Mais do Diário da Diana – 12 anos – escola C+S da Musgueira

(Carlos Esperança, in Facebook, 28/01/2025)

(O texto que segue é mais uma deliciosa e pertinente alegoria. Provavelmente mais ancorada na realidade do que seria desejável. Os meus parabéns ao Carlos Esperança.

Estátua de Sal, 28/01/2025)


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Ontem, o meu pai chegou muito satisfeito e bebeu a garrafa de vinho toda ao jantar, e não bateu à minha mãe nem a mim:

Que grande homem o Dr. Trump, que já expulsa os imigrantes, que roubam empregos a americanos como os paquistaneses roubam passageiros ao meu táxi. E, quando os países recusam recebê-los, não os invade, dispara tarifas e logo aceitam, até oferecem o avião do Dr. Presidente para os ir buscar. É preciso expulsar imigrantes algemados e manter as boas tradições dos barcos negreiros, agora nos aviões.

O Dr. Trump é que sabe. É contra quem vive à custa dos americanos, não é como nós, só nos salvamos quando voltarmos a ter um presidente almirante e um professor de Direito a governar. Já não falta muito e agora já todos estão a ver. Foi por isso que só convidou o André para a posse. É o único de quem gosta e que merece.

O Dr. Montenegro quer evitar os imigrantes, mas é frouxo, não é como o André. Já não falta muito para ir à vida como o Dr. Costa. Só era preciso voltar já a eleições, mas o Dr. Marcelo teme insistir na receita.

O meu pai regozijou-se com a visita do Dr. Mark Rutte, homem grande em tudo, que veio a Portugal falar com o Dr. Montenegro para satisfazer o Dr. Trump e obter 5% do PIB para lhe pagar a defesa da Europa contra a Rússia. O Dr. Rutte não gostava do Dr. Trump, mas agora diz que é melhor do que o Dr. Biden e quer trabalhar para ele.

É fácil poupar 5% para comprar armas ao Dr. Trump, basta não esbanjar dinheiro no Estado Social, Saúde e Educação, muito menos com imigrantes, e o Dr. Trump não quer europeus a aprender russo ou chinês, quer que aprendam americano como os ingleses.

Além disso, o Dr. Rutte, que podia falar com o Dr. Montenegro na Europa, veio cá para o Dr. Nuno Melo lhe dar os planos para recuperar Olivença, e levá-los para ensinar a Ucrânia a recuperar a Crimeia. Disse que o Dr. Melo é que sabia os planos do Atlântico Norte ou Atlético Norte, não percebi bem.

O meu pai adora o Dr. Trump e o Dr. Elon Musk. Este quer que os alemães voltem a ter orgulho no que fizeram no passado, tal como os portugueses quando defendiam o nosso Ultramar infelizmente perdido, antes de o entregarem a pretos e russos.

O Dr. Trump tem ideias excelentes para a paz, quer despachar as pessoas de Gaza para outros países, o que é uma boa ideia para evitar conflitos, como provou o Dr. Stalin com os tártaros da Crimeia para a Sibéria. Só há guerras de houver dois lados.

E foi para o café a esfregar as mãos, eu sempre tive razão… ainda hei de ver os largos, ruas e praças 25 de Abril a mudar de nome para: Dr. Trump – o Deportador.

Quis perguntar ao meu pai quem é o Dr. Miguel Arruda, que tem 1 curso, 2 mestradas e 17 malas, mas tive medo de levar uma sova. É o que sucede quando se arrelia comigo. E hoje não escrevo mais nada.

Musgueira, 28 de janeiro de 2025. Diana.

18 pensamentos sobre “Mais do Diário da Diana – 12 anos – escola C+S da Musgueira

  1. Quero começar por congratular o Carlos Esperança pelo tipo de registo que adotou na sua crónica. De facto, dado o estado desolador em que nos encontramos, penso que a sátira é um dos caminhos que devemos privilegiar e também penso que a sua inteligente utilização não apouca, bem pelo contrário, a gravidade do que está implícito nas entrelinhas.

    Assim, de uma maneira geral as críticas feitas nos comentários que li não me parecem ajustadas; mais ajustado seria incentivar este tipo de registo para que mais pessoas elaborassem e transmitissem as suas ideias sob esta forma, que não é fácil, exige inteligência e sofisticação, numa palavra: engenho e arte.

    Ate pelo conteúdo dos comentários, vê-se que existe conhecimento relevante nos comentadores, mas por vezes não é devidamente explorado e até organizado; aqui será bom não esquecermos que o meio é mensagem e o modo como se diz também diz.

    Voltando agora ao conteúdo da crónica, parece-me que a referência aos Tártaros deveria ter tido uma salvaguarda que remetesse para o diferencial de contexto. Não teve e foi pena; mas eu compreendo que a censura a que estamos sujeitos é tal que se entranha, e tendemos, com mais frequência do que o desejável, a antecipar criticas que nos possam fazer. Além disso, como os partidos de esquerda, esquerda, se esqueceram, em momento oportuno, de fazer o trabalho de casa e de explicar às pessoas o contexto em que ocorreram muitas das trapalhadas da União Soviética, ficamos desarmados e caímos em esparrelas, deste tipo e outras, que poderíamos evitar.

    Resumindo: Parabéns pelo tipo de registo assumido na crónica; obrigada pelos comentários que enriqueceram a matéria abordada, com a ressalva de esperar mais cuidado na sua exposição, e maior capacidade para resistir a descambar numa espécie de insulto fácil que devemos deixar para os nossos adversários, que não tendo argumentos sólidos a eles recorrem, nós não precisamos!

  2. 5 por cento, podíamos perguntar ao filho da Ursa Maior onde e que quer que gente como nós ou a Grécia os vamos buscar mas o grande traste já explicou.
    E só ir ao pote das reformas, da saúde e da educação, afinal de contas já o Salazar dizia que a malta só precisava aprender a ler, escrever e contar. Neste caso deverão também aprender a marchar e usar armas daí que já se ladre pela necessidade de derreter ainda mais dinheiro garantindo serviço militar obrigatório.
    Ou alguém pensa que quartéis ou tendas, armas, fardamento, instrutores para todos os nossos jovens com picha vão sair de graça?
    A saúde pode se poupar muito se a Lei da Eutanásia sair de vez da gaveta e aposto que essa brilhante ideia foi bichanada pelo Rutte pois que na sua terra milhares de pessoas por ano deixam de onerar os sistemas de saúde as vezes décadas antes.
    Quanto a reformas, deve se sempre optar pelo envelhecimento activo por isso se algum chegar aos 80 anos logo se vê.
    Se for assim até se conseguem 10 por cento para termos armas para derrotar os russos e roubar o que eles teem.
    Para o traste isto tem tudo para correr bem assim sejamos capazes de fazer sacrifícios em nome do bem maior que e a destruição da Rússia.
    E sim, a Crimeia nunca foi dada aos tártaros oficialmente mas a Rússia conseguiu chegar a uma certa medida de acordo no sentido de que deixassem de congregar gente de outras regiões para fazer as tais redadas que chegavam a capturar 20 mil de cada vez.
    Enfim, que ficassem sossegados.
    E ate ao advento do nazismo resultou.
    No caso dos russos não eram só os muçulmanos que se achavam superiores e tinham o direito de os caçar, eram também os cristaos católicos e, mais tarde, protestantes, por isso tinham também os traficantes de escravos grosso mercado a Ocidente.
    Serem considerados subhumanos por todos nós foi sempre a maldição da Rússia que sempre pagou com invasões visando o extermínio.
    O que esta malta se esquece também e que boa parte dos tártaros de hoje também não quer nada com os nazis exceptuando um ou outro.
    Quanto do referendo sobre a anexação do território a Rússia esta gente confiava no voto tártaro para que a resultado não fosse tão desfavorável as pretensões ucranianas e talvez houvesse quem pensasse em voltar a arma los.
    Um jovem de pouco mais de 20 anos, cujas declarações hoje nunca passariam, cortou as ilusões que ainda existissem, “nos vamos votar sim no referendo. Porque os russos não nos vão tratar tão mal como aqueles nazis que tomaram o poder em Kiev”.
    Curto e grosso ate porque não o deixaram dizer mais.
    Esperava se um grande êxodo tártaro para a Ucrânia, lá se desencantaram uma família ou duas mas a grande fuga nunca aconteceu.
    Coisas da vida. Nem sempre a realidade se molda ao que estes trastes querem.
    E a realidade e que se os nazis ucranianos se armaram durante oito anos para este conflito a Rússia apesar de ter esperado demais para lhes cair em cima talvez a espera de ver se esta gente percebia que o tempo do saque já acabou também não ficou “a coçar o grelo”.
    Daí ter se preparado para as sanções garantindo auto suficiência alimentar e apostando em armamento que permitisse impedir os nazis de entrar em triunfo em Moscovo por muito que armassemos os nazis com armas e mercenários.
    E assim temos uma guerra que nos esta a sair cada vez mais cara e por isso temos esse nazi de merda a mandar nos cortar a vida para financiar a guerra.
    Não o mando ver se o mar da tubarão branco porque o pobre bicho podia morrer envenenado.
    Mas se lhe caísse uma bigorna nos cornos não se perdia nada.

  3. Há coisas que não me entram na cabeça. E admitindo que há cabeças em que entram, vejo apenas uma explicação: são cabeças gruyère, com mais buracos do que cabeça.

    Vem isto a propósito das veementes declarações do palhaço Rutte, mordomo-geral da NATO, sobre a alegada “insuficiência” dos famosos 2% de investimento em defesa por parte de cada um dos países membros, “ordenando-lhes” praticamente que aumentem tal despesa para pelo menos 3%.

    Ora acontece que o molusco que periodicamente é escolhido para mordomo-geral da NATO deve essa escollha exclusivamente à vontade alegadamente democrática dos países membros, países esses que decidiram colectivamente, há alguns anos, fixar a percentagem em 2%, não tendo havido, depois dessa decisão colectiva, qualquer outra a alterá-la.

    Assim, se a única, e última, vontade colectivamente expressa pelos países membros refere 2%, a que propósito, e por que porra de carga de água, é que o empertigado criadito, esticando o pescocinho e aparentemente por sua única e exclusiva vontade e iniciativa, sem qualquer mandato para tal, desata subitamente a falar em 3%, a guinchar 3%? E porquê 3 e não 3,5, ou 4, ou 4,5, ou outra porra de número qualquer?

    E se o comportamento do molusco é tão notoriamente anómalo para os parâmetros por que teoricamente se rege a organização alegadamente defensiva, se a parvoeira é tão evidente e chocante, que porra de vírus infecta a mioleira de jornaleiros e comentadeiros que os impede, sem uma única excepção, de pedir ao Montenegro, ao Melo ou ao Rangel uma explicação para o que sai da bocarra do mordomo? Que puta de bactéria extraterrestre os impede de apontar o óbvio e berrar aos quatro ventos: O CABRÃO DO REI VAI NU! SUA EXCREMENTÍSSIMA MAJESTADE ESTÁ EM PELOTA!

  4. As opiniões são diferentes. E ainda bem que assim e. Para unanimismo já chega os que acreditam que temos de cortar na saúde para comprar armas.
    Talvez por eu também ter tido como pai um grunho desses que chegou a ser de esquerda mas acabou por ver a luz do fascismo puro e duro primeiro por via daquele partido fugaz do Ramalho e depois porque e mais fácil dizer grunhices contra pretos, imigrantes e outros do que ser decente gostaria que a personagem central tivesse sido outra.
    No meu tempo as grunhices eram outras com elogios ao Dr. Suharto, júbilo ante coisinhas como o linchamento de uma certa criatura da Transilvânia que gramei quando tinha uma idade próxima da Diana e muito menos ingenuidade pois que para 12 anos essa Diana parece me muito poucochinha, júbilo com a miséria sofrida pelos imigrantes de Leste, “éramos uns malandros mas agora teem de vir para cá ser trolhas”.
    Um sujeito que se gabava das atrocidades que cometera como soldado no Ultramar contando coisas como o enterramento de gente viva, gente que era barbaramente espancada, guerrilheiros capturados que não chegavam vivos aos campos de concentração, velhos mortos e as cabeças espetadas em paus enquanto os filhos tinham de ir trabalhar nos campos para os colonos.
    Neste momento nem sei se o grunho e vivo se e morto.
    Cresci e consegui livrar a minha mãe do grunho e a última vez que soube dele por interposta pessoa sei que tinha Alzheimer a sério e nem se lembrava que eu tinha existido nem da aleivosias que nos fez.
    Vou limitar me a não ler mais “Diários da Diana” porque me levam a um tempo cruel. E para conhecer o que e o grunho e o que e crescer com um grunho não preciso de “Dianas”, “Maneis” ou outras complicações.
    De resto continuamos por aqui. Ninguém disse que a vida era fácil.

  5. Sim, os meninos ricos também levam no focinho, e não pouco.
    Só que esses doutores não são incomodados pelas Comissões de Proteção de Menores e outras coisas que acabarão no dia em que os grunhos chegarem ao poder.
    Porque nada como umas boas sovas para enrijar os meninos e ensinar as meninas qual e o seu lugar desde cedo.
    São realidades terríveis que não devem ser tratadas com ligeireza e até um certo tom de deboche.
    Portugal e um dos países do mundo dito desenvolvido que mais maltrata crianças.
    E todas essas vítimas merecem respeito por muito que queiramos retratar a realidade do grunho.

  6. Sem contar que por muito que espelhem certas realidades estes textos parecem tratar com ligeireza a realidade efectivamente cruel que sofrem milhares de “Dianas” por esse país fora e noutras latitudes.
    Aqui há uns anos falou se do caso de um miúdo de 11 anos já não sei em que terra do Demo nos Estados Unidos que usou uma das muitas armas que o fascista do pai tinha em casa para lhe dar o competente tiro nos cornos.
    Era um do tipo que votaria no Dr. Trump se houvesse tal personagem corria para aí o ano de 2012.
    As autoridades do Estado queriam cometer a barbaridade de julgar a criança como adulto, barbaridade que por lá e perfeitamente legal, o que permitiria que o moço pudesse até ser condenado a morte e executado quando tivesse idade para isso.
    Toda a gente sabia que o miúdo era espancado e submetido a castigos cruéis que visavam fazer dele “um homem”.
    Pelo que os vizinhos achavam que o moço não merecia tal destino. “Ele metia me medo, a mim e a outros vizinho. Imagino ao miúdo”, assim resumia um deles a coisa.
    Por respeito a todas as crianças como esta e que vivem um terror em casa, onde toda a gente se devia sentir segura, convinha arranjar outra personagem.
    Podia ser um correligionário do grunho, um migrante, um empregado do grunho, alguém com idade pelo menos para procurar uma vida longe do grunho.
    Não uma criança como tantas outras. Uma criança que a própria curta idade torna indefesa.
    Também neste país há uns anos uma miúda de 16 anos matou o pai a tiro. Foi há muito tempo, talvez há uns 20 anos ou mais.
    Tinha oito anos quando o paí foi preso por matar a mãe. Viveu na casa da família sem o grunho com o apoio de familiares. As recordações que tinha do pai eram de terror, uma sova por tudo e por nada e até abuso sexual.
    Uma justiça demasiado branda soltou o traste ao fim de oito anos mandando o de volta a casa e a filha que só tinha tido sossego enquanto ele estivera preso. Um tiro de caçadeira resolveu a questão.
    As histórias das “Dianas” ou dos “Maneira” podem acabar da pior maneira possível ou um pouco menos mal.
    Mas as sequelas, os traumas, ficam lá e sao uma guerra que acompanha as vítimas até ao fim dos seus dias.
    Por isso, Dr. Esperança, mude de cabra.

    • “Por respeito a todas as crianças como esta e que vivem um terror em casa, onde toda a gente se devia sentir segura, convinha arranjar outra personagem.”

      Não concordo contigo, Whale. O autor tem todo o direito de ridicularizar um energúmeno adulto através do discurso ingénuo da criança que ele oprime. Em nada diminui a criança, que como criança que “é” tem discurso de criança, numa “crónica” do seu dia-a-dia que é igual ao de milhares de crianças por esse país fora. Crónica que, aliás, retrata também o dia-a-dia de milhares de mães de crianças como ela.

  7. Eu cá por por mim, tenham lá paciência, mas acho que o senhor holandês Rutte tem razão em reclamar mais percentagem do nosso PIB para se comprar armas aos americanos e impedir, assim, que os russo anexem as nossas Berlengas e cagadelas de gaivotas que por lá não faltarão, que se diz serem um bom estrume para a agricultura , seja 2% ou 5%, até mais, bastando a gente deixar de andar a gastar dinheiro em copos e mulheres, como ele, certamente, terá recomendado aos nossos primeiro-ministro e presidente da república, que, sorridentes e respeitosamente, lhe terão agradecido a lembrança!🥸

  8. Mas esses voltaram ao passo que a maior parte dos desgraçados palestinianos expulsos das suas terras nunca lhes foi permitido lá voltar.
    Os tártaros fizeram desde sempre a vida negra aos russos, as atrocidades escrituras até por escritores europeus, como Júlio Verne em Miguel Strogoff aconteceram mesmo, os trastes faziam verdadeiras razias para caçar escravos, queimavam casas, campos e tudo o que não pudessem levar.
    Os russos acabaram por lhes dar a Crimeia para ver se os sossegavam e a primeira oportunidade fizeram causa comum com os nazis e foi um fartar vilanagem.
    E ver o que fez agora o povo eleito a dois milhões de desgraçados, o que Churchill fez aos bengalis, o que nos fizemos as populações africanas para ver o que lhes teria acontecido com muita outra “gente de bem” e “o exército mais moral do mundo” para ver o que lhes teria acontecido se não fosse por aquele sanguinário comuna.
    Quanto ao porco do Rutte não há maneira de alguém enfiar uma bomba nos polders dos Países Baixos. Aposto que e agora que a lei da eutanásia sai da gaveta. Assim poupa se em saúde o suficiente para pagar ao tiranossauro para que a guerra nazi contra a Rússia continue.
    Comam merda e morram.
    Desculpem lá o azedo mas a panela já encheu.
    Não os mando ver se o mar da tubarão branco porque o pobre bicho podia morrer envenenado.

    • Caro Whale, tanto quanto sei, a Crimeia nunca foi entregue aos tártaros pelos russos, para os sossegar. Os muçulmanos tártaros foram maioritários na Crimeia durante alguns séculos, mas parece que o seu desporto preferido, e também a sua principal actividade económica, era, como muito bem lembras, a caça de escravos em raides às regiões vizinhas. As vítimas desses raides eram as populações que viviam para norte e para oeste da Crimeia, maioritariamente eslavos cristãos ortodoxos de que os actuais russos e ucranianos são descendentes. Num desses megarraides chegaram a arrebanhar, de uma só vez, mais de 20 mil escravos.

      (Parênteses: a mania da superioridade de umas religiões sobre outras não é, infelizmente, exclusivo dos nossos queridos eleitos nazionistas e serve apenas para disfarçar interesses económicos, de rapina, de esbulho da propriedade alheia, como aconteceu com a divina e heróica missão de levar a palavra do Deus cristão aos “selvagens” que serviu de álibi ao colonialismo europeu. A convicção dos tártaros da Crimeia na superioridade do islamismo sobre o cristianismo, dos islamitas sobre os cristãos, foi certamente uma ferramenta muito oportuna e útil, que facilitou o seu “direito” de transformar outros seres humanos em simples mercadorias.)

      A maioria dos escravos arrebanhados a norte e oeste pelos tártaros da Crimeia era vendida para Bizâncio, mais tarde para o Império Otomano, reinos europeus, Norte de África, etc. Mas, entre os desgraçados que ficavam a servir senhores tártaros na própria península, surgia inevitavelmente gente com profissões que se tornavam uma mais-valia para o funcionamento da região. Alguns desses escravos acabavam por se tornar homens livres e constituir família, na maioria das vezes juntando os trapinhos com mulheres da mesma origem, escravas cuja liberdade compravam ou cuja liberdade era oferecida por proprietários mais generosos. Há gente boa em todo o lado, é uma coisa que nenhuma religião conseguirá alguma vez erradicar completamente.

      Ao longo de séculos, o processo de escravização e posterior libertação de alguns desses escravos eslavos (cristãos russos e ucranianos) pelos seus donos levou a uma lenta mas progressiva alteração demográfica na região e os tártaros começaram a ver a sua dantes confortável maioria, e inerente domínio, sofrer paulatina mas inexorável erosão. Julgo ter sido a consciência dessa evolução demográfica negativa (para eles), e a vontade de a reverter, ou travar, sem olhar a meios, que levou à sua colaboração com o nazismo alemão no massacre de centenas de milhares dos seus concidadãos (e muitas vezes vizinhos) eslavos. Saiu-lhes o tiro pela culatra? Problema deles. Quem semeia ventos colhe tempestades, é da sabedoria universal. A prova de que parece não terem aprendido nada é o seu presente alinhamento canino com os palhaços nazis de Kiev, acreditando burramente que conseguirão chutar os sacanas dos pretos das neves para a Moscóvia e ficar com tudo o que é deles.

  9. Em tempo – Estas Cartas da Diana têm piada e fazem-me recordar as deliciosas Redações da Guidinha, de Luís Stau-Monteiro, São na pitada de bom humor nestes thempos tenebrosos. Ridendo Castigat Moris (rindo se castigam os costumes)

  10. Pois … O espaço não terá chegado para referir a “Doutrina do Destino Manifesto”, que levou ao acantonamento em reservas dos ameríndios sobreviventes da gloriosa marcha para o Farwest, de que o Dr Trump é discípulo, tal como os doutores que o apoiam, similar ao destino reservado aos palestinos para permitir a implantação da Grande Israel prometida a Abraão e seus descendentes, até ao .Armagedom

  11. “Dário” ou “Diário”?

    Destoa um bocadinho o lamento pelos tártaros coitadinhos da Crimeia, deportados para a Sibéria no fim da II Guerra Mundial. Poderá ter sido excessiva a medida, o que é discutível, mas convém contextualizá-la e lembrar que resultou da sua colaboração com o nazismo hitleriano na ocupação e massacre de centenas de milhares de russos e ucranianos da Crimeia, seus compatriotas e muitas vezes vizinhos de bairro, na altura, com o mesmíssimo objectivo do actual nazionismo dos eleitos: limpeza étnica e genocídio, dois em um. Afinal de contas, os pobres tártaros queriam apenas ficar-lhes com as terras e as posses, nada de mais. Ajudar os nazis a assassiná-los foi apenas um mal necessário, né? Sofreram na resposta “apenas” uma limpeza étnica e safaram-se do genocídio, haverá quem diga que até não perderam muito no “negócio”.

    Já agora, e sem certezas absolutas, julgo que não foram deportados para a Sibéria mas sim para o Azerbaijão ou outra das então repúblicas soviéticas maioritariamente muçulmanas.

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