Como a Síria foi destruída e o que vem por aí

(Raphael Machado in Twitter, 08/12/2024)


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Turquia, Israel e EUA deram um golpe de mestre e infligiram uma derrota estratégica à Síria, à Rússia e ao Irão no Oriente Médio, basicamente transformando a Síria em uma Líbia.

Para entender como isso foi possível, sem se demorar muito no histórico de mais de uma década de conflito, é necessário recordar que a guerra internacional contra a Síria (que nunca foi uma guerra civil) começou a partir da Primavera Árabe, em que ONGs financiadas pelo Ocidente agitaram parte da população contra o governo e, em coordenação, grupos salafistas foram discretamente armados e financiados pelo Catar, pela Arábia Saudita e pela Turquia.

Assad então começou uma guerra sangrenta contra, simultaneamente, mais de três dúzias de diferentes grupos terroristas e separatistas pipocando em diferentes partes do país, com as piores situações do outro lado do rio Eufrates com os curdos, no noroeste da Síria nos arredores de Idlib com forças salafistas apoiadas pela Turquia, eventualmente o ISIS no deserto perto do Iraque, druzos perto de Golã apoiados por Israel, e milícias salafistas apoiadas pelos EUA no sudeste, na fronteira com o Iraque.

Inevitavelmente, em poucos anos essas forças terroristas e separatistas chegaram a se apossar de 70% da Síria, até que Bashar Al-Assad, a contragosto, pediu ajuda à Rússia e ao Irão.

Com o apoio do Hezbollah, das milícias iraquianas, das Forças Quds do Irão, lideradas pelo General Qassem Soleimani, do Grupo Wagner e da Força Aérea da Federação Russa, Assad, que do contrário inevitavelmente seria derrotado, conseguiu recuperar o controle de aproximadamente 70-75% do país.

Para o Irão, a Síria era fundamental no projeto do Eixo da Resistência que levava do Irão ao Líbano e permitia ao Irão se projetar como um dos polos no mundo multipolar, eixo ao redor do qual se organizaria um Grande Espaço Imperial.

Para a Rússia, a Síria era fundamental por seu papel na garantia logística da Marinha Russa bem como parte de um cordão de segurança do Rimland meridional eurasiático.

E na medida em que Assad, graças aos russos, aos iranianos e aos libaneses, recuperou o controle da maior parte do país, iniciou-se a costura diplomática para reconciliar alguns setores rebeldes com o governo central, começando pelos rebeldes dos arredores de Daraa, os curdos e até mesmo os rebeldes de Idlib.

Esses diálogos, que se consolidaram nos Acordos de Astana, apontavam para uma nova federalização da Síria, uma nova Constituição, e uma série de outras modificações consensuais a serem implementadas no país. Os Acordos de Astana tinham como fiadores principalmente a Turquia, a Rússia e o Irão.

Mas enquanto Rússia e Irão levaram esses acordos a sério, a Turquia (e outros atores internacionais) usaram os Acordos de Astana como o Ocidente usou os Acordos de Minsk. Se os Acordos de Minsk foram usados para armar e treinar as Forças Armadas Ucranianas para uma invasão do Donbass – impedida pelo ataque preventivo russo da operação militar especial russa – os Acordos de Astana foram usados para armar e treinar o Tahrir al-Sham e o Exército Nacional Sírio e para coordenar a vitória na Síria.

Nessa operação atuaram instrutores ucranianos especializados em drones, suporte logístico e financeiro turco, as forças de inteligência e de ciberguerra de Israel, além do suporte de inteligência dos EUA. Mas nada disso explica a derrota de Assad.

A realidade é que a chave da vitória sobre a Síria se deu, basicamente, pelo suborno de vários generais sírios. Foi tão simples quanto isso. A Síria foi “derrotada” em 10 dias porque não houve qualquer batalha, apenas algumas escaramuças. Enquanto a Rússia bombardeava diariamente as posições terroristas, matando uns poucos milhares de salafistas, e os instrutores iranianos exigiam que os sírios ficassem e lutassem, o Exército Árabe Sírio simplesmente usava a artilharia enquanto recuava, em uma entrega ordeira e planificada do território do país.

Na prática, para que se veja o ridículo da situação, os russos provavelmente mataram mais salafistas do que os próprios sírios, apesar do país pertencer aos sírios e não aos russos.

A traição dos generais sírios é fácil de entender considerando os efeitos de mais de 10 anos de sanções acachapantes. O Exército Sírio é pago valores irrisórios porque o Estado praticamente não tinha dinheiro para manter os militares. Ademais, esses generais (e talvez outros elementos da elite síria) consideravam que Assad e seu governo quase monopolizado por alauítas representava um obstáculo para seus próprios projetos de poder.

Aqui, é claro, entrarão os agentes da Embaixada da França para dizer que a culpa é da Rússia (alguns dIrãoo que é do Irão também). As acusações são absurdas.

Sem a Rússia, Assad teria caído em 2015. A Rússia, ademais, tem bombardeado os terroristas diariamente, sem parar, há 10 dias e matou bem mais terroristas nos últimos 10 dias do que os sírios se dispuseram a fazer. A Rússia não ganha absolutamente nada com a queda de Assad e, naturalmente, não teria motivo algum para arriscar as suas bases e posições no litoral. Ao contrário, a Rússia sofreu na Síria uma derrota estratégica.

As pessoas que exigem histericamente que a Rússia deveria salvar a Síria de si mesma são, simplesmente, propagandistas russofóbicos. A Rússia não tinha como lutar pela Síria no lugar dos próprios sírios. Foi o mesmo com o Nagorno-Karabakh. O governo armênio se recusou a enviar tropas e lutar pelo território, para depois culpar a Rússia pela invasão do Azerbaijão. O único erro da Rússia foi o de repetir o falido modelo dos Acordos de Minsk com a Síria.

O mesmo vale com o Irão. Autoridades iranianas declararam que jamais abandonariam ou trairiam o Irão e anunciaram ontem que enviariam tropas, drones, munição e veículos para ajudar a defender a Síria. Mas não existe muito que o Irão pudesse fazer se a Síria se recusou a se defender e caiu em 10 dias. Não existe “força expedicionária” que pudesse ser preparada e enviada para a Síria em menos de 1 mês.

Ademais, é necessário analisar o fato de que Assad só pediu ajuda à Rússia e ao Irão a contragosto. Ademais, as elites sírias sempre pressionaram para manter a presença estrangeira em um nível mínimo, praticamente forçaram a maior parte dos russos e iranianos a saírem do país após a “vitória” sobre o ISIS e, especificamente em relação aos iranianos, os proibiram de montar bases em seu território.

No delírio patrioteiro burguês, as elites políticas e militares sírias acreditaram no mito da sua própria autossuficiência, quando todos sabiam que eles só conseguiram sobreviver graças à ajuda estrangeira. Nesse sentido, o pequeno-nacionalismo sírio contribuiu para pavimentar a queda do governo Assad ao recusar a integração da Síria em um projeto geopolítico multipolarista mais amplo, o que exigiria ampla presença russa e iraniana no país.

Nesse sentido, Turquia, Israel e EUA planejaram o golpe contra a Síria no melhor momento possível.

A Rússia está ocupada com a Ucrânia e poupando tropas pelo alto risco de uma guerra em larga escala contra a OTAN eclodir a qualquer momento. Ademais, a Rússia estava com efetivo reduzido no país, por causa tanto do conflito ucraniano quanto por causa da pressão síria por sua saída.

O Irão, por sua vez, está em alerta total para o confronto com Israel, além de possuir um presidente conciliador e ser mais rechaçado pelas elites sírias até do que a Rússia.

O Hezbollah, por sua vez, estava engajado em um duro conflito com Israel, e apesar de ter vencido o conflito sofreu perdas materiais e humanas importantes.

Não haveria momento melhor do que esse para atacar.

Para a Turquia, alimenta-se a ilusão geopolítica de um insustentável neo-otomanismo, único triunfo que Erdogan pode apresentar até agora.

Para Israel, é a desculpa perfeita para implementar o Plano Oded Yinon na Síria, utilizando a desintegração da Síria como desculpa para penetrar o território vizinho e anexar mais um pedaço dele.

Agora, se engana quem acredita que a Questão Síria acabou. Ao contrário, é o começo de uma nova fase de caos.

Manter um Estado unificado com todas essas várias facções terroristas e separatistas é praticamente impossível. Assad era o “inimigo” que permitia unificá-los em uma causa comum, mas agora Assad não é mais o Chefe da República Árabe da Síria.

O mais provável é alguma desintegração – mesmo que apenas de facto – do território sírio. As últimas informações indicam que alauitas e cristãos, que compõem parte considerável das forças militares sírias mais dispostas a resistir, não querem mais lutar por sunitas ingratos aparentemente ansiosos por serem governados pelo ISIS. Quanto aos curdos, será impossível reconciliá-los com as facções terroristas apoiadas pela Turquia.

Vários outros grupos terroristas possuem desavenças sérias e ocasionalmente violentas entre si. Os terroristas vindos da Chechênia e da Ásia Central, por exemplo, estão na Síria para decapitar e traficar mulheres, e não estão muito interessados no discurso à-lá Zelensky de Al-Julani

A libianização da Síria será um evento trágico que impulsionará novas ondas de refugiados para todo o mundo, mas a transformação do eixo Latakia-Tartus em uma fortaleza alauíta-cristã parece a única maneira de reduzir os danos desse colapso e de fazer perdurar uma semente de um Estado sírio funcional. Se essa estrutura estaria sob o governo de Assad é incerto, já que o próprio destino de Assad é, ainda, incerto.

Enfim, a Síria travou uma guerra mundial por 13 anos, resistindo como pilar civilizacional no meio de marés de caos, contra tudo e contra todos, até um momento em que, por traição interna, resistir tornou-se impossível.

Fonte aqui

9 pensamentos sobre “Como a Síria foi destruída e o que vem por aí

  1. E que dizer da publicidade feita à Toyota, com os «rebeldes» a avançarem em alta velocidade a caminho de Damasco, em luzidias pick up daquela marca?🥸

  2. Tal como com a invasão de Kursk se pensou que Putin cairia no logro de desviar tropas para aquela zona, agora, também, terá havido quem pensasse que ele as desviaria para a Síria. Num, como noutro caso, saiu-lhes os planos errados! Por outro lado, já Lenine dizia que, por vezes, é necessário dar-se um passo atrás, para depois se poderem dar dois em frente!🥸

  3. As pessoas que vivem na pobreza e na escassez e na miséria, nas franjas da sociedade da abundância, tendem a encontrar refúgio psicológico da impotência que sentem na força agregadora da religião, na crença de um outro mundo onde serão recompensadas das suas privações e do seu sofrimento pelo Deus criador, omnipotente e omnisciente (sobretudo nas religiões monoteístas “do Livro”). Isso acontece tanto nos países onde predomina a tradição islâmica, como nos países cristãos, como se vê pelo crescimento dos evangelistas na América Latina, e até em Portugal, mas também nas comunidades tradicionais católicas ou protestantes. Não é um grande mistério, a fé que têm (ou pelo menos o vínculo com a comunidade religiosa que criam) é alimentado como forma de superar as agruras da vida e as limitações e privações, os problemas pessoais e familiares.
    Acresce ainda que essas pessoas que se refugiam na religião são muitas vezes manipuladas por pregadores, pastores, muftis e líderes espirituais que procuram transformá-los em peões de estratégias políticas (acontece muito nos países cristãos, basta ver fenómenos como o de Bolsonaro e Trump, mas também nos muçulmanos) e por vezes militares, quando se apela ao fanatismo, sectarismo e fundamentalismo religioso, chegando ao ponto da formação de milícias e exércitos (tal como outrora no tempo das Guerras Santas, das Cruzadas ou da Jihad, que ainda hoje existem sobre essas e outras designações). E claro que há sempre alguém por trás a financiar e patrocinar logisticamente esses movimentos, com recursos próprios (pacotes) ou “black budgets” desviados através de esquemas, pilhagem, sanções e congelamentos, sacos azuis, etc…
    Agora vamos ver é o que vai ser dessas comunidades religiosas plurais numa Síria esquartejada por vários grupúsculos e facções aglutinadores de wahabitas fanáticos, terroristas provindos da Al-Qaeda/Al-Nusra e do ISIS/Daesh, esses grandes “freedom fighters” da moda e do momento, mais os curdos e os drusos em cada canto do território sírio…
    Será que o cheque vai ser suficientemente valioso para cobrir todas as vontades e deixar todos satisfeitos? Ou haverá uma selecção de favoritos, desde que cumpram as diretrizes de quem os financia? E se se rebelarem e tiverem uma agenda própria? Ou se for do interesse de quem patrocina causar desequilíbrios e enfraquecer algumas facções em detrimento de outras mais maleáveis, servis ou fiáveis?

    • Outras formas de financiar as milícias e máquinas de guerra arregimentadas compostas por fanáticos (ou oportunistas) por líderes religiosos são os tráficos de opiáceos (como aconteceu no Afeganistão), de matérias primas, como hidrocarbonetos, metais preciosos ou raros, minérios, pessoas (sobretudo mulheres e crianças), bens de consumo (tecnologia, veículos, etc) e armas, para além da lavagem de dinheiro e a canalização de fundos de origem obscura.
      Já agora, cá em Portugal temos o 4.o pastorinho a querer usar o fanatismo religioso e a apelar à Islamofobia, imaginem se dirigisse uma milícia oficial armada quais seriam os efeitos do discurso do enganador de pategos que diz que tem uma missão que lhe foi confiada por Nossa Senhora de Fátima…

  4. Desde 2011 que dá para perceber. Alias, desde a destruição da Libia onde boa parte dos maltrapilhos a que chamamos rebeldes eram certamente tão líbios como eu e eram sim malta dos países vizinhos, que lá foram fazer a jihad.
    Na grande miseria que afecta boa parte da população egípcia e argelina não foi certamente difícil recrutar os jihadistas que fossem precisos.
    Aquela gente maltrapilha, que de militar so tinha as armas, não tinha nada a ver com os cidadãos líbios vestidos quase a ocidental, em especial os homens, que até aí se tinham visto em manifestações a favor e contra o regime.
    Alias, algumas manifestações a favor do regime foram pintadas como sendo contra fiando se os maisstream propaganda do facto de que ninguém sabe árabe para saber o que estava escrito nos cartazes.
    Havia realmente uma oposição Libia, em especial a Leste do país, mas não a suficiente.
    Justamente porque uma população que vive bem não quer sofrer as restrições que inevitavelmente serão impostas por um governo em que sejam os religiosos a mandar.
    Já a miseria tende a gerar fanatismo religioso e não sendo eu psiquiatra nao me vou dar ao trabalho de tentar explicar porque.
    Uns punhados de dólares fazem o resto.
    Mas, no caso líbio, se os países a volta eram miseráveis, a população Libia tinha condições de vida que faziam inveja ate a muitos países europeus.
    Daí a necessidade de seis meses de bombardeamentos impiedosos, que foram bem escondidos pelo mainstream, que varreram cidades inteiras, algumas no meio do deserto e mataram umas 50 mil pessoas numa população de seis milhões, contas por baixo.
    Um arquitecto que foi lá ganhar algum com a reconstrução, que só saia acompanhado de dois guarda costas armado reconhecia que “as cidades foram varridas, ninguém faz ideia”.
    Eu posso fazer. Aviões a bombardear, de Março a Agosto, aviões de 17 países diferentes, até a Noruega, na casa do cacete mais velho contribuiu com um, não estavam certamente a deitar de lá de cima rebuçados.
    E tendo em conta que, dadas as características desérticas do país, boa parte da população Libia estava concentrada em meia dúzia de cidades no litoral aquilo foi de certeza um tiro aos patos, um massacre em regra.
    Mas nem os assentamentos no meio do deserto, por iniciativa de Kadhafi, para dar casa e impedir que houvesse desgraçados como ele, que só entrou numa casa de telha quando foi para a tropa, escaparam a nossa fúria libertadora.
    Que livrou foi muitos líbios do fardo da existência nas maos dos jihadistas que lançamos contra eles.
    Houve quem morresse ao tentar fugir. Nunca esquecerei a imagem de dezenas de mortos numa praia Libia. Em especial um jovem encorpado, vestido com roupas ocidentais de Inverno. Ele era tão parecido com gente que conhecia que senti um no nas tripas.
    Mas a esta canalha nada os prende as vidas acabadas.
    E não tenhamos ilusões. As nossas vidas valem tão pouco como as deles e por isso não vao hesitar em sacrificar nos se tiver de ser.
    Resta ir aguentando enquanto podemos

  5. Quando vemos a Ursa von der Leyer, o Netanyahurso e o Jão Bindinho a lançarem os foguetes e a apanhar as canas com o que aconteceu na Síria – não foi só a deposição do regime de Assad e a fuga para o exílio deste, foi a queda para as forças “rebeldes”, ou seja, o saco de gatos que inclui os grupos islâmicos sunitas, wahabitas, terroristas e, na orla periférica do território sírio, os curdos e os drusos – dá para perceber bem quem andou a mexer os cordelinhos e a orientar e patrocinar estes actores no terreno…

  6. Dar uma enorme plataforma a terroristas nunca e boa ideia até porque, se se quer dar um bom motivo para dar a Israel o seu grande Israel as custas do território sírio nada melhor do que deixar que aconteçam alguns atentados na Europa.
    Entre a miríade de terroristas que agora mandam na Síria sempre haverá alguns que não sabem bem quem lhes paga e vão fazer m*rda na Europa tipo o assalto ao Batacla ou o camião de Nice.
    Ou talvez os mandem mesmo fazer m*rda na Europa.
    E que isso até dá jeito a gente para quem a vida não vale nada porque podem cavalgar a islamofobia para justificar o genocídio de Gaza, Cisjordânia e Líbano, a apropriação de território sirio e o combate ao Irão.
    O que são umas centenas de mortos e feridos na Europa em comparação com o gordo premio que se pode obter disto tudo? Por isso a bandida corrupta Ursula com der Pfizer ontem estava que parecia uma gata que tinha bebido leite.
    A ideia de que podemos fazer qualquer outro povo desistir de lutar por os irmos matando lentamente a fome com sanções também vai dar novo impulso a política de bloqueios vários que há décadas se exerce sobre Cuba, Venezuela e outros desafetos de uma gente psicopata como a que nos governa com a mesma crueldade que uma ditadura.
    Não tenhamos ilusões, o modo como nos impingiram uma experiência científica que nunca saberemos quantos matou ou extropiou foi digno de uma ditadura cruel e se fosse possível esconder os sequelados a coisa já seria obrigatória e muitos dos que puderam desistir por aquilo ter corrido mal já estavam na horta do senhor prior. Eu tenho a certeza que estava desde pelo menos o ano da Graça de Deus nosso senhor de 2022 em que teria certamente mamado um reforço quando já estava as voltas com anemia perniciosa.
    Muitos levam hoje uma vida cruel verdadeiramente torturados por doenças várias.
    Por isso quando gente desta me fala em democracia e direitos humanos eu até me daria vontade de rir se a coisa não tivesse corrido tão mal.
    Quanto a Siria não havia nada que a Rússia, o Irão ou qualquer outro pudessem fazer se o próprio povo desistiu de lutar.
    Mesmo no Afeganistão foi possível arregimentar gente por conta do ocupante justamente porque a miséria e muita. Qualquer 30 dólares por mês, ou menos, compravam um tradutor ou um soldado.
    Mas a verdade e que assim que saíram nenhuma resistência foi possível. E foi ver os desgraçados que tiveram o azar de agir como tradutores a procuram com o desespero que vimos um lugar nos aviões dos ocupantes que os abandonavam.
    A única maneira de segurar a Siria seriam muitas botas russas e iranianas no terreno logo a partir de 2015 quando os terroristas foram empurrados para as zonas protegidas pelos ocupantes americanos que roubavam petróleo. Como durante 20 anos os americanos fizeram no Afeganistão, ate desistirem porque o dinheiro fazia falta para começar a guerra contra a Rússia na Ucrânia.
    Mas as muitas botas no terreno seriam na prática a ocupação do país e o governo sirio não queria nada disso.
    Assad deve estar agora muito arrependimento mas quem iria supor que todos os seus generais seriam subornados e o povo estaria tão exausto que aceitaria o domínio de uma gente que em 2015 afundava gente em jaulas em piscinas.
    E desta vez poupem nos a visão de gente obrigada a cavar as próprias sepulturas, gente a ser queimada viva em jaulas ou gente a sofrer em pleno Século XXI o medonho suplício da crucificação.
    E aqui Russia e Irão, que teem petróleo para dar e vender e por isso sofrem a cobiça da corja de ladrões que nos governa, poderiam ter sido um pouco mais maos largas estes anos todos. Talvez assim mais gente na Síria achasse que valia a pena lutar pela liberdade.
    Agora com zonas do país a ter electricidade apenas duas horas por dia a coisa tinha tudo para correr mal. E para toda a gente na Síria de certeza que correu.
    Porque certamente os terroristas que agora tomaram o poder vao trata los bem pior que Assad.
    Ca estaremos para ver a primeira mão ser cortada.
    Os líbios acordaram quando viram as atrocidades cometidas pelos bandos de maltrapilhos que só tinham Benghazi quando a inestimável ajuda de bombardeamentos que reduziram a escombros cidades inteiras lhes permitiu tomar o poder.
    Na Síria ninguém acordou e agora o seu futuro terá de ser aquele que escolheram quando baixaram as armas.
    Felizmente Assad teve mais bom senso que Kadhafi, não serei eu que lhe chamarei cobarde pois que o seu martírio e o de boa parte da sua família so serviria para Biden ter o seu momento de chacota como teve a Killary.
    Mas também não lhe gabo a sorte pois que uma vida escondida, sempre com medo que uma bala ou uma bomba terrorista o encontre e a sua família também não e vida para ninguém.
    Mas e o destino que pode ter qualquer um que resista e diga não a gente desta.
    Assim continue a haver gente com coragem para dizer não ou isto vai correr muito mal para todos nós.
    Porque o que casos como as vacinas COVID provaram e que não há nenhuma regra que possamos seguir para nos mantermos vivos se esta gente realmente dominar o mundo.

  7. Esperemos que não aconteçam muitas catástrofes humanitárias, mortandade, pilhagens, violações, escravização, vandalismo e destruição de património histórico por motivos de fundamentalismo religioso e cultural – o que é uma imagem de marca dos wahabistas, dos terroristas da Al-Qaeda / Al-Nusra reconvertidos e reagrupados no Tahrir al-Sham, e do ISIS (que agora lá terão o seu espaço e território para se desenvolverem de novo e fazer crescer os seus tentáculos, mesmo às portas do mediterrâneo e da Europa – se bem que, como já deu para perceber, nunca atacarão quem os controla, os fornece e financia, o que inclui a NATO e Israel).
    Dificilmente num saco de gatos tão grande e recheado não haverão querelas, disputas, conflitos, golpadas e “danos colaterais”…
    Muita água ainda vai correr debaixo daquelas pontes (as que não forem destruídas e demolidas, figurativa e realisticamente falando.

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