Dentro do euro não há dinheiro

(Jorge Bateira, in Facebok, 21/11/2017)

euros
Comecei o dia a ler as queixas de muitos reformados e pensionistas numa discussão a propósito das negociações com os professores e suas implicações orçamentais. Ter-se-á aberto a caixa de Pandora. De impulso, publiquei este comentário que aqui reproduzo:

Caros amigos, por muito que vos custe, a atitude política da imensa maioria dos atingidos pela austeridade da troika é inconsistente. Na altura, engoliram a propaganda de que “a culpa foi nossa por termos gasto acima das nossas possibilidades”. Agora, engoliram a propaganda do “virámos a página da austeridade”. Como economista e professor de economia política internacional, há anos que tenho investido muito do meu tempo a desmontar estas afirmações que manipulam a opinião pública.

Há vídeos e textos no blogue Ladrões de Bicicletas e na minha página Facebook e da Democracia Solidária – associação política, de que sou presidente, a explicar com clareza que o Governo não pode dar tudo a todos porque está dentro do euro.

Se não querem que o Estado social e o país morram de morte lenta, então (para serem consistentes) têm de reconhecer que dentro do euro não há vida decente. Tornar-nos-emos uma periferia do “espaço vital alemão”, empobrecida, envelhecida, decadente, tal como boa parte do interior do nosso país. Portanto, se querem contestar a política orçamental dos Governos (os anteriores e este) e fazer manifestações, sejam consequentes: manifestem-se pela recuperação da soberania nacional.

Um governo com moeda soberana tem dinheiro para pagar as despesas correntes e o investimento público que estimularão a economia e a criação de emprego. E, então, haverá orçamento para uma reforma justa das carreiras da função pública.

Tomem nota: primeiro o Estado gasta e gera défice -> depois, a economia cresce e gera emprego (o Estado também pode ter programas sociais de emprego) -> a seguir, as receitas do Estado aumentam e os subsídios sociais de desemprego, e outros, baixam => orçamento reequilibrado.

Conclusão: sim, há dinheiro, mas só depois de sairmos do euro e travarmos a fuga do dinheiro dos ricos para os paraísos fiscais (Luxemburgo à cabeça). Agora não fiquem na lamúria querendo ter sol na eira e chuva no nabal.

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