Há um plano para Gaza?

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 25/10/2023)

Milhares de mortes são inevitáveis em nome de quê? Da vingança? Assumamos que é exequível eliminar os militantes, misturados com a população. O que fica em Gaza depois da mortandade e destruição insanas? Pacifistas? Insistir na paz do ocupante, na contínua diminuição do território palestiniano e na imposição de mais barreiras à circulação interna só trará mais guerra.


Ouço dizer, como se se estivesse a falar de acidente natural, que as vítimas civis em Gaza são inevitáveis. Serão aquilo a que friamente se chama “danos colaterais”. Só que milhares de mortes em duas semanas não são “danos colaterais”. São o resultado inevitável, de facto, de uma barragem de bombardeamentos numa das zonas mais densamente povoadas do mundo.

Para justificar a carnificina, responde-se com as imagens do inominável horror dos massacres do Hamas. Nem um Estado, seja ele qual for, se pode comparar com uma organização terrorista, nem a natureza criminosa de um ato de guerra é justificada pelo crime que a tenha motivado. As guerras não costumam começar por razões fúteis. O direito internacional e as leis da guerra não se suspendem por causa do choque que a motiva. Isto ignorando, à partida, que esta guerra tem quase um século, não quinze dias.

A pergunta que se segue é: estas mortes são inevitáveis em nome de quê?

De vingança? Tratando-se de vidas civis inocentes, esta justificação põe quem a dê no patamar moral de terroristas. Punição coletiva é ato de criminosos. Qual é, usando as palavras do humorista egípcio (casado com uma palestiniana de Gaza) Bassem Youssef numa entrevista a Piers Morgan, a taxa de conversão aceitável entre vidas de civis israelitas e palestinianos, todos inocentes?

Se não é a vingança, o objetivo será desmantelar o Hamas. Não será seguramente apenas eliminar os seus cabecilhas. Se assim fosse, esta mortandade seria ainda mais desproporcionada. É eliminar todos os seus militantes, que estão misturados com a população e são, eles próprios, daquele território (por isso os paralelismos ideológicos e morais com a ISIS não são transferíveis para paralelismos estratégicos e operacionais).

Mas assumamos que esse objetivo é exequível. O que acham que fica em Gaza depois desta absurda mortandade, este indefensável crime, esta destruição insana? Como acham que reagirão os dois milhões de palestinianos sobreviventes depois de perderam filhos, pais, amigos? Pacifistas? Como é que pensam que reagirá quem recebeu um panfleto do governo de Israel dizendo que, se não deixar a sua casa para ir para o sul de Gaza, para onde não tem dinheiro para ir ou condições para morar, será considerado um terrorista e, como tal, um alvo a abater? Quantas organizações existem em Gaza prontas para substituir o Hamas no dia seguinte?

O plano de guerra contra o Hamas, tornado público pelo ministro da Defesa de Israel, inclui manobras militares e uma presença no terreno, para estancar as mais que previsíveis bolsas de resistência, a “retirada da responsabilidade de Israel pela vida na Faixa de Gaza, e o estabelecimento de uma realidade de segurança para os cidadãos de Israel”. Não é claro o significado desta última fase. Mas é evidente que, apesar das garantias de que não haverá ocupação, ela existirá de qualquer forma, quanto mais não seja por via de corredores e checkpoints. Com a transformação da prisão de Gaza num centro de detenção vigiado, tornando ainda mais insuportável a vida quotidiana da sua martirizada população.

De uma forma ou de outra, a solução que se afigura possível é a ocupação israelita de uma parte de Gaza – não falta quem defenda, nas suas vizinhanças políticas, a expulsão total. Fazer ali o que se fez na Cisjordânia, revertendo uma retirada que, na realidade, serviu para fechar o território ao resto do mundo, deixando-o definhar num emaranhado de terrenos cercados e sem comunicação entre si.

Gideon Sáar, ministro do recém-formado governo de emergência, defendeu, em entrevista a uma televisão israelita, que a Faixa de Gaza “precisa de ficar menor no fim da guerra” e que deve ser criada uma zona de segurança entre os dois territórios, com checkpoints como os que foram criados na Cisjordânia.

Assistiremos a um padrão com décadas e que corresponde ao que queremos recusar na Ucrânia: a paz do ocupante. Esse é o problema deste debate: é que a assimetria de poder impõe um “status quo” inaceitável, uma falsa paz que inevitavelmente acaba sempre por se partir, dando quase sempre espaço aos mais fanáticos que estiverem dispostos a ir onde a decência humana não deixa.

Toda a ocupação tem sido publicamente justificada com a segurança dos israelitas (a dos palestinianos é obviamente irrelevante). Digo “publicamente”, porque, pelo menos entre os apoiantes e aliados de Netanyahu, as razões são históricas e religiosas. Uma “segurança” garantida através da transformação da vida dos palestinianos num inferno, de checkpoints dentro do seu território, da construção de colonatos nas suas terras (que dificultam a segurança, não o oposto), na construção de muros em torno das suas localidades, no roubo de água e de colheitas e na inviabilização da sua vida económica. A típica segurança colonial.

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A ocupação de praticamente toda a Palestina é o projeto político de Netanyahu e do sionismo radical e revisionista em que se filia. Cada momento traumático tem sido aproveitado para mais um passo na desejada limpeza étnica. Ela pode acontecer de duas formas: o extermínio, como o Hamas gostaria de fazer com os judeus e felizmente não tem condições para isso; e através do deslocamento em massa de populações, como foi feito aos palestinianos (a “Nakba”, que começou em 1948, mas na realidade nunca acabou).

O que pode então fazer Israel? Para além do que se faz quando há atentados terroristas, procurar punir um a um os seus responsáveis, mesmo que isso demore tempo (como Israel já fez bastantes vezes), não dizimando populações inocentes, tem de fazer política. Afastando o fanático, incompetente e ainda por cima corrupto Benjamin Netanyahu, e permitindo que quem quer realmente a paz e a segurança dos israelitas volte à negociação com os moderados do outro lado, que estão na enfraquecida Autoridade Palestiniana. Uma negociação que não pode deixar de ter como objetivo o cumprimento do direito internacional e das resoluções da ONU, que estão, é importante recordar, do lado da Palestina, que o Ocidente trata como criminosa.

Não há segurança para israelitas e palestinianos, ainda mais depois do rasto de destruição e ódio, que se junta a uma longa história de tragédias, sem uma solução negociada de dois Estados viáveis e autónomos.

Insistir na contínua diminuição do território palestiniano e na imposição de mais barreiras à circulação interna dentro do seu território só pode trazer mais ressentimento, violência e guerra. A não ser, claro, que Israel consiga um confinamento prolongado de todo um povo. No que contaria com o apoio “incondicional” do Ocidente, não tenho dúvida.


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11 pensamentos sobre “Há um plano para Gaza?

  1. “Uma borboleta bate as asas em Pequim,
    e gera-se uma tempestade em Central Park”.

    Esta simples frase que pretende sintetizar a Teoria do Caos serve perfeitamente para descrever sucintamente a sucessão de acontecimentos desencadeados pelo velho louco Joe Biden desde a sua eleição, e que em pouco tempo fizeram o mundo relativamente ordenado em que vivíamos entrar numa derrapagem irreversível rumo ao colapso total.

    E convém aqui ressalvar que, se efetivamente essa ordem mundial que se encontrava estabelecida AB (Antes de Biden) não fosse na verdade uma ilusão de feira e estivesse realmente cimentada em alicerces sólidos e justos, se correspondesse de facto às legítimas aspirações dos povos do mundo global, ela não estaria agora a dissolver-se como farrapos de nuvens num céu e Verão.

    Como na velha história para crianças, bastou que alguém gritasse aquilo que todos viam mas ninguém ousava admitir, que “o rei vai nu”. No mundo real esse relutante delator foi a Rússia de Putin. E não vem ao caso reconhecer que na verdade ele não teve outra opção. Só foi preciso que alguém com poder para fazer frente ao Império do ogre americano se perfilasse e fizesse cair a sua máscara de poderio invencível, conseguida às custas de pequenos países indefesos que ele destruiu sem piedade, para que múltiplas bolsas de resistência começassem a brotar em todos os continentes. Os oprimidos só precisavam de uma esperança.

    Biden elaborou o plano de destruir a Rússia para vingar a derrota que esta lhe impusera na Síria, mas sem arriscar na empreitada os seus próprios exércitos, servindo-se da Ucrânia como alavanca e dos ucranianos como carne de canhão.

    Na procecussão desse objetivo ele conseguiu arrastar a União Europeia, governada por políticos corruptos até à medula que durante décadas precisaram do apoio dos Estados Unidos para se manterem no poder e da estrutura da NATO para os proteger da ira dos seus próprios povos.

    Sim, porque a NATO na verdade nunca teve o propósito de proteger o Ocidente coletivo de uma ameaça externa. Essa foi a verdadeira razão, quando Trump se lembrou de lançar a hipótese de acabar com esta organização, de se ter assistido a patéticas manifestações de um pânico generalizado entre os prostitutos disfarçados de “comentadores” que infestam os estúdios de televisão e os miseráveis pasquins nacionais, mas não só.

    Eles não precisavam de se ter preocupado. O Estado Profundo americano nunca permitiria que Trump encerrasse a NATO porque ela é o mecanismo que assegura o controle da Europa pelos Estados Unidos e a sua manutenção efetiva como colónia americana.

    Bem, hoje já é possível concluir que o projeto longamente acalentado e cuidadosamente preparado da Hegemonia, para destruir a economia russa com base em sanções selvagens e numa derrota militar, demolir a estrutura política desse grande país e dividi-lo em pequenos estados pseudoindependentes governados por oportunistas corruptos desejosos de se submeter ao Império e lhe vender as suas riquezas minerais ao preço da chuva, e depois partir daí para uma guerra total para submeter militarmente a China, o seu verdadeiro grande rival mundial, falhou rotundamente.

    Verificou-se que para já as elites europeias lacaias do Império Americano não tiveram grande sucesso nos seus muito afincados mas atabalhoados esforços para destruir a economia russa em ordem aos desejos do seu suserano. Antes a tornaram mais forte, equilibrada e autossuficiente. Mas em compensação fizeram um excelente trabalho de destruição das suas próprias economias.

    Os resultados deste descalabro ainda irão fazer-se sentir inevitavelmente em território americano, dada a interpenetração das duas grandes economias neoliberais, mas levará o seu tempo. A grande crise americana, claramente latente mas ainda mascarada por uma demente utilização da “impressora virtual”, irá agudizar-se à medida que o dólar vier a perder progressivamente a sua influência nos mercados mundiais, como é o objetivo último assumido do movimento dos BRICS11+ dinamizado pala China.

    A fracassada investida americana na Eurásia veio gerar ondas de choque que rapidamente se espalharam pelo mundo. A Rússia na verdade foi salva, nos primeiros tempos da guerra, pelos seus mais próximos aliados, a China, a Índia, o Irão e os países da OPEP, que impediram o colapso económico do colosso, mas a necessidade de evitar o próprio isolamento levou-a a estender laços de cooperação ao maior número possível de países, nomeadamente os africanos, recuperando assim a velha vocação da URSS que tinha sido esquecida. A reestruturação da Wagner e a recuperação desta força de elite privada para os objetivos geoestratégicos do Estado Russo insere-se nesta nova tendência.

    E os franceses são as primeiras vítimas colaterais deste desenvolvimento ao serem positivamente enxotados das colónias africanas que mantinham pela surra através da manutenção no poder de governos corruptos traidores. Os ingleses provavelmente também não perdem pela demora.

    Ao destapar as fragilidades da máquina de guerra ocidental e fazer desaparecer o mito da sua invencibilidade e capacidade de intervenção global na Ucrânia, a Rússia abriu caminho para o surgimento de movimentos patrióticos diversos que se encontravam adormecidos em diversas partes do mundo. É neste contexto que deve ser analisada a recente ofensiva do Hamas contra Israel. Ela é apenas mais uma tempestade virtual gerada pelas ações dementes do velho Biden. A Resistência palestiniana de Gaza estava à espera desta oportunidade e não é por acaso que a ofensiva começou a ser preparada há cerca de um ano, isto é, depois da intervenção russa na Ucrânia.

    Sabemos que a colonização violenta da Palestina foi levada a cabo pelos ingleses e americanos em 1948 com o objetivo de satisfazer objetivos geoestratégicos destes países colocando um enclave ocidental no Médio Oriente. Mas ela teve também a cumplicidade da URSS de Estaline. Mais tarde os soviéticos pareceram ter compreendido que tinham ajudado a criar um monstro, mas era tarde.

    A URSS permitiu e facilitou a partida para Israel de muitos judeus, que nunca tinham sido perseguidos na Rússia mas acreditaram no sonho da recriação de uma pátria judaica. Como muitas vezes acontece, esse foi um sonho lindo que com o tempo acabou por virar pesadelo.

    Hoje, cerca de 30% da população de Israel é de ascendência russa e metade deles usam ainda o russo como língua principal. Têm familiares e negócios em território russo e em território israelita e não me parece que de uma maneira geral eles sejam muito próximos da causa palestiniana. O dinheiro circula abundantemente entre os dois estados e isso gera prosperidade mútua. Os serviços de Inteligência de Israel e da Rússia colaboram assiduamente no combate ao radicalismo islâmico, que constitui uma preocupação para os dois países. A Rússia permite, contrariando os seus próprios serviços militares, o bombardeamento de posições do Hezbollah, do Irão e do próprio Governo local na Síria, traindo desta forma os seus próprios aliados. Putin é assumidamente amigo pessoal de Netanyahu, o que faz dele um declarado sionista.

    Bem, este estado de coisas era perfeitamente natural quando a Rússia se esforçava infantilmente por criar laços de cooperação e amizade com a União Europeia e Putin ainda acalentava o seu sonho lindo e estúpido de aproximar a Europa da Rússia dando aos europeus a energia barata que lhes permitia preservar artificialmente o seu nível de vida. Esse erro crasso de análise levou-o a seguir por mais de vinte anos um percurso político completamente errado. Ele devia ter tirado corretas ilações das incontáveis provocações que a Rússia foi recebendo, às custas dos seus aliados, dos seus artistas, dos seus desportistas, etc.

    Bem, ao provocar uma irremediável rotura entre a Rússia e a Europa, Biden conseguiu finalmente colocar Putin no caminho certo. A Rússia foi obrigada a redirecionar a sua economia e a sua solidariedade institucional para a Ásia e para os países do Sul Global. O facto de ela ser hoje um país líder do movimento BRICS11+ é completamente incompatível com a sua proximidade ao regime colonialista de Israel. Os seus novos aliados no Oriente Médio nunca lhe perdoariam e a Rússia agora precisa deles para sobreviver.

    Por mais de um ano, o Hamas preparou, em segredo uma ofensiva contra Israel para alcançar seis objetivos:

    1. Demonstrar quão inferior é o exército israelita, quão vulnerável, quão incompetente é a sua inteligência sobre o mundo árabe. Isto foi conseguido através do ataque inicial de 7 de Outubro.

    2. Demonstrar o plano israelita de limpeza étnica de Gaza, o genocídio contra os árabes e a incorporação de todos os territórios ocupados por Israel num único estado sionista teocrático.

    3. Resistir ao esperado contra-ataque israelita durante tempo suficiente para ativar as forças do Hezbollah na frente norte do Líbano; Forças sírias e iranianas na frente oriental do Golã; e os palestinos da Cisjordânia, incluindo os palestinos jordanianos; os alvos deste último serão as bases aéreas e terrestres blindadas dos EUA na Jordânia.

    5. Obrigar os xeiques vacilantes a resistirem à pressão dos EUA; limitar o fornecimento de petróleo e gás aos mercados inimigos; impedir que bases terrestres regionais e permissões de trânsito aéreo sejam ativados em apoio a Israel.

    6. Por último, envolver as potências nucleares amigas – Rússia, China – para dissuadir e, se necessário, combater as forças dos EUA na região e a ameaça de Israel de disparar as suas armas nucleares.

    Até agora parece estar tudo a correr bem.

    Os EUA nunca aceitarão perder o seu enclave na região porque isso representaria para eles uma derrota estratégica fatal. Eles enviaram dois porta-aviões para o local equipados com cerca de 750 mísseis Tomahawk capazes de atingir grande parte do território russo. Por essa razão os russos equipararam vários MiG-31 com mísseis Kinzhal capazes de destruir num ápice os porta-aviões americanos e puseram-nos em prevenção total. Eles avisaram os americanos desse facto e acrescentaram que isso “não é uma ameaça”. Segundo o analista John Elmer, “em russo”, quando se diz que alguma coisa não é uma ameaça isso quer dizer que é mesmo.

    A frota russa baseada em Tartous, na Síria, está no mar. No momento, há possivelmente muito mais navios chineses da 44ª Força-Tarefa de Escolta Naval no Golfo Pérsico com capacidades anti-superfície, anti-submarino e de mísseis antiaéreos de destróier Tipo-052D e fragata Tipo-054. A importância desta barreira chinesa para dissuadir um ataque de mísseis e aviões EUA-Israel ao Irão tem sido ignorada pela Imprensa internacional.

    As potências posicionam as suas peças no tabuleiro.

    Segundo disse em tempos Yasser Arafat, durante uma visita ao Iraque de Saddam, Israel tem 240 ogivas nucleares apontadas para as principais capitais do mundo árabe. Israel é hoje governado por uma seita de fanáticos religiosos que em nada ficam a dever aos fundamentalistas islâmicos do ISIS. Se chegar o momento em que uma derrota militar dentro das suas próprias fronteiras se torne inevitável com ou sem ajuda americana, o que acham que vai acontecer? O que teria feito Hitler no final da II Guerra Mundial se tivesse uma arma assim? E o Imperador Hirohito do Japão?

    Provavelmente, como Putin deu a entender recentemente no seu discurso do Clube Valdai, ainda que num contexto diferenciado, assim que o primeiro míssil nuclear israelita for detetado no ar Israel será reduzida a um monte de cinzas radioativas, incinerando judeus e palestinos para evitar um mal maior. Então, é melhor que os EUA tenham realmente um verdadeiro controle sobre as forças armadas israelitas. O histórico dos americanos com as forças paramilitares que eles próprios criaram não é muito animador.

    Se Biden, a velha borboleta louca, não tivesse batido as suas asinhas na Ucrânia, esta tempestade que assola o Médio Oriente, e que poderá muito bem ditar o fim do Estado de Israel, não teria acontecido, pelo menos neste momento. E o mundo não estaria perante mais uma porta de entrada para o apocalipse nuclear, talvez até muito mais perigosa e iminente do que aquela que foi aberta em solo ucraniano e que os russos parecem ter controlado.

    A Teoria do Caos em toda a sua glória.

    P.S. 1: Informação de apoio na interessante análise do conceituado jornalista John Elmer em:

    http://sakerlatam.org/memo-sobre-a-solucao-final-para-um-estado-israel-ou-palestina/

    P.S. 2: Desculpem lá. Eu fico sempre um bocadinho apocalíptico quando o Benfica perde o jogo.

  2. Não é preciso estar apocalíptico para achar que estamos metidos num belo saco de gatos.
    Quanto ao resto, Putin foi efectivamente mais burro que um cepo ao acreditar que a Rússia, pelo facto de os seus habitantes serem brancos, seria melhor tratada e seria poupada ao destino do Iraque e dos palestinianos. Chegou a fazer o papel ridículo de pedir a adesão à NATO e nem quando levou uma nega redonda viu que alguma coisa devia estar errada.
    E tinha obrigação de saber mais pois que sucedera a um bêbado desregrado e corrupto que fizemos eleger. Anos durante os quais os nossos oligarcas espoliaram o pais sem do nem piedade e calculas se que uns três milhões de russos tenham morrido de fome e de frio.
    Putin viu se a rasca para desfazer aquele novelo mas mesmo assim continuou a acreditar na bondade desta gente.
    Acho que a bela adormecida só começou a despertar do sono quando começamos a armar fundamentalistas islâmicos dentro das suas fronteiras e os atentados terroristas sangrentos sucederam se. Mas esses terroristas já eram bonzinhos e combatentes pela liberdade e seriam plenamente justificados por alegadas atrocidades cometidas por russos na Chechenia. Mesmo que tal tivesse acontecido, a esse preço também tínhamos de estar agora a absolver o ataque do Hamas do passado dia 7.
    O que é que teríamos dito se a Rússia tivesse bombardeado a Chechenia com a ferocidade insana com que Israel está a bombardear Gaza no rescaldo do ataque à escola de Beslan? O que é que diríamos se a Rússia começasse a exigir a demissão de todos os responsáveis políticos que denúnciassem esse crime? Que exigisse a Rússia o cumprimento das resoluções da ONU? Não havia nome que não lhes chamassemos.
    E o ataque a escola de Beslan foi um horror indescritível. Crianças e avos idosos transformados em alvos prioritários. Gente mantida em cativeiro durante mais de uma semana, execucoes sumárias de dezenas de crianças para assegurar o silêncio das outras, um elemento do bando atacante executado por ter dado água a uma moribunda.
    Mas alguns comentadores trataram de ir dizendo que a coisa mostrava as dificuldades da Rússia pois que as crianças resgatadas eram todas magras. A sério que houve um grunho que disse isso. Bela trapada de merda no focinho.
    A Rússia tratou do de ir eliminando um a um os cabecilhas, alguns exilados como combatentes pela liberdade em países europeus. Foi vilipendiada por isso.
    Ja Israel, além disso, faz as contas a quantos civis terá de matar por cada Israelita morto e cá vai disto. Os nazis faziam as contas conforme a cor dos colonizados. Se em França era a volta de 10, na mais escura Grécia eram 50. As contas do nazi sionismo são mais complicadas porque o que eles querem é expulsar todos os árabes impuros da terra que acham que lhes foi dada por Deus.
    E como ninguém sabe exactamente quais eram as fronteiras do Israel Antigo a única garantia que temos é que cá não era. Já quem lá está perto que se cuide porque se depender do Ocidente vai tudo raso porque por lá há recursos para pilhar. É onde houver pilhagem a vista, lá, estaremos nós, as nossas armas e o nosso apoio aos trastes dispostos a fazer o trabalho sujo. É o que temos.

  3. O facto de haver organizações, e pelo menos um estado, que visa fazer desaparecer o Estado de Israel não é para aqui chamado!
    O facto de, no Estado da Palestina a criar, poder vir o poder a ser tomado por uma dessas organizações, como aconteceu em Gaza, nada tem a ver com a situação!
    Tudo é culpa do Biden e da NATO.
    Por tal, * ^´” «—=\»!
    E mais não vos digo.

  4. Nem precisas. Sabemos que és aquele miúdo franzino que se fosse preciso até limpava com a língua o traseiro do mais forte da turma para não apanhar. É que se fosse preciso batia nos outros porque se sabia protegido pelo mais forte.
    A porra é que não cresceste e por isso andas aqui a torrar a paciência aos outros. Por mim nunca aceitarei que nem o mais pintado se ache escolhido de Deus ou o raio que o parta. Israel é um caso de psiquiatria e loucura homicida. O resto é conversa. Vai ver se o mar dá choco.

      • Em verdade te digo que, como aspirante a bully, és completamente ineficaz, fraquito e pequenito. Tão pequenito que nem te conseguimos “ver”, tapado como estás por um enorme défice cognitivo, que não te deixa perceber que andas aqui para nada.

        • ‘para nada’?
          O saber sobre uma qualquer realidade não deve excluir o conhecimento do nível da imbecilidade possível de decorrer dos factos que a compõem.
          Para tal é preciso ler ou ouvir esses protagonistas da imbecilidade!

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