É este regime que andamos a idolatrar?

(Estátua de Sal, 03/03/2022)

Hesitei muito antes de publicar estes dois vídeos, nomeadamente o primeiro, apesar de serem fidedignos, e terem sido produzidos já há vários anos, não sendo por isso narrativas falsas ou manobras de contrainformação ou propaganda de apoio a um dos lados da guerra na Ucrânia.

Não sou a favor de guerras ou invasões de que tipo for, ainda que toda a história dos países e dos povos esteja assente num rosário de conflitos, destruições, conquistas, mortes e muito sangue de inocentes. O ser humano é capaz dos feitos mais incríveis e elevados, mas também é capaz das maiores atrocidades e ignomínias. “O homem é o lobo do homem”, já dizia Hobbes, com propriedade.

É que, mesmo que nas guerras tenha sempre havido vencedores e vencidos, aqui chegados em pleno século XXI, com o domínio que a espécie humana conseguiu do mundo físico, ela passou a deter a capacidade de destruir o planeta várias vezes na totalidade, pelo que as guerras de hoje só podem gerar vencidos, sendo toda a humanidade perdedora.

Assim sendo, querer ganhar esta guerra à Rússia, deixando-a sem alternativas de recuo, e continuando a a nem sequer querer ouvir as suas razões, quanto mais a dialogar, é um caminho perigoso que só pode aumentar os riscos de uma escalada no conflito e a uma destruição total do planeta e da espécie humana. As duas Guerras Mundiais do século XX começaram exatamente assim: ninguém as queria mas a escalada belicista avançou de tal forma que, a partir de certo momento, já não havia espaço para ninguém recuar e evitar o conflito total.

Ora, está a criar-se um clima de histeria coletiva em que a fúria da turba enraivecida se está a sobrepor à racionalidade e ao bom senso. Algumas das sansões que estão a ser decididas contra a Rússia pela UE, além de pouco eficazes vão-nos penalizar a todos nos tempos próximos de forma significativa. Algumas mesmo atingem a matriz da nossa liberdade, como a censura que foi decretada à comunicação social russa nos países da União Europeia, como se a ocidente só se dissesse a verdade e do leste só viesse a mentira e a desinformação. Contudo, depois dessa grande “verdade” que eram as armas químicas do Sadam ter justificado a invasão do Iraque pelos EUA, ficou claro que a comunicação social do ocidente pode produzir fake-news em larga escala, quando tal é conveniente, sem que tal seja tido como um atropelo à liberdade e à democracia.

É neste contexto que publico os vídeos abaixo que refletem uma visão do conflito que a comunicação social dominante esconde aos cidadãos e que não deve ser censurada. Pensei que a censura tinha acabado em Portugal no 25 de Abril, mas ela aí está de novo e, lamentavelmente, apoiada por muitos que dizem prezar a liberdade.

O primeiro vídeo, feito por um canal de televisão francês, mostra como na Ucrânia, a predominância de forças militares nazis e de extrema-direita, apoiadas pelos EUA, foram decisivas para tirar do poder um presidente eleito democraticamente em eleições que ninguém contestou. Essas forças, ao que o vídeo mostra, permanecem na Ucrânia e mandam mais que as polícias, os tribunais e o próprio exército ucraniano. Talvez por isso, Putin tenha falado em “desnazificação”.

Máscaras da Revolução: o vídeo que a Ucrânia não quer que o mundo veja

O segundo vídeo é um filme do cineasta americano Oliver Stone onde se conta a história da Ucrânia e os antecedentes que levaram que se chegasse à situação atual.

Ucrânia em chamas – Ukraine On Fire 2016 Oliver Stone – Legendas disponíveis em português

Cada um, em consciência – se conseguir superar a lavagem cerebral que está a ser feita às nossas cabeças -, que forme o seu juízo com o distanciamento possível.

Eu, por mim, deixo uma primeira pergunta: vale a pena tanto sofrimento e morte, sacrifícios e penas de milhões, para defender um regime de nazis, cujas ideias levaram ao genocídio de milhões e ao Holocausto? É isto que estamos a defender? Estaremos todos hipnotizados e sujeitos a uma grande alucinação coletiva? Estaremos dentro do Matrix?

E a segunda: Se o Ocidente não quer a guerra qual a razão porque não quis, nem quer ainda, negociar a garantia de que a Ucrânia não irá nunca pertencer à NATO? É que a NATO não é uma organização militar defensiva. Que o diga o Iraque, a Líbia, o Afeganistão, a Jugoslávia, a Síria e muitas outras geografias.


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3 pensamentos sobre “É este regime que andamos a idolatrar?

  1. OBRIGADO PELA CORAGEM!…Sim, de acordo em toda a linha consigo!!!
    É que se criou – lamentavelmente! – um maníqueiismo neste conflito : a Ucrânia é um querubim e a Rússia um desavergonhado ditador!….QUANDO SE IGNORA – VOLUNTARIAMENTE – O QUE SE PASSA DESDE 1991 !

    Aliás, que eu saiba o realizador americano Oliver Stone, não é um “aficionado” de V.Putin, mas faz a sua análise independente e até fez – já há alguns anos, – umas 3 ou 4 entrevistas ao Presidente russo, que todos nós deviamos ver para então perceber esta coisa da geopolítica e do poder dos homens e das nações!

  2. Oliver Stones fez algumas entrevistas a Putin, muito soft. Diz- se ser tão amigo que até tem um filho a trabalhar numa estação de televisão russa.
    Foi igualmente estranha a posição de Oliver Stone no apoio à Trump.
    Por que razão não terá Stone avançado com perguntas sobre a posição de Putin no KGB? E porque não abordou Putin acerca das perseguições a homossexuais ou lésbicas?
    Poderia elencar muitas outras áreas que teriam interesse real. Não vale a pena. Eu não aceito guerras, condeno todas. Hoje vivemos esta nas imagens de TV, sentados em confortáveis sofás.
    Qual a posição de Oliver Stone? Também vai fazer um filme sobre o assunto?

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