Spinumviva, o saco montenegrino

(Tiago Franco, in Facebook, 01/03/2025, Revisão da Estátua)

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Andei a tentar descobrir mais qualquer coisa sobre a empresa de Montenegro e, curiosamente (ou não), a melhor investigação foi feita pelo Pedro Almeida Vieira no Página Um (ver aqui).

Fico sempre desconfiado quando empresas faturam muito dinheiro sem quadros profissionais que o justifiquem e, na área de negócio, colocam resumos tão genéricos que cabe lá tudo e um par de botas.

Também não conheço muitas empresas com atividade legal estabelecida, e grande faturação, que nem um site com informação básica disponibilizam.

Esta conferência de imprensa de Montenegro foi absolutamente lamentável. Passa para a oposição o ónus da crise política, não esclarece absolutamente nada e foge das perguntas.

Há uma diferença entre um político ter vida (emprego) para lá da política, algo que se deve até incentivar, e a criação de empresas manhosas que não são mais do que autênticos sacos azuis para pagamento de lobbies e tráfico de influências. É este o nome da suspeição que a oposição teima em não dizer em voz alta.

Um primeiro-ministro não pode receber avenças de uma empresa cujo funcionamento depende da regulação do Estado. Ponto final. Mudar a empresa para outras mãos (familiares) não muda absolutamente nada. Primeiro a mulher e agora os filhos. Vale zero.

Montenegro foi apanhado, como outros foram apanhados antes dele, com a mão dentro do saco. A saída escolhida foi dizer que era sério, muito honesto…mas que não responde a perguntas. E que este governo é ótimo, com a obra já descrita do último ano em ritmo de pré-campanha, e que apenas o desejo de instabilidade da oposição resultará numa queda do governo.

A vitimização está montada, a jogada política também e, ao que parece, o PCP caiu nela. Pelo meio, o escândalo de um PM que foge às explicações, quando é apanhado num claro e escandaloso caso de incompatibilidade.

Num país a sério este governo não durava mais uma semana. Por outro lado, num país a sério, Montenegro nunca teria chegado a Primeiro-ministro.

17 pensamentos sobre “Spinumviva, o saco montenegrino

  1. -E já agora, alguém me responda, pois, como simples Zé Povinho, serei, certamente, limitado na minha compreensão de certos fenómenos políticos , por que é que tendo havido uma cabala, como há quem defenda, com o conluio do MP, visando o derrube de António Costa enquanto primeiro-ministro, este, corajosamente, como um verdadeiro líder político, a quem nada na consciência lhe pesava, não enfrentou os seus detratores, os autores dessa pretensa cabala, mantendo-se firme no lugar? Por ter sentido que, passando a ser investigado judicialmente, deixara de ter condições políticas para no lugar de primeiro-ministro continuar, uma vez que seria alguém sempre sob suspeita e a dignidade do cargo não poder comportar alguém nessas condições? Aceitando-se a justificação, não deixará, contudo, de perguntar-se qual a razão, uma vez que judicialmente continua a ser investigado, não se tendo, consequentemente, assistido ao encerramento do seu processo por falta de quaisquer provas, para, ao invés, já sentir que reunia condições políticas para Presidente do Conselho Europeu ser? Os portugueses que poderiam, dada a sua situação judicial, desconfiar da honorabilidade dele enquanto primeiro-ministro, já dela não desconfiariam na qualidade de presidente do Conselho Europeu, como se sob a tutela da UE não se encontrassem e lhes fosse indiferente a honorabilidade de quem quer que fosse a ocupar este último lugar? Se os de cá poderiam suspeitar, já os de lá não e esses é que contavam para António Costa?
    Pessoalmente e até que alguém, eventualmente, me faça ver que erro na minha análise (assumo a minha limitada condição de Zé Povinho e consequentes erros que possa cometer), António Costa, ainda que ideologicamente dele podendo divergir, mas que me habituara por tê-lo como uma pessoa intelectualmente honesta, acabou por revelar-se, face aos fatos atrás descritos, mais a forma como, na primeira oportunidade, renegou aqueles partidos políticos que, depois de Passos Coelho, o haviam levado ao poder, como uma autêntica, «fraude política», só equiparável à de um Durão Barroso, que tendo chegado a primeiro-ministro e encontrado, segundo ele próprio, o país de «tanga», em vez de tanga, com o seu saber e labor, o tirar, antes logo o abandonou, trocando-o pela ribalta de Bruxelas! Tudo gente patriótica, pois!

    • É uma leitura possível, mas de qualquer modo as suspeitas que recaíram sobre AC, com o comunicado da PGR, e com o PR Marcelo não aceitando a substituição do PM AC, mantendo o Governo em funções, estw colocou o lugar à disposição. O erro não está aqui, mostrou desapego do poder, não esquecer que o governo de maioria absoluta estava a ser torpedeado desde o início do mandato pelo PR, a PGR, a oposição e a “turma do periscópio”.
      O erro que apontas é a falta de coerência em aceitar o cargo de Presidente do Conselho Europeu, quando recusou continuar a governar com as suspeitas/acusações veladas que lhe fizeram. É um ponto a ter em conta, e desprestigia as funções nas instituições europeias. Também o próprio AC que não resistiu a “dar o salto” e melhorar as suas condições, quer a nível de remuneração e mordomias, quer na imagem e no prestígio que sempre está inerente a cargos supranacionais (por muito discutível que isso possa ser), além de funcionar como uma espécie de “coito”, de armadura institucional, que leva a PGR a empurrar com a barriga as investigações e a sua conclusão até às calendas gregas
      Porém, por muito discutível que seja tudo isso, essa fase já passou, outro governo de coligação está no seu mandato, com uma maioria relativa que o torna mais vulnerável, mas sem os ataques do PR (em silêncio sepulcral), da PGR (gri gri, gri gri), e com o maior partido da oposição com medo do “ónus das eleições antecipadas”, o Chega que ganhou expressão com 50 deputados descredibilizado por várias investigações e casos policiais bombásticos, que até expurgou um deles por ser “tóxico” e é agora deputado independente, e tudo isto é muito conveniente para um governo de casas, casinhas, casinos e um PM avençado envolvido num imbróglio de promiscuidade política que manifestamente o “atrapalha” publicamente e não sabe resolver, recorrendo a omissões, artimanhas, vitimização, desresponsabilização e desfaçatez. Está é a situação actual do governo deste país, uma espécie de Pategónio onde quem ilude mais pategos, pregando valores e princípios que claramente não tem, é rei. E o rei vai nu. É Carnaval e ninguém leva a mal… e já vale tudo, até atirar areia para os olhos.

      • «AC mostrou desapego ao poder».
        Pois claro, não podendo acumular os dois, o de PM e o de PCE, desapegou-se, naturalmente, do primeiro para ficar com o segundo mais «sedutor»! 🙂

        • Outros houve que saltaram directamente de um cargo (PM) para outro semelhante (PCE, mas o C é de Comissão e não de Conselho), sem qualquer perseguição da PGR, do PR ou da corrosiva oposição, nem sequer houve estágio intermédio (“stand by”). Aí não houve qualquer desapego, foi o grau 0. Foi mesmo troca directa, “anda cá José Manuel”, “ok, adeus, vou-me embora para Bruxelas”.

          E depois foram parar à Goldman Sachs como prémio final por apoiarem a invasão do Iraque pelos EUA e seus aliados (a Ucrânia também lá andou nas 1001 noites de Bagdad, inclusive), ainda como PM de Portugal (cimeira das Lajes). Antes assim. Até porque não era totalmente certo o resgate de AC pela UE. Aqui o factor decisivo foram as “contas certas” que AC deixou aos que agora lá estão, o “controlo do défice” tão do agrado dos eurocratas.

          • E eu a pensar – mas pronto, não passarei dum, intelectualmente, simples Zé Povinho -, que haveria nomeações que não ocorreriam de um dia para o outro, como as dum PCE, mas eram cozinhadas com tempo nos corredores do poder, podendo, a partir dum dado momento, um bom «jogador», e, há que reconhece-lo, AC não deixará os seus créditos por mãos alheias nessa matéria, adivinhar para onde o vento nos ditos corredores estaria a soprar!:)

            • Pois “os ventos nos ditos corredores”, quando o Toni ficou em “stand by”, por sua iniciativa própria, também poderiam ter conseguido que fosse “directamente para a prisão”, num estágio semelhante ao do Sócrates, por “perigo de fuga”, ou de “interferência com a investigação” do processo Face Oculta, se não me engano na nomenclatura. Já não seria o primeiro Primeiro-Ministro retirado a passar por esses “trâmites”, ainda por cima do mesmo partido e antecessor, do qual ele foi ministro adjunto. Ou pensas que a Procuradora lhe garantiu salvo conduto, e os procuradores lhe desejavam uma “carreira lá fora”, ao fresco como um lord? Não acredito nisso… e a UE deu-lhe uma mãozinha, não fosse o Costa do controlo do défice ficar numa qualquer lista negra que o denegrisse enquanto político “bom aluno”.

  2. Concordo em pleno com o Albarda-mos.
    Os Xuxas já não conseguem limpar a imagem de corruptos que os Carlos Alexandres criaram em conluio com os Mérdia, mesmo sem corruptores, ou mesmo provas de crime.
    No entanto, os miseráveis da direita podem-se espojar na merda à vista de todos, em flagrante delito, que ninguém lhes toca, seja com submarinos, montes brancos, modernas, licenciaturas tiradas com equivalências ridículas…
    Já estamos habituados, mas será que não há colhōes para apertar estes filhos da puta? Estão assim tão protegidos?
    Acho piada ninguém se lembrar que também existem jornalistas e juízes corruptos.

  3. Já agora, quanto à lenga-lenga do “ónus” de partidos políticos provocarem eleições legislativas antecipadas, não deixa de ser mais um sinal da hipocrisia reinante. Qual foi o “ónus” do Presidente da República ter provocado eleições antecipadas, ameaçando um governo de maioria absoluta (que não foi eleito com o meu voto, fica a nota), desde o primeiro dia, de o dissolver? Será por causa desse ónus que agora anda caladinho, como é pouco habitual em alguém tão (in)fluente?
    E qual foi o ónus da Procuradoria Geral da República, que não é um orgão político, representada na pessoa da Procuradora Geral, ao ter publicado uma nota de imprensa, com um parágrafo vago e insinuante, com suspeições sobre o ex-primeiro-ministro, agora dirigente do Conselho Europeu? A senhora já não está lá, apenas e só porque terminou o seu ciclo e o actual governo apontou outro Procurador Geral, e é como se já não tivesse qualquer responsabilidade nessa matéria (desapareceu do radar). “Fez o seu trabalho”, não foi?
    Mas eis que, subitamente, provocar eleições antecipadas ao governo actual se tornou um “ónus político”, quase um tabu. O PPD-PSD e o Chega não o fizeram constantemente, apelando à dissolução do governo quando eram oposição, fosse por mote próprio ou incitando perseguições de todo o género (mediáticas, políticas, jurídicas, etc)? Recorrendo muitas vezes a difamação, alegações dúbias, retórica populista, até calúnias e insultos soezes e grosseiros? Não falo do CDS-PP neste caso porque nem sequer tinha representação parlamentar, apesar do palco televisivo que tiveram muitos “centristas” e “democratas-cristãos” nesse período… mas também a IL alinhou por esse diapassão. E sabem o que aconteceu, depois do governo cair e haver eleições? Todos eles acabaram por aumentar a representação parlamentar… “e esta, hein?”
    Sim sim, é tudo muito “credível” na comunicação social de massas, tudo muito rigoroso e científico, sempre que criam uma lenga-lenga nova e a fazem circular a toda a hora por tudo o que é canal, repetindo-a até a exaustão por quase todos os “alinhados” que nesses programas participam… só falta agora aparecerem as tão “credíveis” sondagens e estudos de opinião, das Pitagóricas e das Católicas deste mundo.

  4. Sobre a evidente contradição entre chumbar a moção (real) de censura, quando não deixaria passar uma imaginária moção de confiança, ouço a presidente do grupo parlamentar do Ps a engrolar uma justificação: “não é mesma coisa”. Dou comigo a concluir: para o Ps, o governo não é de confiança e isso não é suficiente para ser censurável!
    Num país a sério…

  5. “Num país a sério este governo não durava mais uma semana. Por outro lado, num país a sério, Montenegro nunca teria chegado a Primeiro-ministro.”

    Apresentar esta conclusão depois de se dizer que o PCP caiu numa “jogada política” ao apresentar uma Moção de Censura a este Governo e a este Primeiro-Ministro (depois de muitos outras posições sempre contrárias aos mesmos, em coerência), é no mínimo contraditório, e no máximo hipocrisia e areia para os olhos.

    Para quem anda sempre com os “valores e os princípios” na boca, como slogan de “credibilidade”, de virtuosismo, e pregão de moralidade, não deixa de ser supremamente irónico ver as declarações do Primeiro Ministro avençado e de toda a direita a dar-lhe cobertura, tanta cambalhota em tão pouco espaço de tempo, dos que exigiam declarações de transparência aos governantes da maioria absoluta que foi deitada abaixo em conluio entre a Procuradoria Geral da República e o Presidente da República, sempre em marcação cerrada a todos os ministros de António Costa, desde que foram eleitos e sem ainda tempo para demonstrar serviço (quem não se lembra da pressão prematura de Marcelo sobre a Ministra da Administração Interna, da Saúde, a exigência de demissão de João Galamba, etc?).

    Quanto ao Chega, está imerso nos seus próprios problemas e tenta usar os do PSD e do CDS, que formam governo, para os dissimular, assim como os partidos do governo usam os do Chega para se limparem a eles. A IL finge ser o bastião da moralidade, mas na prática compactua com este modus operandi da direita, nas negociatas e compadrios, que já estão tão enraizados na cultura política portuguesa que são quase inseparável. É a tal “sede de ir ao pote”, os BPN, os BPP, as Tecnovias, o BES, as privatizações mal explicadas (CTT, EDP, TAP, etc) tudo aquilo que são os métodos de serviço à capitalização de quem, afinal, lhes paga as avenças para tratarem disso e de si próprios, quando chegam ao poder, seja nas autarquias, seja nos Governos (Portugal e Regiões Autónomas).

    Para concluir, e sem entrar nas “tecnicalidades” desta situação de promiscuidade política que é tão absurda quanto óbvia, que é tão nociva para a democracia e as instituições quanto programada, friamente e metodicamente executada pelos seus actores e realizadores (haverá outras ocasiões para o abordar e muita coisa já foi evidenciada por especialistas com muito mais conhecimento jurídico e técnico), e só para realçar a hipocrisia reinante entre eles, deixo a questão: já repararam que “de repente” se deixou de falar em “percepções” de insegurança, criminalidade e corrupção generalizada?

    Já reparam que agora as “percepções” e os “sentimentos” dos portugueses, face ao que se soube pela investigação ao Primeiro Ministro dos orgãos de comunicação social, sem que ele tenha contribuído para o cabal esclarecimento dessas situações dúbias, deixaram de contar para o totobola, e já não justificam acções policiais, ou programas em todos os canais sobre “percepções” (que não se baseavam em factos e números rigorosos, como nesta situação)?

    A única “percepção/decepção” que lhes interessa agora é a comenda ou a medalha da “ordem” que o Macron veio atribuir a Luís Montenegro, num gesto diplomático de quem tenta premiar um comparsa com quem acaba de fazer vários negócios do armamento? Pois é, tudo bons rapazes… e lá vão eles governando(-se)… enquanto enganam os pategos com campanhas mediáticas de manipulação sem fim…. há “percepções” e há “decepções”…

    • Completamente de acordo com o Albarda. O seu comentário é daqueles que realmente esclarecem e acrescentam conteúdo ao debate, valorizando-o. Este caso Montenegro vem demonstrar que em hipocrisia o PSD está na linha da frente.

  6. Passar a culpa para o PCP, da falta de coerência dos outros, é recorrente. Um pouco de vergonha, era bem vinda, se a tivessem. Já agora, leiam o comunicado

  7. Sublinho a atrás dito
    e mais acrescento
    Se “a jogada política também e, ao que parece, o PCP caiu nela” for uma mentira muitas vezes repetida passará a ser uma verdade inquestionável

    Só que, nem sempre o que parece, é

    É melhor ler o comunicado!

  8. Como se a falta de….coragem do PNS em passar a moção de censura e a correlativa falta de…coragem do Montenegro em propor a moção de confiança se ficassem a dever ao PCP. É melhor ler o comunicado.

Leave a Reply to VieiraCancel reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.