O escritor Cavaco e a azia do salazarista

(Carlos Esperança, 12/10/2018)

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Sem a grandeza ética dos seus antecessores democráticos, nem a inteligência, cultura e sentido de Estado do seu sucessor, continua o mesquinho gestor de rancores e vaidades pessoais, através da prosa que publica e que alguém lhe corrige, para evitar os erros de ortografia e de sintaxe em que é reincidente.

A imaginação que lhe sobrou na acumulação de reformas, na intriga contra um PM, na justificação da ficha da Pide ou na ocultação das ligações à ditadura, sobra-lhe agora na raiva que destila, nos ódios que cultiva e nas intrigas que tece no tempo que lhe sobra da gestão do gordo património, onde pairam sombras, desde as ações da SLN à aquisição da Gaivota Azul.

É surpreendente que o homem que se esqueceu do notário onde fez o melhor negócio da vida, dos que os portugueses sabem (foi preciso a revelação da Visão), se recorde agora das quintas-feiras que evoca para a intriga e a vingança.

Segundo a comunicação social, Cavaco Silva, o único salazarista com o grande colar da Ordem da Liberdade, vai publicar o livro “Quinta-feira e Outros dias – da Coligação à «Geringonça»”, a segunda parte das suas memórias de PR, a lançar no próximo dia 24.

A propaganda antecipa o rol de acusações do escritor que tropeça na ortografia do verbo haver, na conjugação do verbo fazer e no plural da palavra ‘cidadão’, que António Costa lhe disse que “entendimentos” do PS “com o PCP e o BE seriam impossíveis”, além de críticas à “infantilidade” de Paulo Portas.

Na impossibilidade de saber se mente ou não, o seu currículo não é abonatório, há um aspeto que revela a baixeza ética e os sentimentos antidemocráticos do salazarista. A ser verdade que o ora PM lhe disse que “entendimentos” do PS “com o PCP e o BE seriam impossíveis”, era sua obrigação adverti-lo para o desrespeito por esses partidos e a leviandade com que avançava a impossibilidade de entendimento que um democrata tinha obrigação de tentar.

Só um salazarista tentaria impedir os acordos parlamentares que aprovaram o excelente governo de António Costa, depois da patética tentativa de impor um governo PSD/CDS recusado pela AR e com um vice-PM que ora acusa de infantilidade e com quem, não podendo competir na inteligência e cultura, só pode disputar o campeonato da maldade e dissimulação.

Devia explicar aquele ato pífio de dar posse a Maria Luís no governo irrevogavelmente demissionário, sem membros do CDS, numa farsa que a falta de espinha dorsal do CDS se rendeu a um aumento do poder no aparelho de Estado.

Cavaco não percebe que ao afirmar que “José Sócrates e António José Seguro, haviam sido sempre categóricos na afirmação de que o PCP e o BE eram partidos em quem não se podia confiar”, só revela a indigência democrática e, eventualmente, a facilidade com que é capaz de mentir. A difamação grotesca, se fosse credível, exigiria dos visados um veemente repúdio.

Quando um país elege democraticamente um homem destes, durante dez anos como PM e igual tempo como PR, compreendemos melhor fenómenos assustadores que ameaçam o mundo.

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5 pensamentos sobre “O escritor Cavaco e a azia do salazarista

  1. O homem pode escrever – ou ditar, para que o façam – o que lhe aprouver. Dada, porem, a falta de credibilidade do individuo podemos duvidar da veracidade das suas “histórias”. Pelo que vem a público vamos ouvir mais um somatório de intriga torpe e “raiva” que não consegue calar. Um triste!

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  2. Como eu antevi!
    Como eu escrevi!
    Como eu já disse!
    Como eu tinha avisado!
    como eu tinha dito!
    Como eu informei!
    Como eu tinha analisado!
    Como eu, eu, eu, âo, ão, ão!
    Um verdadeiro sem-abrigo de sentido de Estado, de inteligência, de grandeza, de honestidade intelectual e moral, de estatura humana, de patriotismo, de hombridade, de amizade, de visão política de Estado e de futuro, de conhecimento literário, politico e filosófico, de qualquer ambição ou projecto que não seja ele próprio.
    Um verdadeiro sem-abrigo mais miserável que o próprio sem-abrigo de rua pois este dorme no passeio ao relento e, livre de obsessões, pode maravilhar-se a olhar e contar estrelas no céu enquanto este, que tudo antevê, vive mentalmente no fundo de um poço fundo contando rancores, vinganças, avarezas, mesquinhices, delações, pensões, tostões, trocas de miudezas.
    Um ser mal formado a evitar.

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  3. A “múmia” frustrada e vingativa, “presidente da República” por alcunha e não por função, cujo exercício, nunca se cansou de desprestigiar, de “avacalhar”, ao revelar conversas de Estado que dado o seu perfil mesquinho e falso, nada garantem que sejam verdade, mostra, sem vergonha, o seu perfil de bufo, cuja existência (ou não) de uma “inscrição na pide”, bem revela a sua baixeza…

    Já partilhei, com prazer, mais este excelente texto de Carlos Esperança, que cumprimento, embora não nos conheçamos !

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  4. Ouvido de medico, esta manha na empresa. Titulo do tijolo: De… á Geringonça. Se assim for, registe-se tal pérola literária. De emérito estadista, ao cuidado da Academia. A bem da Estética.

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