A escolha nas eleições (EUA) é entre o poder corporativo e o poder oligárquico

(Chris Hedges, in Blog O Bardo, 14/07/2024)

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

A escolha nas eleições é entre o poder corporativo e oligárquico. O poder corporativo precisa de estabilidade e um governo tecnocrático. O poder oligárquico prospera no caos e, como diz Steve Bannon, na “desconstrução do estado administrativo”. Nenhum deles é democrático. Cada um deles comprou a classe política, a academia e a imprensa. Ambos são formas de exploração que empobrecem e desempoderam o público. Ambos canalizam dinheiro para as mãos da classe bilionária. Ambos desmantelam regulamentações, destroem sindicatos, destroem serviços governamentais em nome da austeridade, privatizam todos os aspectos da sociedade americana, de serviços públicos a escolas, perpetuam guerras permanentes, incluindo o genocídio em Gaza, e neutralizam uma mídia que deveria, se não fosse controlada por corporações e pelos ricos, investigar sua pilhagem e corrupção. Ambas as formas de capitalismo estripam o país, mas o fazem com ferramentas diferentes e têm objetivos diferentes.

Kamala Harris, ungida pelos doadores mais ricos do Partido Democrata sem receber um único voto primário, é o rosto do poder corporativo. Donald Trump é o mascote bufão dos oligarcas. Esta é a divisão dentro da classe dominante. É uma guerra civil dentro do capitalismo travada no palco político. O público é pouco mais do que um suporte em uma eleição onde nenhum partido promoverá os interesses ou protegerá os direitos dos cidadãos.

George Monbiot e Peter Hutchison em seu livro “Invisible Doctrine: The Secret History of Neoliberalism,” se referem ao poder corporativo como “capitalismo domesticado”. Capitalistas domesticados precisam de políticas governamentais consistentes e acordos comerciais fixos porque fizeram investimentos que levam tempo, às vezes anos, para amadurecer. Indústrias de manufatura e agricultura são exemplos de “capitalismo domesticado”.

Você pode ver minha entrevista com Monbiot  aqui.

Monbiot e Hutchison se referem ao poder oligárquico como “capitalismo de senhores da guerra”. O capitalismo de senhores da guerra busca a erradicação total de todos os impedimentos à acumulação de lucros, incluindo regulamentações, leis e impostos. Ele ganha dinheiro cobrando aluguel, erguendo pedágios para todos os serviços de que precisamos para sobreviver e cobrando taxas exorbitantes.

Os campeões políticos do capitalismo de senhores da guerra são os demagogos da extrema direita, incluindo Trump, Boris Johnson, Giorgia Meloni, Narendra Modi, Victor Orban e Marine Le Pen. Eles semeiam dissensão ao vender absurdos, como a  grande teoria da substituição, e desmantelar estruturas que fornecem estabilidade, como a União Europeia. Isso cria incerteza, medo e insegurança. Aqueles que orquestram essa insegurança prometem, se entregarmos ainda mais direitos e liberdades civis, que eles nos salvarão de inimigos fantasmas, como imigrantes, muçulmanos e outros grupos demonizados.

Os epicentros do capitalismo de senhores da guerra são empresas de capital privado. Empresas de capital privado como Apollo, Blackstone, Carlyle Group e Kohlberg Kravis Roberts, compram e saqueiam negócios. Elas acumulam dívidas. Elas se recusam a reinvestir. Elas cortam funcionários. Elas deliberadamente levam as empresas à falência. O objetivo não é sustentar negócios, mas colhê-los para ativos, para obter lucro a curto prazo. Aqueles que dirigem essas empresas, como  Leon Black,  Henry Kravis,  Stephen Schwarzman  e  David Rubenstein, acumularam fortunas pessoais na casa dos bilhões de dólares.

A coorte de apoiadores de Trump no Vale do Silício, liderada por Elon Musk, estava, como o The New York Times  escreve, “acabada com os democratas, reguladores, estabilidade, tudo isso. Eles estavam optando, em vez disso, pelo caos livre e gerador de fortuna que conheciam do mundo das startups”. Eles planejavam “plantar dispositivos nos cérebros das pessoas, substituir moedas nacionais por tokens digitais não regulamentados, [e] substituir generais por sistemas de inteligência artificial”. 

O bilionário Peter Thiel, fundador do PayPal e apoiador de Trump,  travou guerra  contra os “impostos confiscatórios”. Ele financia um comitê de ação política anti-impostos e propõe a construção de nações flutuantes que não imporiam impostos de renda obrigatórios. 

A bilionária israelense-americana Miriam Adelson, viúva do magnata dos cassinos Sheldon Adelson, com um patrimônio líquido estimado em US$ 35 bilhões, deu  a  Trump US$ 100 milhões para sua campanha. Embora Adelson, que nasceu e foi criada em Israel, seja uma sionista fervorosa, ela também faz parte do clube de oligarcas que buscam cortar impostos para os ricos, impostos que já foram cortados pelo Congresso ou  diminuídos  por meio de uma série de brechas legais. 

O economista Adam Smith alertou que, a menos que a renda dos rentistas fosse fortemente taxada e reinvestida em um sistema financeiro, ele se autodestruiria.

Os destroços que as empresas de private equity e os oligarcas orquestram são descontados dos trabalhadores que são forçados a uma economia de bicos e que viram salários e benefícios estáveis ​​erradicados. São descontados dos fundos de pensão que são esgotados por causa de taxas usurárias ou são abolidos. São descontados da nossa saúde e segurança. Residentes de casas de repouso, por exemplo, de propriedade de empresas de private equity,  sofrem  10% mais mortes — sem mencionar taxas mais altas — por causa da escassez de pessoal e da redução da conformidade com os padrões de atendimento.  

As empresas de private equity são uma espécie invasora. Elas também são onipresentes. Elas adquiriram instituições educacionais, empresas de serviços públicos e redes de varejo, enquanto sangram os contribuintes em centenas de bilhões em subsídios que são possíveis por promotores, políticos e reguladores comprados e pagos. O que é particularmente irritante é que muitas das indústrias apreendidas por empresas de private equity — água, saneamento, redes elétricas, hospitais — foram pagas com fundos públicos. Elas canibalizam a nação, deixando para trás indústrias fechadas e falidas. 

Gretchen Morgenson e Joshua Rosner documentam como o capital privado funciona no livro “These are the Plunderers: How Private Equity Runs-and Wrecks-America”.

“Rotineiramente elogiados na imprensa financeira por seus negócios e elogiados por suas doações ‘caridosas’, esses capitalistas desenfreados montaram campanhas de lobby caras para garantir enriquecimento contínuo por meio de leis fiscais favoráveis”, eles escrevem. 

“Doações pesadas lhes renderam posições de poder em conselhos de museus e think tanks. Eles publicaram livros sobre liderança exaltando ‘a importância da humildade e da humanidade’ no topo, enquanto evisceravam aqueles na base. Suas empresas fazem arranjos para que eles evitem pagar impostos sobre os bilhões em ganhos que suas participações acionárias geram. E, claro, eles raramente mencionam que as empresas que possuem estão entre as maiores beneficiárias de investimentos governamentais em rodovias, ferrovias e educação primária, colhendo enormes vantagens de subsídios e políticas fiscais que lhes permitem pagar taxas substancialmente mais baixas sobre seus ganhos”, eles explicam 

“Esses homens são os barões ladrões da era moderna da América. Mas, diferentemente de muitos de seus predecessores no século XIX, que acumularam riquezas estonteantes extraindo os recursos naturais de uma nação jovem, os barões de hoje minam sua riqueza dos pobres e da classe média por meio de complexas transações financeiras.” 

Você pode ver minha entrevista com Morgenson  aqui.

Os capitalistas domesticados são representados por políticos como Joe Biden, Kamala Harris, Barack Obama, Keir Starmer e Emmanuel Macron. Mas o “capitalismo domesticado” não é menos destrutivo. Ele impulsionou o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), a maior traição à classe trabalhadora americana desde o  Ato Taft-Hartley de 1947, que impôs restrições paralisantes à organização sindical. Ele revogou o Banking Act de 1933 (Glass-Steagall), que separava os bancos comerciais dos bancos de investimento. A derrubada do firewall entre os bancos comerciais e de investimento levou ao colapso financeiro global em 2007 e 2008, incluindo o  colapso  de quase 500 bancos. Ele impulsionou a eliminação da Doutrina da Justiça pela Comissão Federal de Comunicações sob Ronald Reagan, bem como o Ato de Telecomunicações sob a presidência de Bill Clinton, permitindo que um punhado de  corporações  consolidasse o controle dos meios de comunicação. Ele  destruiu  o antigo sistema de bem-estar social,  70 por cento  dos beneficiários do qual eram crianças. Ela dobrou nossa população carcerária e militarizou a polícia. No processo de mudança da manufatura para países como México, Bangladesh e China, onde os trabalhadores trabalham em fábricas clandestinas, 30 milhões de americanos foram submetidos a demissões em massa,  de acordo com  números compilados pelo Labor Institute. Enquanto isso, ela acumulou déficits enormes — o déficit orçamentário federal  subiu  para US$ 1,8 trilhão em 2024, com a dívida nacional total se aproximando de US$ 36 trilhões — e negligenciou nossa infraestrutura básica, incluindo redes elétricas, estradas, pontes e transporte público, enquanto gastava mais em nossas forças armadas do que todas as outras grandes potências da Terra juntas.

Essas duas formas de capitalismo são espécies de capitalismo totalitário, ou o que o filósofo político  Sheldon Wolin  chama de “totalitarismo invertido”. Em cada forma de capitalismo, os direitos democráticos são abolidos. O público está sob vigilância constante. Os sindicatos são desmantelados ou desarmados. A mídia serve aos poderosos e as vozes dissidentes são silenciadas ou criminalizadas. Tudo é mercantilizado, do mundo natural aos nossos relacionamentos. Os movimentos populares e de base são proibidos. O ecocídio continua. A política é  burlesca.

A servidão por dívida e a estagnação salarial garantem o controle político e a consolidação adicional da riqueza. Bancos e financiadores corporativos escravizam não apenas indivíduos com servidão por dívida, mas também cidades, municípios, estados e o governo federal. O aumento das taxas de juros, juntamente com o declínio das receitas públicas, especialmente por meio de impostos, é uma maneira de extrair os últimos pedaços de capital dos cidadãos, bem como do governo. Uma vez que indivíduos, estados ou agências federais não podem pagar suas contas — e para muitos americanos isso geralmente significa contas médicas — os ativos são vendidos para corporações ou apreendidos. Terras, propriedades e infraestrutura públicas, juntamente com planos de pensão, são privatizados. Indivíduos são expulsos de suas casas e entram em dificuldades financeiras e pessoais.

“O chefe do Goldman Sachs veio e disse que os trabalhadores do Goldman Sachs são os mais produtivos do mundo”, me disse o economista  Michael Hudson  , autor de  Killing the Host: How Financial Parasites and Debt Destroy the Global Economy. “É por isso que eles são pagos como são. O conceito de produtividade na América é a renda dividida pelo trabalho. Então, se você é o Goldman Sachs e paga a si mesmo US$ 20 milhões por ano em salário e bônus, considera-se que você adicionou US$ 20 milhões ao PIB, e isso é enormemente produtivo. Então, estamos falando de tautologia. Estamos falando de raciocínio circular aqui.”

“Então a questão é se o Goldman Sachs, Wall Street e as empresas farmacêuticas predatórias realmente adicionam ‘produto’ ou se estão apenas explorando outras pessoas”, ele continuou. “É por isso que usei a palavra parasitismo no título do meu livro. As pessoas pensam em um parasita como simplesmente tirando dinheiro, tirando sangue de um hospedeiro ou tirando dinheiro da economia. Mas na natureza é muito mais complicado. O parasita não pode simplesmente entrar e pegar algo. Primeiro, ele precisa anestesiar o hospedeiro. Ele tem uma enzima para que o hospedeiro não perceba que o parasita está lá. E então os parasitas têm outra enzima que assume o cérebro do hospedeiro. Ela faz o hospedeiro imaginar que o parasita é parte de seu próprio corpo, na verdade parte de si mesmo e, portanto, deve ser protegido. Isso é basicamente o que Wall Street fez. Ele se descreve como parte da economia. Não como um envoltório em torno dela, não como externo a ela, mas na verdade a parte que está ajudando o corpo a crescer, e que na verdade é responsável pela maior parte do crescimento. Mas na verdade é o parasita que está tomando conta do crescimento.”

“O resultado é uma inversão da economia clássica”, disse Hudson. “Ela vira Adam Smith de cabeça para baixo. Ela diz que o que os economistas clássicos disseram ser improdutivo – parasitismo – na verdade é a economia real. E que os parasitas são o trabalho e a indústria que atrapalham o que o parasita quer – que é se reproduzir, não ajudar o hospedeiro, isto é, o trabalho e o capital.”

A Weimarização da classe trabalhadora americana é intencional. Trata-se de criar um mundo de senhores e servos, de elites oligárquicas e corporativas empoderadas e um público desempoderado. E não é apenas nossa riqueza que nos é tirada. É nossa liberdade. O chamado mercado autorregulado, como escreve o economista  Karl Polanyi  em “The Great Transformation”, sempre termina com o capitalismo mafioso e um sistema político mafioso. Um sistema de autorregulação, alerta Polanyi, leva à “demolição da sociedade”.

Se você votar em Harris ou Trump — não tenho intenção de votar em nenhum candidato que sustente o  genocídio  em Gaza — você está votando em uma forma de capitalismo voraz em detrimento de outra. Todas as outras questões, de direitos de armas a aborto, são tangenciais e usadas para distrair o público da guerra civil dentro do capitalismo. O pequeno círculo de poder que essas duas formas de capitalismo incorporam exclui o público. Esses são clubes de elite, clubes onde membros ricos habitam cada lado da divisão, ou às vezes vão e voltam, mas são impenetráveis ​​para pessoas de fora. 

A ironia é que a ganância desenfreada dos corporativistas, os capitalistas domesticados, criou um pequeno número de bilionários que se tornaram seus inimigos, os capitalistas senhores da guerra. Se a pilhagem não for interrompida, se não restaurarmos por meio de movimentos populares o controle sobre a economia e o sistema político, então o capitalismo senhor da guerra triunfará. Os capitalistas senhores da guerra consolidarão o neofeudalismo, enquanto o público está distraído e dividido pelas palhaçadas de palhaços assassinos como Trump. 

Não vejo nada no horizonte que possa evitar esse destino.

Trump, por enquanto, é a figura de proa do capitalismo de senhores da guerra. Mas ele não o criou, não o controla e pode ser facilmente substituído. Harris, cujos  devaneios sem sentido  podem fazer Biden parecer focado e coerente, é o terno vazio e vago que os tecnocratas adoram.

Escolha seu veneno. Destruição pelo poder corporativo ou destruição pela oligarquia. O resultado final é o mesmo. É isso que os dois partidos governantes oferecem em novembro. Nada mais. 

Fonte aqui.

12 pensamentos sobre “A escolha nas eleições (EUA) é entre o poder corporativo e o poder oligárquico

  1. Ganhe quem ganhar continuaremos a sustentar o regime nazi da Ucrânia perseguindo o grande objectivo de destruir Rússia e China ou colocar lá vendidos.
    Os vizinhos de Israel continuarão a ser exterminados, talvez com Trump sejam um bocado mais depressa e com mais escarrar de ódio por parte dos assassinos.
    Quanto ao que acontecer aos americanos estou me nas tintas.

  2. Nada de confusoes. Em 2016 comcorriam um velho celerado e uma celerada um pouco menos velha, em 2020 comcorriam dois velhos celerados. Em 2024 concorre um velho celerado e uma celerada a entrar na meia idade. Mais claro que isso só a água destilada.

    • “Mais claro que isso só a água destilada) ou explicar quais são os interesses de classe que cada um deles representa, defende e aproveita, quais as semelhanças e as diferenças entre esses interesses, quais as contradições e respetivas forças e fraquezas. E já agora qual o efeito de cada um deles para nós.

  3. As eleições americanas e as suas escolhas.
    Lembro me das eleições de 2020 que opunham dois velhos celerados.
    Um que tinha tentado uma provocação contra o Irão, assassinando o seu mais brilhante general, um que, ao contrário dele, fez vida militar por não ter conseguido fugir a tropa por ser pobre.
    Vá se lá saber porque, recolheu as unhas e foi também conhecido pela incendiaria decisão de mudar a embaixada americana para a Jerusalém ocupada reconhecendo a cidade como capital do estado genocida de Israel.
    O outro, o sanguinário vice de Obama, o homem dos assassinatos com drones e dos danos colaterais que faziam as crianças afegãs rezar por dias nublados e da destruição da Libia.
    Um celerado que como senador apoiou todas as guerras de agressão dos Estados Unidos. Que ainda por cima dava já amplos sinais de erosão mental.
    E enquanto iam a jogo estes dois velhos celerados, enxames de comentadeiros prometiam leite e mel se ganhasse o celerado destruídor da Libia e o Apocalipse se ganhasse Trump.
    Eu dava me vontade de rir.
    Sabia que com Biden tínhamos todas as possibilidades de ter uma grande conflagração em torno da Ucrânia dado que a sua família tinha lá interesses.
    O homem já tinha chamado assassino a Putin com as letras todas, isto tinha tudo para correr mal. E tem corrido.
    Por isso este artista incapaz de recuar parecia me mais apto a dar-nos cabo do canastro a todos mas havia trastes a garantir que este corrupto senil nos traria a paz.
    Da Ucrânia a Palestina, Siria, Líbano, e ver a paz que o celerado nos trouxe.
    Ate a nível interno o homem foi cruel.
    Trump deixou ao arbítrio de cada um dar ou não vacinas contra a COVID.
    Biden prometeu respeitar a ciência ao contrario de Trump que falou contra os confinamentos.
    Mas o seu respeito pela ciência consistiu em correr da função pública mais de 100 mil pessoas por não se terem querido vacinar.
    Estando se nas tintas para se tinham famílias e retratando os como fascistas.
    Se o mesmo tivesse sido feito por cá conheço pelo menos uma mãe divorciada de um estudante de 20 anos que teria visto o olho da rua. E que garantidamente não era fascista.
    O que não significa que não a tenham moído.
    O chefe sempre que os presstitutos divulgavam uma notícia macabra sobre alguém que alegadamente teria morrido por não estar vacinado, onde quer que fosse ia dizendo “tenho medo e aqui pela D. Que não tem vacina nenhuma”.
    O resultado acabou por ser um tal ataque de ansiedade que ditou entrada directa num hospital psiquiátrico onde esteve três dias internada.
    Os médicos compreenderam a situação, ninguém a moeu para dar vacinas e saiu medicada e com mais força para resistir a pressões. Ate porque começava a ver alguns colegas bem comportados com mal explicados problemas de saúde.
    Mas do outro lado do mar foi o despedimento, sem do nem piedade.
    Agora a luta é entre Trump e a incansável lutadora contra os fumadores de charros.
    Que já prometeu que continuaremos todos a sangrar para apoiar a Ucrânia e que aconteça o que acontecer os Estados Unidos estarão sempre do lado de Israel.
    Mas pelo menos as mulheres americanas poderao abortar mais facilmente.
    Mas continuamos a ter comentadeiros a dizer que a Kamala será tudo as mil maravilhas e com Trump espera nos o Apocalipse.
    Só se for melhor para queimar dado que Trump e demasiado gorduroso.
    Quanto ao Apocalipse ele vira sim mas para quem tem a desdita de ser vizinho de Israel com a diferença que Trump dirá mais asneiras.
    Nos continuaremos a sangrar economicamente, e com o tempo talvez literalmente, em nome da Ucrânia.
    Vão ver se o mar da choco.

  4. Texto que vai de encontro ao que tenho dito, escrito, e repetido, sempre que falo deste tema: a “escolha” e a “democracia” no NeoLiberalismo é uma ilusão. Os candidatos à partida foram pré-eacolhidos por quem tem o poder ($£€). Os média só fazem propaganda por este regime, e as discussões acesas sobre, por exemplo, casas de banho para pessoas em simultâneo com pila e mamas, ou o “ai ai a invasão dos imigrantes escuros e/ou com outra religião”, são só para entreter o povinho de menor intelecto, que ainda acredita na missa ora deste ora daquele vigarista, e vai a correr dar legitimidade a um regime que não a tem.

    Dito isto, este texto tem aqui uma grande injustiça:

    “Os campeões políticos do capitalismo de senhores da guerra são os demagogos da extrema direita, incluindo Trump, Boris Johnson, Giorgia Meloni, Narendra Modi, Victor Orban e Marine Le Pen. Eles semeiam dissensão ao vender absurdos, como a grande teoria da substituição, e desmantelar estruturas que fornecem estabilidade, como a União Europeia. Isso cria incerteza, medo e insegurança.”

    A extrema direita é quem apoia nazis. Que eu saiba Modi não dá armas a nazis. E Orbán quer paz e só cede à NATO/UE quando o seu país é ameaçado como um todo e esgota os trunfos negociais.

    É o “centro moderado” e a “esquerda progressista” e a “democracia cristã” (basicamente tudo em todos os países ocidentais que vai desde os equivalentes ao BE até aos equivalentes ao CDS e IL, passando por todo o estrume pelo meio) quem apoia nazis. Nazis ucranianos, e nazis-sionistas genocidas!

    Depois, gostava de saber onde é que a UE fornece estabilidade. Só se for no orçamento do regime autoritário da Moldávia, na ditadura nazi-fascista da Ucrânia, no governo genocida de Jerusalém, ou no engordar das contas bancárias dos maiores porcos capitalistas do munco, em particular os vendedores de armas, esses sim senhores da guerra.

    Qual é a estabilidade da UE? Saber que mesmo que se vote contra a austeridade, ela está assegurada pelos ultimatos do BCE?

    Saber que mais tarde ou mais cedo todos os anéis serão vendidos e a economia de Portugal ficará só com os dedos da mão para cortar na crise seguinte? Foi a PT, foi a REN, a Galp, EDP, ANA, CTT, Cimpor, e a seguir vai a TAP. Na próxima crise, vamos “ter de” privatizar o que resta do SNS, escola públicaz e sistema de pensões.

    Qual é a estabilidade da UE? Foram os +20% de inflação acumulada em pouco mais de 1 ano e meio, devido à obediência cega a Washington que nos obrigou a seguir o plano da RAND (Pentágono) sobre as sanções à Rússia, destruição do Nordstream, e tiro nos pés da Europa? O cidadão comum alguma vez ouvir sequer falar deste plano, ou da sua data de publicação? Em 2019!

    Qual é a estabilidade que a UE fornece a Portugal? Saber que será um estado falhado após 25 anos perdidos na ditadura do €uro nos endividarem, tirarem competitividade, e ter uma dinâmica inescapável de moeda demasiado forte que nos vai manter assim em morte lenta enquanto o €uro existir?

    A estabilidade de ver a Constituição virar letra morta, e como tal esses direitos nunca mais na vida assustarão o capital-fascismo português?
    Como as mentiras na RTP que devia dizer a verdade. A censura dos canais Russos quando a censura devia ser proibida em qualquer circunstância. A brincadeira belicista no limite da aniquilação nuclear quando o país devia ser neutral. Etc.

    Qual é a estabilidade fornecida pela UE? E a quem? Na minha vida a UE nunca fornceceu estabilidade. Mas na vida de corruptos, porcos imperialistas, capitalistas, fabricantes de armas e de carros dos grandes países, multinacionais anglo-americanas, sionistas genocidas, e agora abertamente de nazis, ah isso sim é fornecer estabilidade a torto e a direito…

    Quanto à teoria da substituição, dos discursos anti-imigração, etc, isso é tudo do “centro moderado” da “democracia” Liberal tal como é doa outros populistas de uma certa direita menos internacionalista.
    Quem era o primeiro ministro de Espanha quando a polícia de fronteira masaacrou dezenas de pretos na fronteira com Marrocos? O Pedro Sanchez do PSOE.
    Quem era o primeiro ministro da Grécia quando a polícia marítima disparou metralhadoras contra barcos a abarrotar com setes humanos? O do “centro”-direita europeísta.
    Quem era o Presidente de França quando um barco com refugiados foi recusado em portos Franceses (o mesmo barco recusado por Salvini e Meloni em Itália)? O Macron, o “príncipe” dos “progressistas” e “centro moderado”.
    Quem era a primeira ministra da Dinamarca quando se falou e aprovou a lei para roubar todos os béns aos refugiados e colocá-los numa ilha?
    Uma do tal “centro”-direita.
    Quem é o actual poder político nos EUA onde continua a haver muro na fronteira, prisão em jaulas para seres humanos, crianças separadas da família, e deportação em massa? Os “democratas” dos “moderados” Biden, Kamala, Sanders, Pelosi, Blinken, AOC, Obama, Clinton, e companhia.

    Portanto não me venham com tretas sobre qualquer “virtude” do “centro moderado” da “democracia” liberal, não me venham chamar “extrema-direita” a quem não apoia nazis e genocidas (como faz o “centro moderado”), e não me venham com propaganda totalmente falsa sobre a UE, uma ditadura fascista colaboradora de nazis e genocidas, que é um poder não-eleito, não-representativo, um antro de corrupção, uma origem de autoritarismo e censura, uma garantia de austeridade e empobrecimento, e na realidade um instrumento de colonização dupla. Primeiro os grandes da Europa colonizam os pequenos. E depois somos todos colonizados pelos anglo-americanos. A UE é, sei eu hoje, um mero ATM/Multibanco da NATO, e a NATO é para a Europa o mesmo que o exército português era para os Angolanos, Moçambicanos, Guineenses e companhia: um pé da bota cardada imperial no nosso pescoço!

    Salazar, o ditador fascista, colocou Portugal na fundação da NATO. A UE tem uma líder não eleita que disse na campanha que só iria falar com quem apoiasse a NATO. É só fazer as contas. Não é preciso ser um Einstein para perceber a natureza do regime, e do seu instrumento de opressão chamado UE. Mas pelos vistos a grande epidemia não foi a covid, e sim a acefalia generalizada. E o vírus que espalhou essa epidemia afectou já +95% da população portuguesa: a máquina de propaganda do regime, os MainStreamMedia.

    No outro dia tive uma conversa interessante com um jovem português. Falávanks destes temas na actualidade. A certo ponto eu digo algo sobre a resistência na Palestina e comparo-a a uma heroína Portuguesa que resistiu contra os Espanhóis. Ele, de forma imediata, Pavloviana, retorquiu:
    — “mas não podes comparar, a padeira de Aljubarrtoa não era terrorista como o Hamas pois não se escondia atrás de escudos humanos”.
    A conversa continuou, expliquei ponto por ponto as aldrabices que o levaram a pensar assim, que os nazis a bombardearem criancinhas em campos de refugiados é que dizem essa desculpa dos “escudos humanos” e chamam “terrorista” ao Hamas tal como chamavam ao Mandela.
    Papo puxa papo, a certa altura digo que a NATO e a UE e o €uro são maldade pura disfarçada de “democracia”, e ele, novamente de forma Pavloviana, retorquiu:
    — “mas eu não quero sair da UE nem di €uro nem da NATO porque isso me dá estabilidade”.

    E aqui confirmo, neste texto do Chris Hedges, que a palavra “estabilidade” é uma das chamadas keywords dos chamados talking points de tudo quanto é propagandista deste regime, sempre se esses políticos corruptos e essas PRESStitutas falam de UE, €uro, e NATO.
    A propaganda intensiva e constante, desde os exemplos mais descarados até à mera escolha subtil da adjectivação para casa frase, cada manchete, faz mossa.
    Esta da “estabilidade” foi dita por um jovem português cujos pais são pobres, a mãe ganha o salário mínimo miserável a trabalhar mais de 40 horas semanais (i.e. na prática ganha menos que o salário mínimo), e em que ele só se está a formar num curso superior para emigrar assim que possível, sendo ainda incerto se um dia destes será ou não mobilizado à forca para ir morrer numa trincheira ao lado de nazis na Ucrânia ou genocidas em “israel”.

    É assim que o regime sobrevive. Faz os porcos terem medo do campo verde do lado de fora da vedação na fábrica de salsichas… Porque convence todos que a ração que comem é “estabilidade”. A NATO é a nossa fábrica de salsichas. O campo verde é a soberania e a Constituição de Abril. A ração é o nosso próprio dinheiro colocado dentro de sacos com a etiqueta “fundos europeus”. Os porcos somos nós todos, obviamente para mera comparação e não para insultar ninguém. E a vedação que nos convence da “estabilidade” do lado de dentro, da “insegurança” do lado de fora, e nos prende, é a propaganda diária nos bordéis da RTP, SIC, TVI, BBC, Euronews, FOX, CNN, e companhia. Pintado de cores diferentes, cada poste e arame desta vedação parece uma coisa bonita e diferente dos restantes, mas é na realidade tumo a mesmíssima estrumeira.

    Ao contrário do que é costume, acabo com uma dúvida para a qual não faço ideia da resposta: se o Chris Hedges sabe que é tudo o mesmo e até recusa, e muito bem, a votar na “escolha” entre os dois porcos nazi-sionistas genocidas imperialistas nas “eleições” nos EUA, como é que naquele parágrafo comete tal erro em relação à UE?
    Será assim tão ignorante ao que se passa fora da “The Wall” lá da pocilga do Uncle Sam?! Eu sei que aquela gente pega num mapa e nada mais sabe a não ser o contorno deus seus States, mas isto é umbiguismo a mais para um alegado especialista alegadamente alerta em relação à natureza do regime do ocidente colectivo.

    Se calhar, é como aqueles comuns cidadãos dos EUA, cuja única “informação” sobre a UE/€uro durante esta última década foi a esporádica piada racista/capitalista sobre “os gregos preguiçosos que explodiram a economia mundial”… apesar da explosão se ter dado no coração do capitalismo de Wall Street, e da Grécia só ter caído daquela maneira (tal como Portugal e outros) devido à colonização feita através do €uro.
    Enfim, é o que temos…

    • Muito bem. Só falta dizer o obvio: isto é o resultado natural da democracia cuja evolução ,desde que nasceu, sempre esteve à vista de quem não é cego.

  5. *teoria da grande substituição (que ignora completamente a verdadeira grande substituição que ocorreu no continente americano, quando os ameríndios foram chacinados e despojados pelos colonos europeus, assim como a grande substituição actual mais longa e duradoura, que acontece na Palestina)
    Bom artigo, se bem que neste momento não sei se os democratas não servem mais os “senhores da guerra” ou “oligarcas” que os republicanos, enquanto estes estão ao lado das grandes corporações ou “capitalistas domesticados”, mas isso são pormenores, pois são as duas faces da mesma moeda, do mesmo sistema parasítico e devorador de sociedades humanas e ecossistemas naturais.
    Entre uns e outros, fracos representantes dos “nossos valores e da demo-cracia’, venha o diabo e escolha, pouco ou nada trarão de bom ao mundo, à biodiversidade e à humanidade (que está contida no mundo, por mais promessas da conquista de Marte para lorpas que faça o lunático Elon Musk, e na sua biodiversidade natural, e não o contrário).
    Desde o assassinato de John F. Kennedy que os EUA se foram degradando e degenerando politicamente, mesmo que no período final da guerra fria e nos 15 anos subsequentes parecesse que estavam no apogeu e a história tinha “acabado”. Chamar aos EUA farol da democracia e da liberdade é uma charada completa digna de um Joker psicopata, seja ele o Jack Nicholson, o Heather Ledger ou o Joaquin Phoenix…

    • Obrigado.
      Outra coisa muito discutível diz respeito à passagem sobre a UE ser uma estrutura que fornece estabilidade. Deixou de o ser, se o foi nas primeiras décadas, quando a centralização e os processos pouco democráticos de decisão se impuseram à independência e auto-determinação dos estados-membros, forçando políticas que são impostas a todos os cidadãos sem direito a contraditório ou crítica, graças às políticas de censura e redução de “direitos, liberdades e garantias” (os políticos vassalos gostam muito desta expressão, mas parece que não sabem o que significa, ou deveria significar) cada vez mais dominante.
      Hoje em dia a UE garante estabilidade aos lobbys industriais farmacêuticos (o “sucesso” da vacina Covid-19, pelo menos a nível comercial – que imunidade de grupo prometida, nem vê-la – é um dos expoentes máximos dessa sujeição), indústria armamentista e agro-alimentar, entre outros sectores beneficiados acima dos cidadãos na estabilidade e segurança das suas vidas e dos seus futuros, como a banca, a finança e os “mercados bolsistas”, etc.
      Este parágrafo está portanto integralmente correcto, exceptuando esta questão que referi acima, que não é de somenos quando a UE foi capturada por grupos de interesse que ainda por cima se subjugam à potência externa norte-americana (EUA). E exemplos disso não faltam, desde as isenções de impostos às principais corporações americanas (o laissez-faire), até às ingerências políticas e espionagem sobre os líderes europeus (as escutas a Merkel, Hollande, etc são factuais, e mereceram um “pedido de desculpas” de Barack Obama a estes e a outros, dizendo que não estava a par delas). Mas por cá parece que, enquanto pingar dinheiro (tachos, mordomias, promoções, etc) para o bolso de alguns, nada disso faz diferença. E quem disser o contrário é “putinista, comunista e terrorista-extremista”, tudo ao mesmo tempo e ainda mais.

      “Eles semeiam dissensão ao vender absurdos, como a grande teoria da substituição, e desmantelar estruturas que fornecem estabilidade, como a União Europeia. Isso cria incerteza, medo e insegurança. Aqueles que orquestram essa insegurança prometem, se entregarmos ainda mais direitos e liberdades civis, que eles nos salvarão de inimigos fantasmas, como imigrantes, muçulmanos e outros grupos demonizados.”

      • Exatamente. Sobre a UE também sei que é assim.

        Um exemplo prático muito concreto:

        — a UE é estabilidade para os fabricantes de carros dos EUA, Japão, e países ricos dentro da Europa. Esses podem vender, os outros pagam tarifas;

        — com a transição “verde”, vieram-nos ao bolso, ao devolverem PARTE do dinheiro chamam-lhe “fundos europeus”, e são os NÃO eleitos em Bruxelas que decidem como aplicar o dinheiro;

        — resolveram dá-lo a “empresas” para modernizarem a frota automóvel, o que na prática significa que gente NÃO eleita cobra impostos a pobres (via IVA, que chega a todos), para depois fazer propagabda ao seu regime, e distribuir para cima, para quem não precisava de apoio nenhum: empresários que recebem assim uma ajuda oara trocar o seu BMW por um Tesla, ambos topo de gama;

        — têem ainda a lata de chamar a isto “verde” ao mesmo tempo que obrigam países colonizados, como Portugal, a cortar no orçamento dos transportes públicos (ex: congelando carreiras dos motoristas), e obrigam governos (ou alguns fascistas fazem de conta que são obrigados) a cortar rotas, a aumenter preços dos bilhetes, ou a privatizar os transportes que antes eram públicos;

        — como se a falta de vergonha não fosse já suficiente, aplicam sanções ao maior fornecedor de gás limpo e barato, e oara criar a eelectricidade dos pópós que “poluem zero”, começam a queimar mais gás caro e sujo (ex: LNG de origem no fracking nos EUA) ou até a queimar mais carvão!

        — e como cereja no topo do bolo desta “estabilidade” e “democracia” toda, os tais fundos “europeus” excluem os melhores e mais baratos automóveis eléctricos da actualidade, líderes mundiais de vendas, da China e Vietname! E aplicam-lhes tarifas de 50% ou mais, consoante o país.

        É esta a “estabilidade” fornecida pela UE.

        Algo particularmente insultuoso de ouvir, quando se acompanha isto de um exemplo no sector automóvel, pois somos de Portugal, um país constantemente chantageado com uma mera linha de montagem de peças da Volkswaggen, que quando não são fabricadas a tempo noutros países, obrigam a parar a linha em Portugal. E isto no país em que o fascista corrupto (Cavaco Silva) que se orgulha de nos ter “dado” a Autoeuropa, é o mesmo que em nome do dinheiro com que o corromperam, destruiu o que restava da indústria automóvel Portuguesa, encabeçada pela fábrica de 4×4 da UMM, que a certo ponto foi um verdadeiro exportador, e não uma esmola/chantagem onde se encaixam peças como é a Autoeuropa.

        Mas se perguntarem a um político português europeísta, ele dirá que tudo isto é mentira, e que a UE, €uro, e NATO são o nosso paraíso. E dirá isso enquanto conta o número de viagens pagas entre Bruxelas e Lisboa, goza as oportunidades de “trabalho” exclusivas para esta corja (ex: os think tanks andam na moda, mas o tradicional cargo não executivo numa empresa, que nem sabem bem o que faz, está sempre no menu), ou se lembra do popó topo de gama que os fundos “europeus” deram “aos portugueses”, ou na mansão construída em pleno parque natural graças ao “suor” de quando estavam de pernas abertas e debaixo de um produtor de armas num escritório do chamado “edifício do lobby” em Bruxelas, não é “senhora” Ana Gomes?!

Leave a Reply to estatuadesalCancel reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.