O problema é o Maduro…

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 02/08/2024)


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O mercado eleitoral está em pleno funcionamento nas Américas. Na do Norte há o mercado das doações/ações para comprar votos. Na do Sul, na Venezuela há mercado de votos para comprar petróleo. O neoliberalismo conduz a estas encenações em nome da democracia!

Que nos cresçam asinhas de anjo, tal como a Rangel, a Bugalho, a Santos Silva – fiéis de Guaidó, presidente em photoshop da Venezuela, e acreditemos quão antigas e desinteressadas são as preocupações dos Estados Unidos com as democracias no seu quintal sul-americano.

Nada a ver com os colossais lucros das empresas americanas. Tudo pelo bem dos povos.

Assim de repente, em 1954, com tropas treinadas pela CIA e comandadas por um militar local, os Estados Unidos derrubaram o governo de Jacobo Arbenz, na Guatemala, um governo constitucionalmente eleito, que apenas empreendia reformas que visavam minorar a exclusão social em que a maioria da população indígena vivia. Não havia nenhuma evidência de ligações de Arbenz com o comunismo. A irritação de Washington tinha outro motivo: o governo de Arbenz havia tomado medidas que prejudicavam os interesses da United Fruit, uma empresa bananeira americana instalada no país.

 Em 1969, na Colômbia, havia uma empresa conhecida pelo cognome de “Mamá Yanay” pela Zapata Corporation, empresa relacionada com George H. W. Bush passando a designar-se por Chiquita Brands. Esta empresa foi acusada de financiar grupos paramilitares na Colômbia responsáveis pelo massacre de sindicalistas, camponeses.

O Chile é, porventura, o exemplo mais marcante da técnica de apresentar como comunismo qualquer ofensa aos interesses americanos. A desestabilização do governo de Salvador Allende no Chile (1973), promovida por Nixon e Kissinger, deveu-se à nacionalização das empresas mineiras de capital americano, ou à diminuição das compensações que lhes tinham sido atribuídas.

O cuidado dos Estados Unidos com a qualidade democrática e as virtudes dos seus aliados tem um bom exemplo em Noriega, o presidente do Panamá. Com o conhecimento e o apoio das autoridades dos EUA, Noriega formou “a primeira narco-cleptocracia do hemisfério”, como um relatório de um subcomité do Senado norte-americano classificou o Panamá de Noriega, “o melhor exemplo da política externa recente dos EUA”. Após a captura, Noriega declarou que havia trabalhado sempre de mãos dadas com Washington. Colaborador pago da CIA desde o início dos anos 1970, Noriega permitiu que forças norte-americanas instalassem postos de escuta no Panamá e usassem o país para direcionar ajuda a forças pró-EUA em El Salvador e na Nicarágua.

Depois da morte do presidente do Panamá, Torrijos, em 1981, Noriega assumiu o comando do Panamá e aliou-se aos chefes do narcotráfico da Colômbia, como Pablo Escobar, a contrabandearem cocaína para os EUA e a lavar o dinheiro das drogas nos bancos do Panamá, recebendo milhões de dólares de suborno.

Mas de facto o problema é o Maduro, que se distingue dos outros “democratas” sul-americanos por não entrar no jogo do petróleo dos Estados Unidos. Mas é o mercado a funcionar.

7 pensamentos sobre “O problema é o Maduro…

  1. Portugal sofreu nos anos 60 um fluxo emigratório só comparável na Europa ao exodo Irlandês na sequencia da Grande Fome. Isso não causou mossa aos nossos parceiros da NATO.
    A Romênia tem hoje menos 25 por cento da população residente que tinha em 1990.E isso não incomoda os que hoje são seus parceiros na NATO e União Europeia.
    Os gregos emigraram em massa nos anos da troika mas isso foi visto como fruto da tendência grega para emigrar sempre que tinha problemas.
    Ate reformados se expatriaram para a Bulgária por ser impossível viver com dignidade na Grécia depois de tantos cortes nas reformas.
    Mas enfim, os gregos tinham a maluqueira da emigração.
    Só os emigrantes venezuelanos e que sao dignos de pena e ate de uma intervenção salvadora sobre o país.
    Mas conseguida a almejada mudança de regime passam a ser todos uns malandros como sao salvadorenhos e guatemaltecos.
    Vao ver se o mar da choco.

  2. Comentario muito bom de Joaquim de Freitas que aponta as fontes e causas bem concretas da emigraçao venezuelana e de como esta tem serviço às mil maravilhas para apoucar a luta de um país contra o Império que, sem quaisquer escrúpulos lhe tenta vergar o cerviz. O exemplo venezuelano nao pode frutificar, por isso é preciso mobilizar todas as armas para o elimnar moral e politicamente e, nesse sentido, o soft power da comunicaçao social, dominada pelo grande capital – que nao conhece fronteiras – tem um papel determinante.

  3. Embora o fenómeno da emigração em massa de venezuelanos se tenha tornado, desde 2016, uma das questões favoritas da imprensa ocidental, nunca antes fomos sujeitos, a uma blitzkrieg mediática tão coordenada sobre este assunto.
    O tema é apresentado sem qualquer menção ao contexto político, sem nuances ou vozes discordantes e sem qualquer ponto de vista do governo venezuelano como contrapartida. A narrativa monolítica dos meios de comunicação dominantes sacrificou a ética jornalística no altar da propaganda.
    Durante este ano, o processo de migração acelerou. Para além dos estrangeiros ou dos cidadãos com dupla nacionalidade que decidiram regressar ao seu país, muitos membros das classes trabalhadoras venezuelanas expatriaram em resposta à violência económica e política que a Venezuela teve de enfrentar.
    O consumidor destas empresas transnacionais de comunicações nunca saberá nada sobre a feroz guerra económica em curso contra a Venezuela, nem sobre as ameaças militares que pesam sobre o país. As consequências não tendo causas, é por isso mais fácil atribuir a responsabilidade do processo migratório unicamente à pessoa de Nicolás Maduro.

    No caso do país bolivariano, os estudos recentes mais sérios mostram que o número de venezuelanos que vivem hoje no estrangeiro oscila entre os 6,5% e os 9,5% da população do país Este número, que não deve ser considerado de ânimo leve, é, no entanto, muito inferior ao número de portugueses, irlandeses, romenos ou polacos que vivem fora das fronteiras do seu país de origem, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações Embora se trate de países da União Europeia, tal não comove os meios de comunicação social nem as autoridades de Bruxelas, que estão, no entanto, muito agitadas em torno do caso venezuelano.

    Cette hypocrisie et cette manipulation politique du thème de l’émigration vénézuélienne ne prennent de sens que dans le contexte d’un affrontement politique permanent contre le modèle bolivarien. Si la plupart des émigrés des pays européens cités ont dû abandonner leur pays à cause des mesures d’austérité appliquées par leur propre gouvernement, dans le cas du Venezuela les citoyens partent pour échapper aux conséquences de la guerre économique qui sévit contre leur pays.

    A especulação contra a moeda nacional, a extracção contrabandeada de bens de primeira necessidade, o saque de gasolina, o tráfico de notas venezuelanas, a queda da classificação de crédito da Venezuela apesar do pagamento da sua dívida, todos os meios servem para, como no caso do Chile de Allende, “fazer a economia venezuelana gritar” e sufocar a população

    A isto acresce um feroz bloqueio económico e financeiro por parte dos Estados Unidos e dos seus aliados. Estabelecido sob Obama, foi fortalecido pelo presidente Donald Trump. Como observa a economista Pacualina Curcio 64% do total das importações de medicamentos e 82% dos alimentos importados pela Venezuela são provenientes dos Estados Unidos ou de países europeus e latino-americanos alinhados com a política de Washington e o seu desejo de penalizar as empresas e bancos que negoceiam com Entidades públicas venezuelanas. Esta guerra económica é um acto criminoso que visa criar miséria e levar os cidadãos a procurar um futuro melhor fora do país. Os emigrantes venezuelanos tornam-se, involuntariamente, um pretexto para justificar a intervenção humanitária, terminologia hoje famosa para cobrir os horrores da guerra.
    Quando os meios de comunicação dominantes, apoiados por uma miríade de ONG cuja objectividade é mais do que duvidosa ,insistem no recente processo migratório dos venezuelanos, ao mesmo tempo que omitem deliberadamente a recordação das causas, não se envolvem mais nem menos do que numa operação de propaganda de guerra visando legitimar um conflito ou uma acção antidemocrática contra o povo de Bolívar.

  4. Pergunta o José Costa: Afinal se o governo de Maduro é bom, porque 9 milhões de venezuelanos fugiram da Venezuela?

    A sua pergunta tem uma resposta simples: Porque a vida humana é curta e a morte é certa.

    Mas antes de explicitar o sentido desta resposta, tão breve quanto sumarenta, não quero deixar de manifestar a minha perplexidade e solidariedade: está um indivíduo, no caso o Carlos Matos Gomes , a explicar tintim por tintim que o que aconteceu com a Venezuela, reconstituindo um padrão que permite compreender os eventos subsequentes e, no fim, a primeira reação é a de alguém que se esteve nas tintas para a explicação – profunda, factual, bem argumentada – e esse alguém resume tudo a um velho e estafado questionamento que roça a boçalidade mais rasteira.

    Vamos agora explicitar a resposta á sua interrogação, a qual, apesar de tudo, como é recorrente, talvez mereça ser considerada. Pelos vistos a boçalidade já se transformou em senso comum, que, como alguém disse, não é equivalente a ‘bom senso’.

    Boa parte da humanidade sente que ‘a vida humana é curta e a morte é certa’, por outras palavras , tende a não aceitar sacrifícios em nome de ideais, quer viver a sua vidinha e o resto que se vire. Neste contexto, se tiver oportunidade de fugir a sacríficos foge. Presumo que tal se aplica ao que aconteceu na Venezuela. Aquela parte da população que antes vivia relativamente bem, sentiu, mais que outros, o peso das sanções que o Império decretou. Podia emigrar, provavelmente era mais capacitada para tal e, quando a oportunidade surgiu, aproveitou: A vida humana é curta e a morte é certa!

    Hoje, não sei se sabe – mas devia saber – num mundo globalizado, a aplicação de sanções corresponde a uma autêntica guerra, só que por outros meios. Repare, a Ucrânia não teve sanções, teve guerra, e o resultado foi a fuga de milhões de Ucranianos, mas você não se lembra de falar nisso porque não percebe a nuance, nem, para o que tem em vista, lhe convém lembrar.

    De qualquer modo, com esta minha intervenção – prosápia minha – espero ser mais bem sucedida que o Carlos Matos Gomes. Julgo ter-lhe fornecido elementos para você perceber porque é que , quando um território é invadido por uma potência poderosa, há muita malta que foge, e foge pura e simplesmente porque pode fugir; a que não pode, na maior parte dos casos, limita-se a fazer da necessidade virtude. Não podemos levar a mal nem a uns nem a outros!

    • O tempo usado a responder a tais “ideias” é tempo perdido. A única resposta algo convincente é um porro nos cornos, e mesmo assim muito cuidado em não partir o porro porque os cornos, esses são muito duros. Seja como for os que reproduzem essas perguntas são apenas verbos de encher, os que contam são os que conhecem muito bem as respostas

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