Abertura das Olimpíadas de Paris: A Civilização Ocidental revela-se sem máscaras aos olhos do mundo

(Raphael Machado in Twitter 27/07/2024)

Não há nada de surpreendente na abertura das Olimpíadas de Paris, exceto pelo fato de que, talvez, a maioria das pessoas não tenha visto uma concentração tão grande de inversões e deturpações históricas, culturais, simbólicas e axiológicas quanto nesse evento.


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Para ser justo começarei por um elogio. A ideia de realizar uma abertura fora de um estádio, com o objetivo de valorizar a “paisagem” e os cenários típicos da cidade-sede, tem algo de interessante. Mas é isso. Essa foi a única coisa de interessante nessa abertura (houve também umas poucas referências cinematográficas e literárias interessantes no ponto em que se passou pelo cinema francês), e essa possibilidade nem mesmo foi bem aproveitada pela França.

Em primeiro lugar, os atletas olímpicos “desfilaram” em barcos, sob chuva, em um rio extremamente contaminado por poluição (fruto da decadência urbana de Paris, que fora dos bairros icônicos não é mais que uma favela). Os barcos pareciam improvisados, como se o governo tivesse “encampado” temporariamente barcos aleatórios, aproveitando-os para a abertura. Agora é torcer para que ninguém fique doente por causa da chuva (atletas de alto rendimento, às vezes apresentam fragilidades de saúde porque o esforço excessivo que é típico de suas atividades impacta em suas respostas imunológicas), e que ninguém tenha tido contato com a água do Sena.

Deixando isso de lado, porém, aproveito para elogiar principalmente as delegações africanas, asiáticas, pacíficas e árabe-islâmicas, porque foram as que mais consistentemente buscaram representar as suas identidades etnoculturais. Algumas delegações ibero-americanas idem.

Quanto aos europeus, eles ou têm vergonha daquilo que são, ou simplesmente esqueceram ou não sabem quem são, então as suas delegações são sempre genéricas, e têm mais de “ocidentais” do que de “europeias. Mas isso, claro, não tem nada a ver com a organização francesa da abertura em si.

Porque quanto à abertura o que nós vimos foi uma exibição do âmago da civilização ocidental. Eu não poderia aqui falar em “coração”, porque o âmago da civilização ocidental está, na verdade, em sua “cloaca” – que foi exatamente o que vimos.

Em geral, as aberturas olímpicas tentam contar um pouco da história do país-sede. Passa-se por séculos ou mesmo milênios de história. Os povos buscam mostrar ao mundo as suas raízes longínquas, os seus ancestrais heroicos, os grandes feitos de seu passado. Nas Olimpíadas de Paris não tivemos nada disso.

Nenhum elemento da França pré-Revolução Francesa se fez presente. E esse é um fato importante que precisa ser esmiuçado e enfatizado. De fato, o “neo-iluminismo” foi o tema geral da Abertura das Olimpíadas, ou seja, a atualização do Iluminismo setecentista para a pós-modernidade woke. São os mesmos valores, mas adaptados para a era do pós-indivíduo e da sobreposição das pulsões à razão “patriarcal” e “fascista” – que não é senão a consequência lógica de elevar a razão acima de seus limites.

A impressão que se tem, de fato, é que a França nasceu em 1789. E realmente, a França de Macron nasceu em 1789. A França pré-1789 – aquela França de Vercingetorix e dos celtas, de Carlos Magno e dos paladinos, de Luís IX e dos cruzados, de Joana d’Arc e da Guerra dos 100 Anos, e mesmo a já modernizante França de Luís XIV – é outro país.

Não sou “eu” que estou dizendo. Macron e os seus caminham sobre os chãos franceses como se fossem parasitas alienígenas que vagam sobre as ruínas de uma civilização inimiga conquistada. Não foi casual que Macron reagiu com indiferença ao incêndio da Catedral de Notre-Dame. Ele não se emocionou porque há 2 Franças, a França europeia e a França ocidental. E era isso que se fez questão de evidenciar nessa abertura.

Entenderam o porquê de eu sempre insistir na existência de uma distinção fundamental entre uma “civilização europeia”, adormecida, sedimentar, oculta, e uma “civilização ocidental”, disposta sobre as ruínas e fragmentos dessa civilização anterior e cujos valores são antitéticos e descontínuos em relação aos seus valores? Não sou apenas “eu” dizendo. A própria elite francesa exibe isso aos olhos do mundo. Não precisam crer em mim. Vejam.

Que se tenha escolhido o injusto assassinato de Maria Antonieta para expor as “origens” da França é significativo. Essa é uma França que nasce de uma traição maçônico-frankista que culmina em um assassinato ritualístico do “Sol” (encarnada na figura do Rei). Aquilo que nasce desse ritual e que se espalha pelas capitais europeias e cujo centro é, posteriormente, deslocado para os EUA, é precisamente o espírito obscuro da subversão contra iniciática e da dissolução universal. A chuva de sangue é o “sacramento” satânico da França de Macron.

Aqui precisamos apontar, ademais, que mesmo de uma perspetiva técnica essa abertura foi sofrível. Crianças de grupos amadores de dança seriam capazes de organizar algo melhor. Não havia qualquer coordenação motora ou sincronia, por exemplo, na exibição de “cancã” realizada por pessoas vestidas de rosa. Comparemos isso com a sincronia absoluta das exibições da abertura das Olimpíadas de Pequim, por exemplo. Uma dança posterior, no estilo de “dança de rua”, dava a impressão de que os dançarinos estavam fantasiados de mendigos – talvez uma homenagem ao lúmpem francês, a classe que serve de sustentação quantitativa para o macronismo.

Foi curiosa a pretensão de que as Olimpíadas de Paris estavam, em sua abertura, “celebrando a mulher” em um sentido geral, quando ela havia acabado de exibir uma mulher decapitada pelos jacobinos. Mas é necessário entender que quando o Ocidente celebra “as mulheres” é de uma maneira muito peculiar. Não são “todas as mulheres”, não são as “mulheres francesas”, mas as “mulheres ocidentais da França” – o que obviamente incluiu, na seleção de “10 ícones”, mulheres que não eram etnicamente francesas; com as que eram etnicamente francesas só podendo ser, obviamente, abortistas, anarquistas, feministas e, naturalmente, a pedófila Simone de Beauvoir.

Em outra parte da abertura, celebra-se um poliamorismo pós-gênero, com um triângulo amoroso entre um homem, uma mulher e uma pessoa andrógina de sexo não esclarecido. Além de, obviamente, celebrar a desconstrução de conceções tradicionais de “homem”, “mulher”, “amor” e “família” (em paralelo, dançarinos em roupas que não diferenciavam entre sexo deixavam bem claro que se tratava, ali, precisamente, de um impulso pós-gênero e, portanto, transumano), é necessário aí fazer referência à inversão satânica do mito do andrógino.

O mito do andrógino (presente mesmo no Cristianismo, bastando que recordemos que Adão já continha nele Eva antes de Deus retirar a sua “costela”) aponta para um certo princípio de unidade cósmica. Ela não é meramente sexual, mas é um símbolo do Um, o qual é alcançado, simultaneamente, por uma “conexão ritual” com o elemento do sexo oposto que subsiste em nosso interior (o “animus/anima” de Jung), bem como por meio do casamento enquanto rito sagrado, o qual só pode ser concretizado com uma pessoa do sexo oposto.

Pretender alcançar o “Um” materialmente por meio da indeterminação e fluidez sexual e por meio de práticas sexuais “desconstrucionistas” não é senão uma paródia, uma inversão do casamento tradicional e dos ritos tradicionais dos povos. Não é a ascensão na direção do Um, é a queda na dissolução caótica, como um nigredo sem fim.

Um terceiro elemento ritualístico aparece na paródia da Santa Ceia, protagonizada por elementos que representavam precisamente essa ponte entre “desconstrução do gênero” e “transumanismo”. Nesse cenário da paródia profana, que tinha como mote a “diversidade” e a “representatividade”, incluiu-se inclusive uma criança, para o horror de milhões de pessoas ao redor do mundo.

Depois de exibir uma overdose de diversidade pós-gênero, o fato de ser uma paródia da Santa Ceia é confirmada pelo fato de que a cena culmina num “banquete”. Nesse banquete, uma estranha paródia de Baco é trazida seminua em uma bandeja – uma referência ao canibalismo ritual e, nesse sentido, à conotação da ingestão do corpo de Cristo na Eucaristia.

O fato do Baco, porém, parecer castrado, bem como o próprio cenário e contexto geral, mostra que esse Baco é aquela perversão de Dioniso engendrada pelos sacerdotes de Cibele – é o Dioniso visto a partir das “profundezas”, aquele que no lugar da transcendência imanente é apenas imanência, submersão do “zangão” no colo da “Deusa-Mãe” das monstruosidades titânicas.

Considerando que essa cena foi disposta numa ponte sob a qual as delegações tinham que passar em seus barcos representou, intencionalmente, um gesto de humilhação para as delegações pertencentes a povo que ainda estão ligados às suas Tradições. Passar sob a ponte da paródia da Santa Ceia era como uma demonstração do triunfo desses elementos demoníacos sobre os povos do mundo.

Nada mais precisa ser dito sobre essa abertura das Olimpíadas de Paris. Foi, claramente, a pior abertura olímpica da história, tanto de uma perspetiva técnica e estética quanto de uma perspetiva simbólica e espiritual.

A comparação com as aberturas mais recentes, como a de Pequim, Rio ou Atenas é suficientemente chocante e deixa absolutamente claro quão profundo é o buraco no qual a civilização ocidental está se afundando e pretende afundar o resto da humanidade.

Mas se isso ficou evidente dessa maneira, então devemos saudar essa abertura. Sempre que o inimigo se exibe de forma tão evidente e inequívoca o nosso trabalho de convencimento é facilitado.

As distinções entre “nós” e “eles” tornam-se naturais e automáticas, e resta apenas que cada um se alinhe com o próprio bando para travar a necessária guerra cultural.

A meu ver, a reação a essa abertura é tão determinante politicamente quanto a posição em relação a Ucrânia e em relação à Palestina.

Aqueles que sentiram nojo dessa abertura são nossos amigos, aqueles que ficaram encantados com ela são nossos inimigos.


27 pensamentos sobre “Abertura das Olimpíadas de Paris: A Civilização Ocidental revela-se sem máscaras aos olhos do mundo

  1. *basearam
    No entanto, o enquadramento, a perspectiva, a organização coreográfica assemelham-se mais à da Última Ceia, daí que as minhas dúvidas persistam, e até pode ser uma amálgama de ambos.

  2. Só para concluir este assunto (que não merece tanta importância, mas enfim, faz parte do marketing dos JO 2024, pois a polémica atrai atenções), ontem no espaço da Dr. Ana Gomes na SICN (que não costumo ver, mas como o tema inicial era esse fiquei a ver para perceber a quantas anda a senhora), ela disse que os coreógrafos e encenadores esclareceram que não se baseram no quadro da Última Ceia de Leonardo da Vinci, e sim na Festa dos Deuses, de Jan Harmensz van Bijlert. Vale o que vale, não fiquei muito convencido, mas não vou perder mais tempo à procura das semelhanças e diferenças. Uma coisa é certa, mais depressa deuses do panteão greco-romano aparecem no quadro A Festa dos Deuses do que na Última Ceia, isso é certo, e logo aí a semelhança é maior.

  3. Notável texto pela coerência, precisão da desmontagem e desmascarada aberta da obscenidade cometida pelos executores da ideologia das elites no poder que visam claramente por este exemplo, transmitir ao mundo a sua visão demoníaca, perversa e arrasadora dos mais importantes valores que deveriam nortear as sociedades. Com isto e outros factos análogos e imbuídos das mesmas intenções, as elites pretendem sim reconstruir a história, a cultura e tb a fé de uma Europa decadente, à deriva. Querem porque querem matar a própria história e reduzir o velho continente a uma insignificante colónia americana, já sem ideias nem objectivos próprios. Nunca pensei que a degradação moral, ética e cultural pudesse descer tão baixo. O facto é que desceu mesmo e isso só pode merecer a nossa mais radical e absoluta repulsa, infelizmente!!!!

    • Se há coisa que este texto não é é coerente e preciso. E vários comentários, incluindo os meus, já trataram de demonstrar quão incoerente e impreciso chega a ser.
      A demagogia nunca é o método para a verdade e o esclarecimento, talvez nos partidos americanos ou nos Pategas de Portugal isso funcione para iludir lorpas, e os resultados são os que se vêem.

  4. Em relação ao texto: Abertura das Olimpíadas de Paris: A Civilização Ocidental revela-se sem máscaras aos olhos do mundo (Raphael Machado in Twitter 27/07/2024), há vários aspetos que, em minha opinião, justificavam uma nota prévia à sua publicação pela Estátua de Sal já que as posições do autor, tanto quanto percebi, denotam um viés ideológico que julgo dever ser identificado.

    Tenho todavia de confessar que: (1) não assisti às cerimónias de abertura dos jogos ; (2) não conhecia qualquer referência ao autor antes de o ler; (3) houve partes do texto que não compreendi. Mas também tenho de confessar que me senti incomodada com várias das referências feitas, com o que foi dito e com o que não foi dito e que acho importante não deixar passar em branco.

    Embora não costume assistir a televisão, volta meia volta, vou tomando conta deste ou daquele átomo de informação e em relação a este evento a única coisa a que dei atenção foi ao facto de os inúmeros sem abrigo que enxameiam algumas ruas de Paris terem sido varridos da cidade para “inglês não ver”. Ora neste texto esta informação está conspicuamente ausente o que só por si me parece revelar algo de significativo sobre a posição ideológica de quem o escreve: coitadinha da M. Antonieta – a tal que quando o povo insurreto reclamava por pão perguntava porque não comiam bolachas – mas para os milhares de desgraçados sem abrigo que pululam nestas sociedades da abundância nem um toque!!! Isto há esquecimentos que dizem mais do que mil palavras.

    O pecado capital da apresentação dos Jogos parece ter sido não lembrar eventos da França medieval bem como o fausto da monarquia absoluta, que precedeu a Revolução e ter-se centrado nesta, não parecendo o autor entender que os ideais da revolução eram nobres e correspondiam às aspirações populares. A ideia era boa, circunstâncias e fatores de vária ordem não permitiram que avançasse, de qualquer modo é preciso perceber que não se deve ‘deitar fora o bebé com a água do banho’.
    A partir daqui, é compreensível que, apesar de tudo, a França , orgulhosa da sua revolução, centrasse nela o foco na apresentação dos jogos. O contrário é que seria de espantar.

    Reclamar do Iluminismo também diz algo sobre o autor deste texto, pois o Iluminismo foi um movimento de ideias extremamente progressista para a época, um movimento de não retorno, que precisaria posteriormente de ser atualizado e de não cristalizar. Significou aceitar que a razão e o conhecimento balizassem a atividade humana com a convicção, de que a razão ainda é aquilo que nos pode ajudar a ultrapassar a estupidez e a intolerância que por vezes parecem habitar-nos.

    Quanto à referencia à pós-modernidade woke é mais um chavão para ignorar a justeza de muitas das atuais reivindicações de setores discriminados da sociedade; é um chavão muito popular porque cria bodes expiatórios, mesmo à mão de semear, para dirigirmos o nosso persistente mal estar, deixando numa confortável penumbra as forças que o alimentam. A direita, a extrema direita e, veja-se lá, boa parte de uma certa esquerda unem-se nesta autêntica cruzada. Só que neste aspeto a esquerda está a dar tiros nos próprios pés: amanhã será ela a discriminada!

    Quanto à referencia insultuosa a Simone de Beauvoir, penso que nem vale a pena comentar, só citar que se recorre a uma estafada ‘falácia ad hominem’ cuja designação se prestaria a mais uma reflexão sobre o machismo embebido na própria linguagem que temos de usar para nos exprimirmos.

    O mito dos andróginos que o autor do texto refere e que procura ligar ao mito da criação de Eva a partir da costela de Adão está deficientemente contado, porque na sua versão grega, apresentada por Aristófanes, num diálogo de Platão, remete para a ideia de um ser esférico com quatro mãos, quatro pés, uma cabeça com duas faces, duas partes privadas etc. deslocando-se velozmente e muito satisfeito consigo mesmo. Face a esse espetáculo de afronta aos deuses, Zeus teria decidido mandar cortar esse ser em dois para lhe ‘baixar a proa’, e condenou cada um desses dois a procurar a sua outra metade, falhando porventura algumas vezes em encontrá-la.
    Ao referir o mito como refere, e ao ligar a mulher à costela de Adão mais uma vez o autor deste texto mostra para em que sentido vão as suas interpretações das diferenças entre os sexos. Acresce ainda que na interpretação do mito dos andróginos, diferentemente deste autor, os gregos eram bem mais complacentes pois para eles a união amorosa tanto podia ser homossexual como heterossexual.

    Um ultimo elemento, porventura mais sofisticado, mas revelador de uma postura ideológica equívoca é a pretensa distinção entre civilização europeia e civilização ocidental, como se aquela não tivesse sido o berço desta, como se não se tivesse operado uma verdadeira fusão.
    É que, reestabelecida a distinção entre civilização europeia e civilização ocidental, pode sempre nostalgicamente pregar-se o regresso às origens como antídoto para os males com que nos defrontamos. Esse regresso teria um certo equivalente no retorno ao estado-nação e no termo da globalização, muito presente em discursos da extrema direita. Desse modo, poderia esquecer-se que o passado não é para ser revivido é para ser superado, sendo que temos de o conhecer como ele foi e não como gostamos de o imaginar – uma espécie de idade de ouro que só valorizamos depois de a ter perdido.

    • Será que a “pobre” Maria Antonieta era “etnicamente francesa”? Ou como era a mulher do rei, e europeia (austríaca) essa questão da falta de “pedigree” já não se punha? Só interessa a etnia não ser francesa quando a homenagem recai sobre plebeias?

    • Não concordo totalmente com a sua interpretação do dito artigo, sobretudo pelas conclusões subliminares e subtextuais que retira de algumas afirmações do autor. Mas não uso entrar em debate com os comentadores do blog e vou manter essa norma. Talvez, em breve, publique um artigo nosso, elucidando as nossas ideias sobre a temática em apreço.

  5. As vezes e bom aparecer um texto destes para que fiscais e capelaes não andem para aí a dizer que por estas águas só se acolhem pro russos e anti semitas.
    Quando aparece um choco destes cá estamos nós para meter o pau no cabra como quando teve direito a estar por cá o tal embaixador que garantiu que não estamos em guerra contra a Rússia nem temos nenhuma intenção malévola contra tal pais.

  6. Não conhecia este personagem que dá pelo nome de Rafael Machado e que em pesquisa posterior verifiquei estar associado à designada Nova Resistência – que me pareceu ser uma espécie de tentativa de, pela direita, cavalgar a onda de críticas que alguma esquerda (um setor reduzido) faz ao imperialismo e ao capitalismo neoliberal.

    O texto deste autor é em muitas partes hermético, a requerer desconstrução, propondo não se percebe muito bem o quê, embora cheire tremendamente a ranço e destile ódio sobre movimentos que apesar dos seus ziguezagues contribuíram para mudanças significativas no curso da história. É o caso particularmente do Feminismo que teve e tem em Simone de Beauvoir uma referência inescapável com O Segundo Sexo, obra na qual pôs às escâncaras os procedimentos opressivos que conduziram a um resultado igualmente opressivo que atingiu/atinge injustamente mais de metade da humanidade.
    Mas também podia falar na Revolução Francesa que de facto é um dos marcos do mundo moderno e que só pecou porque deixou no tinteiro a “liberdade, igualdade e fraternidade”. Contudo este autor parece apenas estar preocupado com a pobre da Maria Antonieta, trucidada incidentalmente no decurso do processo, fazendo tábua rasa de tantos intelectuais franceses, e até de uma mulher notavel, Olympe de Gouges, que tiveram idêntico destino. Esta reclamava o direito de subir à tribuna, reservaram-lhe a guilhotina; mas, claro, era feminista avant la lettre, portanto …

    O facto é que este autor escusa-se a dizer ao que vem, presumo, pelo tom que captei, que é mais um a pescar em águas turvas e eu não percebo qual a ideia de a “Estatua de Sal” lhe dar audiência, sem fazer uma nota prévia sobre o texto que íamos ler e sobre as motivações que presidiram à sua divulgação.

    • Cara amiga

      Não me compete avaliar os “ódios de estimação”, nem os seus “amores de estimação” do autor – se é que os tem. Não gostei da sessão de abertura dos Jogos. O autor também não, e explica porquê. Eu aceito a “picture” ideológica em que ele enquadra as motivações que presidiram ao espetáculo e que me levaram a melhor perceber as razões pelas quais não gostei. Podemos não concordar com as razões aduzidas, mas cabe a quem discorda desmontá-las. Já deu algum contributo. Proceda. Este espaço é todo seu. Se quiser fazer um artigo sobre o tema go on. Mande que nós publicamos.

  7. Sim, parece me mais fácil um ataque de falsa bandeira que a malta do Hezbollah que de parva não tem nada a querer facilitar nos o trabalho de justificar a nova atrocidade do maior criminoso de guerra dos nossos tempos visando uma “peladinha” com um foguete de curto alcance.
    O “povo eleito” não precisa de justificações depois do carniceiro ter sido aplaudido de pé no Congresso dos Estados Unidos.
    Pelo que não havia necessidade de uma merda destas visando comunidades provavelmente cristãs logo igualmente inferiores e blasfemas.
    Alias, para o sionismo somos ainda mais blasfemos que os muçulmanos pois que fizemos que alguém que os seus fariseus fizeram crucificar justamente por blasfémia era filho de Deus.
    Por isso poupem nos pelo menos a asneiras como dizer que são cristãos e sionistas.

  8. No link da BBC no comentário anterior, às 12:29:
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    12:29
    Government ministers attending the funerals of the children and young adults killed in Saturday’s attack have been shouted at by mourners, the Times of Israel reports.

    “You have no shame. A boy went to play football and didn’t come home,” one man is said to have shouted at ministers Nir Barkat and Idit Silman. His comments were met with cheers.

    Thousands of people from the Druze community have gathered for the funerals.

    Weeping men, dressed in traditional clothes, carried the white-covered caskets through the streets of Majdal Shams, where the strike happened.

    Earlier, several women dressed in black abaya robes cried as they laid flowers on the caskets, an AFP correspondent has reported.
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  9. Entretanto, num matadouro perto de si, info da insuspeita Bi-Bi-Ci:

    “The names of 11 of the 12 people known to have died have now been released by Israeli military and the local Druze community.

    They are: Fajr Laith Abu Saleh (16), Ameer Rabeea Abu Saleh (16), Hazem Akram Abu Saleh (15), John Wadeea Ibrahim (13), Iseel Nasha’at Ayoub (12), Finis Adham Safadi (11), Yazan Nayeif Abu Saleh (12), Alma Ayman Fakhr al-Din (11), Naji Taher al-Halabi (11), and Milad Muadad al-Sha’ar (10).”

    Donde se conclui que nenhuma das crianças mortas nos montes Golã sírios ocupados pertencia à “raça superior”, também conhecida como “povo eleito”. Eram todos (certamente “por acaso”) árabes druzos sírios, já que sacrificar vidas de eleitos, mesmo em operações de bandeira falsa, é muito arriscado, não vá a coisa um dia ser desmontada. Lá ia o Bibi Nazinyahu e sua quadrilha de guionistas e encenadores parar às masmorras onde agora despejam palestinianos.

    https://www.bbc.com/news/live/c6p2979yyyzt

  10. E como os venezuelanos, fartos de sancoes se preparam para finalmente nos fazer a vontade e por lá um fantoche nosso, já comentadeiros dizem que o problema afinal e que Maduro “subsidia a pobreza” tal como Chavez fez.
    Ou seja, os próximos seis anos, pelo menos, vao ser duros com muitas “terapias de choque” que cão lançar boa parte da população numa miseria realmente negra.
    Os militares vão ser bem compensados para matar quem vier para a rua protestar que vai ser devidamente acusado de ser um radical esquerdista que não quer trabalhar.
    Tendo em conta o que já aconteceu em cenários como a Argentina, o Brasil, o Peru e por aí fora, tinham os venezuelanos obrigação de saber mais.
    De saber que o novo senhor não vai brincar, aceitar referêndos a meio do mandato, fazer as eleições mais cedo e outras coisas que tais.
    Quem protestar tem a escolher ser espancado, morto ou preso,assim não tenha boas pernas para fugir.
    Mas agora e porque são todos uns malandros ate porque na América Latina ninguém quer trabalhar.
    Nos também gastamos tudo em putas e vinho.
    E assim vai este mundo cão.

  11. E entretanto economistas de bem lembram que Portugal e o quarto pais da OCDE onde os desempregados menos perdem rendimentos.
    Defendendo por isso que os apoios descam para que não compense mais estar desempregado que trabalhar.
    Ora eu por mim agarrava em todos esses come merda e metia os num barco a remos e se chegassem a Argentina chegavam, se não chegassem azar.
    Porque o que todos esses porcos muito bem pagos não dizem e que os rendimentos do trabalho em Portugal são dos mais baixos da OCDE. Pelo que se os desempregados perdessem tanto rendimento como em países onde os ordenados são o dobro ou o triplo caiam na indigência e iam pedir para a porta da igreja. E não haveria igrejas que chegassem nem vaos de escada para acolher tantas famílias sem abrigo.
    Não tenhamos ilusões, e isso que acontece onde não há apoios sociais.
    Mas os basbaques engolem isso tudo e depois votam na extrema direita.
    E esse tipo de bandalhos que me preocupa e não que outro bando de bandalhos tenha decidido provocar os muçulmanos com uma paródia da Santa Ceia.
    Tendo exagerado tanto na dose que consegui ofender também catolicos e evangélicos e até gente que como eu não e religioso mas acha que não havia necessidade.
    Como quando alguém achou boa ideia por o Profeta Maome com um capacete bombista ou com cara de porco.
    São provocações escusadas que visam justamente provocar reações violentas que causem vítimas entre o gado.
    Com o genocídio em curso em Gaza e o que se prepara no Líbano, o melhor que podia acontecer a estes trastes era um grande atentando de génese islâmica.
    No ponto em que estão as coisas e inevitável que aconteça um nem que seja numa operação de falsa bandeira.
    E isso que me preocupa e não a obsessão de alguns com o wokismo.

    • Hó Camacho,conheço muitas pessoas que tem 90 e tal anos que se lembram bem da 2° guerra mundial…embora fossem muito jovens.Agora não lhe vou dizer de onde e como,era o que faltava!

      • Ó tangas, a II Guerra Mundial começou em 1939, mas os Jogos Olímpicos de Berlim foram em 1936. Para dar atenção ao discurso de abertura dos JO em 36 e dele terem memória seriam pelo menos adolescentes. Um adolescente de 17 ou 18 anos em 1936 teria hoje 105 ou 106 anos e não “90 e tal”. Nem inventar sabes, ó criativo, e não precisas de me “dizer de onde e como” conheces os tais idosos porque eu sei: da tertúlia de pesca desportiva do Alto de São João e de eventuais sessões espíritas com a astróloga Maya ou o bruxo de Fafe.

  12. Uma cerimónia muito woke e muito !

    Os Jogos Olímpicos são supostos ser um espetáculo que reúne as pessoas, acessível a todas as idades, a todas as nacionalidades e a todas as culturas. Os Jogos Olímpicos são uma competição desportiva internacional. Não têm nada a ver com a promoção de sexualidades desviantes, como o orgulho gay.

    Seja como for os católicos e mulsumanos ficaram muito zangados.

    A ideia é dividir para reinar.

    ” Pão e circo”, eis o que são os desportos e porque são tão promovidos pelos dirigentes e pelos meios de comunicação social.
    Os romanos tinham tudo planeado.
    As pessoas estão zangadas? Dêem-lhes algo para sobreviver.
    Enquanto estão ocupados a assistir a eventos desportivos, as pessoas de bem não pensam na sua condição, não se revoltam, canalizam a sua raiva. E, como bónus adicional, é possível vender todo o tipo de coisas a essas mesmas pessoas através da publicidade.
    Não é por acaso que os grandes eventos “desportivos” se realizam na primavera e no início do verão, altura em que as manifestações e as greves são mais prováveis.

    PS:Queria realçar o discurso de abertura,onde incentivavam à paz…Não esquecer que o discurso de 1936 em Berlim foi parecido,dizem alguns idosos com que falei que passaram pela 2° guerra mundial.

    • “PS:Queria realçar o discurso de abertura,onde incentivavam à paz…Não esquecer que o discurso de 1936 em Berlim foi parecido,dizem alguns idosos com que falei que passaram pela 2° guerra mundial.”

      E falaste com eles onde? Num combíbio de pesca desportiva? No Alto de São João aí do Frankreich? Para entender o discurso de abertura de 1936 precisavam de ter, na altura, pelo menos uns 17 ou 18 anos, pá. O que quer dizer que ainda consegues encontrar por aí “alguns idosos” com pelo menos 105 anos com paciência para te aturar. Terá sido em sessões de espiritismo?

  13. E o resto do mundo estasse nas tintas para quantas famílias tradicionais temos ou não temos ou se danos direitos a minorias étnicas ou sexuais ou ate a grande maioria que e a mais de metade da população que não tem picha.
    O que o resto do mundo quer e que nos deixemos de exportar modos de organização económica nefastos como o neoliberalismo e que tentemos impor as nossas noções de liberdade e democracia a bala.
    Que deixemos de armar genocidas e nazis e de ensaiar esquemas de pilhagem dos recursos alheios como a guerra por procuração na Ucrânia e o genocídio em Gaza e que se ensaia no Líbano.
    Que nos deixemos de embargos e sanções contra todos os que não tocam a nossa música.
    Em resumo, que deixemos de ser racistas e ganhemos vergonha no focinho.
    Não e aquilo a que extrema direita chama wokismo que faz com que nos odeiem. E tudo o resto.

  14. Pois, este e mais um que vê wokes em todo o lado e ataques a família ideal de pai, mulher submissa e uma penca de filhos.
    E aquela malta que vê coisas e símbolos onde ninguém esta a pensar em tal coisa, vendo ataques aos valores tradicionais em todo o lado e sonhando com a total vitória da extrema direita por via da revolta da gente de bem contra os ataques as famílias tradicionais.
    Vamos lá ver, a extrema direita mostrasse muito defensora das famílias tradicionais mas apoia os genocidas israelitas que destroem justamente famílias tradicionais palestinianas.
    Apoiam Herr Zelensky que só não destruiu ainda mais famílias tradicionais no Donbass porque a Rússia finalmente acordou.
    Com as suas nefastas políticas de corte nos apoios sociais, de neoliberalismo econômico desenfreado invalidam a constituição de famílias.
    Em resumo, a gente de extrema direita são uma cambada de hipócritas pois dizendo se defensores da família são quem mais destroi as famílias.
    Quantos pais e mães de família foram mortos pelas ditaduras de extrema direita da América Latina?
    Em todo o lado onde a extrema direita chegou ao poder matou famílias a torto e a direito.
    O bandalho do Carrajola não teve problema nenhum em cozer a tiro de metralhadora a mae de quatro filhos pelo crime de estar a frente de uma manifestação onde se pedia justamente comida para alimentar crianças fruto de famílias tradicionais.
    A fome e o frio eram os companheiros fiéis das famílias portuguesas mas o Salazar dizia- se grande defensor da família tradicional apesar dele próprio não ter constituído nenhuma.
    Quando a PIDE decidia prender e torturar um opositor estava se nas tintas para a família que ele tinha.
    Alguns não voltaram a ver a família.
    Tive uma colega alentejana que não calava a revolta de ter tido um pai morto pela PIDE quando lhe aparecia alguém a dizer barbaridades como “no tempo do Salazar e que era bom” ou discursos de extrema direita em geral.
    Em resumo, os que mais enchem a boca com a defesa da família são quem mais a ataca.
    Defender a família não e dar ao macho poder absoluto sobre a família e depois instituir políticas que na prática lancam boa parte das famílias na miséria.
    E querer transformar um acto que provavelmente foi simplesmente uma coisa artisticamente mal conseguida num grande ataque as tradições e mais uma parvoíce.
    Mas liberdade e também o direito de dizer e escrever parvoíces.
    Desde que não caiamos nelas tudo bem.
    Mas a grande mascara que tem de cair e a da hipocrisia dos bandalhos da extrema- direita. A bem de todos nós, constituindo famílias tradicionais ou não. O resto e conversa.

    • Constituir família tradicional nos tempos que correm é um acto de coragem, ainda para mais na época do planeamento familiar, do controlo da natalidade (e da redução da taxa de fertilidade).
      Mas para além dessas questões directamente relacionadas com a reprodução e a parentalidade, vivemos ainda na época da “dívida soberana”, no tempo em que nos telejornais e blocos informativos nos dizem que “cada português deve em média uma maquia x (sempre crescente)”, dívida essa que nunca contraiu nem usufruiu, pelo que qualquer pessoa que nasça já vem ao mundo com esse fardo para carregar (segundo eles dizem). Isto chama-se determinismo e fascismo económico. Por acaso não tenho dívidas e espero nunca ter, evito empréstimos o melhor que posso e como não sou um burlão de colarinho branco não é com empréstimos e dívidas astronómicas que ganho a vida, deixando aos outros para pagar o que roubei e desviei.
      Além da questão do desequilíbrio sócio-económico gerado pela corrupção financeira, que mais não serve do que para escravizar as populações e enriquecer uma minoria de grandes proprietários e accionistas, temos o belicismo crescente, que irá aproveitar-se do empobrecimento dos povos para os utilizar como carne para canhão, um pouco como já acontece na Ucrânia, por exemplo, que é um laboratório ainda mais “sofisticado” e cruel que o nosso, português.
      A tudo isto ainda temos a juntar a poluição atmosférica, da água, dos solos, os micro-plásticos, o envenenamento da cadeia alimentar, etc… que é também um grave problema.
      Depois, e ainda com alguns outros problemas pelo meio (a desinformação, a propaganda, o marketing, etc nos orgãos de comunicação social, que assediam desde criança pequena a juventude), lá teríamos por fim o tal de wokismo, e a depravação sexual, o abuso de menores, a pedofilia ritualizada (como acontecia no seio da púdica Igreja) ou casual.
      O problema da extrema-direita é que, enquanto se diz muito católica, inverteu toda esta ordem de problemas e situações na defesa da “família tradicional”, e o “wokismo” parece ser o bicho-papão, já a poluicão, a destruição dos ecossistemas, a pobreza, a ostracização, a segregação parecem ser questões menores e com menos consequências para as gerações presentes e futuras, o que é revelador do seu estado de alienação e da inteligência das suas prioridades. E ainda se consideram os mais inteligentes de todos, refugiando-se em esoterismos que não passam de fachadas para o pensamento retrógado, mais do que conservador, atávico e regressivo.

      • Ou seja, mais do que a guerra e o belicismo destruirem a família tradicional, mais do que a pobreza destruir a família tradicional, mais do que a destruição dos ecossistemas e do mundo natural, o envenenamento da cadeia alimentar, a poluição crescente nas cidades, a propaganda, o marketing, a desinformação, os wokes é que vão dar cabo disto tudo.
        Quando o movimento “woke” (porque identitário) Völkisch movement arrancou na Alemanha, não vi a extrema-direita tão preocupada com o “wokismo” (ela própria éra e é o wokismo mais extremo e mais destrutivo, sob a capa do seu virtuosismo ímpar). Depois, foi o que foi.

  15. Não vi nem quero ver a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, nem tenho presente na memória as cerimónias de abertura dos anteriores mais recentes. Serei “amigo” ou “inimigo” por não tê-la visto? Será que não posso ter opinião sobre a Ucrânia ou a Palestina, por não ter visto? Ou perderão as minhas opiniões a validade por causa disso? Sinceramente, percebo que o tema possa ser discutido e dissecado, e terá os seus significados e a sua importância. Fazer disso mais do que um show de variedades meio burlesco, meio macabro (como é grande parte do que vemos nas nossas televisões hoje em dia, desde os filmes de Hollywood, passando pelos programas da “manhã” e da “tarde”, as telenovelas, até aos noticiários repetitivos e “restritos” de hora a hora, ou a toda a hora) é querer empolar e dar importância e destaque aquilo que pode simplesmente ser desprezado ou ignorado – e se calhar até é o melhor a fazer, não dar demasiada atenção, tal como às próximas eleições americanas, que também têm muito de burlesco e de macabro.

    O texto tem alguns pontos válidos, mas é críptico e enigmático em algumas partes, e em outras nem faz sentido, pois os pressupostos simbólicos podem ter conotações diferentes, e o ponto de vista do autor não é neutro, ou seja, desapaixonado, objectivo, e é até bastante subjectivo, até pelo apelo final ao conflito, “nós e eles”, o “inimigo”.
    Por exemplo, quando menciona maçonaria-frankista, o frankista refere-se a Jacob Frank? Presumo que nem toda a gente o entenda, por não conhecer tal personagem. Depois vai-se fazendo uma colagem entre os ódios de estimação do autor do texto (maçonaria, transumanismo, anarquia, feminismo, pedofilia, “abortismo”) como se fosse tudo a mesma coisa, a velha técnica de propaganda da extrema-direita em colocar no mesmo saco tudo o que serve para bater em alguém, e de casos isolados fazer generalizações a fim das suas causas totalitárias.
    Nota-se também algum misticismo misturado com esoterismo alquímico (“nigredo”), e fica a sensação que para quem critica a maçonaria, o discurso é muito hermético.
    Por exemplo, nesta parte:
    “Aquilo que nasce desse ritual e que se espalha pelas capitais europeias e cujo centro é, posteriormente, deslocado para os EUA, é precisamente o espírito obscuro da subversão contra iniciática e da dissolução universal.”
    O que é a “subversão contra-iniciática” (assim fica melhor escrito), para alguém que critica precisamente a (iniciação à) maçonaria-frankista? Será de alguém que é um iniciado numa “capelinha” ocultista qualquer? Pelo jargão utilizado, diria que sim, e que é notória uma animosidade (ou ódio mesmo) latente, de carácter “místico”…
    Enfim, salvam-se algumas passagens menos confusas e mais objectivas, menos odiosas e mais elogiosas, como a referência às delegações dos continentes africano, asiático, oceânico e ibero-americano. Mas depois, logo a crítica às mulheres referidas que não são “etnicamente francesas”, já mostrando que pelos vistos a nacionalidade francesa pode ser desvalorizada em função da etnia.
    Penso que pode ser feita uma crítica a vários dos aspectos mencionados (já vi fotografias da “última ceia”, e realmente parece ser um bocado grotesco), sem cair em discursos do ódio típicos da extrema-direita, divisivos, e evitando aspectos ignorante (mesmo quando se está a dissecar simbolismo esotérico e hermetismo).
    Quem me diz que tudo isto não é encenado precisamente para a extrema-direita (esotérica ou não) poder capitalizar e ganhar ascendente como “guia moral” dos povos do mundo?
    Não seria a primeira vez que estratégias e truques desse género seriam utilizados… e o objectivo até é o mesmo: dividir para reinar, distrair e alienar para dominar.

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