O Roubo de Tancos

(Dieter Dellinger, 17/07/2018)

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Questionado sobre o que terá levado ao roubo naqueles paióis, Rovisco Duarte (CEME), respondeu que ficou “surpreendido”:

“Entre 20 paióis, que existem naquela área de 34 hectares, com perímetros de cerca de 3.000 metros, com duas vedações, eles vão escolher dois paióis que têm o material que consideramos o mais sensível , o que significa que temos de tirar algumas conclusões”.

Palavras do Chefe de Estado Maior do Exército pouco depois do roubo de Tancos. A seguir Rovisco Pais suspendeu cinco comandantes das suas função e que tinham material de guerra armazenado nos 20 paióis do exército.

Neste momento, o atual CEME fez uma inaceitável PROVOCAÇÃO POLÍTICA ao integrar dois dos principais comandantes das unidades de Tancos que tinham os paióis, no curso de promoção a Generais.

O Presidente da República pode ter feito um ERRO, ao colocar na sua página o protesto pelo facto de não se ter apurado nada e dizer, primeiro que no material encontrado falta algo, e depois que se encontrou a mais. Pode não ter havido um inventário correto, o qual é da responsabilidade dos comandantes, ou pode ter sido restituído material proveniente de outros roubos em unidades ou paióis a que os comandantes não quiseram ligar.

Marcelo, teria sido mais avisado se, na sua qualidade de Comandante em Chefe das Forças Armadas chamasse o CEME, os comandantes das unidades de Tancos e o Ministro da Defesa para, em segredo, ver bem o que se passa.

O PR devia perceber que estes assuntos de material de guerra e, principalmente, de 400 kg de explosivos não devem ser tratados em público. Não se deve avisar os autores dos roubos do que se está a fazer.

Rui Rio mostrou uma incapacidade total para tratar assuntos de Estado ao chamar o Ministro da Defesa para depor numa Comissão da AR, provavelmente em público. Não se lembrou do assunto, antes de Marcelo escrever na página da PR o seu protesto. Rio mostrou-se um oportunista sem moral,  a julgar que as pessoas não o vão avaliar dessa maneira, o que não aconteceria se ele tivesse essa ideia umas semanas antes.

Não devemos esquecer que, os comandantes que vão ser promovidos a generais, no início proibiram a Polícia Judiciária de entrar em Tancos e, aparentemente, não fizeram ou mandaram fazer uma investigação detalhada. Basearam-se certamente no facto de que aquilo que se passou dentro de perímetro militar seria da competência deles e da Polícia Judiciária Militar. Claro que não é, de todo. A PJ deve começar a investigar no interior do exército em conjunto com a PJM. Há dezenas de paióis, pelo que aquele que foi assaltado é o que continha material mais sensível, explosivos, e mais suscetível de ser utilizado em atentados com explosivos, em Portugal ou nos países da União Europeia.

O Ministro da Defesa não pode vir a público dar qualquer informação porque esta iria parar aos autores do roubo. Não pode informar que, eventualmente, não há mais investigações e também não pode informar que há investigações em curso e quais as pistas que são seguidas. Na melhor das hipóteses, o MD deverá mentir para enganar os ladrões, dizendo que não há mais investigações de modo a deixar que façam qualquer coisa que os denuncie ou dar uma pista falsa. Qualquer verdade seria contrária aos interesses da PÁTRIA.

Não é da responsabilidade do Ministro da Defesa manter as portas dos paióis e quartéis devidamente fechadas, como não é da responsabilidade do Ministro do Interior vir fechar a porta da minha casa.

O Ministro da Defesa devia ir à Comissão acompanhado pelo CEME e pelos comandantes das unidades de Tancos responsáveis pela segurança dos paióis.

Claro que, compete ao Ministro da Defesa demitir o CEME, e não permitir que os comandantes de Tancos venham a ser generais. Não parecem ser pessoas de confiança se nada for descoberto em breve.

Eu faço parte das pessoas que admitem como possível que os 16450 incêndios do ano passado estejam ligados ao roubo de Tancos. Os fogos foram ateados no âmbito de uma operação estratégica, aparentemente proveniente de uma mente militar, e os 400 kg de explosivos, mais outro material, seriam um complemento para os 500 mil hectares ardidos e mais de 100 vítimas mortais.

Provavelmente, a célula terrorista instalada no seio do exército, achou que os incêndios seriam suficientes para abater o governo de António Costa, e continuam a ser um perigo: o PS tem 42% de intenções de voto, a conspiração dos magistrados contra Sócrates não está a resultar, e será um fiasco se o ex-PM for a tribunal e a defesa exigir a prova daquilo que acusam o eng. J. Sócrates.

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