(Raquel Varela, in Facebook, 08/03/2024)

Um jovem perguntou-me: por que, afinal, o Chega é um Partido neofascista? E o que isso significará para um jovem como eu?
Eu, como todos por aqui, estou também farta: farta de salários miseráveis, casas a meio milhão de euros e empregos da treta, pessoas que vão para o trabalho às 6 da manhã e regressam a casa às 9 da noite e não conseguem pagar as contas todas. Também estou farta de temas em pauta que não discutem nada do que é fundamental, desde logo a autodeterminação social e sexual, ou seja, sem emprego e casa não há liberdade social sexual de qualquer tipo. Hoje um jovem, de qualquer sexo ou orientação sexual, a menos que seja rico e tenha casas ou garagens e jardins dos pais para festas, não tem um lugar onde possa namorar, sair, conviver com amigos, e muito menos a perspetiva de uma casa própria, casar ou ter filhos.
Não é que não haja escolha na classificação da casa de banho, é que não há casa de banho de todo. De género algum, porque não há casa própria, de cada um, nem espaço público para todos. Todo o espaço — tirando a praia — é privado e inacessível. Qualquer convívio custa dezenas de euros, desporto custa centenas de euros. Viajar é impossível. Um jovem não pode ir a uma discoteca, restaurante, conviver. Está preso à casa dos pais.
Emigrar é uma tristeza, não uma solução — manda-nos para longe de quem amamos, da família e dos amigos, e deixa-nos a viver sem afetos. E, é claro, sem direitos cívicos plenos.
A tudo isto acho que é preciso dar uma resposta a sério, e não me revejo em nenhum dos partidos políticos do arco da governação parlamentar. O PS e o PSD vão continuar a fazer o mesmo; é preciso mudar radicalmente, sem medo de ser radical — ser radical é resolver os problemas, ir à raiz. Por isso eu devolvo a pergunta ao jovem? E o Chega, vai mudar alguma coisa? Como? Porquê?
Só há uma forma — uma única, não há duas — de mudar: é ir buscar o dinheiro onde ele existe, o dinheiro de quem trabalha das 6 às 9 alimentando os lucros dos bancos e casas para especulação. Como é que o Chega vai buscar esse dinheiro se ele é financiado por empresários e capitalistas que pagam os salários miseráveis, os empregos da treta, e guardam religiosamente o resultado desse trabalho em bancos e casas para especular, onde brincam a vender ações, ativos ou “bitcoins”?
Não fugi da questão. Por que o Chega representa um novo fascismo? O fascismo histórico surgiu há 100 anos, quando empresários começaram a financiar pessoas violentas para impedir revoltas sociais contra os empregos da treta, na Alemanha em 1920. No passado o fascismo financiava, às claras, milícias, desempregados e pessoas que saíam do exército, com raiva do mundo, desesperadas portanto, que “aceitavam” ser funcionários (ou mercenários) do partido e das milícias para combater os que vinham para as ruas fazer greves contra salários miseráveis. São os capatazes que matavam grevistas no século XIX. Não passou despercebido a ninguém que o Partido irmão do Chega, o “Ergue-te”, propôs em público a proibição das greves.
Hoje, como é ilegal organizar milícias, estas organizam-se, segundo os estudos vários publicados, e relatórios de segurança das próprias polícias, através de grupos sociais violentos, de claques de futebol e artes marciais, nas polícias e movimentos de seguranças privados, ou até associações que visam “ajudar” a sociedade, fazendo dos seus corpos armas, ou usarem diretamente armas, para amedrontar quem luta contra salários miseráveis, e empregos da treta.
Mas o Chega não é isso, dir-me-á o jovem? A partir dos 15 anos de idade temos que perceber o que é a verdade e a mentira, usando a nossa própria cabeça. Ninguém pode fazer isso por nós.
Há várias reportagens de jornalistas publicadas em Portugal e relatórios de segurança que indiciam que sim, as ligações da nova extrema-direita aos grupos sociais violentos, envolvendo apoiantes do Chega. Na Grécia ficou provado e o Partido de extrema-direita foi proibido em democracia. Em Portugal, só alguns jornalistas tornaram isso público, nunca o Ministério Público investigou (por que será?).
Mas não precisamos de uma prova da ligação do Chega a milícias: o que o Chega tem sido até hoje se não pura violência verbal? Como é que o Ventura debate? Com interrupção do debate, ruído intencional, falar mais alto que o adversário, dizer mentiras ou verdades, mas elevando a voz e repetindo três vezes, gozando, rindo, ofendendo, insultando a esmo, fez até algo que só os fascistas fazem — falar da vida privada dos outros candidatos.
Não sou do Livre, Rui Tavares apoiou a invasão da Líbia, não tem qualquer programa distinto do PS, mas a sua vida privada é sagrada. Para os fascistas não — não existe diferença entre vida pública e privada. Hitler colocou filhos a denunciar na escola conversas dos pais em casa — não havia fronteira entre a vida de cada um e a vida pública, é isso um tipo de totalitarismo.
Olhando as câmaras com muita convicção e dizendo frases batidas, murros em forma de palavra, toda a sua visão totalitária do mundo está ali — “Calem-se!” é o nome verdadeiro do Chega.
Toda a comunicação do Chega é fascista, como nos anos 1920, porque não visa diálogo algum, contraditório, visa calar, silenciar, matar a voz do outro, é isso historicamente o fascismo.
Por isso Ricardo Araújo Pereira merece a nossa admiração, não só porque nos faz rir e pensar, mas porque foi ele, mais ninguém com microfone e poder de decisão, que colocou um verdadeiro cordão sanitário (que os jornalistas na sua maioria não colocaram, e muito menos o Tribunal Constitucional) e disse — com fascistas não se discute, não há democracia quando somos silenciados –, foi o único a aprender com as lições da História.
Na verdade uma democracia a sério deve dar toda a liberdade a todos; e não dar rigorosamente liberdade nenhuma a quem quer silenciar, calar, amedrontar, ameaçar, usar da violência contra os outros. No limite matar, porque é isso que faz a extrema-direita ao longo da História — usa os fascistas para matar quem luta por salários e empregos decentes. A responsabilidade é toda destes partidos e do Estado, que o permite e, às vezes, incentiva.
Este fascismo, justamente porque o Estado é conivente, não se combate com votos, claro, combate-se com organização social e política, greves, muitas manifestações, com democracia real e participativa de facto. Domingo se o Chega tiver 40 deputados vai ter rios de dinheiro para assessores, dinheiro nosso para a violência verbal com que nos tem tratado — e daí, segue-se o quê? Não vão mudar em nada as condições dos jovens, nem os salários, nem a emigração, isso só se faz lutando pela liberdade e pela igualdade, contra as empresas que financiam o Chega. E isso só se faz com fraternidade entre nós, mesmo com diferenças. Fraternidade e não gritos e medo, é a palavra-chave.
Outra coisa que se aprende a partir dos 15 anos de idade: só nós mudamos a nossa vida, ninguém faz isso por nós, os jovens têm que voltar a fazer parte das lutas políticas e sociais, sair à rua, lutar pelo que têm direito: ficar cá, ter casa, conquistar emprego, desfrutar lazer, ser felizes, ser, verdadeiramente, e a sério, livres.
Os tambores do militarismo, aliás, ameaçam a vida destes jovens não só com este lixo da História, o fascismo, mas com os mais respeitáveis senhores do comércio, da indústria e das finanças a impor decisões de guerra e economia de guerra, decisão que tem as cores dos dirigentes da União Europeia. Os partidos verdadeiramente democráticos devem por isso não só dizer não ao novo fascismo, mas exigir nem mais um euro para a guerra na Ucrânia e parar a máquina de guerra em Israel. Senão, ainda por cima, os jovens vão ser, outra vez, carne de canhão dos lucros.
Votar com os pés contra o militarismo e a violência como política, aqui, na Europa e no mundo inteiro, sempre! Contra o Chega a Fraternidade; contra a ameaça e o medo a liberdade; contra a pobreza trabalho digno para todos.
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Corrigindo o corrector. Botas no terreno que as notas já lá estão. E conselho é com s. Concelho é aquela divisão administrativa de onde estávamos impedidos de sair a não ser para ir trabalhar em boa parte do tempo das restrições covideiras.
O Chega nem devia ter nascido. A nossa Constituição proibe com as letras todas partidos de ideologia fascista e que apelem ao racismo e a, discriminação.
André Ventura devia ter sido confrontado com tudo quanto bolsou contra os ciganos e deviam lhe ter exigido que explicasse bem explicadinho que raio de “espaços de confinamento especial” queria impor aos ciganos a pretexto de que não cumpriam as restrições covideiras.
Como é que queria fazer esse confinamento especial e se estava mesmo a falar em arrancar homens, mulheres, velhos e crianças das suas casas e enfia Los em campos de confinamento sabe Deus onde.
Vale o que vale mas as primeiras pessoas que vi de máscara, quando andávamos doidos a procura de máscaras ou viseiras, eram justamente duas jovens ciganas que se deram ao trabalho de fazer umas em pano.
Os ciganos comeram e calaram, ao contrário da malta dos restaurantes, quando as restrições covideiras destruíram o modo de vida de muitos deles com o acabar de um dia para o outro dos mercados e feiras. Deixem se disso de acreditar que o rendimento mínimo da para sustentar alguém, a, dar se o caso de algum daqueles feirantes o receber.
E nem sequer estou a dizer que a malta dos restaurantes fez mal em vir para a rua. Devíamos ter todos feito o mesmo. Os desgraçados investiram num monte de medidas restritivas para poder continuar a funcionar e ganharam o mesmo. Estavam a gozar com a cara deles.
As restrições covideiras não impediram que, a doença atingisse mais de metade da população e fizeram o caldo de cultura ideal para irmos todos de carreirinha meter no bucho uma treta experimental que ainda hoje nos é vendida como um milagre que nos salvou do covid.
O Chega tinha de ser confrontado quando a sede da SOS Racismo foi cercada por uma turba com tochas e máscaras a fascista ucraniano.
Mas nos já tínhamos deixado o PNR a solta quando se provou que membros seus estiveram envolvidos no espancamento de pessoas negras e no linchamento de Alcindo Monteiro.
Devia ter havido mais gente com coragem para lhe chamar fascista e dizer que com fascistas não se debate.
Porque os fascistas matam. Porque em Portugal os fascistas já mataram e vão continuar a matar.
Mas não tivemos tomates para conter o Chega porque fomos líricos o suficiente para achar we éramos melhores que os racistas do Norte da, Europa. Muitas vezes ouvi dizer que Portugal era imune a fenómenos desses.
So quem não sabe a russofobia que ai vai.
Quanto a Ucrânia, qualquer que seja o Governo o nosso dinheiro vai continuar a ir para lá e também irá para lá o nosso sangue pois que já muita gente fala em notas no terreno.
Como a Rússia já provou que prefere a morte a sorte de cair numa miséria pior que a dos anos Yeltsin isto tem tudo para correr mal.
E amanhã garantidamente vai correr mal porque nunca conseguimos explicar as moças gerações o que realmente foi o fascismo e ninguem estava interessado nisso.
Estavamos mais interessados em dizer que nazismo e comunismo era tudo o mesmo e outras baboseiras que contribuíram para a normalização dessa gente. Agora é lidar porque nos esperam quatro anos duros.
Tudo porque as nossas elites nunca tiveram vontade nenhuma de combater o fascismo. Ele foi criado para manter o seu poder. É seu filho.
Mas os de baixo também não estão isentos de culpa. Tinham obrigação de saber mais. Não invejar coisas tão simples como ver um cigano a beber uma cerveja num café. Não invejar a miseria do rendimento mínimo. Disse a muita gente que se viver do rendimento mínimo e assim tão bom largue o emprego e concorra. Claro que ninguém seguiu o concelho mas amanhã muitos deles vão dar o seu voto ao Chega.
Quem votar Chega é culpado. Culpado de abrir a porta ao racismo, a discriminação, a mais persas de direitos laborais e sociais. Não é coitadinho nenhum.
E eles não precisam de estar no Governo para o viabilizar como também não precisaram Bloco e CDU.
Vamos ter quatro anos duros e não podemos culpar ninguém.
A estupidez dos liberais será para sempre uma fonte de admiração para mim. Eles criam todas as condições necessárias para que os extremos floresçam e depois lamentam quando isso acontece.
Mal posso esperar para ver a segunda parte sobre as consequências do extremismo de direita!
Enquanto os governos não se ocuparem dos problemas reais das pessoas e não retirarem o poder ao Capital (que, sejamos claros, detém o verdadeiro poder), haverá a tentação da extrema-direita ou da extrema-esquerda. Estamos na mesma situação que nos anos 20 e 30 na Europa. A diferença é que o capital aprendeu a lição do passado e compreendeu que a ascensão da extrema-direita não constitui um perigo para ele, porque não põe em causa a repartição das riquezas, ao contrário da esquerda. Os proprietários brancos não arriscam nada. Na pior das hipóteses, os negros, imigrantes,minorias religiosas são perseguidos e isso não lhes diz respeito. Depois, os proprietários pagam a canais de televisão ou a jornais para influenciarem o povo e colocarem os pobres uns contra os outros. Clássico mas eficaz.
A razão pela qual se chegou a este ponto é muito simples. A globalização desenfreada separou as sociedades em duas categorias de pessoas: os vencedores e os vencidos da globalização. Os segundos são em maior número. Isto deu origem a uma desconfiança em relação aos políticos que, sejamos claros, pouco fizeram para travar a maré e praticamente nada para proteger os seus cidadãos. Muito pelo contrário. Através da União Europeia e dos acordos de comércio livre, deixaram escapar o seu poder em benefício dos financeiros e das multinacionais. Em muitos países, depois de 1989, a esquerda deixou de ter força para apresentar um contra-modelo ao liberalismo absoluto e deixou as coisas acontecerem.
Esqueceram o povo (isto é particularmente verdade em Portugal), quando o seu papel principal é defender os que menos podem que é a maioria. Restou a extrema-direita que, sob um disfarce social, contestou esta globalização descontrolada e prejudicial ao cidadão comum. As pessoas estão fartas e votam naqueles que parecem dar resposta aos seus problemas, os “populistas” (termo depreciativo utilizado pelas classes altas que ganharam com o sistema). A tragédia é que a esquerda (que, na minha opinião, tem as respostas melhores) perdeu credibilidade durante os anos 2000 e, por isso, a direita populista ganhou.
A extrema-direita também surge quando há incerteza económica. A burguesia não tem dúvidas quanto à chegada desta extrema-direita, tanto mais que aceita as regras do jogo económico. A burguesia levará a extrema-direita ao poder precisamente para conter a raiva social. Certamente vamos ter uma parte da extrema-direita no poder, tanto a nível económico como social. A extrema-direita não tem qualquer intenção de cuidar dos que não têm categoria, como podemos ver em Itália.
O que é engraçado é que todos os problemas que enumero têm uma coisa em comum… todos eles resultam de decisões tomadas pelo Estado, cujos fundos provêm das contribuições dos trabalhadores, e parecem contar com os políticos para os resolver…
Serviços públicos: hospitais, escolas, creches, justiça …….
Inflação de 2 dígitos
Aumento dos preços da energia e dos combustíveis (graças à privatização e à especulação)
A degradação de quase tudo que nos ameaça atualmente a curto prazo
Estes são os verdadeiros problemas que enfrentamos TODOS os dias!
Falar de extrema-direita é apenas um digestivo. Mas para quem percebe como as coisas funcionam, há muito tempo que não há esquerda/direita.
Acordem e abram os olhos, estão todos a caminhar na mesma direção.
Para além de situar um partido no hemiciclo, isso já não significa nada, por isso, quando é que vão perceber????
E é normal , os eleitores nem sequer conseguem distinguir entre programas de esquerda e de direita, e é aí que todas as coisas más acontecem.
O racismo é condenável, mas nem todos os nacionalistas são racistas.
O problema da Europa não é a extrema-direita, mas a Europa….
Esta Europa que está a castrar as nações e a chafurdar em todo o tipo de corrupção.
E todos os governos europeus estão a afundar-se nesta mediocridade.
O nosso mecanismo básico é o medo, o primeiro dos quais, infundido na espécie desde o início, é o medo da morte. A sobrevivência leva-nos a actividades que supostamente nos trazem maior segurança. A estabilidade acalma. Um incidente fortuito alimenta o medo, que cria duas reações: a agressão ou a fuga, com a aparência de inibição em caso de empate. O nosso mundo imaginário, por outro lado, cria os filmes que projectamos no mundo exterior. Otimista e racional, pode ser uma fonte de alegria, mas, por outro lado, cria ansiedade, que é o medo imaginado e causa sofrimento.
A vida humana é feita de laços e de partilha, eu não sou nada sem os outros e estamos todos, misturados desde o início, no mesmo barco cada vez mais frágil. A mais pequena parcela de inteligência deveria compreender isto e orientar o comportamento comum com valores de vida harmoniosos, aceites e integrados pela educação. A vaidade natural da espécie cega-nos para os nossos desejos e as nossas escolhas; o egocentrismo, a ignorância e a ganância estão a construir a Torre de Babel dos nossos dias. O objetivo deste texto é dizer, ou mesmo proclamar, que um fascista é apenas um cobarde, com o agressivo à frente. O declínio europeu é a força motriz da situação. Mas onde está a inteligência?
A situação não se vai tornar mais fácil com a treta climática, fluxos migratórios ,escassez de energia,etc,etc.
Se esperarmos e não fizermos nada, estaremos a caminhar diretamente para a catástrofe dentro de pouco tempo .