(Entrevista a Stella Assange, in Página Um, 26/03/2024)

A Justiça britânica reconheceu, esta terça-feira, que o pedido de extradição do jornalista Julian Assange por parte dos Estados Unidos viola o direito à liberdade de expressão, expõe o fundador da WikiLeaks à pena de morte e também à possibilidade de ser prejudicado no julgamento devido à sua nacionalidade. O tribunal deu aos Estados Unidos até ao dia 16 de Abril para apresentar garantias de que aqueles receios não se cumpram. Na sequência desta decisão de hoje, o PÁGINA UM republica a entrevista a Stella Assange, mulher do fundador da WikiLeaks, divulgada no dia 5 de Março.
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Cumpre acrescentar que o douto Tribunal apenas julga se ele tem o direito de continuar a recorrer ou se é já mandado de rota batida para as masmorras americanas.
O douto Tribunal rejeitou também praticamente todos os argumentos da defesa de Assange nomeadamente o facto provado dos serviços secretos do país que pede a extradição, vulgo CIA, terem equacionado o seu rapto ou morte enquanto estava na embaixada do Equador.
Portanto, mesmo que a 20 de Maio o Tribunal decida que isto é a vergonha que é Assange vai ter apenas o direito a recorrer, adiando a, execução da sentença iniqua mas vai continuar a apodrecer num buraco chamado Bellmarsh.
E tendo em conta que na última audiência o homem nem esteve presente por a saúde não permitir talvez o seu destino seja mesmo a morte na masmorra, mesmo sem extradição.
O facto é que o homem está preso por ter posto a nu os crimes que todos sabíamos que aconteciam mas depois da divulgação das imagens já ninguem podia dizer que não sabia.
Pois se até jornalistas “embeeded” já tinham divulgado coisas horrendas como o assassinato a frio de um velho moribundo.
Dezenas de jornalistas pagaram com a vida a divulgação de crimes de guerra, especialmente no Iraque, as tropas americanas, claro, só os atingiram por engano. Claro que gente acredita, tal como acredita no coelhinho de Páscoa.
Quanto aos jornalistas que trabalham em Gaza uns 150 já foram mortos pelo nazionismo, alguns deles juntamente com as suas famílias.
Os acidentes estranhos também vão acontecendo, mas isto de, acidentes estranhos só há na Rússia.
Os proxy dos americanos também vão fazendo o que podem e que o digam as famílias de Gonzalo Lira e dos jornalistas russos mortos por não dar a versão “correcta” do conflito na Ucrânia.
O nosso Bruno de Carvalho teve mais sorte mas teve a sua conta e insultos por parte de membros do Governo português, alguns enquanto estava na frente do Donbass, o que o faria certamente ver se quente caso caísse nas unhas ucronazis.
O espanhol Pablo Gonzalez está ha quase dois anos preso na Polónia, onde as cadeias também devem se um mimo, sem culpa formada, acusado de espionagem sem que o seu país se chateie com o assunto.
Dois jornalistas alemães tiveram de pedir penico na Rússia após serem avisados que no seu país as suas contas bancárias tinham sido congeladas e quando voltassem os esperava a prisão. O crime? Denunciar crimes ucranianos e não contar a história dos inocentes cordeirinhos atacados pelo lobos russos.
Enfim, mesmo no live Ocidente o martiriolgo dos jornalistas que não se vendem é longo e não admira por isso que tantos estejam já tão bem amestrados.
E quem os pode censurar? As pessoas teem família, as contas não se pagam sozinhas. E ninguém quer acabar morto num acidente estranho, ou mesmo a tiro, como aquela jornalista maltesa, na prisão ou exilado atrás do sol posto.
Edward Snowden explicou em detalhe como quando a CIA queria eliminar ou encarcerar alguém começava sempre pela sua diabolizacao.
O caso de Assange foi típico, o seu calvário começou antes de 2012 quando tratou de pedir asilo político ao Equador e acabou “preso” no primeiro andar de um prédio, a embaixada possível de um pais pobre, numa cidade cinzenta e poluída como é Londres. Ali esteve sete anos até que um presidente vendido, tratou de o entregar literalmente ao Diabo.
E porque é que o calvário de Assange não interessou a ninguém?
Porque a sua diabolizacao funcionou em pleno. A história das alegadas violacoes, quando nunca as senhoras se queixaram de tal coisa, funcionou em pleno.
Se queremos diabolizar alguém é deixar toda a gente nas tintas para o que lhe sucede o melhor é mesmo acusa lo de crimes sexuais. Isso aliena logo a metade da população que não tem picha, vulgo as mulheres, e também a maior parte dos homens porque ninguém quer que se pense que defendem um violador.
Depois da diabolizacao tudo o resto pode vir. Se os Estados Unidos o querem matar ou encarcerar para sempre por lhes ter descoberto a careca isto é um crime contra a liberdade de expressão. Mas quem se importará com o destino de um violador? Ao menos o mostro sai das ruas, que interessa lá que o motivo pelo qual é encarcerado nem deva ser considerado crime? Que interessa se quem o encarcera comete um crime contra a justiça, a humanidade, a liberdade de expressão? Absolutamente nada.
Agora até já sabemos que nunca houve acusações de violação, que provavelmente o processo então desencadeado pelo mais recente membro da Nato visou apenas deitar lhe a luva e entrega lo às autoridades norte americanas, mas o assunto deixou de interessar.
E assim continua há 12 anos um calvário sem fim a vista. Toda a gente sabe que quaisquer garantias dadas pelos Estados Unidos não vale o papel em que estão escritas.
Os tribunais britânicos vão dizendo “nim” e assim a vida de Assange continua em suspenso e o homem continua a apodrecer naquela que é talvez a pior prisão do Reino Unido. Aquela para onde despejam os terroristas, ou quem acusam de tal, e deitam fora a chave.
Há algo podre no reino de Inglaterra.