Assim vai o SNS: Onze horas na Urgência – um testemunho

(Júlio Marques Mota, 19/07/2024, Revisão Estátua de Sal)

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Ontem estive doente – nada de especial, mas assustei-me. Tanto poderia ser um AVC como outra coisa equivalente ou apenas uma pequena vertigem, é o diagnóstico com que parto de casa. Havia apenas um problema de equilíbrio, sem dores de cabeça ou qualquer outra anomalia. Apenas uma questão de equilíbrio ao caminhar. Levado de ambulância para o Hospital da Universidade de Coimbra, aí estive cerca de 11 horas, grande parte delas numa cadeira de rodas que são brutalmente desconfortáveis. Dir-se-á que as cadeiras de rodas dos hospitais não foram feitas para serem confortáveis mas, que se sente nelas durante 5 horas seguidas um defensor da política de austeridade no SNS, e verá como se levanta depois.

Afinal, o diagnóstico definido, de entre um leque possível, era do ponto de vista de gravidade, o menos mau de todos, já que todos os outros eram assustadores. Para despistagem de problemas tira-se uma TAC, um pouco antes da meia-noite, e a conclusão a que se chegou depois foi: tratava-se apenas de uma minúscula pedra no ouvido, dito cristal de carbonato de cálcio! Para susto chegou.

Mas passou-se uma noite espantosa, a assistir a muita situação de dor, de violência, de esforço, de abnegação, tanto pela parte do pessoal de serviço como pela parte dos doentes que precisavam dos seus serviços. Sempre foram 11 horas no serviço de urgência, embora grande parte delas numa situação recatada. Sem querer fazer nenhuma crónica disto, aqui deixo alguns pormenores relevantes, a saber:

  1. O estado degradado em que se encontravam muitas das cadeiras de rodas. Num caso, estava a ser transportada uma senhora de peso e volume considerável. A cadeira encravou-se. Nem imaginam o trabalho que deu mudá-la de cadeira de rodas. Aqui lembrei-me da troika, de Passos Coelho, o homem que queria ir mais longe do que a própria troika. Uma consequência da sua violência política, do seu desprezo por aqueles que sofrem, estava ali, no raio daquela cadeira de rodas que se recusava a rolar com aquele peso em cima.
  2. O ritmo intenso em que se trabalhava naquela casa, Descanso, era coisa que ali não se via, qualquer que fosse o nível operacional: médicos, enfermeiros, auxiliares, ninguém sabia ali o que era descanso. A azáfama era uma constante.
  3. O mais incómodo de toda esta noite foi um telefonema ouvido a partir de alguém que estava a dois metros de mim, no mesmo corredor. Falava com a ex-mulher, não falava baixo, mas também não gritava. Queria saber onde ela estava, ela recusava dizer-lhe. Ouço a ameaça de que iria procurá-la: ouço o choro convulsivo da mulher a dizer que ele tinha dado cabo da vida dela e da dos filhos. Não o queria ver mais. Irei procurar-te, está descansada, que te encontrarei, insistia ele. E  a pergunta, onde é que estás e a mesma resposta foram ouvidas repetidas vezes. O telemóvel era de muito boa qualidade, dada nitidez do som que se ouvia à distância e falo não só da altura do som mas da nitidez do mesmo. O que ali estava era o drama de mais uma mulher vítima da violência doméstica, não uma só uma pessoa, mas ela e os filhos que acabarão por perceber que não tem um pai, mas sim um monstro. Num contexto físico, diferente daquele em que me encontrava, iria questionar o monstro que estaria ao meu lado e que eu não via, dado haver pessoas pelo meio. Mas, assim, calei-me e silenciosamente senti as palavras ouvidas como balas contra a minha capacidade de sentir.
  4. Um pouco antes da meia-noite sou levado à zona da imagiologia para ser feita uma TAC. Converso com a funcionária que me transporta numa cadeira de rodas. Pergunto-lhe: quantas horas têm em cima do corpo. A resposta foi imediata: 12 horas. Saía à meia-noite. Fico a saber que há muitas funcionárias nesse regime. Quantos dias? Três dias por semana; mas nunca trabalho apenas três dias por semana. Na maior parte das vezes trabalho cinco a seis dias, diz-me. Questiono-me: que política de emprego é esta, uma política que não pode argumentar com falta de pessoal disponível no mercado de trabalho. Pode haver várias explicações para esta situação, não a questionei sobre isso, mas adicionando a esta carga de trabalho os efeitos colaterais de se trabalhar por turnos, trata-se, pois, de uma situação inaceitável nem que seja pelos efeitos sobre a saúde dos profissionais que, a prazo, tudo isto acarreta.
  5. Por volta de meia hora depois da meia-noite, uma enfermeira chega ao corredor das consultas, cheio de gente à espera de consulta, onde eu estava, e diz mais ou menos isto: os pacientes de pulseira verde podem-se ir embora. Não dispomos de médicos. Os doentes à espera de consulta com pulseira amarela podem ir embora ou esperar se quiserem, mas neste caso não garantimos consulta.

Uma das pessoas de pulseira verde era a pessoa que foi mudada de cadeira de rodas. Decidiu ficar à espera, à espera de no fim da noite ter uma borla, uma consulta, por obra e graças a Deus, mas com Este materializado no corpo de um médico ou de uma médica.

Quanto a mim fiquei indeciso. Ficar ou sair? Sair, não podia, pois, tinha um cateter no braço. Ficar, não sabia se tinha consulta. Não passava ninguém, que me informasse e eu tinha medo de andar e de me deslocar  a qualquer lado para saber. Ao meu lado, uma senhora amavelmente pôs-me à disposição um pacote de bolachas. Insistiu, insistiu, recusei sempre. Estava ali, ela sabia-o, estava ali há dez horas, sem comer nem beber. E quem me diz que se começasse a comer não as desejaria comer todas?

Entretanto, sou chamado para o diagnóstico definitivo. O relatório da TAC já tinha chegado. Questiono o médico sobre a situação da falta de médicos e, neste caso, porque é que eu tinha consulta e os outros não. Teria havido uma imprecisão da enfermeira, e diz-me o seguinte: os doentes de pulseira amarela, que aguardam os resultados de exames já realizados, terão consulta. É o seu caso, o de outros não. Falo-lhe do cateter que tenho no braço. Não se preocupe, chamarei um enfermeiro para o retirar. À saída diz-me, amavelmente: não hesite em recorrer a nós quando precisar. Vai entrar na nossa base de dados e será acompanhado pelos nossos serviços de consulta externa.

6. Aqui relembro a incapacidade do sistema de saúde em ter médicos e relembro Passos Coelho e a sua zona de conforto. Mas, uma certa direita, quer agora recuperá-lo: os efeitos da sua política estavam ali bem chapados, em todos aqueles que após horas de espera saíram sem consulta na urgência do maior hospital da região, por falta de médicos. Mas os efeitos não eram só os da política de Passos Coelho eram também os efeitos da política morna do PS e dos seus compromissos com a grande burguesia, com a medicina privada, com os hospitais e clínicas privadas que, por exemplo, no Algarve cresceram como cogumelos. Interesses, mas de quem, não sei.

Do ponto de vista da saúde, uma coisa é certa: quer a administração de Passos Coelho quer a de António Costa não responderam às necessidades do país em termos de saúde e isso era bem visível nesta noite de relativo pesadelo.

No caso de António Costa e das suas contas certas quis dar-se bem com tantos e todos. E quando assim é, sabe-se da vida real, que quando alguém se quer dar bem com todos não se dá bem com ninguém. Se calhar, tal só não é sabido no mundo dos políticos porque o seu mundo é um mundo à parte. E a chantagem, ou nós ou o Diabo levou-o à queda e à vinda do Diabo, materializado na incompetência que se vê nas gentes da AD em que, tudo o que pode representar progresso social, deve ter as suas direções de serviços corridas. O que me fez lembrar um jovem turco de uma Faculdade deste país e desta cidade que achava que deveriam ser eliminadas as disciplinas que ele considerava radicais.

Essa conivência com tudo e com nada que caracterizou a politica de António Costa terá, pois, acabado e creio que Pedro Nuno Santos já percebeu que alguma louça de má qualidade terá que ser partida caso contrário será grande parte da louça boa que a AD se encarregará de escavacar. E creio-o com muita coragem para isso, sendo certo que a coragem é coisa cada vez mais rara nos nossos políticos.  

7. Para sair do Hospital, peço então ao enfermeiro que me retire o cateter. Pergunta.-me: quem é que o vem buscar? A minha neta. O senhor está à nossa responsabilidade. Quando ela chegar, tiro-lhe o cateter e dou-lhe a carta para o seu médico de família. Minutos depois, ela chega, o enfermeiro tira-me o cateter que estava fixo com adesivo de qualidade e pergunto-lhe, se me coloca um adesivo de qualidade. Coloco-lhe o que tenho, não é bom nem é mau. É assim-assim. E colocou-me um adesivo de péssima qualidade.

Quando cheguei a casa substitui o adesivo que já se estava a descolar e lembrei-me outra vez da troika, da política de austeridade imposta e muito defendida por Passos Coelho. Lembrei-me das contas financeiramente certas, mas económica e socialmente erradas de Mário Centeno e de Fernando Medina, lembrei-me de um amigo meu que, no tempo da troika esteve internado nos HUC. Puseram-lhe um cateter, através do qual passava um líquido de um frasco por via endovenosa. Deixou-se dormir, naturalmente, era perto da meia-noite. Nessa noite, um dos seus filhos era intervencionado cirurgicamente. Este meu amigo, engenheiro de formação, acordou então, por volta das duas horas da madrugada, com um pesadelo em torno da operação do filho, e dá por si alagado no seu próprio sangue. Toca à campainha e vêm os enfermeiros socorrê-lo: o cateter tinha-se soltado e o sangue escorria-lhe pela veia; o lençol estava alagado em sangue e tudo porque o adesivo que fixava o cateter era de má qualidade, como de má qualidade era também o que me foi colocado à saída do Hospital.

Um efeito de arrasto da passagem da troika e do seu capanga maior, Passos Coelho, era o que representava aquele simples adesivo de má qualidade.

E fico-me por aqui, ainda recuperar do pesadelo real que vivi.

12 pensamentos sobre “Assim vai o SNS: Onze horas na Urgência – um testemunho

  1. Com alguma coragem, o retrato de duras realidades que nos atormentam quotidianamente! Sem fim à vista face à reprodução, mais do mal do que do bem, eis o eterno subdesenvolvimento do país apesar de termos cada vez mais mais milionários e não faltarem carros de ricos nas nossas estradas….

  2. Ninguém põe em causa que o SNS e muito melhor que o quase nada que tínhamos no tempo da Outra Senhora.
    Ou até do que tem quem não e rico na tal nação excepcional.
    O que aqui se diz e que sucessivas políticas de desinvestimento e venda aos privados estão a depauperar o SNS e a por muitas vezes em risco a vida dos utentes.
    Não percebeste a ponta de um chavelho do que o articulista disse.

  3. Na minha opinião o SNS já faliu deliberadamente, e agora é uma questão de tempo até ir ao fundo.

    O orçamento que está a ser preparado é o primeiro a vir da nova equipa,preparem-se,o estado social custa mais de 50%.

    Catastrófico a todos os níveis.A carga fiscal é enorme e nunca o foi, para serviços que são deficientes e cada vez mais. E a pergunta inquietante, mas pertinente: para onde vai todo o dinheiro que nos é descaradamente despejado por um Estado tão ganancioso ?

    Dando um passo atrás, de reflexão como historicamente, podemos esboçar um diagnóstico de demasiado e demasiado pouco.

    Sinceramente não acredito que a doença da diabetes custe mais de 2 mil milhões por ano como foi anunciado pela revista visão,embora seja a doença mais cara,porque é uma doença de longo prazo.

  4. Eles tinham que me acordar durante a noite, dando-me chapadinhas, para certificarem-se que não entrava em coma… e eu nem me lembrava disso, de tão extenuado (não foi a noite mais descansada da minha vida), mas ainda tenho essas memórias de má memória…
    Quem me dava as chapadinhas eram os muitos espanhóis que lá trabalhavam e depois o meu amigo quando entrou de turno (o que serve de consolo)…
    Dito isto, é preciso ser muita Patega ou Libelinha para querer ser igual aos “Americanos”…

  5. Fez quinze dias que fui parar de ambulância às urgências do Hospital de Portimão, estive lá 3 horas sentado com pulseira amarela com a perna toda ensanguentada de uma hemorragia provocada por mordedura de um cão com a boca do tamanho de a dum lobo, e um buraco no pulso direito que não sangrou mas era maior que o outro. Se não me tivesse levantado por volta da meia-noite para ver se falava com alguém teria lá ficado mais duas/três horas, e a minha sorte foi que os cirurgiões (3) andavam por lá a passar, talvez em pausa ou antes de começarem o novo turno, lá lhes expliquei que tinham de me vir buscar e fazer 25 km para cá e para lá e a essa hora a pessoa que me vinha buscar já devia estar a descansar… Levei o ponto e pisguei-me (e também tinha pessoas na sala de espera e histórias, logo conto)…
    Uma vez em Lisboa também fui de ambulância para o Santa Maria, fiz um traumatismo no occipital, entrei ainda era de tarde e só fiz o TAC para lá da meia noite, todo fodido e com hemorragia interna (o sangue saiu pelo nariz e boca).
    O doutor viu o TAC e disse-me que tinha de passar lá a noite, e que se fosse para casa descansar teria de assinar um termo de responsabilidade para o hospital se limpar de consequências. Eu não queria, mas o bom senso fez-me optar por passar lá a noite. Claro que no dia seguinte estava mais fraco que o Jão Bindinho quando acorda da sesta, e o que vale é que só queria sair dali e ir para casa, e um enfermeiro meu amigo que até já apareceu na TV em programa específico me facilitou a alta, e lá fui de cadeira de rodas (mal me aguentava em pé) para o carro em que a mesma pessoa de Portimão me levou para casa.
    Moral da história: eu até tenho acesso a serviços médicos privados, e normalmente é lá que marco consultas, é mais rápido e economicamente não é exorbitante. Mas quando elas acontecem, é no serviço público, nas urgências dos Hospitais centrais que vou parar, como qualquer cidadão comum, e lá é que se faz a diferença, e mal ou bem, foi lá que fizeram o melhor que podiam (e já lá fuo parar mais vezes, algumas igualmente urgentes).
    Mas sou um ser humano saudável, e há duas coisas que me enojam: pategas e libelinhas.

    • Também receitaram um antibiótico 2x ao dia durante 1 semana, que resolvi tomar (genérico) para evitar tornar-se (ainda mais) licantropo…
      Uma senhora nas Urgências tinha também pulseira amarela. Estava numa cadeira de rodas e volta e meia contorcia-se e queixava-se com dores na perna. Sofria da mesma doença que o David Icke, tinha mãos deformadas. Pedi-lhe para ver a pulseira e tinha entrado 4 minutos antes de eu dar entrada (também de cadeira de rodas por recomendação da socorrista da ambulância). Quando me levantei depois da meia-noite e por acaso me dirigi aos médicos cirurgiões (2 mulheres e 1 homem, que me suturou, a mais nova passou-me a receita), falei por mim e pela senhora, mas eles disseram que só me podiam ajudar e não podiam ajudá-la (não era uma questão cirúrgica). Antes de ir embora fui de novo à sala de espera da urgência despedir-me da senhora e outras pessoas que conheci lá.

      • Ah, depois de passar a triagem e me darem a pulseira amarela (a socorrista tirou fotografia ao pulso antes de pôr o penso, para mostrar à entrada do hospital sem necessidade de expôr de novo a ferida maior), saltei da caldeira de rodas para a cadeira da sala de espera. A partir daí tive sempre de andar por mim próprio para cá e para lá, mesmo com os gémeos direitos vazados, amassados e cobertos de sangue seco até aos pé, com uma veia perfurada que jorrou sangue durante alguns minutos antes de secar, e com o recurso a um garrote mal feito com uma toalha turca acima do joelho.
        Sim, “a Humanidade está em mutação espontânea”… e os wokes vão provocar um O-micídio abecedário…

  6. Os 300 e tal milhões de euros que já a estouramos na guerra por procuração na
    Ucrânia eram capazes de tapar uns quantos buracos no SNS.
    Para Herr Zelensky fazer a guerra já há dinheiro. Para cadeiras de roda e material de sutura e que não.
    O caso das gêmeas brasileiras tratadas no Santa Maria fez correr rios de tinta. Ninguém pergunta em que circunstâncias foram feridos os ucranianos que recuperam em Azeitão, quanto custam os tratamentos e quem os paga.
    Mundo cão.

  7. Novidades? Nenhuma. Esta estratégia de destruição da rede social não é nova nem sequer nacional. Os nossos direitolas são demasiado estúpidos para elaborarem tal estratégia, tanto que a foram copiar aos idiotas neoliberais americanos.
    É o dito efeito “ratchet” da política. A tradução para português é manhosa, mas trata-se daquelas ferramentas que apenas rodam numa direção, como os antigos torniquetes do metro e as chaves de fendas com o mesmo nome. Com os políticos conservadores de merda que temos, é só o que apanhamos: quando a direita merdosa se apanha no poder, é fartar a vilanagem. Cortar onde der para cortar e o resto rouba-se. Mas depois vêm a dita “esquerda” e o que acontece? Na melhor das hipóteses, nada. Na pior continua o assalto, como aconteceu com a sequência Barroso-Sócrates na primeira década do milénio. Tal como o torniquete, a sociedade só pode transitar para o pior, para a direita. Nunca recupera, nunca volta para trás, tal como a chave.
    Quanto à direita, estes fazem aquilo para que foram programados: destruir o estado social, a educação e a saúde, por forma a transformar a classe trabalhadora numa massa de desesperados económicos e ignorantes, ou seja, o típico eleitorado de direita. A dita “esquerda” (que é rara em Portugal), mais como oposição da direita que por razões ideológicas, esta é que falha. Esta vende a tanga que vai melhorar as coisas, que vai reverter as asneiras da direita, mas assim que se apanha no poder faz tanto ou pior que os outros. o UK está neste momento a passar por esta sequência deprimente: depois de 14 anos de desastre Tory, quem é que foi eleito para trazer algum alívio à classe trabalhadora britânica? Keir “fucking” Starmer, uma versão diluída do Tony Blair, com a inteligência e carisma de uma batata, que começou logo por anunciar que nada vai mudar fundamentalmente.
    A estratégia da direita é estúpida, infantil, mas eficaz: quando no poder, vá de atacar o estado social, o mais que puderem. Quando se apanham na oposição começam logo a chorar que o estado social é ineficaz e o melhor é privatizar tudo. Desde que elegeram o aborto ambulante do Cavaco que isto dura. Neoliberalismo na sua forma mais básica. Só truques e ilusões, mas caraças, que funcionam, funcionam!
    E pronto, quase 40 anos disto e, surpreendente é ainda haver cadeiras de rodas sequer em hospitais públicos. Pensava que já as tinham vendido todas para comprar Ben-U-rons.
    Há uma solução muito simples para isto: acabar com a saúde privada! Nacionalizar tudo desde as farmácias de bairro ao complexo da Luz! Porque não interessa quanto rezem e quão amiguinhos tenham, os direitolas apanham cancro e pedras nos rins como toda a gente. Como o autor diz e muito bem, se o Passinhos e o resto das escumalha tivessem que passar 12 horas numa cadeira daquelas da próxima vez que achasse que não consegui aguentar a ressaca, provavelmente cantavam uma cantiga diferente. E o mesmo digo para a educação: nacionalizar as Católicas, Egas Moniz e a miríade de colegiozinhos religiosos onde o staff partilha o mesmo apelido. A direita gosta muito de demolir a oferta pública porque estão confiantes nos nichos privados onde vão curar a diarreia explosiva e onde o Martim pode aprender a tabuada numa semana.
    O truque é obrigar estes trastes humanos a comerem no mesmo sítio onde gostam de cagar.

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