Fox Crime — Gaza e os militares comentadores

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 07/12/2023)


O canal de televisão que vejo com maior frequência é o Fox Crime. Os episódios, muito bem filmados, apresentam um crime e a sua resolução por métodos de análise polícia científica. Os corpos das vítimas, os teatros de operações são sujeitos a provas, qual o ângulo de entrada da bala, ou da faca, que órgãos foram atingidos, qual a composição química de um vestígio, o morto, o de cujus, é antes de tudo um pretexto para exibir a parafernália dos meios da polícia, dos analistas. Os guiões apresentam retratos tão asséticos quanto possível das vítimas e dos assassinos. Os polícias científicos pretendem mostrar como foi cometido o crime e como o podem descrever ao espetador. O sucesso da série, julgo, deve-se à frieza da análise. O espetador não tem de se envolver emocionalmente. Os episódios terminam habitualmente com uma cena “aberta”, um rosto neutro. Não existe empatia, nem emoção. A conclusão: o “sistema” funcionou.

Pela hora do jantar passo pelas TVs. A rotina: Fox Crime — noticiários levou-me a associar os dois produtos. As Tvs, depois dos episódios da guerra na Ucrânia estão agora a exibir episódios da operação israelita em Gaza. O elenco é o mesmo e a lógica dos enredos também. Do elenco interessam-me os profissionais, os militares comentadores. Com exceção das exceções, que são poucas e cada vez mais afastadas do modelo Fox Crime, os militares desempenham um papel central na mensagem que o nosso mundo de bons valores pretende passar, a verdade única: desumanizar a guerra. Não há pessoas, mas populações… massas flutuantes…

O grosso do contingente de comentadores militares nas Tvs realizam a operação de desumanização da violência abordando as ações como um jogo com livro de instruções.

A Ucrânia foi apresentada como uma campanha militar convencional, com linhas de defesa e eixos de ataque, conjugação de manobra de forças terrestres, apoiadas por artilharia e meios aéreos. Vimos a guerra como um curso de tática numa Academia Militar. Alguns comentadores militares, mais excitados e mais militantes (e também menos inteligentes), passaram e passam a abarreira da falsa neutralidade da análise e assumem-se membros da claque da causa do “Ocidente”, e replicam o refrão da NATO.

Quanto a Gaza. O que está a ocorrer em Gaza é, segundo as Nações Unidas, os jornalistas presentes, as agências internacionais, aos organizações não governamentais, o Vaticano, a Amnistia Internacional, os Médicos Sem Fronteiras, a Cruz Vermelha um crime de dimensões apocalíticas.

Ora o que os comentadores militares me explicaram ontem foi que as Forças de Defesa de Israel — uma entidade cuja respeitabilidade e direito de agir nunca questionam, tal como nunca questionam a ação do Estado que as utiliza como instrumentos da sua ação criminosa — estão a realizar uma operação militar e tinham entrado na segunda fase do seu plano. Estavam a progredir por eixos do Norte para Sul, tinham tomado a cidade de Gaza, onde se encontrava o comando do terrível Hamas, que afinal se deslocara maldosamente para Sul, para onde se dirigem as forças da ordem no seu encalço. Os objetivos estabelecidos pelas forças do Estado de Israel no teatro de operações, segundo os comentadores militares, estão a ser devidamente conquistados com tropas terrestres, numa conjugação de blindados, infanteria, artilharia e apoio aéreo, tudo devidamente coordenado. Em suma, tecnicamente, a operação do exército israelita funciona com a mesma eficácia tecnológica dos melhores campos de concentração da Alemanha nazi. As câmara de gás foram substituídas pelos prédios em escombros no meio de uma coluna de fumo. Gaza é mais espetacular que Auschwitz!

Entretanto, o que os comentadores militares nos dizem é que o crime de Gaza, o genocídio, é uma mera operação militar, que em muitas ocasiões classificam como uma guerra, sabendo que estão a induzir uma falsa ideia, pois uma guerra é travada entre dois contendores com meios equivalentes, e tratam o Hamas, uma organização politico-militar do tipo dos movimentos independentistas, ou de resistência que desde tempos imemoriais utilizam a tática da guerrilha, a única opção do fraco contra o forte, como se fosse equiparável a um exército com os mais modernos e poderosos meios de combate, incluindo armas nucleares e protegido por dois porta-aviões e duas esquadras de apoio. Esquecidos destes pormenores, os comentadores militares descrevem a intervenção como os médicos legistas que observam num ecrã o percurso de uma sonda que invade o interior do corpo do cadáver, ou do moribundo.

O que os comentadores militares nos dizem, tal como os realizadores dos episódios do Fox Crime, é que o crime, a essência criminosa do ato e dos agentes no teatro de operações, e a desproporção de forças, de meios, dos apoios é um tema sobre o qual não nos devemos pronunciar. Esqueçam. Isso é política e eles tratam de assuntos sérios, de técnicas. A dor das vítimas nunca surge no relato. É cenário. Eles falam mesmo em cenário de guerra. A causa da ação também nunca é referida. Não existem causas, mas manobras. Estamos num jogo de xadrez. Não se fala da qualidade da ação, de ser uma vingança planeada, uma limpeza étnica, de ser um ato impune. Trata-se de uma amputação que está a ser bem-sucedida, sugerem-nos. Também nunca surge a questão da consciência dos militares israelitas colocados perante a ordem de cometer crimes, o que vale para os pilotos dos aviões que bombardeiam a esmo (a moda é justificar que nos edifícios se encontram instalações do Hamas — no Vietname foram despejados agentes químicos sobre populações e campos agrícolas, porque serviam os vietcongs), as tripulações de blindados, os atiradores. E a ação desses militares devia ser questionada por todos e pelos comentadores militares em primeiro lugar — existe o direito à recusa de cometer atos violadores da consciência e não é desculpa a invocação de obedecer a ordens.

Os comentadores militares apresentam a operação de arrasar Gaza como os antigos professores de medicina apresentavam as fases de uma autópsia aos seus alunos. Onde se abre o cadáver, com que ferramentas e, no final, onde se despejam as vísceras. Ficamos elucidados. Afinal, numa autópsia do Fox Crime, o que interessa o morto? Nos episódios, o morto tem como papel salientar o virtuosismo técnico dos analistas, a eficiência dos operacionais que o transformaram num objeto de estudo. Os comentadores desempenham a função dos técnicos de laboratório nas cenas em que os resultados são aceticamente apresentados.

Os episódios da Fox Crime e da Faixa de Gaza não devem tirar o sono nem provocar más digestões aos telespetadores que têm, isso sim, de comprar os artigos apresentados pela publicidade e, claro, um Ferrero Rocher vale mais que um palestiniano, vivo ou morto!

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19 pensamentos sobre “Fox Crime — Gaza e os militares comentadores

  1. E na russia / ucrânia? Não estão a fazer os mesmos crimes.
    Querem acabar com estas atrocidades? É fácil: os russos vão para suas casas; o irão idem e leve com ele o hamas . Depois deixem os palestinianos darem as mãos ao único país culto no meio daqueles países que só conhecem ódios, inveja, ganância, armas e religião nada positiva ( pois que não há deuses)e usam as armas e o terrorismo contra quem sabe e quer progredir com paz e democracia.

  2. Claro que pode desde que não tenha o azar de ser vizinho de Israel. Que aí a única coisa que pode fazer esperar que aquela gente que se julga eleita de Deus não cobiçe a terra onde vive.
    O resto da malta pode até que o deixem como bem se provou com as restrições covideiras e mais tarde a pressão para enfiar no bucho um veneno que em muitos casos se revelou mortal ou estropeou mais de um. Eu neste momento sou cuidador de um sequelado que teve uma trombose massiva oito meses após ir dar um reforço que eu só não fui dar porque um grunho me chamou Bolsonaro quando eu disse que estava com muitas dúvidas porque as primeiras doses tinham corrido para lá de mal. Isso deu me forças para dizer não perante um verdadeiro bombardeamento de SMS a agendar datas de vacinação. Perante os histéricos do meu serviço que se foram vacinar e a pelo menos três correu mal. Força para dizer não depôis de ter apanhado covid depois de ter sido condenado a prisão domiciliária com pessoa doente como castigo por não ter ido dar a dose de reforço. Por sorte a infeção foi muito mais leve que das vezes em que tive gripe. Perderam uma oportunidade de ouro de noticiar a morte de um não vacinado por se ter radicalizado. Sim, era isso que diziam dos desgraçados que não queriam enfiar mais veneno no bucho. Como se estivessem a falar em aderir ao estado islâmico.
    Liberal no sentido fascista do termo como se fala agora de certeza que não sou. O salve se quem puder desse liberalismo só foi bom quando foi alternativa ao direito de pernada medieval.
    Não voy explicar que direito era esse porque toda a gente tem Google.
    Mas sim, acredito na liberdade. De amar quem quiser ou até de não amar ninguém. De beber ou não beber. De ter a religião que quiser e se quiser andar de abbaya na rua ninguém tem nada a ver com isso que ninguém lhe compra a roupinha. Porque não podemos andar de minissaia nas terras deles. Acontece que muita dessa gente já nasceu cá e por isso a coisa não cola. Porque roupa a mais pode ser tudo o que a gente queira mas atentado aos bons costumes não é.
    E as vezes outro remédio não há se não vestir umas roupinhas pouco convencional para o estilo que se convencionou ser o aceitável no mundo ocidental. Nos tempos da faculdade tinha uma colega da Guiné Bissau que passava boa parte do verão com vestidos tradicionais africanos que faziam os basbaques ficar a olhar para ela com cara de bovino. Acontece que a senhora tinha um metro e oitenta e mais de 100 quilos, não era obesa mas era larga e encorpada. Em consequência, não arranjava no pronto a vestir nada que lhe servisse. Dinheiro para mandar fazer roupinha numa costureira não tinha. Ficava mais negra que ela e perguntava se em Portugal não havia roupa para gente grande.
    Eu fartava me de rir porque me lembrava da minha avó uma velha de bom tamanho que, as vezes não tinha mais remédio que ir a Espanha porque era isso ou comprar uma jilava nos marroquinos.
    Mas o que é certo é que não temos nada a ver com a vida dos outros e sempre que entramos nessa de civilizar e cristianizar deu asneira. Leia se exterminio e genocídios como o que esta a decorrer agora com o apoio total dos muito democráticos e liberais Estados Unidos. Vejam lá os senhores apoiantes do mesmo se lhes apetece ir ver se o mar dá choco.

  3. Claro que não passa. Todos sabemos as aleivosias feitas aos aborígenes que continuam até hoje. Ali também foram cruelmente caçados como quem caça cangurus, depois as crianças arrancadas as família para serem escravas dos colonos, ainda hoje não são iguais perante a lei. Mas a Austrália dispensa apresentações até na discriminação de emigrantes europeus. Quem tivesse um familiar deficiente ou o deixava para trás ou ficava em terra. Tinham de ter a profissao que lhes quisessem dar sob pena de expulsão. Houve até um caso conhecido de um desgracado de um checo que acabou a ter de defender em tribunal o seu direito a ser qualquer coisa menos médico. É que o desgraçado tinha visto o pai ser morto a pontapé pelos nazis que entraram pelo hospital onde o pai era director e ele também trabalhava para matar todos os doentes judeus. O homem não se importava nem de varrer ruas mas o que aquela canalha não estava disposta a suportar era que um reles emigrante se recusasse a fazer exactamente o que eles queriam. Hoje em dia os emigrantes passam anos em campos de concentração em terras tipo Papua Nova Guiné e foi de lá que a Europa bebeu a ideia de não deixar entrar ninguém, criminalizar o auxílio e enfiar os desgraçados em campos de concentração na Turquia e na Líbia. Nunca nos importamos de ir buscar bons exemplos.
    Quanto ao genocídio em curso não há nada que se possa fazer. E não é só porque dois porta aviões americanos estão lá. A assegurar que os assassinos podem trabalhar mais descansados. Quando acusamos os países próximos, como o Irão, de não fazer nada,temos de ver o que está em causa.
    E o que está, em causa é uma gente fanatizada, que vive há quatro mil anos, montada em pelo menos 200 ogivas nucleares. Que não hesitaria em usar porque para eles a vida dos gentios não vale nada. O finado porco Sharon chegou a dizer com as letras todas que se Israel fosse destruído não hesitaria em destruir o mundo com as suas armas nucleares. Fosse o Irão a dizer uma coisa dessas e sabe Deus o que se seguiria. O Irão, vendo esse vizinho perigoso, bem tentou ter dissuasão nuclear, mas o resultado foram sanções, ameaça de invasao humanitária e, assassinato de cientistas.
    E a verdade é que é impossível atacar de modo a que se tenha a certeza que se destrói o centro de comando e que não fica vivo ninguém capaz de carregar nos botões.
    Por isso, por muito sentimento de impotência que exista, é preciso reconhecer que a não ser ladrar não há nada que ninguém possa fazer para impedir o genocídio e o alastrar do cancro.

  4. … e nas referencias aos genocídios a Austrália passa sempre por entre os pingos da chuva.
    `bom não esquecer que os nativos ainda hoje não têm direitos como os invasores.

  5. Provavelmente é mesmo isso que vai acontecer. A gente de Gaza vai ser corrida para o Egipto e Sul do Líbano e Montes Gola vão juntar se ao Grande Israel. Mas quem diz que fica por aqui? Haverá cada vez mais judeus inadaptadados de todo o mundo a querer mudar de para um lugar onde podem dizer que são superiores aos outros.
    Como aliás muitos já iam fazendo,embora na maior parte não em definitivo. Os europeus trataram e bem de impedir que gente muçulmana se fosse juntar ao estado islamico. Mas nunca ninguém se chateou com os jovens judeus que iam fazer uma perninha no exército de Israel, matando a torto e a direito regressando depois para a segurança da Europa e os seus direitos sociais. Sem ninguém lhes perguntar o que tinham andado a fazer.

    A verdade é que Israel é como um cancro que só para com a morte do hospedeiro. E o hospedeiro é todo o Médio Oriente e sabe Deus quem mais. Sorte nossa que estamos na terra a que na Bíblia chamavam Tarsis. Do outro lado do mar.

  6. Por falar em esquizofrenia o Presidente George W. Bush chegou a afirmar que Deus tinha falado com ele. Se fosse um dirigente de um daqueles países africanos que teem alguma coisa que nos interesse a dizer tal coisa seria motivo para uma das nossas intervenções humanitárias. Como se tratava do Presidente dos Estados Unidos fomos atrás do louco para arrasar o Iraque. Tentando tudo para convencer os nossos povos que o homem era uma pessoa normal.
    Não consta que nem Khadaky nem Putin tenham alguma vez alegado que Deus lhes respondeu mas atestados de loucura tiveram muitos e o primeiro foi morto numa das nossas intervencoes humanitárias. Quanto ao segundo temos tentado tudo mas tratasse de um pais muito maior, bem armado e aufosuficiente em termos alimentares. O que não aconteceu nos outros países a quem passamos atestados médicos de loucura e arrasamos. Sem que nenhum desses tivesse alguma vez alegado que Deus falou com ele.
    Realmente o melhor nesta cambada de ladrões e a coerência.
    De resto não me deito a adivinhar de onde vêem os israelitas. Garantido e que nenhum ente supremo se daria ao trabalho de lhes dar uma terra sendo que o mundo é tão grande. Não seria pelas barbas deles serem mais bonitas. Todos os povos teem os seus mitos fundadores, dai nao vem mal ao mundo, mas o dos israelitas é positivamente nefasto. Qualquer um que diga que é superior seja a quem for e tem direito a fazer dele tudo o que quiser e digno dos piores traficantes negreiros e nao merece consideração, muito menos apoio.
    Muito menos que se queira equiparar anti sionismo a anti semitismo como ladra uma pré candidata Republicana a previdência dos Estados Unidos, um estafermo que dá pelo nome de Nikky Haley. Denunciar crimes não é ser contra ninguém e ser a favor de quem os sofre.
    Isso é como quando se acusa alguém de odiar os homens quando denuncia os grunhos que cometem violência doméstica.
    Porque o raio dos sionistas não são os únicos semitas, os que há 80 anos andam a ser mortos por eles também. Por isso pode a senhora Nikky Haley e outros que tais ir ver se o mar dá choco.

  7. Não é extrairdinário que o primado da diplomacia – como a melhor forma de defender a paz – entre os comentadores das televisões seja apenas assumido por militares como Carlos Brsnco e Agostinho Costa, com experiência de guerra?
    No pólo oposto estão embaixadores de carreira que desprezam as soluções diplomáticas e pa4ecem acreditar apenas nas soluções militares. Haverá maior ironia?
    Carlos Matos Gomes honra a instituição militar portuguesa. A sua luta infatigável pelo esclarecimento dos conceitos básicos – como o da guerra como forma de relação entre dois estados (inviabilizando a sua aplicação so conflito Israel-Hamas);assim como a falsidade da independência do estado de Israel, essa luta, dizia eu, merece o respeito de todos os leitores atentos.

  8. Temos aqui um verdadeiro crente que acredita que Deus lhes deu mesmo aquela terra por isso os palestinianos tinham era de se largar todos dali para fora sem fazer barulho.
    Os judeus nunca lá foram maioritários desde que os romanos, fartos de lhes aturar revoltas sangrentas, deram um belo pontapé no traseiro a maior parte deles. Mas a seguir a II Guerra Mundial quem lá vivia levou com uma avalanche deles, gente alguns despejada directamente dos campos de concentração nazis, outros de campos de concentração ingleses que só saíram dali directamente para o navio. Gente essa fanatizada, traumatizada e incapaz de sentir empatia ou qualquer sentimento senão a vontade de assassinar por aqueles árabes que ocupavam uma terra que lhes foi dada por Deus. Quem veio da América e Rússia ao cheiro da terra prometida afinou pelo mesmo diapasão. Afinal de contas, a sua religião sempre lhes disse que só eles tinham o favor de Deus e eram superiores aos gentios.
    E mesmo que se desse o caso de serem maioritários, o que não era o caso, isso dava lhes o direito de expulsar os outros que sempre lá viveram?
    A, esse preço tem a malta que vive a Norte do Tejo o direito de mandar para Marrocos quem vive no Alentejo e Algarve? Porque são maioria? Porque são mais?
    Senhor fiscal se és nortenho tudo bem, se vives a Sul cuidado com o que defendes e o que desejas.
    E sim, no caso de África deixamos lá repolhos com fartura como criar países enormes, a régua e esquadro, juntando povos que nunca se entenderam. Mas que separados até podiam nunca se envolver em guerras. No mesmo país, deu no que deu.
    E, claro, deixamos uma escola de corrupção sem tamanho, levará provavelmente mais cinco séculos para que aquele continente resolva os sarilhos que em quase cinco séculos de ocupações lá deixamos. Isto se os nossos ímpetos neocolonialistas os deixarem em sossego.
    Já nas Américas a maioria branca só surgiu depois da população nativa ser quase toda chacinada. Na America do Norte quando os primeiros milhares de europeus lá chegaram havia cerca de 25 milhões de habitantes. Hoje restam pouco mais de dois milhões. Foi matando a torto e a direito que nos tornamos maioritários.
    Já em África e na Índia, a, sorte deles é que o clima deles e as doencas que por lá havia eram demasiado para os europeus se transferirem para lá em massa. Na India bem podiam os ingleses emborcar gin com água tónica com quinino que a malaria acabava sempre por lhes fazer a folha. Em África a primeira criança branca lá nascida a conseguir sobreviver foi em meados do Século XVIII. Por isso essa gente sofreu escravatura, no caso de África, fomes hediondas, no caso da India, mas as populações nativas não tiveram o destino apocalíptico das amerindias. O resto é conversa.

  9. O ano de 2024 terá as suas realidades:
    – Eleições presidenciais nos EUA
    – Cimeira alargada dos BRICS
    – Israel-Palestina
    – O problema de Taiwan
    Se Zelensky não consegue continuar a sua política de guerra, que pare.

    Em Portugal e na União Europeia, a russofobia é a única xenofobia que é autorizada, encorajada e promovida com artigos de jornal, programas de rádio e de televisão por todo o tipo de “especialistas” omniscientes.

    Zelenski já não lhes interessa o suficiente! Onde estão os abraços e as promessas… É terrivelmente triste para as vítimas ucranianas e russas sacrificadas em nome de êgos tolos! Quanto a Zelensky, ele acumulou riqueza suficiente para ter uma saída.

    A comparação entre os exércitos russo e americano foi sempre feita em termos de dinheiro, sendo o orçamento americano muito grande, dando um complexo de superioridade ao ocidente, mas por outro lado nunca em termos de qualidade e quantidade. Aqui está o resultado de armas demasiado caras e em estimativa,o lado ocidental já tinha ganho antes do apito inicial…bela lição, mas ninguém do nosso lado vai aprender nada com isso.

    O Estado profundo americano também pode ter os seus limites …….!
    Vimos isso no Vietname, no Iraque e no Afeganistão, quando as coisas começam a cheirar mal é melhor sair …

    Esta guerra, em que o povo ucraniano se viu encurralado por interesses alheios à sua vontade, já está perdida desde o seu início. Zelensky e o seu governo tinham de ser extremamente ingénuos para acreditar que poderiam ganhar esta guerra contra o poderio da Rússia, recorrendo muitas vezes à tecnologia de armamento ultrapassada dos países da NATO, que nunca se atreveram a confrontar abertamente a Rússia, sabendo que isso conduziria a um apocalipse nuclear.
    O resultado é um desastre para a Ucrânia, esvaziada da sua população, empobrecida, com a sua indústria destruída e, em breve, com fome e emigração em massa.

    O armamento ocidental e o treino dos soldados ucranianos não fizeram nada para mudar a realidade da guerra e os russos estão a ganhar cada vez mais terreno, enquanto os ucranianos estão a enfraquecer e terão cada vez mais dificuldade em negociar com os russos. As sanções económicas causaram mais danos às economias europeias do que às russas. Basta olhar para as notícias e para o preço da energia nos vários países europeus!
    Os russos querem negociar, mas os ucranianos não querem ceder nenhum território e os EUA e o Reino Unido não querem perder a face.

    Os americanos são muito pragmáticos e o poder não está concentrado nas mãos de um executivo dominante. O Senado e o Congresso têm uma importância vital na tomada de decisões.
    Os republicanos vêem que a guerra na Ucrânia se tornou um pântano, até mesmo um vórtice, que está a engolir os recursos financeiros do contribuinte americano, apesar de não se terem obtido resultados concretos em troca. Para chegar a um acordo, a Ucrânia tem de encetar conversações com a Rússia, mesmo que isso implique fazer concessões dolorosas.

    Putin nunca quis tomar Kiev. Os verdadeiros especialistas do Kremlin dizem que a ofensiva sobre Kiev foi uma manobra militar com um objetivo político, nomeadamente forçar Zelensky a negociar.

    Quando esta opção foi posta de parte (sobretudo depois das promessas de apoio de Boris Johnson), a Rússia teve de passar ao plano B, ou seja, à ofensiva no Leste.

    Em si, as coisas estão a correr relativamente bem para os russos, apesar do seu erro fatal de subestimar o exército ucraniano e a solidariedade ocidental.

    Este conflito foi muito mal preparado do lado ocidental e muito menos do lado russo.

    Na situação atual, a guerra chegou a um impasse e nem a Rússia nem o Ocidente sabem como sair dele de forma limpa e digna.

    Mas o Ocidente tem mais a perder a curto prazo (a sua liderança no mundo e os territórios ocupados pela Rússia) se parar de apoiar a Ucrânia agora, e ainda mais a perder a longo prazo (as economias europeias estão a perder a vida sem os hidrocarbonetos russos, os EUA têm coisas mais importantes a fazer no Indo-Pacífico contra a China, mas não podem concentrar-se nelas neste momento) se continuar a apoiar a Ucrânia.

    A Rússia também está a gastar muitos recursos humanos e económicos para manter esta guerra. Para a sua pequena economia, isto é desastroso a curto e médio prazo. No entanto, a longo prazo, poderia muito bem beneficiar de uma economia mais autossuficiente como herança das sanções ocidentais. No entanto, continua a existir o risco de uma viragem para a dependência da China. Tudo depende da forma como o governo russo gerir este período difícil.

    Israel e Ucrânia: são os últimos fracassos do Ocidente.

    Se o verdadeiro objetivo da Ucrânia era acelerar o declínio energético, económico e industrial da Europa Ocidental, não foi um fracasso, mas um sucesso total.
    Quem é que se apressou a destruir o Nordstream assim que este conflito começou?
    GRAND RESET, AGENDA 2030, NET ZERO, etc.

    Nós, no Ocidente, fomos desmascarados pelo que está a acontecer em Gaza, e toda a nossa conversa sobre o respeito pelos direitos humanos caiu por terra. Todas as vozes que se levantaram para denunciar os massacres de civis na Ucrânia foram convenientemente silenciadas pelos massacres em Gaza. A nossa credibilidade enquanto dadores de lições foi particularmente afetada. Quanto à Ucrânia, depois de os termos empurrado para a luta, agora, tal como no Afeganistão, estamos a afastá-los em bicos de pés. Sim, somos particularmente cínicos.

    Sarajevo: 4 anos de cerco: 15.000 mortos.

    Gaza: 4 semanas de cerco: 15.800 mortos!

    Haverá alguém na ONU para impedir esta carnificina?

    Sim, claro, a guerra poderia ter sido evitada, se é que se pode chamar-lhe guerra, porque quando vemos um urso a pulverizar um esquilo, não me parece normal nem coerente dizer nesse momento “ha, aqui estão dois animais em confronto….”. Sejamos um pouco sérios… A linguagem e a retórica utilizadas têm um impacto direto nos acontecimentos e na sua evolução… e podemos ver isso muito claramente nas posições tomadas por várias partes, algumas das quais estão constantemente a mudar…
    Em suma, se uma pessoa é lambida por outra, não se pode dizer que os 2 estão a lutar, como espero que concordem…
    Dito isto, o massacre e não a guerra neste caso muito específico de um povo ocupado por políticos israelitas cometendo actos odiosos, por isso sim este massacre quase qualificado como genocídio por certas autoridades oficiais que sabe, podia e devia mesmo ter sido evitado…

  10. “Quem vive pela espada,
    pela espada morrerá”

    Provérbio (1)

    A frase acima, de origem algo dúbia, aplica-se perfeitamente tanto aos indivíduos quanto às organizações e aos Estados. Não é possível um Estado manter-se “ad aeternum” baseando a sua existência no uso da força.

    Os Estados que nos dias de hoje se disseminam pelo continente americano, tanto na parte norte como na parte sul, cujos habitantes são na sua maioria descendentes de europeus, só conseguiram estabelecer-se de forma definitiva porque os primeiros colonos levaram a cabo um extermínio generalizado dos habitantes autóctones, de uma forma tão violente e definitiva que apenas sobraram algumas populações residuais, demasiado escassas e dispersas para poderem representar uma qualquer resistência significativa.

    Ainda assim, podemos constatar que os países coloniais que estiveram na origem desse processo, nomeadamente Portugal, Espanha, França e Inglaterra, rapidamente perderam o controle das suas colónias americanas e tiveram de lhes reconhecer a independência após serem derrotadas em combate. Neste caso foi a distância que inviabilizou a manutenção das respetivas colónias e acelerou os processos de independência.

    Depois da II Guerra Mundial os países europeus perceberam que a perda das suas colónias africanas seria uma questão de tempo, tanto mais que Europa se encontrava ela própria devastada pela guerra e dificilmente teria condições para as segurar. Apressaram-se então a negociar com as lideranças estabelecidas nessas regiões por forma a concederem-lhes voluntariamente a independência assegurando ao mesmo tempo intercâmbio económico e a manutenção alguma influência sobre as mesmas. Só nos dias de hoje esse “soft power” parece estar a desintegrar-se.

    Portugal, como se sabe, não teve a mesma visão e conseguiu conservar o seu estatuto colonial até à revolução de 1974. Por essa altura quem sabia alguma coisa já sabia que seria questão de tempo até uma derrota vergonhosa no campo de batalha. Os Capitães de Abril, que inicialmente eram movidos apenas por um descontentamento relativo à gestão das suas carreiras pelo regime salazarista, de certa forma salvaram o país desse desenlace.

    Mais tarde a Inglaterra iria finalmente ceder os seus direitos coloniais sobre Hong Kong, que retornou à China.

    Se esquecermos algumas exceções de pouca monta, como as Malvinas/Falkland e o rochedo de Gibraltar, restaram apenas dois importantes colonatos resilientes, a África do Sul e Israel. Em ambos se desenvolveram regimes baseados no Apartheid, no qual uma raça ou fação era dominante sobre a outra. No país africano foi possível erradicar esse sistema opressivo pela ação de diversas forças externas que forçaram a elite branca a recuar, e foi conseguida a reconciliação nacional, muito por influência dessa figura ímpar que foi Nelson Mandela.

    No dilema israelo-palestiniano as coisas evoluíram de forma diferente, depois de o equivalente palestino a Mandela, e igualmente Nobel da Paz, Yasser Arafat, ter sido convenientemente envenenado. Agora, ingleses e americanos travam uma última batalha na vã esperança de, contra todas as lições da História, conseguirem conservar a sua preciosa colónia.

    É até possível que o Império Ocidental acredite que pode realmente manter Israel indefinidamente, tal como acreditou que poderia destruir a Rússia usando a Ucrânia como aríete, o que atesta o excelente otimismo de que dá provas essa gente, cuja dimensão só é comparável à sua falta de noção da realidade. No entanto isso não vai acontecer, seja a curto ou a médio prazo. Porque esse é o sentido do curso da História. Simples assim.

    A seu tempo os judeus israelitas terão simplesmente de fazer as malas e apanhar o avião para outros lugares. Os mais inteligentes terão a possibilidade de sair primeiro e assim evitar os apertos nos cais de embarque que irão fatalmente incomodar os retardatários. Como se viu no Afeganistão, não é lá muito compensador abraçar os trens de aterragem dos aviões em fuga. Eles são apenas nove milhões. Mais do que esse número de pessoas já escapou da Ucrânia e o mundo não acabou por causa disso.

    Se alguém tiver dúvidas de quem é realmente o responsável pela situação que se vive no local e pelo genocídio em direto a que todos podemos assistir, poderá tirá-las lendo o seguinte extrato que comprova de forma definitiva a total dependência de Israel face aos Estados Unidos, bem explícita nas palavras do major-general reformado das FDI, Yitzhak Brick, numa entrevista efetuada no início desta semana, na qual ele declarou sem rodeios:

    “Todos os nossos mísseis, as munições, as bombas guiadas com precisão, todos os aviões e bombas, são todos dos EUA. No momento em que eles fecham a torneira, não se pode continuar a lutar. Não temos capacidade. (…) Todos entendem que não podemos travar esta guerra sem os Estados Unidos. Ponto final.’ (2)

    Esta declaração faz desabar com estrondo o que ainda pudesse restar do mito da superioridade militar de Israel.

    E afinal, isto não devia surpreender ninguém. Sempre que surge algum conflito no mundo os Estados Unidos estão por perto. Intervindo diretamente ou por interpostas pessoas. Eles são a encarnação do mal na Terra e a Humanidade só poderá encontrar a Paz quando forem destruídos como Estado na sua forma presente.

    A fórmula para que isso possa acontecer sem explodir no processo metade do hemisfério norte, dependerá em primeiro lugar do povo americano e da sua capacidade de regenerar o seu próprio país. O que não augura nada de bom, temos que reconhecer.

    Não quero terminar sem abordar uma outra questão que parece estar a preocupar alguns articulistas e comentadores no site. Será o Hamas uma força terrorista? e terão eles o direito de atacar cidadãos de Israel inocentes, como de certa forma terá acontecido durante a operação desencadeada em 7 de Novembro último?

    Bem, quanto à possível natureza “terrorista” do Hamas, ela depende do ponto de vista. Os movimentos de libertação africanos também eram nomeados como “terroristas” pelo regime de Salazar. É então perfeitamente natural que as potências ocidentais que apoiam o terrorismo de estado israelita e o seu impressionante genocídio de uma população indefesa ainda tenham a coragem de pretender decidir quem é e não é terrorista.

    Só posso dizer que eu próprio não tenho de mim a ideia de ser má pessoa, e no entanto não tenho dúvidas de que, se fosse palestiniano e vivesse nas condições em que aquela gente vive, e observando toda a miséria e opressão em meu redor, eu iria querer matar quantos israelitas me aparecessem à frente. Exceto as crianças. Essas são as únicas inocentes.

    Pois é, o Hamas não matou ninguém “inocente” durante o seu “Dilúvio de Al-Aqsa” porque nenhum israelita, seja militar ou civil, pode beneficiar da presunção de inocência face ao crime que continuadamente é executado sobre o povo palestino. Eles elegem os seus governos compostos por fanáticos enlouquecidos e, exceto os atrasados mentais, têm total consciência do que se passa.

    O tão decantado direito de voto implica sempre (mas sempre!) uma responsabilidade de que nunca se fala. E eu por acaso também não tenho notícia de grandes manifestações em Israel pelos direitos dos palestinianos oprimidos e escravizados. Não me custa admitir que haverá provavelmente muitas pessoas boas em Israel, como as há em todo o lado, ainda que miseravelmente desinteressadas. Mas, certamente, não há inocentes.

    Até ao momento a Resistência palestina, por enquanto centrada no Hamas e seus aliados mais próximos, está a fazer tudo bem e a obter os resultados esperados. O objetivo é manter uma ação marcadamente de guerrilha, capaz de causar tantas baixas quantas possíveis ao exército israelita, o que tem sido conseguido de acordo com as notícias que vão chegando.

    O exército sionista chegou claramente a um impasse. Eles não ousam sair da relativa proteção dos seus blindados para enfrentar os guerrilheiros e a situação tende a eternizar-se. A economia israelita praticamente parou de funcionar, em parte devido à mobilização de 500 000 militares na reserva que deixaram os seus postos de trabalho. Não é algo que o país possa aguentar por muito tempo. Provavelmente estão a contar com subsídios a fundo perdido oriundos dos EUA e da UE. Isto é, do nosso bolso.

    Gostaria de explicar a quem não sabe, que uma guerra de guerrilha não é territorial. A ocupação de território por parte do exército guerrilheiro não é comportável. Basta saber aritmética simples para concluir isso mesmo. Com apenas 40 000 efetivos, e sem nenhum apoio aéreo, o Hamas não tem nenhuma possibilidade de ocupar parcelas de território inimigo, que depois teriam de ser defendidas, contra um exército de 500 000 unidades equipado com todo o armamento pesado convencional. De resto, se fizessem uma tal asneira eles simplesmente seriam rapidamente aniquilados nos seus postos pela aviação sionista.

    A ação de um exército guerrilheiro implica matar o maior número possível de inimigos e destruir o máximo de infraestruturas importantes numa estratégia de ataque e fuga. Quem luta e escapa vivo ainda poderá lutar uma segunda vez. Com o tempo, esta ação de desgaste visa desmantelar a organização militar e até mesmo social do inimigo, ou tornar para ele a guerra de tal forma onerosa e prejudicial que o obrigue a negociar a paz.

    Recordo que, na guerra dos movimentos de libertação africanos contra o Portugal fascista, eles também não se preocupavam nada em ocupar e defender territórios, exceto no caso especial da Guiné onde a guerra estava já na sua fase terminal e irremediavelmente perdida para os portugueses. Tudo funcionava na base da emboscada. Na guerra do Vietname, os vietcong também nunca se preocuparam em assegurar o controle de territórios até ao momento de lançarem a sua derradeira ofensiva que veio a revelar-se letal para os americanos e seus aliados.

    Muita água ainda vai correr debaixo das pontes.

    (1) A expressão: Quem vive pela espada morre pela espada, mais comum em Inglês do que em Português, parece advir da tragédia esquiliana Agamémnon, num momento em que Clitemnestra, ao justificar ao coro o porquê dos seus actos abomináveis, diz algo semelhante a “Acto por acto, ferida por ferida (…) trabalhaste com a espada e pela espada morres”. Também atribuída a Mateus (26.52) reproduzindo uma frase supostamente proferida por Jesus. “Guarda a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão”.

    (2) Em Moon of Alabama ( https://www.moonofalabama.org ) : “Who Is Really Behind The Mass Slaughter In Gaza?”

    • Por lapso indiquei 7 de Novembro como a data da Operação “Dilúvio de Al-Aqsa”, quando deveria ter sido 7 de Outubro. Fica a correção.

      • Vinha só fazer essa correcão da data. Se já a fizeste tu, perfeito. Perfeito o teu comentário e perfeito o texto do Carlos Matos Gomes.

        Após os naZionistas assassinarem +16 mil civis, mais de metade mulheres e crianças, especificamente +6 mil crianças, todos assassinados com armas do império genocidas ocidental, que para além disto ainda apoia a limpeza étnica num campo de concentração que o ditador Bibi já prometeu que será ocupado para sempre, as PRESStitutas ocidentais continuam a falar no 7-Outubro e nos “reféns” e “vítimas”. Até parece que foi ontem, daí talvez o teu erro. Parece que foi no 7-Novembro ou 7-Outubro e que nada mais se passou entretanto.

        Em específico a tua análise sobre o que é o Hamas é exatamente como eu vejo as coisas. Se eu lá vivesse, não teria a cobsciência limpa enquanto não me alistasse para matar o máximo número possível de invasores.

        E daqui passamos para a rua também perfeita análise sobre as “vítimas civis”. É mesmo isso que disseste, são todos culpados, todos invasores, todos eleitores da ditadura de Apartheid e apoiantes da invasão e do genocídio.

        Lembro-me de comentar isto MUITO ANTES das acões do Hamas a 7-Outubro, quando os Israelitas foram para as ruas exigir a demissão de Netanyahu, eu comentei com familiares que naquelas ruas não estava um único democrata, um único ser decente. E a justificação do meu cometário fei exatamente a que deste agora. Eles manifestavam-se por um “estado de direito” só para eles, mas nunca nenhum saiu à rua para defender um único direito humano dos Palestinianos.

        Uma última nota: no meio de tanto naZionista, todos colonos ilegais e a maioria sem um pingo de semitismo naquele ADN, de facto existe uma minoria decente que é contra o Apartheid e contra a ocupação ilegal. E são um grupo de Judeus ortodoxos, daqueles sempre vestidos de preto como manda o seu livro de ficção religiosa, e com uma trança ou faixa de cabelo encaracolada de cada lado da cabeça.
        São descendentes dos seus antepassados Judeus que viveram toda a vida na Palestina, pacificamente ao lado de Cristãos Ortodoxos (Arménios) e de Árabes islamitas.

        A guerra começou entre eles quando a CIA o previu: assim que o império genocidas ocidental inventasse as linhas no mapa para dividir e ocupar metade da Palestina e aí criar um estado racista com roubo de terras aos locais nativos para as dar aos colonos vindos de todos os lados no Mundo.

        A guerra só acabará quando os colonos ilegais forem expulsos, ou quando a limpeza étnica for terminada. A segunda opção parece ser a mais provável agora. E por isso eu recuso falar em qualquer tipo de vitória do Hamas, mesmo percebendo o que é uma luta (justificadíssima) de guerrilha contra os terroristas do exército naZionista.
        Os Palestinianos de Gaza vão todos acabar no Egito, o Presidente egípcio vai dar o dito por não dito e ser forçado pelos navios de guerra de agressão dos EUA a receber 2 milhões de refugiados sem declarar guerra a Israel.
        E cheira-me que uma “solução final” deste género ocorrerá também na Cisjordânia e o mesmo fará o governo da Jordânia.
        Aliás, o ditador Bibi já fala em declarar guerra ao Líbano e fazer no Sul desse país o mesmo que fez nos montes Golã da Síria (invasão permanente) e na Faixa de Gaza (terraplanar tudo à bomba).

        Depois veremos o que se passa a seguir. Israel viverá para sempre com impunidade (à imagem dos EUA após o genocídio de quase todos os povos índios) ou será que a resposta será a própria Israel a desaparecer do mapa? Vendo como os Árabes “normalizados” da região, os Turcos que só querem negócio, e os Persas que ladram mais do que mordem, parece-me que Israel ganhou, e que a Palestina será apenas uma palavra conhecida por historiadores no final do século.

        Visto assim, se o Hamas chama “vitória” a isto, a derrotar meia dúzia de naZionistas das IDF a troco disto, então começo a desconfiar que a liderança do Hamas é de facto financiada por naZionistas. É teoria da conspiração? Não, é baseado nas declarações de Netanyahu há uns anos a dizer que: se (os naZionistas) querem garantir o estado de Israel (em vez dos 2 estados), então devem apoiar, financiar, e armar o Hamas.

        Afinal de contas quem é que apoiou, financiou, e armou Bin Laden? E quem é que depois de ser seu empregador, o chamou de “terrorista” para jusrificar 20 anos de brutais guerras de agressão não provocadas e injustificadas e invasõea ilegais com crimea de guerra e bombardeamebtos indiscriminados sobre civis na Mesopotâmia e Ásia Central?
        Se o plano resulta uma vez, pode resultar mais vezes.
        E quem estes crimes contra a humanidade comete sem nunca ser castigado, assim vai continuar a agir.

        É por isso que passei a dizer sobre o povo dos EUA o mesmo que digo sobre o Israelita: são raríssimos os inocentes, a esmagadora maioria é culpada e cúmplice dos crimes. E isto só mudará quando o povo fizer uma revolução para destituir a oligarquia genocidas, e a substituir por uma democracia pacífica. E como dizes, também aqui certíssimo, se o mundo depende deste evento, estamos tramados, pois é difícil que venha a acontecer.

    • Sempre a História pode ser retorcida até onde se queira.
      Onde sempre os ‘historiadores’ de pacotilha parecem estar de acordo é que autodeterminação dos povos tanto se pode fazer pela etnia, como pela cor, como pela religião, conforme a conveniência.

      A cor, resolve o caso da África – são todos pretos, servem as fronteiras coloniais – e nas Américas – são maiorias brancas servem as que os colonos decidiram.

      A etnia é mais complicada que mexe com impérios poderosos e que se opõem ao demoníaco Ocidente, como o da Rússia, da China e mais uns tantos a recrutar.

      A religião é o critério seguro no caso de Israel, que 1947 foi o critério de maioria populacional adoptado; Jafa nas bordas de Telavive era palestina. A etnia derivada da mais recente ocupação, a árabe, não concordou e contam-se umas tantas guerras. Hoje os árabes não dão mais para esse peditório? Regressemos às origens, decrete-se o território muçulmano.
      A religião é critério seguro: Allahu akbar!

      • JgMenos, é agradável verificar que o meu texto deixou incomodado uma criatura como você.

        A Bíblia como documento histórico não é lá muito fiável. O relato histórico elaborado com a preocupação de datar e respeitar a verdade dos factos foi introduzido no mundo pelo português Fernão Lopes, na sua conhecida crónica da crise dinástica de 1383-1385. Ele ainda teve a oportunidade de entrevistar pessoas que a tinham vivido pessoalmente.

        Os Hebreus seriam um povo nómada oriundo da Mesopotâmia, que se instalou no vale do Jordão, aliciados pelas suas terras férteis, que conquistaram pela força aos Filisteus e a outros povos que lá viviam antes de eles chegarem. Depois de várias guerras em que venceram e outras em que foram derrotados, acabaram por ser expulsos pelos Romanos por volta do ano 70 DC. Davam muitos problemas.

        É preciso cuidado com essa coisa de atribuir preferência pela antiguidade ou ainda temos que devolver Portugal aos Árabes. Do ponto de vista genético, os Palestinos são descendentes de povos mais antigos na região do que os próprios Judeus. E também são semitas, isto é, povos de língua semita. Todos os Árabes são. A religião não tem a ver para o caso, eles tornaram-se muçulmanos mais tarde.

        Os Judeus alegam que Deus (o deus deles) lhes disse que lhes entregava aquela terra para seu usufruto. Mas não, por acaso foram os ingleses. Sobre esse assunto, é o seguinte: Se você fala com Deus isso chama-se “oração” e é normal. Mas se Deus fala consigo é esquizofrenia.

        Percebeu?

        Talvez fosse mais fácil para si se eu lhe fizesse um desenho.

      • Já tinha pensado não responder aos teus comentário, mas não pode ficar em claro! És mesmo aquela besta que olha para o mapa político do continente africano e não consegue perceber que tudo foi dividido a régua e esquadro ignorando etnias e nações (por serem pretos como tu dizes). São 5 séculos de exploração, colonização, destruição de civilizações, saque de riquezas materiais e humanas desterradas para a escravatura para benefício ocidental!
        Vem ter comigo aqui ao Senegal que eu te mostro o que os europeus aqui deixaram…miséria e uma conveniente escola de corrupção semeada em toda a Africa (dá muito jeito…e há muita gente como tu que pensa que é endémico…enfim que está no ADN dos povos africanos).
        Quanto às Américas os ibéricos e anglo-saxónicos trataram de efectuar a conveniente limpeza, eliminando quase a totalidade dos autóctones… massacre de milhões de seres humanos e a destruição irreversível de várias culturas… grande lata afirmares que são as maiorias brancas!
        Vai-te catar que comichão passa!

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