E os Números?

(Por Dieter Dillinger, in Facebook, 05/01/2018)

santana_rio

Ouvindo os políticos que falaram hoje cheguei à conclusão que sabem muito, mas nada de números.

Rui Rio e Santana disseram muita coisa que não vale nada.
Quanto a projetos políticos, Rui Rio diz que quer fazer uma política de futuro com mais crescimento e mais isto e aquilo, mas reparando bem ele só falou no IRC, o imposto sobre o lucro das empresas. Sucede que todo o nosso dinheiro passa pelas empresas com exceção daquele que algumas pessoas podem esconder numa panela da cozinha ou no colchão.

Rui Rio é economista e não sabe que o imposto sobre os lucros das empresas, IRC, é o imposto global que tem uma das menores receitas no OE 2018, isto, é, com previsão de 5.585 milhões de euros quando para o IRS estão orçamentados 12.145 milhões e o IVA em 16.548 milhões.. Até o imposto sobre os combustíveis está perto do IRC com 3.554 milhões.

Não creio pois que haja muito futuro em descer o IRC que representa cerca de 5% das receitas do Estado e não impede o investimento porque todas as despesas empresariais não pagam impostos, salvo algumas como carros de luxo que o Estado sabe que são também privados. Mas, enfim, o economista não fez as contas.

Santana falou vagamente em crescimento e redução de impostos, mas nada disse de concreto.

Os dois acham que o Governo não está a governar para o futuro como se um gigantesco saldo primário que permitiu reduzir substancialmente o défice não tivesse algo a ver com o futuro.

Fundamentalmente, Rui Rio e Santana criticaram as chamadas reposiçõezinhas, dando a entender que acham que o pessoal deve continuar com as carreiras estagnadas e médicos, professores, polícias, etc. devem auferir apenas o miserável ordenado inicial e, naturalmente, os 2,8 milhões de pensionistas não podem ter quaisquer aumentos, até porque para Rio representam o passado e não o futuro. Enquanto eleitores, estes pensionistas devem ter isso em conta.

Rui Rio quer descentralizar e criar governos regionais que estarão mais próximos das populações, mas custam uma fortuna para reduzir a chamada “desertificação” do interior.

Ora, num país cheio de autoestradas e provido de uma das melhores redes de telefone, internet e TV da Europa, um interior ainda pouco ocupado é uma felicidade na medida em que há espaço para instalar indústrias e áreas de habitação sem destruir o essencial da paisagem e arvoredo tão necessários para evitar as alterações climatéricas e a Pátria não é para viver na próxima legislatura, mas sim nos próximos séculos ou milénios. Mas, esta questão do interior é problema para os dez a vinte anos agora iniciados e em certas zonas já começou a ocupação.

Tanto os dois do PPD como depois o Rangel mais os outros na Prova dos Nove da TVI falaram nessa coisa “horrível” que é a lei do financiamento dos partidos que se resume a isentá-los do IVA. Já estavam isentos para aquilo que é a chamada mensagem política dos partidos, mas ficam alargadas a todas as despesas. O socialista disse que não devia competir aos funcionários tributários saber o que é a mensagem e o que não é. Recentemente muitos de nós estivemos no Casal Ventoso no jantar do Governo e ouvimos muitas mensagens políticas, entre as quais a do PM António Costa. No custo do jantar, 15 euros, nada estava incluído para o partido, mas devia de estar alguma coisa mais dado que fomos para comer e para ouvir a mensagem atual do partido enquanto Governo.

Sucede que o Código do IVA tem 27 alíneas de isenção que são auferidas por 35 mil instituições portuguesas sem fins lucrativos como Igrejas, IPSS, Fundações e muita coisa mais. Enfim, só 35 mil, entre as quais está a IURD com os seus bispos multimilionários com aviões a jacto privadas e casas de grande luxo e negócios muito especiais como a venda crianças roubadas às famílias. “Cala-te boca, não digas tudo”.

Só gostei de Rui Rio quando este, a propósito da chamada operação marquês, disse que era contra os julgamentos nos jornais e que o Ministério Público comportou-se muito mal ao estar ligado a uma certa comunicação social. Isso é contra os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

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