Marcelo, Montenegro e a decadência ética do regime

(Carlos Esperança, in Facebook, 09/03/2025)

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Marcelo, na sua exuberância e narcisismo começou o primeiro mandato em Belém com a satisfação de quem votou nele somada à dos que viram na sua chegada, urdida durante os longos anos de comentador, o reverso de Cavaco.

Tal como tinha tecido a sua vitória eleitoral, paciente e sabiamente, depois dos desaires eleitorais no PSD e na Câmara de Lisboa, preparou a sua década de oiro: levar o PSD ao poder e sair de Belém com a popularidade de Mário Soares para tertúlias e palestras que o aguardariam graças à sua preparação intelectual, relações e carisma.

Tudo lhe correu bem até que, na pressa, a ansiedade o turvou depois de várias patifarias políticas que a popularidade encobria. Passaram a correr-lhe mal os cenários que teceu.

Furioso, parecia o Ventura a dar posse ao terceiro Governo de António Costa, depois da maioria absoluta, efeito secundário de uma dissolução escusada da AR. Veio depois o parágrafo saído da reunião com a PGR e, em vez de debilitar Costa, expulsou-o. Não contou com a honra ferida, a ética não é o seu forte.

Depois de duas dissoluções da AR o PR Marcelo levou 50 deputados ao partido fascista e um PM do PSD ao Governo, não exatamente o que queria nem quem desejava.

A chegada de Montenegro, quando havia muito dinheiro cativado para todo o mandato do PS, deu-lhe a popularidade que delapidou. Foi aqui que os negócios e a empresa, que criou para eles, ensombraram a sua honra pessoal arrastando consigo a dos ministros que o acompanham e ligaram o seu destino ao dele.

Montenegro, enredado na teia de suspeições, com avenças de casinos e gasolineiras que andaram de mão em mão até aos filhos e a situação idêntica à de Manuel Pinho, negou-se a a dar explicações. E, em vez de se demitir e pedir desculpa, arrastou o Governo, o PSD, o PR, o regime e o País para a lama.

Com o PR e o PM desacreditados, e o país a acreditar num almirante de que se ignora o pensamento, qual D. Sebastião, não é só a desonra do homem que preside ao Governo que está em causa, é a decadência ética do regime que ameaça a democracia.

A crise não nasceu no Governo, nasceu, cresceu e rebentou numa empresa suspeita de contratos com câmaras do PSD, de receber avenças e, parece, de traficar influências a partir da casa de Espinho, do telefone e da sociedade do PM com a mulher e filhos.

E, à semelhança de Trump, Montenegro prefere arrastar o País para eleições esperando lixiviar comportamentos censuráveis com uma vitória eleitoral. Trump teve um triunfo avassalador.

5 pensamentos sobre “Marcelo, Montenegro e a decadência ética do regime

  1. Enquanto Zé Povinho, limitado na minha intelectualidade, há uma coisa que não compreendo face ao «cenário» descrito pelo autor, nomeadamente quando afirma que o regime, o país, se encontra num «lamaçal»: mas não nos disseram que o 25 de novembro, ainda recentemente evocado na Assembleia da República, salvara o país do tenebroso PREC, que o metera no bom caminho, um caminho cheio de virtudes democráticas?🙄

  2. Isso deve ter sido quando os democratas ensaiaram a trapalhada de um impeachment que não passou ou quando nas eleições intercalares se prometia um dilúvio democrata que não se verificou. Coisas das sondagens.
    Foi mesmo preciso esperar até 2020 para por lá o senil cuja camarilha nos meteu numa alhada sem tamanho que ele já não tinha taramanhos para nada.
    Agora o Tiranossauro está tão atravessado em tantos bons espíritos que e natural que seja chamado até para as trapalhadas montenegrinas que parecem anedota e dignas da pior república das bananas.
    Seria uma alegria se a próxima tentativa de assassinato do homem resultasse. E não seria pela impunidade que está a dar aos assassinos israelitas mas pela que não quer dar aos assassinos ucranianos e europeus.
    Isto é que vai aqui uma açorda.

  3. O último parágrafo faz muito pouco sentido. Quando é que Trump arrastou os EUA para eleições antecipadas? Tem um extenso rol de crimes, malfeitorias, tropelias, bacoradas, incitamento à rebelião, etc… mas esta situação do PM não tem semelhança ou relação com as aventuras e desventuras de Trump. Compadrio, negociatas, “trabalhinhos” em desrespeito pelo regime de exclusividade, o regime jurídico, e a constituição do país. O Trump não é para aqui chamado.

  4. Toda a conduta de Montenegro me parece estranha. O homem achou que ninguém ia reparar?
    Não são só as avenças. O homem não podia pelo menos ter lido como deve de ser o regime de incompatibilidades dos titulares de cargos públicos?
    Também não me parece que o homem volte a ganhar as eleições. O que me preocupa e a subida ainda maior do Chega que vai resultar disto.
    O homem pouco mais fez nestes meses de governação que se colar ao discurso da extrema direita normalizando o.
    Não é preciso ter grande poder de análise para saber para onde irão os votos que saírem do PSD.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  5. Concordo com a análise.
    Mesmo que, inacreditavelmente, Montenegro venha a ter uma vitória eleitoral, esta não poderá servir para lhe lavar a escabrosa conduta anti-ética em que incorreu enquanto chefe do executivo. A comissão de inquérito terá sempre de ir avante.

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