Andam mortos a receber pensões da Segurança Social

(Carlos Esperança, 03/03/2019)

Num tempo em que a Internet espia a vida de todos nós, estranha-se que a morte de um beneficiário não seja logo comunicada à Segurança Social, que a defunção se mantenha na clandestinidade e parasitas, à custa dos mortos, roubem aos vivos 3,7 milhões de €€.

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Por mais estranha que se afigure esta situação, é possível exigir aos vivos a devolução dos valores indevidamente recebidos e processá-los por fraude. É fácil provar o crime, com uma simples certidão de óbito, recuperar os prejuízos e punir os vigaristas.

Há, no entanto, outros roubos à Segurança Social, ou seja, a todos nós, que vão ficando impunes graças ao silêncio e cumplicidade de uma população amorfa, cobarde e cínica, incapaz de denunciar casais que vivem em união de facto e juntam aos vencimentos ou pensões, a pensão de viuvez. Esta é uma contabilidade mais difícil de fazer, uma fraude mais árdua de provar e um ressarcimento mais improvável de obter.

Quem denuncia, a não ser por inveja, não por imperativo cívico, os casais estáveis, com filhos comuns, sendo solteiro um dos membros e viúvo o outro, ou ambos viúvos, sem abdicarem da pensão de viuvez a que perderam direito?

Quem se insurge com a fraude de quem aceita o subsídio de desemprego e um emprego informal e com as empresas que eventualmente ofereçam trabalho, com a condição de os colaboradores manterem o estatuto de desempregados? Permanecem impunes.

Há funcionários públicos e trabalhadores por conta de outrem, de baixa médica, a trabalhar em empresas privadas e nos seus escritórios, com a cumplicidade ou desleixo de quem devia defender interesses coletivos e não o faz. Não é um dever cívico, de quem conhece as situações, denunciá-las? Ou a síndrome do horror à pide permanece para o delito comum?

Será legítimo que a acumulação de pensões da função pública ultrapasse o vencimento do primeiro-ministro ou mesmo o do PR, inclusive num ex-PR? Pode um governo de esquerda tolerar que não haja uma pensão máxima quando se torna difícil ou impossível elevar a mínima?

Um povo tão severo a julgar os políticos e tão brando ou conivente com fraudes dos que delapidam o erário público não se dá conta de que a probidade individual é o alicerce do combate à corrupção.

Face ao alarme hipócrita, perante as fraudes reveladas aos mortos, pasmo com o silêncio em relação às fraudes furtivas dos vivos.

2 pensamentos sobre “Andam mortos a receber pensões da Segurança Social

  1. ATENÇÃO! TRISTEZA! SOMOS AMORDAÇADOS! FICO POR AQUI!!!

    Costumo consultar Estátua de Sal – Um Blog de Política e Sociedade, onde gosto de ler algumas crónicas e as interessantes permitem-me partilhar para a minha página.

    Assim, ontem partilhei duas crónicas de CARLOS ESPERANÇA – “O Desembargador e a Justiça” e “Andam mortos a receber pensões da Segurança Social”.

    Qual o meu espanto, verifico esta informação “FACEBOOK”:

    “Esta publicação desrespeita os nossos Padrões da Comunidade, pelo que só tu a podes ver.”

    • Os censores do Facebook andam cada vez mais ridículos. Há muita gente incomodada com este blog. Repare que esses textos vieram do mural no FB Carlos Esperança e continuam lá sem que seja considerado que “vão contra os padrões da comunidade”, o que prova que não é os textos que querem atacar mas quem os publica, neste caso a Estátua. Isto é: não preocupa os direitolas que se escrevam textos que eles não gostam desde que não sejam lidos. Agora quando alguém que tem 18000 seguidores no FB mais os seguidores do Blog e do Twitter a acrescer ao efeito multiplicador de tal audiência, aí partem para a denúncia concertada de forma a que o FB elimine os textos e impeça partilhas. Estou cansado de reclamar com o FB mas não serve de nada. Lamento.

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