(Carlos Esperança, in Facebook, 12/03/2025)

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O governo saído de um golpe palaciano urdido no gabinete do PR, através do parágrafo da PGR, Lucília Gago, chegou ontem ao fim.
O XXIV Governo entrou em funções com os indicadores económicos e sociais em alta e com a folga orçamental destinada ao resto da legislatura que o PR não deixou concluir, e a exiguidade do apoio fê-lo esbanjar os recursos numa campanha eleitoral permanente, à espera da queda e de novas eleições em que responsabilizasse o PS, depois de este lhe ter evitado a derrota da eleição do presidente da AR que tinha acordado com o Chega.
Conseguiu aprovar o OE/2025 e resistir a duas moções de censura sob chantagem ao PS e avisado de que nunca lhe aprovaria uma moção de confiança.
Quando os negócios particulares do PM e as avenças foram descobertas por jornalistas, Montenegro recusou dar esclarecimentos, e o PS pediu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aos seus negócios nebulosos.
O medo de perder o prestígio alcançado com os recursos herdados fê-lo apresentar a tal moção de confiança para obrigar o PS a fazer o que prometera, responsabilizando-o pela queda do Governo, e impedir o PSD e o PR de substituírem Montenegro, em tempo útil, por alguém mais íntegro. Foi a fuga em frente.
Em plena AR, o Governo andou a negociar a CPI, alheia à sessão, para retirar a moção. Foi assim que a decadência ética do PM arrastou para a lama os ministros habituados às conversas de bastidores, o PSD, ele próprio e o regime democrático, com o PR refém. E os eleitores viram as negociatas, que queriam às ocultas, tentadas sob as câmaras da TV.
Finalmente, o PR, sucessivamente desconsiderado pelo PM, acabou a fazer-lhe o último e iníquo favor, dissolver a AR sem dar tempo às oposições de escrutinarem os negócios de Luís Montenegro para não lhe retirar a hipótese de ver sufragado o seu comportamento, como se a vitória eleitoral pudesse absolver a delinquência que há de ser apurada.
Tudo, pois, gente séria e independente na comunicação social propriedade do grande capital, a contrastar com as nefastas redes sociais! A gente bem os entende na denúncia que destas fazem, onde o Zé Povinho ainda vai encontrando algum espaço de liberdade para se fazer ouvir. Há que submetê-lo ao pensamento único, o dos interesses do dito capital! E o pior é que, ainda, há quem se diga de esquerda e alinhe no mesmo diapasão da denúncia das «maléficas» redes sociais! Vejam, por exemplo, quanto «maléfica» será a «Estátua de Sal»!
Claro que o homem sabe que está a mentir. E certamente tem razão. Sabendo o sujeito a situação precária em que os jornalistas estão esta a dar um aviso a navegação.
Ou se portam bem e fazem o frete bem feito na campanha eleitoral que já começou ou va para o olho da rua.
Esta gente perdeu mesmo a vergonha no focinho.
Até me doem os ouvidos com o clamor de indignação dos “jornalistas de esquerda” da Tugalândia a noticiar isto:
https://youtube.com/shorts/lNNDmLbmNA0?si=KCKSL7hiGY85HIk9
Amanhã tenho de marcar uma consulta no otorrinolaringologista, desconfio que fiquei com os tímpanos furados. Pobre de mim, é só despesas!
O Mogais Sagmento é um mentigoso. Ele não vê esquerdismo nenhum nos jornalistas portugueses. Ele está farto de saber que a quase totalidade dos jornalistas portugueses serve os interesses da direita, faz fretes à direita, baixa as calças à direita, faz fellatios à direita. Quando bolça conscientemente a aldrabice em referência, o que pretende é que os jornalistas portugueses receiem perder o emprego, se o patrão pensar que são de esquerda, e se tornem ainda mais caninamente direitolos. Um aldrabão é um aldrabão é um aldrabão! Um vigarista é um vigarista é um vigarista! E o Mogais Sagmento pensa que somos todos parvos! O resto é paisagem e barulho das luzes!
Excelente, e como é óbvio, sem tirar nem pôr. E ainda faz aquela cara de mau, que mais parece a de quem está sentado incomodamente, com um furúnculo no traseiro.
Realmente é preciso ter batido com os cornos numa azinheira com muita força para ver esquerdismo em pelo menos 99 por cento dos jornalistas e órgãos de comunicação social que por aí anda.
E digo 99 por cento numa estimativa por baixo.
O Sarmento perdeu uns boa oportunidade de não mandar asneiras pela boca fora e ir ver se o mar da choco.
Sim, o que ele disse é qualquer coisa que não faz sentido absolutamente algum.
Se eu afirmasse que as Faculdades de Direito e as de Economia e/ou Gestão, agora conhecidas como “Business Schools”, para fins de sonoridade e severidade de nomenclatura (o tal inglesismo para deslumbrar pategos e parecer que é uma coisa sofisticadíssima e de classe superior) eram manipuladas e formatadas para formar fanáticos de Direita, com disciplinas específicas para o efeito, acusavam-me de ser um ultrapassado “velho do Restelo”, um perigoso esquerdopata ou até um ignorante, um burgesso sem a tal “literacia financeira”, a mais importante literacia para o “homem moderno”, segundo esta mentalidade neoliberal que contamina todos os aspectos de relação com a realidade, ao ponto de ser mais importante que a mentalidade natural e ambiental. Depois andam todos a bater com os cornos em azinheiras, fazem uns cálculos muitos complicados às despesas de tratamento hospitalar, mas não sabem dizer qual era a espécie e quantos anos tinha a árvore, se é autóctone ou uma espécie exótica.
“Business as usual”, já dizia o mestre em literacia financeira, Donald Trump, um dos maiores crânios do mundo, mais a sua mascote que tem uma mola no braço, Elon Musk “Marte bem antes de 2030”. Génios do outro mundo, literalmente.
É um triste figurino, de “gente de bem” à portuguesa, cheia de “princípios e valores”, de que não abdicam, claro.
Ser de direita e pertencer a um governo ou ter sido governante em Portugal é um salvo-conduto para ficar livre de prestar contas (até em Tribunal), mas trabalhar muito no crescimento das suas contas bancárias no acumulado de funções (públicas e privadas) em que, ubiquamente, se desdobram. Também para dizerem as coisas mais destrambelhadas, absurdas (e até forçadas, chochas) para defenderem este modus vivendi que é a sua imagem.
Ontem no meio do zapping dei por mim a apanhar Morais Sarmento, com a cara de enfado do costume, mas ainda mais aborrecido e sorumbático. E o que o arreliava? Provavelmente a queda do Governo e as exigências a Montenegro de mais explicações, numa situação que ele próprio, com a cobertura dos seus, se enredou. Mas não só. E o que dizia tão sério ex-ministro? O seguinte: “os jornalistas em Portugal são todos de esquerda, parece que há uma cadeira no curso de jornalismo que os formata assim”, qualquer coisa parecida a isto, que não anotei a prelecção por não estar para ela preparado. Vejam bem que está deturpação da realidade, este insulto à inteligência das pessoas (mesmo as que concordam com esta estupidez, há dementes para tudo) foi dita como censura implícita, e como acusação de enviesamento ideológico aos jornalistas. Que há bons e péssimos, como em todas as profissões. Mas é uma afirmação pouco criteriosa, baixa e sem discernimento, um pouco à imagem do que é este PSD deslumbrado com o poder e apanhado com as calças na mão. A culpa é dos jornalistas serem de esquerda, e o que era para ser uma governação softcore de 4 anos a atirar para o púdico acabou em pouco mais de um, numa produção de hardcore de 3.º escalão cheia de acrobacias a gozar com os portugueses!
Mais a mais, esse senhor Morais, quase sempre parecendo meio alheado da realidade, finge que não sabe que neste país pululam jornais de categoria duvidosa mas com claras inclinações direitistas, e nem falo do Diabo, e até alguns que se incluem entre os “jornais de referência”. E houve até uma explosão relativamente recente desse tipo de orgãos de CS, com essas linhas e políticas editoriais assumidas. Aos mais antigos Expresso, Visão, Sábado, juntaram-se Sol, I(qualquer coisa), Observador (este até tem estação de rádio) e por aí fora, num leque que vai da direita mais snob e pretensamente séria à mais trauliteira e populista. E nem vou falar dos folhetos de distribuição gratuita, alguns com ligações directas aos partidos de direita.
Já nem falo dos apresentadores de info-tainment das televisões em horário nobre, os Josés Rodrigues dos Santos, os Rodrigues Guedes de Carvalho, e os seus convidados habituais, que não sendo alguns jornalistas, os substituem ou ajudam a reportar conteúdos ditos jornalísticos, mas produzidos por políticos avençados, os Mário Crespos, até os Nunos Rogeiros, os Paulo Portas. Uma larga fatia deles, provavelmente mais de metade, e sem muito esforço a enunciá-los e contá-los, de… direita. Qual foi “a cadeira que tiveram de tirar na faculdade”? Sabemos que a honestidade intelectual da direita está pelas vias da amargura, mas não é preciso passeá-la nas ruelas da perdição, pronta para tudo, até para acabar a boiar no rio ao nascer do dia.
Mais uma falácia para juntar a tantas outras pronunciadas por aqueles que julgam ter salvo-conduto para deturpar, enganar, omitir e dissimular, sempre dentro dos “excelsos princípios” e “nobres valores” de conduta. Quem quiser que os ampare, é por ali.➡️
Esqueci-me de referir a deferência com que é tratado o demagogo-mor do reino, André Ventura, nas suas múltiplas aparições e entrevistas em todos os canais, sejam em estúdio seja em reportagens de eventos, talvez o mais destacado mesmo quando não era ainda o terceiro partido com mais deputados. Tanto jornalista de esquerda, e eis que nenhum o confronta (será medo de perder o emprego), lhe desmonta os truques retóricos e as falácias, as artimanhas de desinformação e propaganda que semeia.
Tudo isto serve para mostrar até que ponto campeiam os direitolas encartados na comunicação social, que até podem colocar em causa a formação e a idoneidade dos jornalistas, antes que estes façam perguntas incómodas e os exponham pelo que são. É, segundo estes iluminados do populismo de direita, “enviesamento ideológico e político” dos jornalistas, logo eles que são tão sérios, castos, e não têm enviesamento ideológico nenhum. E os jornalistas estão cada vez mais enredados em lógicas corporativas e de acumulação de controlo sobre a informação, que como sabemos, é tudo um bando de esquerdistas com o cio. Enfim, se a estupidez pagasse impostos, os pobres viviam bem e os ricos também, aqui na Pategónia. É tanto spin-off que por uns dias até fiquei zonzo.
Também podia ter referido a orientação política e ideológica da esmagadora maioria dos grupos de comunicação social, para não dizer todos, com os seus canais televisivos, desde que houve a licença para as televisões privadas operarem, com o aparecimento da SIC e depois a TVI. A primeira pertencia a Pinto Balsemão, ex-Primeiro-Ministro do PSD, e a TVI começou por ser um canal com ligações à Igreja, depois adquirida por capital espanhol (se não estou em erro, a MediaCapital, o próprio nome diz tudo, um conglomerado de corporações onde se concentram múltiplos orgãos de comunicação social) e o seu director é um tal de José Eduardo Moniz, esse perigoso promotor de “esquerdismo”, revolucionário dos 7 costados. Entretanto até fundiram a TVI24, no cabo, com a CNN Internacional, para recuperar audiências e lhe dar um aspecto mais sofisticado e menos antiquado, mais dinâmico e moderno, respaldando os conteúdos informativos e usando a rede internacional de repórteres da CNN quando é preciso.
Agora, com os canais por cabo, além da SIC Notícias e TVI24, mais antigas e associadas às canais generalistas originais (que também veiculam informação) temos a CMTV que, tal como o tablóide em papel, explora o sensacionalismo mais básico, as tais “percepções”, com casos de faca e alguidar a toda a hora, onde André Ventura ascendeu como comentador de clube de futebol, ou melhor, cartilheiro tendencioso e grande apologista de Luís Filipe Vieira, à falta de espaço mais amplo noutros canais, e de programa político assumido (ainda nem existia Chega). Foi aí que ganhou destaque a sua oratória ululante e a sua capacidade de iludir idiotas. Agora temos ainda o NOW, que pouco difere da CMTV, talvez com um pouco menos de “tabloidismo”. mas igual ou pior facciosismo político. Os “jornalistas com enviesamento ideológico de esquerda”, segundo Nuno Morais Sarmento, vão-se revezando duns canais para os outros, alguns fazem estágios nos canais dos clubes, como por exemplo uma Estela Machado, que saltou da RTP para o Porto Canal (deviam pagar-lhe muito bem e dava jeito para elevar o nível e o prestígio, as caras ajudam a vender as mensagens, mas no fundo limitam-se a repetir o que é produzido nas redacções e nas edições de informação) e agora está na CNN.
Tudo manipulações da esquerda sobre o jornalismo, que assim, coitado, deixa de ser legítimo aos olhos dos excelsos e castos democratas de direita (quase todos eles filhos de famílias de “bem”, herdeiros de vários nomes e legados, com boas e pródigas infâncias, habituados a ter tudo de mão beijada), e que começam desde as Faculdades, quiçá o 10.º ano, ou o 7.º, o seu enviesamento político-ideológico, criando disciplinas nos programas curriculares para o efeito, de forma a obter mais tarde os frutos.
É o que digo, andam a brincar com isto e não é de agora! Maus hábitos adquiridos, sobranceria, prepotência… e muita, muita estupidez e ignorância. Mas a culpa tem de ser sempre dos outros, neste caso dos “jornalistas-esquerdistas”.