Do lúmpen jornalismo

 

(José Preto, advogado de Bruno de Carvalho, 15/11/2018)

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Não tive ainda o tempo de agradecer a solidariedade manifestada pelos meus Colegas Dr. Arnaldo Matos e Dr. Horácio Coimbra. O mesmo agradecimento é devido aos juristas que se pronunciaram em defesa dos Direitos Fundamentais.

Sublinho a intervenção da Ordem dos Advogados que, pelo seu Conselho Geral e respectiva Presidência, se pronunciou sobre o abuso entretanto e evidentemente agravado em muitos aspectos e atenuado noutros.

Um dos aspectos de agravamento foi o da conduta do lúmpen jornalismo já que nas três antenas privadas se largaram os seus serventuários a ganir dos écrans abaixo, protestando por não terem podido filmar Bruno de Carvalho algemado e a sair de uma carrinha celular.

Nunca se tinha visto – nem alguma vez me passara pela cabeça tal coisa, sequer como eventualidade – que dos bordéis do jornalixo pudesse emergir uma tal reivindicação de almas de mabecos contra um homem.

Acautelem-se os que formulam tais reivindicações de devastação, porque a infelicidade e a morte costumam corresponder com celeridade aos que as amam, pelas estranhas leis de uma inexplicada homeopatia das desgraças.

Insaciável e selvática gentalha.

A que ponto vai, nesta terra – que todos os dias também tal corja torna um pouco mais difícil de suportar – o ódio pelo êxito alheio, pela suficiência alheia, pelo trabalho bem feito, pela autodeterminação pessoal de que os outros forem capazes. O ódio, até, pela capacidade pessoal de resistência à adversidade. Que a vergonha os cubra como um manto, diz-se nas Sagradas Escrituras. Não há nada que se possa acrescentar ou retirar às Sagradas Escrituras. A sentença está aí perfeitamente firmada. E bem impressa na sensibilidade comum das pessoas normais.

É verdade que a intervenção de um Director da TVI veio, quanto a tal antena, disciplinar alguma coisa. A existência de um homem normal numa direcção não retira nada ao fenómeno. Ressalva-se apenas a demonstrada existência de um homem normal.

Fiquei impressionado, também, pela gentileza e acuidade de intervenção das jovens jornalistas da televisão pública que apareceram em reportagem. Perceberam bem estas menininhas que a boa figura não resulta da preocupação com a exibição própria, mas com a determinação de fazer bem feito o trabalho que se tem para fazer. Muito bem. O resto são tiques. Caricaturas de primas donas, ou, quase parafraseando o Dr, Arnaldo Matos, o resto é… Sempre a mesma coisa.

Oportunamente vos direi, mais detalhadamente, o que penso do que tem vindo a acontecer.

11 pensamentos sobre “Do lúmpen jornalismo

  1. Chocante o paralelismo dos dois casos no que toca ao interesse de uma vil CS…fico espantada de ver tanto sportinguista fiel a BDC chocado com o modus operandi , que certamente achou tudo muito bem quando se tratava de Sócrates; fico na esperança que seja um abre olhos para muitos antes fãs e crentes de correios da manha e de outros do grupo cofina. Espero sinceramente que comecem a juntar 2 mais 2, que decorem bem o nome Álvaro sobrinho e suas relações com tudo o que se vai passando, que compreendam finalmente a influencia de uma certa cs nos ataques cirurgicos feitos a certas pessoas…até a própria laranjo, também ela frenética atacante de Sócrates em trabalho para o cm…

  2. Por favor façam-me um desenho pois não percebo: leio no DN que o B Carvalho e Mustafá foram acusados de crime de terrorismo – tal como os outros 38 – mas ficam em liberdade ….Terrorismo, o tal crime que justificou a arrecadação de 38 pessoas (sejam elas quem forem ).Fulanização de decisão da justiça ???? Mas que se passa????? Está tudo maluco ou em roda livre e cada um faz o que quer ???? Ou ???? Ou ???? Nem quero pensar muito…Todas as especulações são possíveis a partir de agora ….
    Já agora parece, eu digo parece , que um dos crimes propalados pela comunicação social desapareceu por encanto : detenção e posse de arma. Terá sido alguma criatividade jornalística ou terá desaparecido por conveniência sobre quem toma conta da ocorrência ?????

      • “The degree of civilization in a society can be judged by entering its prisons.” – Dostoyevski
        “Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, foi a mim que fizeram.” – Jesus, supostamente

    • “Acautelem-se os que formulam tais reivindicações de devastação, porque a infelicidade e a morte costumam corresponder com celeridade aos que as amam, pelas estranhas leis de uma inexplicada homeopatia das desgraças.”

  3. Andaram rir quando as “coisas” se passavam com Sócrates que se atreveu a enfrentar os senhores juízes, Vara que sendo banqueiro se atreveu a tentar atrair como cliente um sucateiro já na alta roda dos negócios, e com o próprio desgraçado do sucateiro que se atreveu a criar um negócio de raiz feito à custa de carregar sucata às costas em vez de ir tratar dos seus negócios com a malta séris do BPN.
    Agora, que o caso mete futebol o povão, todo ele expert em saber futebolístico, apreende facilmente a malta que trata a nossa justiça (já agora para dar uma ao estilo do pagode; paga por nós) não com as Leis mas com o seu entendimento fulanizado acerca das mesmas Leis.
    Quando o prazo de prisão de Sócrates ultrapassava sucessivamente os prazos razoáveis e legais era alta complexidade, quando o prazo legal para deduzir acusação ultrapassava sucessivamente os valores indicados na Lei dizia-se que tal prazo estava lá inscrito a título indicativo (No código respectivo o tal prazo terá o respectivo asterisco com chamada de roda-pé a confirmar “a título indicativo?).
    Agora também ficou claro que no caso para interrogar e tomar posição sobre medidas cautelares a tomar sobre o suspeito o prazo legal para tal é um mero número indicativo e uma formalidade para os senhores juízes.
    Tudo isto faz que façamos a ideia que tudo o que está na Lei e nos códigos é, para os nossos super-juízes, apenas um guia michelin de caminhos alternativos.
    E são estes factos de total abuso ilegal da Lei em favor da esperteza do juíz que, aliados a outros, como a total bandalheira com o segredo de justiça e cumplicidade entre “justiça” e jornalismo que vão tratando de fazer o caminho de morte do Estado de Direito e da Democracia.

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