(Paul Craig Roberts, in Resistir, 28/03/2024)

A coisa mais extraordinária sobre Julian Assange é que ele está a ser tratado como se fosse um cidadão americano. “Traição” foi o grito original, agora convertido em “espionagem”.
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Provavelmente a criatura esta a tentar conseguir a simpatia dos carneiros que, acham que o Navalny foi um mártir da liberdade.
Não é muito diferente da postura dos pobres diabos que eram mães de presos pela PIDE que garantiam que se os filhos fossem soltos teriam aprendido a lição e saberiam servir a sua pátria.
Se a senhora dissesse que estavam a tentar fazer ao marido o que os nazis ucranianos fizeram ao Gonzalo Lira ou o que os polacos estão a fazer a Pablo Gonzales iria atrair ainda mais as iras do Imperio. Assim tenta mostrar que também ela segue a cartilha do Imperio e assim sendo talvez o homem também tenha aprendido a lição.
Não me parece é que ganhe nada com o assunto porque o que se pretende é fazer do homem um horrendo exemplo do que acontece a quem se porta mal. Já o homem podia lutar fidelidade a gloriosa bandeira dos Estados Unidos que era igual ao litro.
E sim, também me parece que o homem que aceitou assinar a carta em que eram denunciadas as horrendas condições de vida na masmorra onde está metido alinhasse pelo mesmo. Mas compreende se o desespero que certamente ditou esta comparação do olho do cu e a Torre de Beja.
Banana republic on steroids, país de merda.
https://youtu.be/fpV18HK7VKo?si=73ew77qHgefWd_9O
Sobre os motivos da perseguição canina do império a Julian Assange só uma amiba poderá ter dúvidas. Mas Stella Assange prestou-lhe um mau serviço, há duas ou três semanas, quando disse que o que estão a fazer ao marido é igual ao que foi feito a Navalny. É uma comparação obscena, é mais uma vez comparar a Feira de Borba com o olho do cu, e não acredito que o próprio Julian subscreva a parvoíce.
A SIDA continua a ser uma doença grave. Mas os progressos nos meios de tratamento fazem com que, pelo menos na parte do mundo em que as populações teem acesso aos mais modernos tratamentos médicos já não seja a sentença de morte cruel que era nesses primeiros anos.
E nesses primeiros anos surgiu uma nova forma de assalto. Tipos com mau aspecto assaltavam tendo como arma apenas uma seringa. O malandro dizia ao desgracado que aquilo estava contaminado com SIDA e ameaçava espeta lo se ele não lhe desse tudo quanto de valor tinha.
Os responsáveis policiais viam se surpreendidos por uma característica destes assaltos. Se havia sempre alguém que tentava resistir ante um ataque com outras armas, nesse não havia resistência alguma e as pessoas davam mesmo tudo, até valores que o assaltante talvez não soubesse que eles tinham.
E diziam também estas autoridades que a coisa tinha lógica. Porque podemos estar preparados para arriscar a morte com uma facada ou um tiro. Mas a morte a um tempo rápida, mas lenta e cruel que a SIDA dava ninguém queria arriscar. Por isso havia quem resistisse a uma pistola mas nunca ninguém resistira a uma seringa.
Ora, o caso Assange é a seringa do jornalismo. Um jornalista pode estar preparado para morrer numa frente de batalha, para ter um acidente estranho, sofrer um assalto que corra mal, ser assassinado a tiro ou a facada. Acabar exilado. Faz parte, sempre fez.
Mas a morte lenta, cruel a que Assange está a ser submetido e algo que ninguém quer arriscar. Qualquer jornalista pensará em Assange a apodrecer em Bellmarsh, na sanha que continua apesar do farrapo humano em que o homem está transformado após 14 anos de perseguições varias, antes de publicar qualquer informação que vá contra a voz dos donos do mundo Ocidental. Ninguém está preparado para uma coisa destas.
E essa é a grande finalidade do caso Assange. Amestrar definitivamente os jornalistas que muitos continuavam a ser teimosos apesar dos acidentes, dos assaltos que corriam mal, até dos processos judiciais que pelo menos lá acabavam so numa multa que sempre se podia pagar. E isso de uma boa multa só acontecia quando ficava mais que provado num tribunal sério que o alegado era mentira.
Agora o que Assange divulgou revelou se 100% certo. E ninguém está preparado para sofrer um suplício destes por dizer uma verdade incomoda para os senhores do mundo.
E se calhar fui mesmo por as informações divulgadas por Assange estarem certas que ele foi escolhido para exemplo do que pode acontecer a quem escrever verdades inconvenientes.
Os jornalistas ficam a saber que não interessa nada que possam provar que o que dizem é verdade.
E isto está a tornar os poderes políticos mais afoitos. Será que antes do caso Assange um país como a Alemanha se dava ao direito de avisar dois jornalistas que seriam imediatamente presos, podendo contar com uns anos a sombra, caso voltassem ao país? Obrigando os desgraçados a pedir penico na Rússia? Com toda a gente a achar isto normal?
Talvez não.