Aos sindicalistas da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP)

(Por Carlos Esperança, 02/02/2018)

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Em 2012 a ASJP fez queixa ao Ministério Público, na 9.ª secção do DIAP de Lisboa, de todo o 2.º Governo de José Sócrates, cerca de 80 cidadãos, entre ministros, secretários de Estado e chefes de gabinete, para averiguação de eventual uso indevido de cartões de crédito. Faria parte da agenda política?

Não sei se o sindicato dos estivadores, merecedor de mais consideração do que a bizarra associação sindical de titulares de um órgão de soberania, lograria que as investigações fossem levadas a cabo pelo MP, durante seis anos, mas é relevante zelar pela aplicação de dinheiros públicos. Lá isso é.

No entanto, a delação de Sucelências parece um ato de vingança da direção da singular Associação por ter anteriormente acompanhado exigências remuneratórias de ameaças.

Certamente, sem cobertura mediática e ao arrepio dos objetivos estatutários, Sucelências não terão deixado de fazer queixa dos corruptos dos submarinos, dos beneficiários dos 6 milhões de euros da burla da Tecnoforma, cuja devolução a UE reclama, do abate dos sobreiros que envolveram ex-ministros da Agricultura, do Ambiente e do Turismo, respetivamente Costa Neves (PSD), Nobre Guedes e Telmo Correia (CDS) autorizando o abate de 2500 árvores protegidas na Herdade da Vargem Fresca, em Benavente.

Certamente, a ASJP não deixou passar sem delação, após a falência do BPN, a suspeita aquisição das vivendas de um condomínio de luxo da Praia da Coelha, e os negócios de ações da SLN (não cotadas em bolsa) pedindo ao MP que averiguasse quem, como e com que meios de pagamento as transacionaram. Igualmente se adivinha a preocupação sobre o crédito malparado da CGD, BES e BANIF, e sobre os depósitos, em numerário, nas contas do CDS/PP.

Terá sido o fracasso das investigações a milhares de milhões de euros que delapidaram a economia nacional que levou Vocências, direção da ASJP, a pedir ao MP que exigisse a «remessa da identificação de todos os cartões de crédito e respetivos titulares membros dos gabinetes ministeriais, desde 2007 até 2013»?

Desta vez, Vocências tiveram êxito, embora obrigando o MP a árduas investigações, de 6 anos. Caçaram dois secretários de Estado, um deles, o mediático José Magalhães, que se apropriou de 421,74 € para uso pessoal, na compra de livros.

O problema de Vocências é o facto de apenas ser conhecida a sanha contra um Governo, ignorando-se as preocupações nos casos supracitados e outros. Assim, arriscam-se a ser vistos, não como juízes, que também são, mas como rancorosos sindicalistas atolados na vertigem política e na defesa de interesses corporativos.

A atitude Vocências é perniciosa para o poder judicial e para a democracia, injusta para juízes isentos, que não se deixam partidarizar e não se reveem na delação politizada da ASJP.


Apostilas:
1 – Glossário: Sucências (abrev. de Suas Excelências); Vocências (abrev. de Vossas Excelências.
2 – A minha admiração e respeito pelos juízes é diretamente proporcional ao desprezo pela ASJP.

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