Rui Rio é estúpido?

(Por Valupi, in Aspirina B, 31/05/2019)

Rui Rio quis liderar o PSD após a catástrofe económica e social da responsabilidade principal de Passos e Portas. Quis enfrentar o PS a governar num inaudito quadro de apoio parlamentar e com estrondoso sucesso económico e social, liderado eficazmente por António Costa. Não temos de conhecer as razões que o levaram a escolher este calendário, mas cresce a convicção de que a sua escolha nasceu de uma fraqueza. Arriscar o menos possível, ganhar o partido à primeira tendo este batido no fundo. E continuar sem nada querer aprender.

Na campanha eleitoral para o PSD e tempos seguintes, Rio pôde sentir na pele a colossal energia guerreira que a temática da Justiça armazena e espalha sistemicamente. Tal resulta de 15 anos de judicialização da política e de politização da Justiça que culminaram na “Operação Marquês”, uma investigação que se transformou em bandeira política reclamada oficialmente por Cavaco Silva e Passos Coelho. A mera expressão de avulsas e óbvias críticas ao Ministério Público de Marques Vidal valeu a Rio ataques ferozes da direita decadente, na qual se destacou Marques Mendes (em representação do regime) que chegou ao ponto furibundo de colar Rio a Sócrates – no que ficou como ostensiva, debochada, chantagem pública. Se Rio continuasse por esse caminho, arriscando pôr em causa o sucesso pleno da vingança em curso e a tentativa de atingir o PS com dano máximo, então iria ser destruído com base em difamações e calúnias.

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A chantagem resultou. Aquele que era o maior trunfo de Rio, a manifestação de uma coragem singular numa sociedade cúmplice da violência que constitui a essência da “Operação Marquês”, foi abandonado, com isso perdendo a sua imagem de integridade e abdicando de construir um posicionamento político capaz de disputar o eleitorado mais comprometido com a decência e a segurança na cidade. Para as Europeias, escolheu um profissional da baixa política que fez uma campanha inane, sem qualquer ideia e a cuspir ódio sempre que abriu a boca. O próprio Rio assumiu a calúnia como arma eleitoral, destruindo de vez a sua credibilidade. Fez tudo exactamente ao contrário do que devia ter feito, perdeu uma ocasião histórica para deixar o seu nome na História.

Vem aí o Verão, as férias, os incêndios, e depois teremos umas semanas de berreiro partidário até às legislativas. A única coisa sobre o actual presidente do PSD que resta descobrir é esta: é estúpido ou apenas falho de inteligência política?


Fonte aqui

9 pensamentos sobre “Rui Rio é estúpido?

  1. Rui Rio é estúpido?
    31 Maio 2019 às 16:40 por Valulupi 4 Comentários, wow!!

    XXX XXXXXX
    1 de Junho de 2019 às 1:06

    “…estrondoso sucesso económico e social”, …?!

    [Nota.] Temos o Artur Baptista da Silva da economia, [again].

    _______

    Com a devida vénia, surripiado, e um jeitinho na melena para [se] topar melhor.

  2. O estrondoso sucesso social e económico só pode ser uma piada!
    Numa sociedade estupidificada pela máquina de propaganda Costista, onde quase tudo falha pela incompetência de quem governa, ser diferente só pode ser sinal de saúde e inteligência! Se a isso quiserem chamar estupidez, então chamem!

    • […]

      Nota. Perguntas bem, Lídia, mas acho que o próprio Burro, primeiro, e o Sancho, depois, se fartaram da excessiva urbanidade evidenciada pelo Jota Madeira (quem deveria ficar com uma secreta inveja era o Valulupi, o tasqueiro do Aspirina B). Se não estou em erro, ouvi dizer que se sumiram ambos e que vivem, os três!, num anexo com marquise disponibilizado no T65 da dondoca d’Um Jeito Manso… nota que o blogue se chama assim, e não um taurino Um Jeito Bravo,muuuuuuuuuuuu!, o que não será certamente por acaso.

      Caro Jumento,
      vírgula, mudava de linha e manjava uma dose bem aviada de palha, perdão!, de pontos de exclamação.

      In memoriam.

      • Adenda. Não te surpreendas, Lídia, as falinhas mansas e a rude-mas-divertida pontuação do Jota Madeira sempre me pareceram que, no fundo, evidenciavam que aquele tipo sentia algo estranho a crescer dentro de si mas que era incapaz de se assumir (no Jumento mais, n’A Estátua de Sal e no Aspirina B). Politica e emocionalmente, depois de ostentar um luto carregado desde o falecimento de José Sócrates (desde 2011, imagina!), ganhou finalmente coragem, seguiu a sua vida e antecipou-se ao PAN animalista segundo a básica doutrina escrevinhada pelo Daniel Oliveira, um dos tipos do Livre/Tempo de Avançarem, Coitados!, Sozinhos. Bonne chance, como dizem em Itália.

  3. Felizmente este senhor não é estúpido ,por vezes as pessoas não gostam de ver a verdade e em política náo val tudo.Se nestes anos de democracia tivéssemos tido pessoas como ele, conhecedor dos gastos públicos,a nossa dívida não seria a que temos hoje.

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