pois o povo do Donbass está a defender-se de uma agressão, e portanto a Rússia tem o direito de os ajudar, e a resistência violenta é um DIREITO HUMANO!

      Nem a invasão é ilegal, pois foi a resposta justificada à violação da paz de Minsk, entre 16 e 24 de Fevereiro de 2022, por parte dos Nazis e golpistas Ucranianos apoiados pelo ocidente.

      É incrível como se pode mentir tanto. E isto é um texto de um gajo que, dentro do curral dos USAtlantistas e EUropeístas, até é dos que não mentem tanto quanto a média da bicharada…
      Mas lá está, naquele curral, o zurrar aldrabão é-lhes tão natural como respirar.

      Hoje há guerra em Sumy. Não porque a Rússia o queira (lembremos que a Rússia saiu totalmente de Sumy na Primavera de 2022 quando queria negociar um acordo de paz), mas porque os Nazis e golpistas apoiados pelos ocidente decidiram invadir Kursk. Para quê? Para nada. Um erro sob todos os pontos de vista, exceto o da propaganda.

      A invasão de Kursk foi totalmente derrotada, e agora a Rússia tem a obrigação de criar em Sumy uma zona tampão. Já controla um bom pedaço dentro do oblast de Sumy. E vai continuar a avançar.

      Nessa tarefa JUSTIFICADA, houve um bombardeamento na cidade de Sumy, buma zona civil.
      Porquê?
      Porque numa universidade se reuniram nazis e golpistas apoiados pelo ocidente, para uma celebração (!) com gente das Forças Armadas Ucranianas.
      Ora isto é um alvo militar, os pró-Russos em Sumy deram a informação, e a Rússia lá acertou com os seus mísseis.

      Rebentou um escândalo na Ucrânia, com acusações, ameaças, e troca de culpas.
      Nessa zanga de comadres ficou confirmado o crime de guerra Ucraniano (alvo militar em zona civil), e erro mortal (concentração de militares num só sítio), e uma estupidez sem limites (famílias: civis e crianças – no mesmo local).
      Resultado: houve baixas civis.

      Ora, perante isto, o que dizem os animais que habitam no mesmo curtal que o Miguel Sousa Tavares?
      *ai ai ai o Putin é mau, não se pode atacar Sumy, mataram civis de propósito*

      É a esta gentalha de devemos dar ouvidos e espaço mediático? É nesta gentalha que devemos confiar e votar?
      Não e não!

      Força Rússia em geral, e força povo do Donbass e Crimeia e Kursk em particular! Z

      Quanto à pergunta sobre a NATO, é óbvio que Portugal deve sair da NATO. Não é defensiva, não lé democrática, não é livre, nem é sequer decente nem lógica!

      Portugal, tal como Irlanda, Áustria e Suíça, não precisa de NATO para se manter seguro.
      Muito menos de se endividar e cortar serviços públicos de forma a gastar ainda mais na guerra, só para dar armas a nazis e lucro a porcos imperialistas USAmericanos.

      Portugal tem é de ser neutral, pacífico, democrático, livre, independente, soberano, e anti-fascista e anti-imperialista. Ou seja, cumprir a Constituição de 1976, e sair da organização militar em que a DITADURA FASCISTA IMPERIALISTA nos meteu em 1949.

      Ah, e convidar as marinhas Russa e Chinesa a terem presença permanente nos nossos portos, acima de tudo na Madeira e nos Açores. Não queremos cá imperadores invasores como acontece na Gronelândia…

      A Rússia e a China nunca invadiram nem ameaçaram invadir Portugal, ao contrário dos EUA, Reino Unido, França e Espanha!
      E a Rússia e a China nem glorificam nazis, nem cometem genocídio, ao contrário dos “democratas” ocidentais.

      Eu escolho o lado mais decente!

Leave a Reply to Whale projectCancel reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.