O rapaz e o General

(Por José Gabriel, in Facebook, 07/09/2024)


Um dia, começou uma guerra na Ucrânia. Não vou incomodá-los com a história e os antecedentes deste facto. Não estaríamos de acordo e não é esse o ponto de hoje.

Todos sabemos o que, numa guerra, é a ação psicológica – agora designada com nomes mais finórios como “elementos não cinéticos da guerra”. No fundo, é simples: a partir da frase atribuída a Tucídides, “numa guerra, a primeira vítima é a verdade”, a maioria – não todos – dos analistas que frequentam as nossas televisões, tomaram há muito a sua causa e defendem-na, sem grande preocupações com os factos, e muito menos com a ética jornalística.

Os entrevistadores, então, chegam a ser hilariantes e, como se esperava, alguns deles submetem os seus “inimigos” a diálogos insuportáveis. Mas, se gostam do comentador de serviço – civil ou militar – as coisas podem tornar-se exóticas, patéticas, disparatadas.

Claro que nesta coisa da ação psicológica – consultem o Manual do Oficial Miliciano, bíblia em assuntos militares – os que tomam partido furiosamente, sabem bem que devem seguir este princípio básico: tudo quanto os “inimigos” e seus alegados simpatizantes falam é mentira; nós – eles-, do lado de cá, falamos verdade. A partir daqui, é um fartar vilanagem.

Hoje levei a paciência – notei a indignação do meu gato – ao ponto de assistir a um dos pares feitos no céu nestas matérias: o rapaz Cláudio e o major general Isidro. Com que entusiasmo eles discorrem e se reforçam mutuamente na construção da sua cena. Pobre Rússia, não sabe que está derrotada. Não ouve o Isidro, é o que é. Aquilo atinge as raias do delírio; pratica a contra informação sem perceber que nós percebemos.

Quem quer estar informado sobre o que se passa na Ucrânia, não espere nada dali. Ali só há sócios do mesmo clube. Não é um programa, é um pagode.

 Quem deve estar receoso com aqueles debates são os russos. Temem, sem dúvida que, um dia, o Cláudio e o Isidro se dirijam à zona do conflito. E, com as suas cortantes análises provoquem baixas nas tropas russas. Que podem morrer de riso.


6 pensamentos sobre “O rapaz e o General

  1. Sim, o melhor mesmo e continuarmos a apoiar o Zé Drogado até ficarmos sem calças pois que o Tiranossauro já avisou que quem vai a partir daqui pagar a maior parte da factura somos nós.
    Tens razão, se não fosse tão dramático andarmos a perder direitos para apoiar nazis are podia mesmo ser comico.

  2. oh valha-me Deus, fiquei completamente esclarecido, afinal um conflito que vai deixar um país desfeito e arrasado por umas decadas, com milhares de mortos à mistura, tinha tão facilmente resolvido: ou transvirava o Zelé em um fantoche do Kremelim, ou arranjava-se outro à medida do Sr Putim e a sovietização continuava imparável até à resssuscitação final.
    Se não fosse tão dramático, até podia ser cómico.

  3. Estátua amiga, fazias-me um favor se despejasses aqui o link para a palhaçada, que eu divirto-me à brava com a acutilância do Isidro. Melhor que aquilo só uma amiba alcoolizada. E não tenho gato, pelo que não arrisco a indignação de ninguém.

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