A descida à barbárie

(Prabhat Patnaik, in Resistir, 19/02/2024)

No Panfleto Junius, escrito na prisão em 1915, Rosa Luxemburgo afirmou que a escolha da humanidade era entre a barbárie e o socialismo. A opinião liberal contestou esta afirmação, argumentando que a barbárie que marcou as duas guerras mundiais e o período entre elas não estava relacionada com o capitalismo; de facto, a tendência liberal que surge sob o capitalismo, afirmava, lutou contra a barbárie desse período…

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18 pensamentos sobre “A descida à barbárie

  1. E a nossa hora de azar vai continuar com o anúncio de um 15 pacote europeu de sanções a Rússia. Provavelmente já não teem nada para sancionar que valha realmente a pena mas é preciso mostrar ao rebanho de cérebro lavado que, ainda é possível prejudicar mos a Rússia dando lhes a esperanca que seja desta que a economia do país entra em colapso, que Putin é morto e que o pais aceita a pilhagem desenfreada ainda pior que a sofrida nos anos Yeltsin.
    Entretanto nem matérial para fazer medicamentos já vamos tendo e esta tudo racionado. Uma criatura foi a uma farmácia aviar uma receita e foi lhe dito pela senhora farmacêutica que não podia aviar dois medicamentos porque aquilo era uma dose para dois meses, ela tinha ido a uma Farmácia aviar aqueles medicamentos há pouco mais de um mês pelo que ainda tinha produto. Tinha mesmo de esperar que faltasse tipo uns dias para acabar. Eu vi ninguém me contou.
    Portanto meus meninos tratem de ver bem onde teem a caixa dos comprimidos. É se a pessoa tivesse dito que por acidente a caixa das pílulas tinha caído a sanita? Se calhar mandavam na ver, se ainda lá estavam, pesca Los e po Los a secar.
    E claro que por esta altura já toda a gente pensava que as sanções do Inferno nos teriam feito ganhar a guerra e fazer Putin ter o destino do czar, como vaticinou um histérico do meu serviço dois dias depois do inicio da guerra.
    Mas ao menos podiam ver que se não dá talvez fosse melhor falar com o homem em vez de lhe passarem atestados de psiquiatria, lhe atribuírem todas as mortes matadas ou morridas entre os muitos que o matariam como a um cão se tivessem oportunidade para isso e lhe coleccionarem cancros.
    Mas como nunca serao Biden, Scholz ou Van der Leyen a verem se gregos para por comida na mesa ou a virem da farmácia sem o aviado que queriam isto vai continuar. As nossas custas.

  2. A quem aproveita o crime? A estes trastes para quem os países vão teem um mar de petróleo estão em cima de um mar de petróleo, como afirmou um responsável norte americano quando da invasão do Iraque, em 2003.
    Esta pérola, dita se não estou em erro por Donald Rumsfeld “não podíamos esperar, o pais, esta em cima de um mar de petróleo”.
    Esta subtileza de elefante esguelha bem a mentalidade que temos. Os países e os povos não teem os recursos, estão em cima deles.
    Por isso temos de os tirar de lá ou por lá um idiota útil como foi o bêbado Yelltsin. E se tal não four possível, guerra para cima deles.
    Quanto aos idiotas úteis, por corrupção ou outros motivos, claro que são descartáveis como o são todos os barbaros que estão em cima dos recursos que queremos.
    Há horas de sorte e a hora da morte de Nacalny foi a hora de sorte destes trastes. E a hora de azar de quem por cá vive do seu trabalho que terá de continuar a arrotar para financiar esta cruzada contra o mal dos barbaros russos.

  3. Claro, esta morte tem um timing do caraças e o homem também tinha de ser mesmo estúpido para matar o Ventura lá do sitio numa altura em que numa entrevista, conseguiu provar pela lógica, a alguma gente do lado de cá que também se guia pela lógica, que não está interessado em conquistar terras que não teem recursos nenhuns mas sim em impedir que o pais tenha de viver as ordens destes bandos voltando a cair na miséria negra dos anos Yeltsin.
    E conseguiu também mostrar que não está louco nem com os pés para a cova. Numa reportagem há quase dois anos se garantia que o homem nunca aparecia em imagens seguidas pois que tinha de levar uma transfusão de sangue de 20 em 20 minutos. Como se qualquer ser humano resistisse a uma condição dessas.
    Mas faz sentido porque para muito boa gente os russos são uma espécie de subhumanos tal como definidos pelo mentor dos nossos presstitutos, nada menos que Goebbels.
    Por isso esta gente entrou em pânico com um responsável da Casa Branca a apelar freneticamente “não acreditem em nada daquela entrevista”.
    Por isso esta morte tem um timing do caraças, como vi logo na sexta feira, dia também do início do conclave de apoiantes do nazismo ucraniano que nos últimos tempos tem acumulado derrotas no terreno que consideramos meramente “simbolicas”.
    Por isso temos de preparar a opinião pública para a possibilidade de darmos a terroristas nazis armas mais mortíferas que levem a uma escada da guerra que pode sempre correr mal.
    Esta morte não poderia ter vindo em melhor altura mas lá tiveram de compor a competente cara de agente funerário e chorar lágrimas de crocodilo que não choraram pelos jornalistas e outros mortos pela ucrania nazi.
    Talvez porque para muitos desses nem prisão houve como não houve para a filha de Dugin, morta no lugar do pai, condenado a morte por Zelensky por delito de opinião.
    Nem tratando de perguntar a razão pela qual há tantas mortes nas cadeias ucranianas que é mesmo preciso queimar os mortos. Todos esses mortos não teem família como tinha Navalny? Com que direito dao o nosso dinheiro a gente dessa?
    Com que direito alimentaram gente dessa, que treinaram elementos da extrema direita que actuaram na Europa, as portas da Europa? O deputado da CDU alemã morto na varanda da casa também tinha família. Não era filho de chocadeira nem pai de pintos.
    Já para não falar dos mortos em Gaza.
    Onde Israel soma e segue nas mortes matadas, centenas por dia. Ameaçando também as vidas dos que lhes fazem frente e suas famílias, caso da Ministra da Justiça da África do Sul.
    Esta morte, matada ou morrida, veio mesmo a calhar. Mas que esta malta sinta mesmo alguma coisa pela vida de um subhumano russo, contem me outra anedota que esta é muito seca.

  4. Não sei se Navalny morreu de morte morrida ou de morte matada, mas espantado ficaria nadinha se de morte matada tivesse sido. E vejo que se agitam em cardumes, bandos e manadas os dedinhos apontados ao mafarrico Vladimir Putin, o Grão-Tinhoso do Creme Lin, como alegado mandante do infausto acontecimento. Com essa frenética agitação, só comparável à de cinco milhões de não menos frenéticos espermatozóides de uma única ejaculação, só tenho um problema: não faz sentido. E quando uma coisa não faz sentido, e sentido não faz que sentido não faça, a coisa a fazer é tentar perceber que coisa fará com que o que sentido não faz sentido faça.

    Ora vamo lá a ver(®): que acontecimento relacionado com Vladimir Putin ocupava ultimamente o espaço mediático e a atenção pública, com evidentes vantagens para o mafarrico Vladimir e eficácia comprovada no desfazer da imagem odiosa que o império e respectiva criadagem se afadigam há anos a construir dele? Elementar, meus caros Watsons: a entrevista a Tucker Carlson! Qual a principal consequência do passamento, morrido ou matado, do Ventrulhas da Moscóvia? Mais elementar ainda: a dita entrevista e o que Putin nela disse, para grande incómodo da imagem dele criada e alimentada pelo império e criadagem, desapareceu completamente do espaço público e da agenda merdiática, em benefício da hipócrita choradeira que me obrigou de novo a ir buscar as galochas quase secas depois da última chuvada. E ainda há quem não acredite em milagres! Eu também não acredito, y también no creo en brujas… pero que las hay, cierto que las hay! Tal como não faltam idiotas úteis descartáveis, frequentemente úteis uma última vez quando descartados são. Não sei quem disse, mas parece-me que disse bem: ser inimigo do império pode ser prejudicial para a saúde, mas ser amigo do império é frequentemente fatal.

    Assim, caros amigos, companheiros, camaradas, palhaços(® again), insisto: espantado ficaria nadinha se morte matada e encomendada tivesse sido, mas o pai de todos os estúpidos seria o Grão-Tinhoso do Creme Lin se decidisse, neste preciso momento, mais uma vez, fazer uma coisa que quaisquer dois neurónios gripados conseguiriam prever, sem dificuldade, que só redundaria em seu prejuízo. E não me parece que Vladimir Putin tenha nada em comum com o escorpião da anedota. Pelo que, se de morte matada o Ventrulhas da Moscóvia morreu, talvez não seja exercício fútil dar corda à nevróglia e tentar imaginar quem com o infausto acontecimento beneficiou.

  5. «Nisto não há santos, só pecadores, mas há uns pecadores que gostam de pôr a capa de santos». Não se podia dizer melhor.

  6. Logo vou ver esse artigo. Os que tem publicado no Estátua de Sál teem explicado muito bem explicadinho este repolho ucraniano.
    Não que abra a cabeça a alguém mas também acho que não é para isso que escrevemos. É mesmo para não enferrujar e acabar a engolir as pílulas que nos impingem.
    Não sei bem a que vídeos do Navalny se está a referir mas talvez um seja aquele em que o homem aparece com uma pistola dizendo que esse é o meio mais eficaz para lidar com as baratas que são os imigrantes muçulmanos dado que esse tipo de batatas não se pode matar a chicotada.
    A criatura também ficou conhecida por pedir uma intervenção estrangeira, leia se Ocidental contra o seu país.
    Enfim, uma mistura hard core de Andre Ventura com Miguel de Vasconcelos.
    Porque é que o Ocidente decidiu apostar as suas fichas numa pessoa com este perfil como defensor da democracia se calhar era preciso ressuscitar Freud para que ele pudesse explicar. O certo é que o homem nunca se retráctou de nenhuma dessas declarações. Mas o Ocidente já apoiou cada traste que parece mentira, de Pinochet a Suharto portanto nada de novo debaixo desse Sol.
    Não que concorde com a morte do homem a ser verdade que a morte não foi natural como de certeza não foi a de Gonzalo Lira. Por princípio sou contra a pena de morte, por maior que seja o traste.
    Já agora, a justificação ucraniana para não devolver o cadáver à família, a, ser verdade prova que a Rússia teve boas razões para fazer esta, guerra. Se as mortes são tantas que não conseguem por um dos mortos num caixão e porque naquelas prisoes os presos caem como tordos. Não são prisoes, são campos de extermínio a maneira nazi que nunca saberemos quantos morreram até pela prática de cremar os corpos que era também apanágio dos nazis.
    Pelo que o Ocidente devia estar empenhado em derrubar o regime do grotesco ex comediante e não em dar lhe armas casa vez mais mortíferas. Já que gostam tanto de guerras libertadoras.
    Nisto nai há santos, só pecadores,mas há uns pecadores que gostam de pôr a capa de santos.
    Realmente há muitas lágrimas de crocodilo a ser choradas.

  7. André Campos e Whale Project: escrevi coisas semelhantes às vossas em «As lágrimas de crocodilo dos dignitários do “Ocidente alargado” por Alexei Navalny» [https://tertuliaorwelliana.blogspot.com/2024/02/as-lagrimas-de-crocodilo-dos.html]. O artigo indica dois vídeos sobre Navalny que talvez não conheçam.

    • José Catarino Soares, muito obrigado,nem conhecia o blogue,mas fui dar uma vista de olhos..

      E se tiver oportunidade e tempo comentarei,e bastante interessante,pois sou um adepto da leitura de
      George Orwell…Obrigado!

  8. Correcto. Por acaso não sabia que nem tinham tido a decência de dar o cadáver de Gonzalo Lira a família. Por aí também se vê como a América protege os seus. Protege sim os seus, mas quando rezam pela sua cartilha. Se forem do contra podem ser abandonados as feras, a barbárie.
    Assange tem amanhã a decisão de um dos últimos recursos contra a extradicao para os Estados Unidos.
    Contra isso ninguém tem uma palavra a dizer.
    Nem sobre os jornalistas alemães que tiveram de pedir asilo na Rússia por na sua terra os esperar a prisão. E para governo de quem defende as nossas ridentes democracias nas prisoes alemãs sempre houve e continua a haver muitas mortes mal explicadas. Razão que levou certamente os dois desgraçados a preferir roer exílio.
    Tudo porque disseram que os torturadores de Gonzalo Lira não eram anjinhos nenhuns.
    Já agora, Putin tinha de ser muito estúpido para matar Navalny agora, na véspera das eleições presidenciais e no dia em que o conclave de apoiantes do nazismo ucraniano se ia começar a reunir.
    Mas isso é lá com ele.
    Não é o homem santo mas muito menos o será quem não tem uma palavra a dizer quanto as centenas de mortes que Israel provoca em Gaza todos os dias.
    Quando se continua a falar de Gurra Israel Hamas e no direito de defesa de Israel.
    Será que as tantas era a besta do Stalin quando terá dito que a morte de um homem era uma tragédia e a morte de um milhão era uma estatística quem tem razão?
    Para os nossos bons espíritos parece que sim. Um bravo a coragem de Lula que chamou os bois pelos nomes sendo que Israel já invocou contra ele tudo e mais alguma coisa, sendo que nada mais havia a esperar de um Governo de bárbaros.
    Já agora há muita coisa mal explicada no caso Navalny como a razão pela qual este peao foi deixado voltar a Rússia quando toda a gente dava como certo que tinha sido envenenado. Precisávamos de um mártir, isso de certeza. Porque é que um homem com pouco mais de 40 anos embarca num pato desses não me vou deitar a adivinhar.
    Mas talvez Navalny tenha feito mal em confiar neste bando. Enfim, não é o primeiro nem será o último.
    Navalny foi abandonado por este bando e foi vítima da justiça do seu país.
    Lira e Assange foram abandonados pelos seus países e um morreu bem longe do seu país sendo que Assange vai pelo mesmo caminho.
    Tem razão o articulista quando fala num regresso a barbárie. Aliás a terra dele foi vítima da barbárie inglesa por isso o homem sabe do que fala. Um bem haja a toda a gente de coragem e a todos quantos defendem a sua terra de um destino cruel como foi o destino da Índia sob o domínio britânico. Porque é esse destino que queremos para a Rússia por muitas lágrimas de crocodilo que agora sejam choradas pela morte de um russo.

  9. Claro que Putin não é nenhum santo,nem o blogue Estátua de sal considera como tal…

    Nisto não há santos, só pecadores!

    Os grandes meios de comunicação social ficaram menos indignados quando Gonzalo Lira, um bloguista americano de 55 anos, detido em Karkhov pelo SBU em maio de 2023 por defender a intervenção militar russa, morreu subitamente a 12 de janeiro numa prisão ucraniana.

    Elon Musk tinha pedido a sua libertação no passado dia 17 de dezembro. A administração Biden poderia ter trazido Gonzalo Lira de volta com um telefonema, mas não mexeu um dedo. O governo ucraniano sabia, portanto, que podia actuar impunemente. Tucker Carlson disse que esteve detido na solitária durante mais de oito meses e que morreu depois de ter sido torturado.

    As autoridades ucranianas também se recusaram a entregar o seu corpo à sua mulher, dizendo que havia demasiadas pessoas mortas e que iam cremá-lo e dar-lhe as cinzas… Não houve autópsia (talvez aconteça o mesmo no caso de Navalny, gritarão, mas isso já não nos afectará).

    Apenas chamei a atenção para a diferença de tratamento mediático de dois acontecimentos semelhantes, nomeadamente o tratamento de opositores políticos que acabou mal para Gonzalo Lira e Alexei Navalny, que Deus os tenha.

    Morreu de fome numa prisão ucraniana depois de criticar o governo de Zelenski.

    Morreu de fome como um herói por defender a liberdade de expressão e o jornalismo.
    Morreu na prisão de fome durante o reinado de Zelenski por o ter criticado.

    É revoltante ver todas estas pessoas indignadas com a morte de Navalny na prisão, mas que não mexem um dedo para ajudar Julian Assange, que também está a morrer na prisão, e que nada disseram sobre a morte do jornalista Gonzalo Lira.

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