(Por Rainer Rupp, in geopol.pt 03/02/2024)

A casta política do Ocidente coletivo parece estar a aperceber-se lentamente de que, apesar do seu investimento maciço e sem precedentes nesta guerra por procuração contra a Rússia, os Estados Unidos e os seus aliados da NATO já sofreram uma derrota estratégica humilhante.
Apesar do investimento sem precedentes dos EUA/UE/NATO na guerra por procuração contra a Rússia, o Ocidente coletivo já sofreu uma derrota estratégica humilhante que é reconhecível por todos. Do mesmo modo, as acções desamparadas e aleatórias dos EUA e de alguns dos seus vassalos da NATO no Médio Oriente em apoio de Israel estão estrategicamente condenadas ao fracasso.
Há 23 meses que os EUA/UE/NATO estão a travar uma guerra contra a Rússia com a ajuda do seu proxy Ucrânia, inicialmente bem armado e bem treinado. Em julho de 2023, a ajuda militar ocidental à Ucrânia totalizava quase 100 mil milhões de dólares americanos, mais de metade dos quais provenientes dos Estados Unidos. Esta ajuda militar excedeu significativamente todo o orçamento militar anual da Federação Russa (por exemplo, 82 mil milhões de dólares em 2022).
No entanto, a escala total do armamento ocidental na Ucrânia só se torna realmente aparente quando se considera que apenas um terço das despesas militares da Rússia é gasto na aquisição de equipamento de defesa. O restante é gasto no consumo diário do exército em salários, alimentação, alojamento, consumíveis como combustível e lubrificantes, custos de transporte e investigação, desenvolvimento, testes e avaliação de tecnologia militar.
Nesta perspetiva, a ajuda militar do Ocidente coletivo excede muitas vezes as despesas anuais dos russos com novas armas. A isto há que acrescentar outros “serviços” dos EUA/NATO que são valiosos para as forças armadas ucranianas, como a informação em tempo real sobre a situação no campo de batalha obtida pelos satélites espiões dos EUA. Estes tipos de “serviços” particularmente valiosos nem sequer estão incluídos nos 100 mil milhões de ajuda militar ocidental. São presentes generosos para a Ucrânia, porque as elites dos EUA/UE/NATO queriam atingir o seu objetivo declarado com os seus sacrifícios humanos, que já atingiram meio milhão de vítimas: nomeadamente, enfraquecer a Rússia económica e politicamente e desestabilizá-la socialmente o suficiente para derrubar o malvado Putin e o seu governo num golpe pró-ocidental do tipo Maidan e enviá-los para a Sibéria.
Em tudo isto, o Ocidente coletivo calculou mal. As elites ocidentais acreditaram demasiado na sua própria propaganda de que a Rússia era apenas uma estação de serviço com mísseis nucleares que podia ser empurrada se as coisas fossem bem feitas. Foi por isso que Washington e Londres não permitiram que a Ucrânia concluísse o acordo de paz com a Rússia que foi negociado em princípio em Istambul no final de março de 2022. Em vez disso, convenceram os dirigentes ucranianos de uma vitória esmagadora sobre a Rússia e da reconquista da Crimeia e do Donbass. Kiev alcançaria todos estes êxitos graças à promessa de assistência sem restrições da NATO.
Afinal, o exército ucraniano tinha sido sistematicamente rearmado e treinado pelos países da NATO desde 2014. Durante os últimos oito anos, foram também construídas fortificações quase intransponíveis ao longo da fronteira com as duas repúblicas separadas do Donbass, que supostamente cortariam pela raiz qualquer ataque russo. Tudo isto não passou de uma ilusão do Ocidente.
Na primavera do ano passado (2023), a liderança militar ucraniana já tinha gasto duas vezes toda a sua força em homens e material, ou seja, duas vezes todas as suas forças armadas na guerra. No entanto, a ofensiva seguinte, no verão de 2023, deveria trazer um grande avanço até à Crimeia. Todo um arsenal de armas ocidentais maravilhosas deveria contribuir para isso, combinado com o treino em massa dos soldados ucranianos nessas armas e na sua utilização de acordo com as tácticas operacionais ocidentais. Desta forma, mais de 60 mil soldados ucranianos foram treinados de acordo com os padrões da NATO em países da NATO, incluindo a Alemanha, a tempo da ofensiva de verão. Além disso, os países da NATO forneceram à Ucrânia milhares de “mercenários” treinados com armas da NATO.
Depois das primeiras semanas da ofensiva de verão, veio o grande choque para a Ucrânia e para os dirigentes da NATO. As “armas milagrosas” ocidentais, aclamadas pela sua alegada superioridade tecnológica, foram muitas vezes transformadas em sucata pelos russos antes mesmo de poderem disparar o primeiro tiro. Ao mesmo tempo, as tácticas operacionais da NATO, com as quais as forças terrestres ucranianas tinham sido treinadas para combater os russos, revelaram-se um completo fracasso. Ao mesmo tempo, os russos mostraram que estavam a tornar-se cada vez mais competentes no seu conceito operacional-tático de “guerra de armas combinadas”, de mês para mês. O treino incorreto dos soldados ucranianos pela NATO acabou por conduzir a dezenas de milhares de perdas totais evitáveis de homens e material por parte de Kiev.
A ofensiva ucraniana de verão em nome da NATO não alterou em nada o curso da frente. No entanto, o exército ucraniano sofreu pesadas perdas, das quais dificilmente poderá recuperar este ano, mesmo com o novo apoio de armas da NATO. Mas mesmo nos próprios países da NATO, os arsenais estão mal equipados e o que ainda têm querem manter como reserva para as suas próprias forças armadas.
A casta política do Ocidente coletivo parece estar a aperceber-se lentamente de que, apesar do seu investimento maciço e sem precedentes nesta guerra por procuração contra a Rússia, os Estados Unidos e os seus aliados da NATO já sofreram uma derrota estratégica humilhante e visível para todo o mundo. As suas sequelas já podem ser observadas em todo o mundo e vão agravar-se. As elites ocidentais estão no fim da linha. Assim, o pânico está a crescer nos círculos dos belicistas ocidentais e as suas acções parecem cada vez mais impotentes e aleatórias.
Mas falta-lhes a decência e a fibra moral para admitir a derrota e abrir caminho para um novo começo político e diplomático. Em vez de assumirem as consequências dos erros que cometeram, preferem prolongar a guerra já perdida na Ucrânia, à custa de mais dezenas de milhares de mortos. A inevitável derrota da Ucrânia será apenas adiada, mas não evitada. Nem mesmo os 50 mil milhões de euros que a UE está agora a fazer aprovar para financiar o aparelho de Estado ucraniano durante mais quatro anos irão alterar a derrota previsível. Em primeiro lugar, 12,5 mil milhões de euros por ano não são suficientes para manter em funcionamento o Estado mais corrupto da Eurásia. Em segundo lugar, as hipóteses de os EUA intervirem com pelo menos o mesmo montante de dinheiro para a Ucrânia não são propriamente boas, independentemente de Trump ou outro ser eleito novo Presidente no outono.
É difícil dizer qual o efeito que os novos milhares de milhões da UE terão no poço sem fundo ucraniano do regime de Zelensky. Mas a compra de mais algumas moradias em Miami ou na Riviera pelos apoiantes do regime mostrará se os nossos milhares de milhões da UE foram bem recebidos.
As acções desamparadas e aleatórias dos EUA e de alguns dos seus apoiantes do genocídio da NATO no Médio Oriente estão tão estrategicamente condenadas ao fracasso como a sua aventura de guerra, de facto já perdida, na Ucrânia.
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Isto não deixa de fazer lembrar os tempos da troika. Quando foi negociado o primeiro grande pacote de “ajuda” a Grécia um jornal noticiava que o presidente da Câmara de Atenas tinha ido jantar com uns amigos e da ementa teria constado lagosta. A coisa era denunciada como um desrespeito atroz pelos cidadãos trabalhadores do Norte da Europa que iam emprestar dinheiro à nação perdularia.
Eu presumo que o ordenado de presidente da Câmara de para comer uma lagosta de quando em vez. Pelos vistos o homem não fazia aquilo todos os dias ou tandem teria sido noticiado.
Mas parecia que, todos tínhamos de fazer uma especie de penitência, sem nem sequer poder comer o que nos dava na gana se o nosso ordenado desse para, isso, porque os nossos países tinham vivido acima das possibilidades e éramos todos um bando de chulos a explorar os pobres teabalhadores do Norte da Europa.
Tivemos ainda o Passos Coelho a, afirmar se envergonhado porque na Madeira, após um jantar envolvendo responsáveis políticos, um bêbado turista finlandês teria perguntado se seria ele a pagar aquilo. A ser verdade, qualquer pessoa com a espinha direita teria o dever de mandar o nórdico fascista beber outro e apagar a luz. Mas o sujeito terá ouvido calado e veio insultar nos a todos.
Sobre as especulações em torno das dívidas ninguém deu um pio, a dívida da Grécia chegou a ter juros de 100 por cento. Claro que subiu e muito.Aliás quem questionasse os “mercados” só podia ser uma malandro esquerdista radical.
Mas o que é certo é que, em troca do dinheiro que nos emprestaram fomos obrigados a cortar a vida. Na Grécia o ordenado mínimo desceu, as condições laborais se eram terríveis mais terríveis se tornaram, houve trabalhadores hoteleiros a morrer de pura exaustão. A Grécia tornou se o pior país de toda a União Europeia para trabalhar, Portugal era o quarto.
Em troca destes empréstimos fomos obrigados a desarticular os sistemas de saúde, com os cortes impostos, milhares de pessoas morreram por falta de assistência e de infeções hospitalares porque nem lixivia havia.
Voltaram a haver caldeirões de sopa dos pobres em plena rua, muita gente não aguentou e pôs termo a vida.
Mas tudo era visto como um castigo merecido pelos povos corruptos que não queriam trabalhar.
O problema dos gregos, é o nosso, foi sermos poucos, mesmo que viessemos para a rua fazer barulho o que são 20 milhões num império de 500 mil? Por isso fomos o laboratório de tudo quanto foi politicas neoliberais a Pinochet.
Enquanto os dirigentes do Norte da Europa nos despejavam para cima todas as atoardas racistas que levavam, pelo menos no caso português, a população a autoflagelar se e a dizer que éramos mesmo todos uns malandros.
Eu so perguntava se esses malandros do Norte da Europa quando para cá vinham beber que nem uns porcos e lavar se no mar se, serviam eles nos hotéis e restaurantes e eram eles que variam as ruas, recolhiam o lixo que eles faziam e assim por diante.
Ganhava o mesmo e um dia tive de fugir para não ir às ter trombas de uma criatura que disse, a propósito do último balde de miseria lançado sobre a Grécia quando o Tsipras “rachou” “não vamos viver mal para eles viverem bem”. Tinha engolido uma reportagem protagonizado em 25 de Janeiro desse ano pelo José Rodrigues dos Santos em que não faltaram fake news. Eu tinha enterrado uma semana antes um amigo que morreu na última das misérias por os cuidados de saúde estarem como estavam.
Por isso foi levantar me e literalmente fugir porque vi vermelho.
Não nego que, tenha havido corrupção tanto na Grécia como aqui. Pelo menos na Grécia o artista que comprou quatro submarinos a mesma empresa alemã a que o Paulinho das Feiras comprou dois malhou com os ossos na cadeia. O Paulinho das Feiras continua a dar nos lições de moral até ao dia de hoje.
O problema é que fomos alvo de um castigo colectivo, gente que se levantava cedo para trabalhar teve a vida virada do avesso, na Grécia recuperaram se “receitas” do tempo da ocupação nazi. Sofremos um castigo colectivo cruel e desumano ministrado por uma cambada de racistas.
Mas agora, como continuamos a sonhar o sonho do Hitler de destruir a Rússia enterramos rios de dinheiro num estado nazi e ninguém faz perguntas.
A mesma cambada de racistas que quase nos matou a fome e a falta de tudo desperdiça agora o nosso dinheiro numa cambada de racistas e nazistas, que glorificam assassinos de outros tempos como Stepan Bandera e chamam ao vizinho “preto da neve” .
Tudo porque queremos os recursos da Rússia, porque sonhamos com a sua destruição a modos da Jugoslávia e porque queremos pilhar os seus recursos
Se no caso de nos e da Grécia, era vir aqui a banhos bem mais barato, com o apoio a nazis o que se quer é a destruição da Rússia.
Isso já não pode ser escondido. Em 2022 a, Ucrânia estava armada até, aos dentes con tudo quanto era equipamento ofensivo, o palhaço de Kiev prometeu dias antes da invasão russa que no Verão teria armas nucleares, aquilo era para que? Para enfeitar?
Logo arranjariamos o pretexto quando as hordas nazis avançasse pela estepe e chegassem a Moscovo que até fica ali bem perto.
O sonho de Hitler, o sonho que os dirigentes alemães nunca deixaram de ter, o sonho de Napoleão seria finalmente cumprido. Teríamos todos os recursos daquele povo bárbaro que nunca vimos como igual desde que os andávamos a cacar com a ajuda dos tártaros.
Com isso tivemos alguma gente mais branca do que era
suposto do qual o mais conhecido é capaz de ter sido o Leonardo da Vinci.
Mas a verdade é que o nosso racismo sempre transformou os russos em pretos.
Por isso ameacamos um pais europeu com a destruição económica dizendo com todas as letras que se a Hungria tinha a pistola nos tínhamos a bazuca.
Isso dura até ao dia em que corre mal. Uma das razões que fez muita gente na Grã Bretanha votar Brexit foi o conhecimento das atrocidades cometidas contra a Grécia.
E que se em Portugal somos uns tesos e muitas vezes vamos às Caraíbas porque lá é barato, os ingleses iam a Grécia. Viam e não podiam ignorar. Sem contar as reportagens que passavam sobre a miseria negra que lá, se vivia.
Uma colega de trabalho num segundo emprego que tive por essa altura contava que uma amiga que estava em Inglaterra ligara lavada em lágrimas porque tinha visto uma reportagem sobre a Grécia e perguntava se em Portugal também iríamos chegar aquilo.
Isso fez muita gente ver que se as coisas dessem alguma vez para o torto não era a União Europeia que ia ajudar. Por isso antes so que mal acompanhado.
Ora quando a teta secar porque tem de secar também a Hungria e provavelmente outros vão fazer um manguito a esta mafia.
E o que faz com que ainda aguentemos isto é que a, propaganda funcionou em pleno. Tão em pleno que ninguém se lembrou de perguntar para que raio quereria a Rússia mais espaço e, ainda por cima quase sem recursos nenhuns. Agora até teem a Crimeia de volta nem precisam de vir a banhos ao Sul.
Mas lá andamos a dar dinheiro a fascistas corruptos e aí de quem diga que são corruptos que só pode ser putinista.
Foi de racismo que se tratou no castigo colectivo que sofremos e é de racismo que se trata agora. É se não nos esta a correr como o esperado talvez seja porque a Russia é capaz de ter acordado para o racismo com o castigo inflingido a povos que pertenciam a Europa Ocidental. Já não se tratava de árabes ou gente do Leste como os jugoslavos.
Por isso os que sonhavam com a empalacao de Putin num par de semanas, vi muitos histéricos darem saltos que nem macacos, vêem agora que a coisa está para durar.
Porque a estação de serviço acordou para o racismo e tratou se de armar. Porque passar a miséria da Grecia num pais onde as temperaturas no Inverno se contam por dezenas de graus abaixo de 0 não era opção.
Mas o racismo não nos deixa ver por isso é lidar.